Chapitre 1 De la conception à l’exploitation des systèmes de climatisation à eau glacée
1.3 Comprendre la régulation et l’architecture centrale de la distribution d’eau
Realizado o curso, recolhidos os dados, com uma proposta de investigação clara, eles foram organizados, buscando modos de compreender o fenômeno focado pela pesquisa, ou seja, compreender como concepções de mundo e de conhecimento e concepções de ensino se articulam.
É importante destacar que nesse movimento, do qual faço parte, minhas crenças prévias, meus pré-conceitos, minhas próprias concepções estiveram sob minha atenção. Caso contrário, a análise desses dados não passaria de uma auto-
procurando transcender minha esfera de subjetividade, doando-me à pesquisa, abrindo-me a ela. Quando isso ocorre, o movimento da epoché15 está se dando e reduções sucessivas vão sendo elaboradas, constituindo-se, então, a pesquisa com enfoque fenomenológico.
A epoché é um movimento em que coloco em destaque o tema que intenciono investigar, deixando em suspensão e sob atenção minhas crenças prévias, meus pré- conceitos, permanecendo atento para o que se mostra. O esforço é feito na direção de transcender a barreira de fragilidade e ingenuidade de minhas próprias concepções, em uma atitude de atenção ao mundo que me cerca. Saliento que não se trata de descartar minhas concepções, à moda de uma veste não apropriada a uma festa, mas estar atento ao modo como se tornam presentes na compreensão do fenômeno. Esse movimento é essencial visto que, como indica Bicudo (1999), “pela redução os atos da consciência expõem-se, ou seja, toma-se ciência deles de modo que, pela reflexão, um de seus componentes, são explicitadas as raízes cognitivas das próprias afirmações”.
Cabe lembrar que esse movimento de redução foi efetuado apenas com os Ensaios Finais.
Como primeiro momento da análise, efetuei diversas leituras dos dados obtidos, focalizando a explicitação dos significados e sentidos que concepções sobre mundo e conhecimento fazem para os professores. Ou seja, busquei ficar atento aos modos pelos quais esses sentidos e significados eram expressos, deixando-me conduzir pelo movimento de meta-compreensão e pela relação concepção/meta-compreensão/prática docente. Nesse movimento de interpretação, destaquei trechos que me diziam do fenômeno investigado.
Esses trechos foram, então, codificados por meio de quatro campos e chamados de Unidades de Significado, abreviados por US. Esses campos foram codificados da esquerda para a direita da seguinte maneira16:
1 – No primeiro campo temos uma letra representativa do depoente, de modo que André será representado por D; Ana, por A; Mainah, por M; e Sophia, por S.
15Epoché, redução e redução trascendental são termos utilizados por Husserl em diferentes obras e são usualmente tomados como sinônimos.
16 Consideramos nessa codificação todos os grupos de dados, de modo que uma pesquisa posterior que não privilegiasse apenas os Ensaios Finais pudesse utilizar a mesma codificação.
Número de ordem da US do encontro
Número do encontro
Sujeito
2 – No segundo campo, temos o tipo de dado, representado por um número, a saber, 1 para Síntese, 2 para Ensaio Final, 3 para Entrevista e 4 para Discussão Final.
3 – No terceiro campo temos o número do encontro, podendo variar de 1 a 16, no caso das Sínteses, por terem ocorrido ao longo de 16 encontros. No caso dos outros grupos de dados, por serem grupos únicos, convencionamos a utilização do número 1 nesse campo.
4 – No quarto campo temos a ordem em que a US aparece no texto17 do qual ela foi extraída.
Entretanto, tanto o número do encontro como o número de ordem da Unidade de Significado poderiam ser constituídos por dois números, de modo que A1123 poderia ser o código da 3ª US da Síntese de Ana do Encontro 12 ou da 23ª US da Síntese de Ana do Encontro 1. Para evitar a ambigüidade do código, separamos o código do número do encontro e a ordem da US por um ponto.
Assim, para uma correta leitura desse código, basta que se leiam os dois primeiros campos como campos sempre individuais. O que vier a seguir, antes do ponto, é o número do encontro. O que vier depois do ponto é a ordem da US.
