3. Les gueules cassées
3.2. Les blessures maxillo-faciales et leurs complications
3.2.5. Les complications
3.2.5.2. Complications tardives et séquelles
O teatro e a educação são duas áreas complexas do conhecimento humano, possuindo linguagens e especificidades muito próprias. O termo teatro deriva do grego “Theatron”, que significa o sítio onde se vê (Girard, Ouellet, 1980). Para os pensadores gregos, o teatro possuía a qualidade de ensinar os indivíduos a verem para além dos discursos, das aparências, tornando-os aptos para verificar o que se encontrava nas entre linhas. O teatro é um local social, na medida em que os indivíduos se reúnem voluntariamente para assistir a algo que é representado por outros. Ao efetuarmos uma resenha histórica, verificamos que a relação entre a educação e o teatro remonta à antiguidade clássica. Desta forma, o teatro é tão antigo como o Homem e desde cedo assumiu a função de comunicação de diversas formas (com o grupo, com os deuses e com a natureza). Através da utilização da voz e do corpo nas danças e nos rituais, o Homem conseguia transmitir emoções e sentimentos, enfrentando o medo e sonhando com a superação das suas fraquezas (Peixoto, 2006). Como refere Valente (1991) citado por Sousa, (2003)
alguns rituais (…) parecem ter tido intenção de servir de veículo para a expressão e transmissão de medo, tristeza, angústia, alegria, etc., e outros em que se procuraria, sobretudo com a representação de animais, encarnar as qualidades (coragem, valentia, destemor, força, etc.,) que eles simbolizavam (Valente, 1991 citado por Sousa, 2003:78).
48 Estas manifestações surgem espontânea e inconscientemente, surgindo da improvisação e da capacidade criadora do Homem. Filósofos como Platão, Aristóteles, Horácio e Séneca criaram textos produzindo opiniões sobre a relação entre a educação e o teatro. Todavia, somente a partir da segunda metade do século XIX esta temática é devidamente valorizada, contribuindo para isso a importância que Rousseau atribui à criança e ao jogo como meio de aprendizagem torna-se extremamente importante, e vários são os filósofos e educadores, como Dewey, Pestalozzi, Piaget, entre outros, que se reveem nesta filosofia. Procura-se um teatro que se aproxime mais dos homens comuns e da natureza. Entre avanços e recuos, no início do século XX, o teatro sofre uma grande transformação gerando o teatro contemporâneo e desenvolvendo técnicas de representação que permitem a entrada do teatro nas escolas (Sousa, 2003b).
A inclusão do teatro na escola passou a ser usada como uma linguagem e com o objetivo de estimular o indivíduo na sua criatividade, comunicação e expressão. Como refere Jacinto (1991), o teatro pode ser uma forma de transmissão individual ou coletiva, podendo ser utilizado, não só nas escolas, como forma de educar, mas também nas salas de espetáculos, nos locais de trabalho e nas ruas. Ao ser uma atividade coletiva envolve temáticas como o respeito pelas regras e pelos outros, o trabalho em equipa, o trocar diferentes pontos de vista, a divisão de tarefas e a tomada de decisões em conjunto. Quando um indivíduo representa um papel, vivencia e transmite uma série de sentimentos e ações que, por vezes, no seu dia-a-dia seriam impensáveis. Sousa (2003b) refere que o teatro é extremamente importante, porque para além de existir um grande envolvimento emocional, consegue transmitir acontecimentos, histórias, abordar temáticas problemáticas, comunicar com os outros e criticar, contribuindo, deste modo, para a educação e formação dos indivíduos. A prática do teatro e das artes na escola é reconhecida atualmente pela contribuição única e particular que as linguagens artísticas oferecem ao desenvolvimento cultural e ao crescimento pessoal dos indivíduos.
Presentemente, apesar do teatro não ser uma disciplina obrigatória nas escolas, o mesmo tem vindo a conseguir integrar-se e consolidar-se como prática educativa. O teatro, sendo um espaço privilegiado, efetua a ponte entre a escola, a comunidade educativa e a comunidade local (Lopes, 1999). A escola, ao utilizar o teatro como veículo de aprendizagem e conhecimento, consegue abordar algumas matérias de disciplinas curriculares como, história, geografia, literatura, línguas, em especial a língua materna, entre outras. Desta forma, os indivíduos, através de uma forma lúdica e interessante, aprendem e interiorizam. Como refere Jacinto (1991),
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esta escola de teatro, dentro da escola, é afinal, uma imagem da vida e será um instrumento precioso de educação cívica e, ao mesmo tempo, de desenvolvimento pessoal do educando (Jacinto,1991:20).
