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Dans le document L'Educateur n°13-14 - année 1964-1965 (Page 44-47)

“Para o movimento progressista, uma experiência que a obriga a reinventar as coordenadas básicas de seu projeto”

ẐIẐEK ẐiẐek pondera sobre o paradoxo que seria reivindicar a atualidade do pensamento de Lenin para uma certa esquerda – que ele inclusive chama de radical – depois da experiência, por muitos considerada mal sucedida, do socialismo real soviético. Assim esse espanto é esboçado: “Mas Lenin – não, você não pode estar falando sério! Lenin não é aquele que representa justamente o fracasso na colocação em prática do marxismo?”13.

Amplifica esse esponto sobre a retomada de Lenin em outras palavras:

Então, se há um consenso dentro da esquerda radical da atualidade (o que resta dela) (sic), é que, para ressucitar o projeto político radical, devemos deixar para trás o legado leninista: o implacável enfoque na luta de classes; o partido como forma privilegiada de organização; a tomada violenta e revolucionnária do poder; a conseqüente “ditadura do proletariado”... “todos esses conceitos zumbis” não devem ser abandonados se a esquerda quiser ter alguma possibilidade de vitória nas condições do capitalismo “pós- industrial” atual?14.

Contudo, ẐiẐek resolve essa aparente ideia fora de lugar, retomar Lenin, classificando-a como uma maneira simplista de compreender o legado do líder bolchevique. E, se por um lado, a esquerda atravessa um tortuoso momento de reivenção do seu projeto político e societário, por

12 WILSON, 1998, p.439-440. 13 ẐIẐEK, 2005, p.07. 14 ẐIẐEK, 2005, p.07.

outro, foi justamente uma conjuntura assim que propiciou o surgimento do Leninismo. Foi o início da Primeira Guerra Mundial.

A crise européia que culminou com o primeiro acontecimento bélico, que colocou as maiores potências de vários continentes em choque, pavimentou o terreno para o “evento leninsta”. Que representou uma superação das diretrizes da segunda Internacional. Influenciado, conforme ẐiẐek, pela Lógica de Hegel, Lenin percebeu a oportunidade singular de uma revolução.

O pensador esloveno, apoiado na experiência de Lenin, chama atenção para a importância da teorização para enfrentar os dilemas filosóficos atuais. Contraditando Noam Chomsky, “um intelectual engajado”, que tem certo desprezo do conhecimento teórico para a luta política, frisa o necessário combate a essa tentação antiteórica.

Recorrendo ao velho bolchevique, ẐiẐek insinua a importância da teoria para a prática revolucionária. Nas obras “O Estado e a Revolução” e “As teses de Abril”, bem como o caderno de anotações “O marxismo e o Estado” (coleção de todas as citações de Marx e Engels sobre o estado) Lenin demonstra o valor da práxis – a união da teoria com a prática – para o efetivo exercício da ação política.

A “utopia leninista” fundada no profundo “engajamento existencial extremo” do revolucionário russo, encontrou um terreno fértil nas “cinzas da catástrofe da guerra de 1914” – a primeira guerra mundial. A base daquela formulação seria:

O imperativo radical de esmagar o Estado burguês, que significa o Estado como tal, e inventar uma nova forma social comunal sem exército, polícia e burocracia permanentes, na qual todos poderiam tomar parte na administração das questões sociais. Para Lênin, esse não era um projeto teórico para algum futuro distante15.

Ao perceber que a conjuntura de 1917 propiciava uma tomada revolucionária, do Estado russo, Lenin destoava das demais lideranças bolcheviques. Se por um lado, não era considerado um oportunista que desejava apenas ser popular entre o povo, por outro muitos, inclusive Krupskaia, o consideravam louco.

Justamente esse Lenin considerado louco por seus correligionários é o que ẐiẐek busca, é naquele Vladimir que o esloveno encontra vitalidade,

“em nenhum lugar essa grandeza é mais evidente do que nos escritos de Lenin que cobrem o período de fevereiro de 1917 – quando a primeira revolução aboliu o tsarismo e instalou um regime democrático – até a revolução, em outubro”16.

O Lenin “engenhoso estrategista militar”, o utópico que pretendia a abolição imediata do Estado, o aparelho burguês, “jogado numa situação indefinida”, é quem ẐiẐek busca reencontrar: o Lenin em construção. Este é o Vladimir Ilich Ulianov atual, que revelava uma singular compreensão da possibilidade revolucionária.

Em fevereiro de 1917 ele percebeu o momento, e caso não se efetivasse a revolução naquela oportunidade, quantas décadas não seriam necessárias esperar, para que outra conjuntura favorável se abrisse? Então, foi preciso que o Lenin insistente, obstinado, paciente entrasse em ação para fazer valer sua opinião.

