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COMMANDE D’URGENCE

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O procedimento de coleta de dados em campo iniciava-se com pesquisador dirigindo-se para a aplicação da verificação empírica de preferências com os trinta e um cartões ilustrados. No primeiro ciclo, conduziam-se cinco rodadas, uma para cada valor, de forma ao entrevistado hierarquizar (ranquear) suas preferências dos itens que compõem cada categoria de valor, deste modo totalizando pontos conforme a hierarquização. Um último ciclo era realizado de forma a selecionar apenas as primeiras escolhas (prioridades) de cada categoria de valor. Assim, no último ciclo o entrevistado era solicitado a hierarquizar as seis escolhas prioritárias de cada valor, escolhidas no ciclo anterior. Conforme as tabelas abaixo são possíveis, identificar a pontuação e classificação de cada subitem, em cada categoria de valor.

Tabela 6: Valores Financeiros

Valores Financeiros Classificação

Gastar menos com as contas de condomínio, água, luz: 126 pontos – 12,28%

Gastar menos com transportes: 124,4 pontos – 12,12%

Ter oportunidade de Emprego/ negócio: 119 pontos 11,60% Gastar menos com prestações, financiamento/aluguel: 71 pontos – 6,92% Gastar menos com consertos, reparos, reformas e

manutenção:

85 pontos - 8,28%

Fonte: Próprio autor, 2014

Tabela 7: Valores Culturais

Valores Culturais Classificação

Morar em uma Casa: 250 pontos - 24,36%

Estar feliz e satisfeito com a moradia: 131,6 pontos - 12,83% Elementos decorativos e de embelezamento: 101 pontos – 9,84%

Morar em um Apartamento: 55 pontos – 5,36

Conjuntos menores com menor número de prédios: 50 pontos – 4,87%

Valores Sociais Classificação

Segurança: 270,8 pontos -26,40%

Privacidade: 89,8 pontos – 8,75%

A Localização: 88 pontos – 8,58%

Boa Convivência com demais moradores: 81 pontos 7,89%

Edificação sustentável: 63 pontos – 6,14%

Fonte: Próprio autor, 2014

Tabela 9: Valores do Ambiente Interno

Valores do Ambiente Interno Classificação

Qualidade (pisos azulejos, vedação, pintura, esquadrias, hidráulica e elétrica):

158,8 pontos - 15,40%

Acústica do apartamento (evitar barulhos de fora, de vizinhos e entre cômodos):

138,4 pontos - 13,49%

Temperatura dentro do apartamento: 108 pontos -10,53% Boa Iluminação dentro do apartamento: 76 pontos –7,41% Tamanho e localização das portas e janelas: 63 pontos - 6,14%

Fonte: Próprio autor, 2014

Tabela 10: Valores do Ambiente Externo

Valores do Ambiente Externo Classificação

Iluminação: 164,4 pontos – 16,02%

Natureza (áreas verdes, árvores, flores): 147,6 pontos - 14,39% Áreas comuns e de lazer (centro comunitário,

quadras, parque de diversões, salão de festas):

111,8 pontos – 10,90%

Local para guardar o carro: 104 pontos – 10,14%

Boa Aparência do conjunto habitacional (fachadas, limpeza, cores, telhados, janelas, pisos, revestimentos, cor):

85 pontos – 8,28%

Tabela 11: Valores do Espaço Físico

Valores do Espaço Físico Classificação

Mais cômodos no apartamento: 156,9 pontos -15,29% Novos espaços (varanda, quintal, jardim): 129 pontos - 12,57% TIPOLOGIA ampliação ou possibilidade de reforma: 116,4 pontos -11,35% Disposição dos cômodos dentro do apartamento

(localização de cada cômodo no apartamento):

102,6 pontos - 10%

Tamanho dos cômodos: 47 pontos - 4,58%

Apartamento com área maior: 97 pontos - 9,45%

Fonte: Próprio autor, 2014

Na figura 98 e na tabela 12, foram elencadas as preferencias de acordo com os resultados da ultima rodada. É possível observar no gráfico que os itens como segurança, morar em uma casa, iluminação, qualidade dos matérias, e mais cômodos no apartamento consecutivamente são os itens que mais geram percepção de valores entre os moradores e itens como, morar em apartamento e tamanho dos cômodos são tidos como menos importantes na hora de agregar valor a habitação, ou seja independente do tamanho dos cômodos os moradores preferem estar morando em casas, e estar tranquilo em relação segurança do local e sua família.

Figura 98: Valor Percebido Pelo Usuário

Fonte: Próprio autor, 2014.