Através do teatro, o professor consegue explorar diferentes assuntos contribuindo para a educação e formação dos indivíduos. Com a utilização do corpo, da linguagem, dos gestos, da ação, os indivíduos conseguem trabalhar a memorização, a interação social, as emoções, ou seja, os aspetos cognitivos, emocionais, motores e sociais. O teatro permite que os indivíduos possam ser eles próprios ou assumam novas identidades, porque representar uma personagem é colocar-se no lugar do outro, é criar novas oportunidades de trabalhar e compreender as diferenças ou as semelhanças. Isto porque, “quaisquer que sejam as formas de teatro que representem, os jovens dizem sempre qualquer coisa deles próprios”. (Voltz, s/d citado por Amorim,1995:17)
A prática do teatro em ambiente escolar, como atrás enunciamos, permite não só aos indivíduos evoluir em diferentes áreas (socialização, criatividade, reflexividade, coordenação, vocabulário, entre outras), mas também auxiliar os professores a conhecer os indivíduos, os seus comportamentos, atitudes, quer sejam individuais, quer em grupo. De igual modo, o teatro nas escolas possibilita uma interação entre os indivíduos e os professores, ou seja, um “[…] convívio fraterno entre mestres e alunos, e dos alunos entre si” (Jacinto,1991:78). Este convívio entre ambos é importante e salutar porque proporciona a troca de experiências e de aprendizagens. Deste modo, as escolas devem estimular o gosto pela representação e pelo teatro, na medida em que é um excelente meio de educação. Como refere Voltz (s/d) citado por Amorim (1995:18), o teatro “[…] é um espaço de exercício do pensamento e da sensibilidade e a ocasião para adquirir e desenvolver em conjunto um certo número de valores sociais, democráticos e humanitários.” A escola, como espaço no qual decorre o processo de aprendizagem dos indivíduos, deve ser pensada de modo a facultar aos professores a autonomia necessária para realizarem as estratégias necessárias que permitam contribuir para desenvolver a consciência individual dos indivíduos. Neste sentido, os professores devem ser humildes e simples, e ao mesmo tempo capazes de olhar para os jovens e crianças e ver um milagre de Deus e não algo para instruir (Read, 1958).
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Síntese Reflexiva
Ao longo dos tempos, o conceito de educação foi evoluindo a par com as transformações e modificações da sociedade do conhecimento. Desta forma, novos conceitos de educação são apresentados, como a educação para o desenvolvimento, educação para o consumo, para a cidadania, educação ao longo da vida, pelas artes, entre outros. Neste capítulo abordámos a educação pelas artes, especificando os seus objetivos e metas. Herbert Read, “pai” do conceito de educação pelas artes e crítico de arte e literatura, escreveu várias obras/publicações sobre esta temática. Para o autor a educação pelas artes tinha como principal objetivo desenvolver os indivíduos nas mais variadas áreas, sejam elas: cognitiva, social, emocional, entre outras. Logo, Read (1958) defende a educação pelas artes como um método essencial na educação do futuro, na medida em que as aptidões dos indivíduos, de pensamento, lógica, memória, sensibilidade e intelectual estão intrínsecas nos processos de criar sons, imagens e movimentos. Educar pela arte, é educar através de diversas artes como, dança, música, pintura, teatro, entre outras. Nas mais variadas artes, os indivíduos podem expressar a sua criatividade, imaginação e sensibilidade. A educação pelas artes valoriza não só o papel da arte em si, ensinando a analisar uma obra de arte, mas é também, uma fonte de conhecimentos, valores que proporcionam o desenvolvimento das mais variadas competências dos indivíduos. Desta forma, a arte não é só uma forma de comunicar/transmitir sentimentos, palavras, gestos, mas de interpretação e perceção da sociedade em redor dos indivíduos. Porém, não restringe a sua área de atuação no ensino de conhecimentos, vai mais longe visto que enriquece e estimula o raciocínio, possibilitando a reflexividade e a liberdade de expressão. Assim, permite aos indivíduos expressar-se livremente, moldando a sua personalidade e sensibilidade perante a realidade envolvente, de modo a que estes sejam capazes de transformar o mundo e reconhecer a arte como um veículo de aprendizagem. Das diferentes expressões artísticas, destacamos o teatro, mote da nossa investigação. Desde os primórdios da humanidade que o Homem utilizou o teatro como forma de exprimir sentimentos, ações, gestos, palavras, entre outros. O teatro possibilita que os indivíduos sejam eles próprios, ou seja, que consigam assumir-se tal como são sem “olhares discriminatórios”. De igual modo, sempre que representam uma personagem permite-lhes criar e assumir outras identidades, conseguindo transpor sentimentos, atitudes e ações que de outra forma seria difícil. Desta forma, podemos afirmar que o teatro é um excelente meio de socialização,
51 criatividade, reflexividade, coordenação de movimentos, bem como um meio de desenvolvimento pessoal dos indivíduos. Assim, através do teatro os indivíduos podem trabalhar temáticas como a solidariedade, justiça, amizade, trabalho em equipa, entre outros. Deste modo, o teatro consegue que os indivíduos olhem para a prática educativa com outro olhar mais crítico, reflexivo e interventivo, visto que através dele conseguem ensinar/transmitir mensagens aos espetadores. Porque como refere Freire (2000:16) “ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo: ensinar exige liberdade e autoridade: ensinar exige saber escutar: ensinar exige querer bem aos educandos: ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.”
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