Conforme ẐiẐek, o líder bolchevique consegue com um tanto de insistência colocar as “verdadeiras questões” que interessavam ao povo russo naquela conjuntura: paz imediata, distribuição da terra e “todo o poder aos sovietes” – expressão síntese do programa de desmantelamento do aparelho estatal. É para estas formulações que ẐiẐek apela, pois “como os textos de Lenin de 1917 são facilmente legíveis: não há necessidade de longas notas explicativas”17.

É nessa capacidade de compreender as condições objetivas de se levar a revolução adiante, que Vladmir Ulianov se aproxima de Rosa Luxemburgo, quando ela polemizava com Kautsky. Por que esperar o momento certo para fazer a revolução? “Aqueles que esperam pelas condições objetivas da revolução irão esperar para sempre – tal posição de observador objetivo (e não de agente engajado) é em si mesma o maior obstáculo para a revolução”18.

Foi adotando uma postura dialética, herdada de Hegel e Marx, que Lenin soube consolidar o processo revolucionário russo, derrubando para sempre o risco de retorno da autocracia tsarista. Ele queria dar o xeque- mate e, para isso era fundamental avançar:

Nas circunstâncias concretas russas, o Estado democrático-burguês não tem possibilidade de sobrevivência – a única forma ‘realista’ de

16 ẐIẐEK, 2005, p.9. 17 ẐIẐEK, 2005, p.11. 18 ẐIẐEK, 2005, p.13.

proteger os verdadeiros ganhos da Revolução de Fevereiro (liberdade de organização e da imprensa, etc.) é seguir adiante e passar para a revolução socialista, do contrário os reacionários tsaristas vencerão”19.

Confirmando essa interpretação de ẐiẐek, os irmãos GENRO também encontraram em um texto clássico de Lenin, escrito em 1917 (As Teses de Abril) a explicação dada para que se avançasse com o processo revolucionário:

Nas teses Lenin compreendeu a possibilidade de prosseguir o processo revolucionário, já que as coisas tinham se dado de um modo extremamente rico e variado, não como a ‘teoria cinzenta’, mas como uma ‘árvore verde’. Sua proposta não é mais ‘uma república parlamentar [...], mas uma república dos sovietes de deputados de operários, assalariados agrícolas e camponeses de todo o país20.

Este “senso dialético” de Lenin está presente, quando no início dos anos vinte consta a necessidade de se realizar a “tarefa burguesa” na Rússia feudal que os bolcheviques assumiram. Educar o povo, os camponeses, levar a civilização ocidental ao atrasado mundo russo.

É o Vladmir Ulianov de 1917 que Slavoj ẐiẐek julga vivo, ao questionar se nos tempos atuais o aparelho estatal também não é incapaz de resolver as questões-chaves do momento:

A ilusão de 1917 de que os problemas urgentes que a Rússia enfrentava (paz, distribuição de terra, etc.) poderiam ser resolvidos por meios parlamentares ‘legais’ é o mesmo que a ilusão atual de que a ameaça ecológica, por exemplo, poderia ser evitada ao se estender a lógica do mercado à ecologia (fazendo que os poluidores paguem pelos estragos que causam)21.

Esse é o resumo que ẐiẐek faz daquilo que está vivo no pensamento do velho revolucionário russo, em sua opinião: “o Lenin que deve ser recuperado é o Lenin que teve como experiência fundamental ser jogado numa nova e catastrófica constelação, na qual as velhas coordenadas se provaram inúteis, e que foi compelido a reinventar o

19 ẐIẐEK, 2005, p.13.

20 GENRO e GENRO F., 1985, p.72. 21 ẐIẐEK, 2005, p.13.

marximo”22. Ou seja, a vitalidade de Lenin se encontra no uso que fez de sua grande arma: a caneta. Especialmente a que usou ao escrever os textos de 191723.

3.1- Ler Lenin? Sim, por que não? Desde que não se questione ou perturbe, o consenso político dominante

ẐiẐek ironiza as condicionantes que uma certa política acadêmica impõe para se estudar Lenin: primeiramente, deve-se estudar o pensador russo tendo a democracia liberal e sua “ordem política democrática” como um valor universal; E, que se estude o leninismo com objetividade, cientificamente e, de maneira crítica. Em suma, nada de questionar o consenso democrático e o arranjo liberal-parlamentar.

Estes limites são garantidos com a ideia de garantia da objetividade científica, onde questionamentos ao consenso liberal são tidos por “posições ideológicas ultrapassadas”. O que impossibilita, ou pelo menos dificulta, o acesso às tão corriqueiras bolsas de financiamentos internacionais, estatais, empresariais que impulsionam as pesquisas acadêmicas. Em troca do dinheiro é proibido pensar.