Além disso, algumas sínteses foram realizadas após dois encontros nos quais foi discutido o mesmo tema. Nesses casos, utilizamos o número do último encontro realizado.
Abaixo, segue–se um exemplo: a US A21.4, que codifica o trecho referente à 4ª US do Ensaio Final de Ana.
Tipo de dado
A
2
1
4
É importante salientar que, ao ler essas Unidades de Significado, um movimento hermenêutico, de interpretação, está sendo efetuado, de modo que as asserções estabelecidas sobre essas unidades são articuladas pelo próprio pesquisador, que tem como contra-ponto o texto do depoimento. Buscando explicitar esse movimento de articulação entre o que é lido e como é lido, interpretado, essas Unidades de Significado foram, a seguir, incluídas em uma tabela de cinco colunas, onde a primeira coluna é destinada ao código da US; a segunda coluna, ao trecho retirado do discurso do sujeito; a terceira coluna, às primeiras interpretações sobre os vocábulos utilizados pelo sujeito; a quarta coluna, a uma asserção articulada por mim, como pesquisador, buscando explicitar o significado, e por vezes o sentido, da fala do sujeito por mim percebido, em uma linguagem inteligível e significativa para mim, pesquisador; e a quinta coluna, a reflexões do pesquisador sobre Matemática e Educação Matemática disparadas pelos excertos indicados na segunda coluna18. Segue um exemplo, retirado do Ensaio Final de Ana:
Código
da US Unidade de Significado Interpretações Primeiras Linguagem do Pesquisador pesquisador faz com Articulações que o a Matemática A21.9 [...] não se pode mais analisar situações
separando-as por partes. Situação: combinação ou concorrência de acontecimentos em um dado momento; Conjuntura.
Considera que não é mais aceitável analisar situações separando os fatores que as compõem como se fossem disjuntos.
A Matemática, quando não é vista de modo integrado com outras disciplinas, pode ficar fadada a uma estrutura abstrata.
Em alguns excertos, o símbolo [...], colchetes com três pontos internos, é utilizado para indicar supressões de textos e o símbolo [ a ], colchetes com um texto interno, é utilizado para indicar inserções feitas pelo pesquisador relativas a possíveis textos ocultos, objetivando maior clareza do texto. Os parênteses, quando aparecem, são provenientes do próprio discurso do depoente.
18 Há diversos casos de US que não possuem preenchimento na quinta coluna. Esse é um indicativo de que o referido excerto não disparou reflexões sobre Matemática ou Educação Matemática.
Para a interpretação dos vocábulos, foi utilizado o dicionário Houaiss (2001) na busca pelos significados já estabelecidos tradicionalmente de tais palavras. Os significados dos vocábulos foram explicitados apenas na primeira vez em que apareceram. Em seguida, foram tomados como da vez anterior, salvo quando apresentavam um significado ou sentido próprios, conforme texto e contexto. Isso ocorria, geralmente, quando o vocábulo expressava um sentido diferente do significado convencional da palavra, desvelado por meio da atenção ao contexto em que ele se situava. Nesses casos, utilizamos a abreviação ST em frente à palavra, expressando que, em nossa interpretação, aquele era o sentido explicitado pelo depoente em seu texto. Segue um exemplo:
Código
da US Unidade de Significado Interpretações Primeiras Linguagem do Pesquisador pesquisador faz com Articulações que o a Matemática D21.2 Não consegui mudar o meu modo de agir e
a minha forma de pensar, mas agora sei que há uma maneira menos objetiva, exata e talvez até menos parcial de pensarmos. Parcial: ST imparcial. Imparcial: 1. que se abstém de tomar partido ao julgar ou ao constituir-se em julgamento. 2. que julga sem paixão.
Saber: ter consciência de.
Considera que não conseguiu mudar seu modo de agir, nem seu modo de pensar, contudo, afirma que agora tem
consciência de uma maneira menos objetiva, menos exata e menos imparcial de pensar. Um modo menos objetivo, exato e imparcial de pensar pode enfraquecer a Matemática quando esta é vista como ciência platônica e absoluta, contudo, reforça a importância dela como produção de conhecimento contextualizado.
