CHAPITRE 8 : CONCLUSIONS ET PERSPECTIVES DE RECHERCHE
8.1. CONCLUSIONS
decorrer da prática pedagógica desenvolvida em contexto de EPE, importa compreender e refletir um pouco acerca da problemática detetada - O Desenvolvimento Sociomoral.
Assim sendo, procura-se compreender a importância do desenvolvimento da sociomoralidade nas crianças desde tenra idade e encontrar estratégias que o promovam, tendo em vista a resolução do problema em questão pela utilização da metodologia de investigação-ação.
4.1. Promover o desenvolvimento da sociomoralidade em contexto educativo? Porquê?
É na infância que se estabelecem as primeiras relações sociais, aquando da criação de laços firmes entre a criança e as pessoas que lhe são mais próximas. O desenvolvimento das competências sociais é um processo progressivo e interativo em que as crianças aprendem através de experiências de interação com o outro (Katz & McClellan, citadas por Lino, 1996). A escola, por ser o local onde a criança passa mais tempo, é um ambiente privilegiado ao desenvolvimento da área de formação pessoal e social da criança, em que está implícito o seu desenvolvimento sociomoral. Os valores e padrões sociais são aspetos essenciais a promover nas crianças, sendo papel do docente dar-lhes oportunidades de vivenciar experiências nesse sentido.
Como tal, é desde muito cedo que se deve desenvolver na criança a sua sociomoralidade. Segundo as OCEPE, na EPE é proporcionado um “(…) contexto imediato de interação social e de socialização através da relação entre crianças, crianças e adultos e entre adultos” (Silva, 2016, p. 26), o que constitui a base do processo educativo. Assim sendo, o docente deverá estar ciente que a forma como este se relaciona com as crianças é fundamental em todo o processo educativo. Uma boa relação de comunicação com as crianças irá, certamente, promover o sentimento de pertença, de respeito e atenção pelo outro.
Em contexto de EPE, é natural o surgimento frequente de conflitos interpessoais. A criança nesta faixa etária possui um comportamento egocêntrico, não sendo capaz de aceitar o ponto de vista do outro (Lourenço, 2006). Deste modo, como afirma Oliveira- Formosinho (1996), é importante que se criem situações de aprendizagem que envolvam a partilha e a cooperação. É necessário que este trabalho seja realizado de forma
prolongada, pois as crianças têm dificuldade em compreender e aceitar as diferenças, interesses, sentimentos e opiniões dos outros, sendo este um processo demorado, mas crucial.
“Facilitar o desenvolvimento moral diz respeito a desenvolver a capacidade de regular as relações interpessoais (…)” (Matos, 1997), sendo este papel fundamental do profissional de Educação, com vista a contribuir para o desenvolvimento e formação de cidadãos conscientes, responsáveis e ativos na vida em sociedade.
4.2. Como desenvolver competências sociomorais na escola?
Como referido anteriormente, o desenvolvimento sociomoral é um assunto fundamental na Educação. O processo em que um indivíduo se torna pessoa constitui-se com uma construção pessoal e social que demanda colaboração social (Oliveira- Formosinho, 1996). Desta forma, em contexto educativo, o educador enquanto colaborador em todo esse processo, deverá construir uma praxis de qualidade, que vá ao encontro dos interesses e necessidades das suas crianças.
São vários os autores que referem algumas estratégias de que o docente se pode servir para desenvolver competências sociomorais nas suas crianças. Como já foi mencionado, para Oliveira-Formosinho (1996), a cooperação é fundamental em contexto de Educação de Infância, logo deverá ser promovida desde tenra idade. Para Lopes e Silva (2009) a aprendizagem cooperativa abarca um conjunto de benefícios que podem ser de ordem social, psicológica e académica. Além de estimular e desenvolver relações interpessoais, o trabalho cooperativo, incentiva a compreensão pela diversidade, fomenta o espírito de equipa e de interajuda e coloca a criança no centro da aprendizagem.
Além da aprendizagem cooperativa, a comunicação autêntica é também uma estratégia referida por Oliveira-Formosinho (1996) como benéfica para o desenvolvimento sociomoral das crianças. Este conceito refere-se essencialmente a momentos de diálogo em grupo, onde é efetuada uma troca de ideias, opiniões e partilha de vivências. Estes são momentos privilegiados para se dar voz às crianças, escutando os seus interesses, as suas vivências e os seus anseios.
Noronha (1996) acrescenta ainda o reforço dos comportamentos positivos como estratégia que consiste em dar especial destaque aos comportamentos positivos das crianças em detrimento dos negativos. Assim, a criança sentir-se-á reconhecida pelas suas ações corretas e não apenas pelos seus erros.
Contudo, os comportamentos menos adequados não devem ser ignorados, mas sim encarados de forma adequada. Segundo Matos (1997), o recorrer à desigualdade de poder, isto é, ao poder autoritário, para intimidar a criança pode levá-la ao sentimento de medo e de ansiedade, não sendo este um sentido moral interiorizado, mas sim o sentido de medo pela punição. Assim sendo, a atitude do adulto deverá ser a de dar consequências e mostrar as suas razões de forma clara.
Lino (1996) refere ainda a pertinência de se recorrer à construção de regras da sala. Este instrumento surge como uma forma de lembrar às crianças as normas do espaço de sala e de permitir que estas a utilizem autonomamente.
Oliveira-Formosinho (1996), afirma ainda que o docente ao explicar às crianças que as regras definidas são aplicadas de modo igual para todos, ajuda a criança a criar um ambiente pró-social. Assim sendo, torna-se fundamental que o docente seja equilibrado na sua relação com as crianças, para que estas não se sintam excluídas ou discriminadas. Este deve, assim, deixar claro que está disponível para todas elas da mesma forma. Neste sentido, é feita, assim, a estimulação de um sentido de justiça com regras básicas.
Todas as estratégias acima descritas, entre outras que não foram aqui referidas, devem ser pensadas, planeadas e aplicadas pelo docente de forma adequada e consciente, tendo como principal objetivo uma tentativa sóbria e fundamentada de promover desenvolvimento sociomoral das crianças.