26,40% 24,36% 16,02% 15,40% 15,29% 14,39% 13,49% 12,83% 12,57% 12,28% 12,12% 11,60% 11,35% 10,90% 10,53% 10,14% 10% 9,84% 9,45% 8,75% 8,58% 8,28% 8,28% 7,89% 7,41% 6,92% 6,14% 6,14% 5,36% 4,87% 4,58% Segurança: Morar em uma Casa: Iluminação: Qualidade materiais Mais cômodos no apartamento Natureza (áreas verdes, árvores, flores):

Acústica Estar feliz e satisfeito com a moradia Novos espaços (varanda, quintal, jardim): Gastar menos com as contas de condomínio, água, luz Gastar menos com transportes Ter oportunidade de Emprego/ negócio TIPOLOGIA Áreas comuns e de lazer Temperatura dentro do apartamento

Local para guardar o carro Disposição dos cômodos dentro do apartamento

Elementos decorativos e de embelezamento Apartamento com área maior:

Privacidade: A Localização: Gastar menos com reparos, reformas e manutenção

Boa Aparência do conjunto habitacional Boa Convivência com demais moradores Boa Iluminação dentro do apartamento Gastar menos com prestações, financiamento/aluguel:

Tamanho e localização das portas e janelas: Edificação sustentável: Morar em um Apartamento Conjuntos menores com menor número de prédios:

Tamanho dos cômodos:

Valor Percebido Pelo Usuário

Percepção da satisfação dos usuários em relação ao conjunto

Vermelho: aperfeiçoar –

melhorar

Azul : de acordo com as

Tabela 12: Valores Percebidos Pelos Usuários

Valor Percebido Pelo Usuário Classificação

Segurança: 270,8 pontos -26,40%

Morar em uma Casa: 250 pontos - 24,36%

Iluminação: 164,4 pontos – 16,02%

Qualidade (pisos azulejos, vedação, pintura, esquadrias, hidráulica e elétrica):

158,8 pontos - 15,40%

Mais cômodos no apartamento: 156,9 pontos 15,29%

Natureza (áreas verdes, árvores, flores): 147,6 pontos - 14,39% Acústica do apartamento (evitar barulhos de fora,

de vizinhos e entre cômodos):

138,4 pontos - 13,49%

Estar feliz e satisfeito com a moradia: 131,6 pontos - 12,83% Novos espaços (varanda, quintal, jardim): 129 pontos - 12,57% Gastar menos com as contas de condomínio, água,

luz:

126 pontos – 12,28%

Gastar menos com transportes: 124,4 pontos – 12,12%

Ter oportunidade de Emprego/ negócio: 119 pontos 11,60% TIPOLOGIA ampliação ou possibilidade de

reforma:

116,4 pontos 11,35%

Áreas comuns e de lazer (centro comunitário, quadras, parque de diversões, salão de festas):

111,8 pontos – 10,90%

Temperatura dentro do apartamento: 108 pontos -10,53%

Local para guardar o carro: 104 pontos – 10,14%

Disposição dos cômodos dentro do apartamento (localização de cada cômodo no apartamento):

102,6 pontos – 10%

Elementos decorativos e de embelezamento: 101 pontos – 9,84%

Apartamento com área maior: 97 pontos – 9,45%

Privacidade: 89,8 pontos – 8,75%

A Localização: 88 pontos – 8,58%

Gastar menos com consertos, reparos, reformas e manutenção:

limpeza, cores, telhados, janelas, pisos, revestimentos, cor):

Boa Convivência com demais moradores: 81 pontos 7,89% Boa Iluminação dentro do apartamento: 76 pontos – 7,41% Gastar menos com prestações,

financiamento/aluguel:

71 pontos – 6,92%

Tamanho e localização das portas e janelas: 63 pontos - 6,14%

Edificação sustentável: 63 pontos – 6,14%

Morar em um Apartamento: 55 pontos – 5,36%

Conjuntos menores com menor número de prédios: 50 pontos – 4,87%

Tamanho dos cômodos: 47 pontos - 4,58%

Fonte: Próprio autor, 2014

O procedimento de coleta de dados levou em média 8 a 15 minutos, além disso, o instrumento se mostrou bastante amigável na percepção dos moradores, especialmente pelo uso da analogia das cartas, bem como pela utilização da linguagem com ilustrações alusivas aos itens de valor em cada uma das cartas.

4 CONCLUSÃO

Frente ao disposto nos capítulos anteriores, bem como nos demais estudos de APO em habitação de interesse social no Brasil, é plausível se inferir que a pesquisa realizada no núcleo habitacional do Parque Popular da Pedreira, evidencia altos níveis de satisfação de seus usuários, como é possível observar na categoria 20 da entrevista aplicada aos moradores, em que 71,05% dos entrevistados, se dizem satisfeitos com a moradia, entretanto citam muitas questões pertinentes que apontam algumas deficiências. Uma possível justificativa é a situação precária da moradia anterior destas famílias, oriundas de uma área de risco, assim o acesso destas a uma habitação de interesse social proporciona um abrigo mínimo seguro e a legalização da sua propriedade que garante um endereço, representando em muitos casos um primeiro contato com a cidadania.

Mesmo com altos índices de satisfação os principais problemas levantados pela entrevista da APO, referem-se à falta de iluminação artificial nas áreas externas, falta e precariedade das áreas de lazer, a insatisfação por não estar morando em uma habitação unifamiliar, a umidade presente em 73,68% das habitações pesquisadas, a presença de mau cheiro no apartamento, à falta de segurança, a insatisfação com o sistema de esgoto, a iluminação publica o conforto térmico, a acústica, e o tamanho da cozinha.