Explicitadas essas interpretações estabelecidas pelo pesquisador, atentei-me às articulações que se mostravam entre essas Unidades de Significado, de modo a buscar convergências. Em uma nova redução, convergências das convergências foram explicitadas.
Nesse movimento de redução, estive atento aos invariantes abrangentes que, mostrando-se com sentido, foram articulados e nomeados em um discurso inteligível,
Nessa perspectiva fenomenológica de conduzir a pesquisa, as categorias são chamadas abertas em contraposição às categorias como concebidas aristotelicamente. Categorias são, segundo Husserl, grandes regiões, não apriorísticas, de generalizações (MARTINS e BICUDO, 1989, p. 80-81).
Essas grandes convergências foram, então, expostas em uma configuração de rede, a qual chamamos de Rede de Significados, interpretando núcleos de convergência dos significados19 e, se possível, de sentido.
Assim procedendo, foram enfocados os significados e sentidos que as concepções sobre mundo e conhecimento abordados no curso fazem para os professores de Matemática, o modo pelo qual realizam o movimento de meta- compreensão e como percebem a relação concepção/meta-compreensão/prática docente.
Essas categorias de convergência foram interpretadas, visando transcender às manifestações individuais e um trabalho de teorização foi realizado, sintetizando as interpretações das falas dos depoentes, a literatura estudada e as concepções do pesquisador, expondo possibilidades de forma/ação continuada do professor de Matemática.
Forma/ação é escrita dessa forma propositalmente, para enfatizar as partículas forma e ação. Bicudo (2003b) explicita a razão desse destaque:
Colocando em evidência ‘configuração artística e plástica’, que se dá concomitantemente à imagem, idéia ou tipo normativo, como estando presentes em formação, percebo o jogo de forma/ação. Ação, configuração artística e plástica, formatando a imagem. Realiza a plasticidade, o movimento, a fluidez que atuam na forma. Porém, a direção desse movimento não é caótica, mas delineia-se no solo da cultura de um povo, de onde emerge uma linguagem desejada de homem e de sociedade, e que reflete as concepções de mundo e de conhecimento; solo em que a visão de mundo desse povo finca suas raízes; onde a materialidade necessária para que a forma se realize é encontrada. Matéria já impregnada de forma. (BICUDO, 2003b, p. 29, grifos do autor)
19 Por vezes chamamos essas primeiras convergências apenas de Núcleos de Significado, abreviando-as por NS.
Refletindo...
Esse modo de encarar formação me alivia. Por muito tempo tive receio do significado dessa
palavra. Formação me lembrava formatar, colocar em fôrmas. Isso ficou mais forte ainda
quando um dia, em uma palestra, escutei um pesquisador em Educação Matemática, o prof
Dr Carlos Roberto Vianna, estabelecer uma articulação entre formação, com o significado
de colocar em fôrmas, a Educação que se apresentava e a música do Pink Floyd ’Another
Brick in the Wall’, em cujo videoclipe mostra a escola como um moedor de crianças. -
realmente, crianças moídas são muito mais fáceis de serem enformadas. Com essa concepção
fenomenológica de forma/ação, o foco deixa de ser a fôrma, e passa a ser o movimento
constante de pensar e repensar a ação, em um movimento de ação-reflexão-ação-
reflexão...(MIARKA, Devaneios, 2007)
Chamarei esse trabalho de teorização de Sínteses de Transição. Síntese, por se tratar de uma articulação dos aspectos significativos dos grupos de dados analisados e articulados; e de transição, por se tratar de um movimento de compreensão espaço- temporal que é sendo. Ela não se estagna, está em devir, quando se pensa que ela é, já foi, se mantendo como expressão na dissertação, mas mesmo assim, passível de compreensões em movimento, pois a cada leitura, o texto se articula com o leitor. Uma leitura não se faz apenas de texto, ou de leitor, mas é um fenômeno, um encontro leitor- humor-texto-local-tempo-etc, no qual o sentido se faz.