Então, “esse é o ponto ‘leninista’ do qual não se pode nem se deve abrir mão: hoje, a verdadeira liberdade de pensamento significa liberdade para questionar o consenso democrático-liberal ‘pós-ideológico’ dominante – ou não significa nada”24. De tal sorte, que os movimentos que atuam no interior do capitalismo atual, quando atuam, estão despidos desse espírito, logo seus limites são evidentes:

Se hoje respondemos a um chamado direto para agir, essa ação não é desempenhada num espaço vazio – é um ato dentro das coordenadas ideológicas hegemônicas: aqueles que ‘realmente querem fazer algo para ajudar as pessoas’ se envolvem (sem dúvida honrosamente) em iniciativas como Médico sem Fronteiras, Greenpeace, campanhas feministas e antiracistas, que são todas não apenas toleradas mas até mesmo apoiadas pela mídia, ainda que pareçam violar o território econômico (por exemplo, denunciando e boicotando empresas que não respeitam as condições ecológicas ou que usam mão de obra infantil) – elas são

22 ẐIẐEK, 2005, p.15. 23 ẐIẐEK, 2005. 24 ẐIẐEK, 2005, p.174.

toleradas e apoiadas desde que não se aproximem demais de um certo limite25.

ẐiẐek resume essa postura: “vamos continuar mudando algo todo o tempo para que, globalmente, as coisas fiquem iguais”26. Nesse sentido são vários os exemplos de movimentos contestatórios que na verdade não abordam o sistema capitalista em suas estruturas. Desde os radicais chiques que estão confortavelmente instalados nas academias norte- americanas, até os hindus indianos que protestam contra o McDonald’s por utilizar gordura animal no preparo das batatas fritas, comercializadas na Índia. Ou seja, esses movimentos além de não minar a estrutura da globalização, inserem-se nela.

Contrariando o paradigma da pós-modernidade, que segundo o próprio filósofo esloveno, caracteriza o mundo contemporâneo, afirma que “o legado de Lenin a ser reinventado hoje” é a política da “verdade”. Logo “a resposta leninista ao direito de narrar do multiculturalista pós-moderno deveria, portanto, ser uma asserção desavergonhada do direito à verdade”27.

3.2- “como os textos de Lenin de 1917 são facilmente legíveis: não há necessidade de longas notas explicativas”

ẐiẐek circunscreve o Lenin de 1917, dos escritos que o russo produziu um pouco antes e um pouco depois de todo o ano revolucionário, como o Lenin atual que deve ser retomado. Percorrendo um total de 12 trabalhos que possuíam o objetivo de interpretar a dar as diretrizes da revolução.

As “Cartas de Longe” são uma coletânea de cinco cartas, enviadas por Lenin ainda no exílio, que foram publicadas no Pravda (veículo de informação e propaganda dos revolucionários russos) onde ele aborda: 1) a primeira etapa da revolução; 2)o novo governo e o proletariado; 3) sobre a milícia proletária; 4) como alcançar a paz; 5) as tarefas da organização proletária revolucionária do Estado.

Nas famosas “Teses de Abril” – que são dez teses bastante curtas, ou eixos de luta – Lenin se debruça “Sobre as tarefas do proletariado na presente revolução”. Em suas palavras:

25 ẐIẐEK, 2005, p.177. 26 ẐIẐEK, 2005. 27 ẐIẐEK, 2005, p.185.

Tendo chegado a Petrogrado só no dia 3 de abril à noite, é natural que apenas em meu nome e com as reservas devidas a minha insuficiente preparação tenha podido apresentar na assembléia de 4 de abril um relatório sobre as tarefas do proletariado revolucionário28.

Em “A propósito das palavras de ordem” Lenin problematiza o emblema “passagem de todo o poder aos sovietes”, atualidade e conseqüências dessas palavras de ordem. Em “A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la” o pensador russo encara os elementos que compõe o quadro dramático da Rússia de 1917. A fome do povo; A passividade do governo (de Kerenski); Medidas de controle conhecidas por todos e facilmente aplicáveis; A nacionalização dos bancos; A nacionalização dos consórcios; Abolição do sigilo comercial; Associação compulsória; A regulação do consumo; O governo destrói o trabalho das organizações democráticas; O colapso financeiro e as medidas para combatê-lo; Podemos avançar se tememos marchar para o Socialismo? A luta contra o caos econômico e a guerra; As democracias revolucionárias e o proletariado revolucionário.

O quinto texto separado por ẐiẐek contém uma das maiores – se não a maior – problemática da revolução. Em “Uma das questões fundamentais da revolução”, Lênin trata diretamente da questão do poder do Estado. Nas palavras de Ulianov:

Não é possível eludir nem afastar a questão do poder, pois esta é a questão fundamental que determina tudo no desenvolvimento da revolução, em sua política interna e externa. Que a nossa revolução tenha ‘perdido em vão’ meio ano em vacilações em relação à organização do poder, isto é um fato indiscutível, é um fato determinado pela política vacilante dos socialistas revolucionários e dos mencheviques. E a política desses partidos foi determinada, em última instância, pela posição de classe da pequena burguesia, pela sua instabilidade econômica na luta entre o capital e o trabalho29.

