A TG1ª IA do grupo D (40,3%; P = 0,78) foi similar à dos restantes grupos, o que sugere
que o protocolo COsynch-64 + CIDR é, pelo menos, tão eficiente na sincronização da ovula- ção, para IATF, como as dos protocolos Ovsynch-64 e Ovsynch-64 + CIDR em vacas leiteiras de alta produção leiteira. Os resultados deste grupo estão em acordância com os de Bartolome
et al. (2009) com uma TG de 35,1% e com os de Chebel et al. (2010) com uma TG de 33,6%,
embora tenham realizado a IATF às 72 h após a administração de PGF2α e submetido os animais a uma pré-sincronização (protocolo Presynch-COsynch). De facto, é actualmente consentâneo que com IATF após instauração deste tipo de protocolos hormonais dificilmente se atinge de forma consistente taxas de concepção superiores a 40% (Macmillan, 2010).
No presente estudo, a IATF após remoção do CIDR foi de 64 h revelando-se este um momento de inseminação correcto. Embora dependente do protocolo usado, a sincronização da ovulação ocorre normalmente, com alguma variabilidade entre as 70 - 75 h após remoção do CIDR / administração de PGF2α (Wiltbank et al., 2011). É, pois, essencial que a sincroni- zação da ovulação com a IATF seja adequada para obter TG elevadas. O momento da admi- nistração da GnRH-2 pode diminuir aquela variabilidade. De facto, Hittinger et al. (2004) observaram em novilhas da raça Holstein uma ovulação média de 77,5 ± 9,0 h após remoção do CIDR, sem a aplicação da GnRH-2, sugerindo que a administração desta hormona possa ser realizada no momento da IATF ou 12 a 16 h antes. Usando o protocolo COsynch + CIDR em novilhas de aptidão carne, Kasimanickam et al. (2012) observaram um incremento da TG em 10,3% quando a IATF passou de 72 h para 56h (55,9% vs. 66,2%, respectivamente; P <0,001) após remoção do CIDR, o que revela a importância do momento da IATF após remo- ção deste. Por outro lado, Brusveen et al. (2008) observaram maiores TG aplicando a GnRH às 56h (Ovsynch-56; 38,6%), 16h antes da IAFT, a qual foi realizada às 72h em comparação com o COsynch-48 (29,2%, P <0,03) ou COsynch-72 (25,4%, P <0,001), evidenciando por
Aplicação do protocolo COsynch-64 + CIDR em vacas leiteiras
sua vez a importância do momento da 2ª administração de GnRH. No presente estudo, uma vez que não se observaram diferenças estatisticamente significativas na TG1ª IA quando a
GnRH-2 foi administrada no momento da IATF (Grupo D) ou 16h antes (Grupo C) torna-se possível evitar mais uma manipulação com o uso do protocolo COsynch-64 + CIDR.
A observação da TG1ª IA superior a 30% nos grupos B e C, no presente estudo, está em
consonância com os valores obtidos para os protocolos Ovsynch e Ovsynch + CIDR em ex- plorações leiteiras de outras partes do mundo. De facto, de acordo com os resultados obtidos por El Zarkouny et al. (2004), Melendez (2006) e Stevenson et al. (2006, 2008), a TG pode normalmente variar de 19,8% a 33,0 % para o protocolo Ovsynch e de 29,0% a 45,1% para o protocolo Ovsynch + CIDR. No entanto, tal como o observado no nosso estudo, Galvão et al. (2004) não observaram diferenças da TG entre os protocolos Ovsynch (29,3%) e Ovsynch + CIDR (32,2%; P> 0,05). De notar que a aplicação de CIDR em protocolos de pré- sincronização pode diminuir o n.º de vacas em anestro, embora possa não aumentar a TG à IATF, como o observado por Chebel et al. (2006) e por Bicalho et al. (2007).
O uso do CIDR pode aumentar a TG devido à diminuição das perdas embrionárias tar- dias ou fetais precoces durante os meses de maior calor. No entanto, no nosso estudo, embora a média mensal da temperatura do ar se tenha aproximado dos 30ºC, nos meses mais quentes (Agosto de 2009), a presença de sistemas passivos e activos (a partir dos 24ºC) de arrefeci- mento tentou minimizar o stress térmico. De destacar que as perdas embrionárias/fetais foram somente de 3,3%. De qualquer forma mesmo que em Agosto somente vacas com uso de CIDR tenham ficado gestantes à 1ª IA, os dados do presente estudo são insuficientes para retirar ilações, pelo que são necessários novos estudos que contemplem estes aspectos.
Embora 20 a 30% de vacas altas produtoras possam se encontrar em anestro (com maior incidência nas primíparas) entre os 50 a 70 após o parto (Gümen et al., 2003; Lopez et
al., 2005), quando normalmente se dá início a estes tipos de protocolos hormonais, no nosso
estudo o intervalo parto-1ªIA foi superior a 130 dias, tal como o observado nos grupos B e C, e em mais de 30 dias que o grupo controlo (103,8 ± 6,5 dias; P <0,001). Lopez et al. (2005) observaram uma incidência de vacas em anestro aos 100 dias após o parto de 13,1% (35/267) comparativamente à incidência de 28,5% (76/267) encontrada aos 71 dias. Esta circunstância pode, porventura, ter influenciado positivamente a proporção de animais cíclicos e/ou com
Aplicação do protocolo COsynch-64 + CIDR em vacas leiteiras
maiores níveis estáveis de P4 após reinício da actividade ovulatória e com menores ciclos éstricos de curta duração (Gümen et al., 2003) e consequentemente a melhoria da TG1ªIA no
presente trabalho. De facto, Cunha et al. (2008) observaram que vacas com baixos níveis plasmáticos de P4 antes da IATF tinham menores TG do que vacas com níveis mais elevados (37,1% vs. 51,0%; P <0,001). Segundo Denicol et al. (2012), para assegurar elevadas TG, os protocolos de sincronização de ovulação em vacas leiteiras de alta produção devem resultar do crescimento do folículo ovulatório em ambiente de concentrações plasmáticas > 2 ng/mL.
De destacar, no entanto, que a condição corporal influencia a incidência de anestro no pós-parto, tal como o observado por Moreira et al. (2001) por volta dos 2 meses pós-parto e que a recuperação desta, após atingidos os picos de lactação e de ingestão, se vai efectuando lentamente (Walsh et al., 2007a). O efeito da condição corporal (assim como a exibição de cio) sobre a TG, usando o Ovsynch + CIDR, foi recentemente bem evidenciado por Whittier
et al. (2013), os quais observaram uma variação positiva entre 49,3% e 55,8% relativamente a
maiores graus de condição corporal em bovinos de carne.
A correlação entre o intervalo entre parto-1ªIA e a TG1ªIA de r = 0,70, por nós observa-
da e considerando todos os animais, parece corroborar em parte alguns destes efeitos, com destaque para o perfil plasmático de P4 incluindo a actividade ovulatória e a evolução da con- dição corporal dos animais durante os primeiros 4-5 meses após o parto. São, pois, necessá- rios mais estudos, num maior n.º de animais, com a avaliação da sua ciclicidade e condição corporal, e da TS, para se determinar em cada uma dessas condições a potencial superioridade do protocolo COsynch-64 + CIDR, relativamente aos 2 restantes, em vacas leiteiras.
De qualquer forma, a similaridade da TG1ªIA dos diferentes grupos (B, C e D) sujeitos
a tratamento hormonal (onde não foi detectado o cio), com a do grupo controlo (A) em que a IA ocorreu após a detecção do cio natural, sugere ser técnica e economicamente viável a utili- zação daqueles protocolos em explorações leiteiras comerciais para uso de IATF em vacas no pós-parto, em que não seja detectado o cio, com destaque para o protocolo COsynch-64 + CIDR. Este aspecto assume primordial importância onde a detecção de cios seja uma causa importante de limitação da eficiência reprodutiva em efectivos leiteiros como o observado por Rocha et al. (2001, 2010) em Portugal.
Aplicação do protocolo COsynch-64 + CIDR em vacas leiteiras