Em “Os Bolcheviques devem tomar o poder”, Lenin envia uma Carta ao Comitê Central, aos comitês de Petrogrado e de Moscou do POSDR, onde conclui que é o momento dos setores mais avançados da revolução

28 LENIN, 2005, p.63. 29 LENIN, 2005, p.113.

tomar o poder. Ainda, em outra “Carta ao Comitê Central do POSDR: Marxismo e Insurreição” polemiza com setores moderados da revolução.

No oitavo texto selecionado por ẐiẐek, Lenin assinala “As Tarefas da Revolução”, quais sejam: “O caráter funesto da conciliação com os capitalistas”; “o poder aos sovietes”; “A paz dos povos”; “A terra para os que nela trabalham”; “A luta contra a fome e a ruína”; “O combate à contrarrevolução dos proprietários de terras e capitalistas” e “O desenvolvimento pacífico da revolução”.

No início do nono texto de Lenin, ele resume o conteúdo do mesmo: “Não há dúvida de que o fim de setembro trouxe uma grandiosa inflexão na história da revolução russa e, segundo todas as aparências, também da revolução mundial”30. Ou seja, para ele “A crise Amadureceu”. No décimo texto “Conselhos de um ausente” Lenin traz a tona as lições de Marx quanto à arte da revolução.

O décimo primeiro texto de Lenin é uma “Carta aos Camaradas” dirigida aos membros do Comitê Central bolchevique onde desenvolve uma mensagem otimista da revolução. Por fim, o último texto de Lênin compilado por ẐiẐek é o “Relatório sobre as tarefas do poder dos sovietes: relato jornalístico” da “Reunião do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado” (25 de outubro de 1917) o documento oficial do triunfo da revolução Bolchevique.

Considerações Finais

“Esse é o Lenin de quem ainda temos o que aprender. A grandeza de Lenin... não ter medo de triunfar” ẐIẐEK Radicalmente ligado à sua leitura do sistema capitalista e do mundo pós-moderno contemporâneo, Slavoj ẐiẐek recorre a um Vladimir Ilich Ulianov profundamente inspirado na dialética de Hegel e Marx, para buscar as saídas para a crise atual. O Lenin corajoso, que com brilhantismo e espírito dialético procurou teorizar todos os passos da revolução é o personagem que Slavoj ẐiẐek tem a audácia de reviver.

A leitura de Lênin que interessa ser feita, conforme Slavoj ẐiẐek é aquela que questiona ou perturba o consenso político dominante, o

radicalismo chique da academia. Que compreende a ideologia e reclama o direito a verdade. De tal maneira que o filósofo esloveno pretende contar uma outra história de Lenin, o que faz com honestidade e competência, cerca de 100 anos depois da vitória do jovem garoto do Volga.

Referências

BOLSANELLO, Elio. Breve História Ilustrada de Lenin. 5ª Ed. São Paulo: Centro Cultural Manoel Lisboa, 2012, 136p.

GENRO, Tarso F. e GENRO FILHO, Adelmo. Lenin Coração e Mente. Porto Alegre: Editora Tchê, 1985, 113p.

KUL-WANT, Christopher. Entendendo Slavoj ẐiẐek. Ilustrações de Piero. São Paulo: Leya, 2012.

LENIN, Vladimir Ilich. Lenin: Política (1870-1924). Florestan Fernandes Organizador da coletânea. Carlos Rizzi tradução. 2ª edição. São Paulo: Ática, 1978. (Grandes Cientistas Sociais, nº5)

______. “Sobre as tarefas do proletariado na presente revolução. As Teses de Abril”. In: ẐIẐEK, Slavoj. Às portas da revolução: escritos de Lenin de 1917/ V. I. Lenin, Slavoj ẐiẐek; tradução dos escritos de Slavoj ẐiẐek, Luiz Bernardo Pericás e Fabrizio Rigout, tradução dos textos de Lenin, Daniela Jinkings. – São Paulo: Boitempo, 2005.

WILSON, Edmund. Rumo à Estação Finlândia: escritores e atores da história. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

ẐIẐEK, Slavoj. Às portas da revolução: escritos de Lenin de 1917/ V. I. Lenin, Slavoj ẐiẐek; tradução dos escritos de Slavoj ẐiẐek, Luiz Bernardo Pericás e Fabrizio Rigout, tradução dos textos de Lenin, Daniela Jinkings. – São Paulo: Boitempo, 2005.

______. Vivendo no fim dos tempos. Tradução de Maria Beatriz de edina. São Paulo: Boitempo, 2012.

Dans le document L'Educateur n°13-14 - année 1964-1965 (Page 44-47)