Durante a visita técnica uma das principais percepções foi em relação à tipologia adotada que difere da tipologia sugerida no projeto inicial, que atenderia o perfil dos moradores e provavelmente, muitos estariam mais felizes e satisfeitos com suas habitações, fator que é comprovado mediante os resultados da entrevista no quesito em relação ao interesse do usuário fazer alguma ampliação no apartamento, onde destes 60,53% dos entrevistados demostrou o interesse, fator que seria possível perante a tipologia sugerida no projeto inicial. Também foi constatado que os principais problemas são resultados de falhas de execução, modificação na tipologia, falta de manutenção, agravados pela falta de condições financeiras dos moradores para realizar a manutenção das edificações.

É importante lembrar conforme as literaturas e como aborda Nunes (2011) que a APO isolada não gera dados suficientemente confiáveis para a aferição da qualidade e de desempenho nos projetos de habitação social. Muitas vezes, o usuário tem

acabam não representando a realidade. Deste modo sendo importante anexar uma segunda metodologia de coleta de dados para cruza-las. Diante de tal conclusão se optou em realizar juntamente a APO, um estudo sobre o valor percebido pelo usuário no mesmo conjunto habitacional a fim de distinguir os reais valores e satisfação dos moradores, sendo estes resultados bem satisfatórios e de suma importância para o esclarecimento dos resultados obtidos na APO.

Com os resultados obtidos no levantamento do valor percebido pelos usuários, foi possível apontar dentro de todas as categorias de valor, as quais mais se destacaram, sendo elas o valor social, com o item segurança, como o valor mais desejado, seguido da categoria do valor cultural, com o item morar em uma casa, evidenciando a insatisfação dos usuários em relação à habitação atual. O principal motivo dos usuários almejarem estar em uma habitação unifamiliar é decorrente dos mesmos viverem a vida toda em uma moradia deste tipo, assim quando inseridos em um novo contexto, passam a habitar um espaço onde os limites devem ser respeitados e o viver em comunidade, tornando mais difícil à adaptação, pois a boa convivência se torna um fator fundamental. Por mais precária que fossem suas moradias anteriores, eles possuíam sua privacidade, tinham um espaço maior, e eram “donos do seu território”.

Com os resultados do valor percebido foi possível relacionar os itens e estabelecer um vínculo entre os mesmo e a APO, deste modo traçar um perfil dos moradores da habitação, bem como as falhas de projeto e de inciativas público-sociais. De maneira geral, o cruzamento dos dados demonstrou:

 A importância de um conhecimento mais profundo das necessidades e anseios dos moradores, favorecendo a elaboração de projetos mais condizentes com a realidade de uso e funcionamento das habitações.

 A necessidade de áreas de lazer e natureza no local

 A segurança fornecida pelo local, bem como a segurança que na própria moradia.

 A necessidade de uma assistência técnica permanente aos usuários, de forma a garantir uma melhor qualidade na manutenção de suas unidades habitacionais.

Deste modo é plausível aferir que os usuários preferem estar morando em uma habitação unifamiliar, onde lhe fosse assegurado o direito a segurança, áreas de lazer e qualidade dos materiais, de antemão estabelecem uma mínima importância em relação ao tamanho dos cômodos, ou seja, a área construída poderia ser semelhante a atual, porém na configuração de uma nova tipologia de tal forma vindo a garantir uma maior satisfação.

Desta forma foi possível gerar conhecimento sobre a APO e valor percebido pelo usuário no mesmo conjunto habitacional a fim de distinguir os reais valores e satisfação dos moradores, sendo estes resultados, bem satisfatórios e para maior esclarecimento dos levantamentos obtidos na APO, uma vez que é importante avaliar o produto em situação de uso, pois o valor tem natureza mutável, e se diferencia com o tempo (valor desejado, no ato da compra; valor recebido, em situações de uso), como relatado por moradores que anteriormente demostravam o interesse em morar nas habitações multifamiliares, porém após a vivência na habitação, com novas regras, vivencia em comunidade e gastos com a manutenção, tornaram a percepção do usuário, bem como o valor dado por ele, distante da inicial, agregando novos valores percebidos.

A satisfação do usuário em habitação de interesse social é um dos fatores de grande relevância para a permanência do morador na unidade habitacional. Além de evitar a venda ilegal do imóvel, deste modo evitando que este cidadão volte a fazer parte do déficit habitacional, bem como, a sua permanência no imóvel contribui para sua inclusão como cidadão. Portanto conclui-se que as avaliações pós-ocupação (APO), cujos resultados servem de insumos para a melhoria contínua do projeto e do produto, são importantes, podendo ressaltar a complementação que o valor percebido pelo usuário gera na pesquisa e na obtenção de resultados mais coerentes e reais ao meio.

 A realização de uma nova APO, após a conclusão do Parque Popular da Pedreira.

 Desenvolver um novo estudo no conjunto após determinado período, para se aferir quais as principais mudanças e patologias bem como a nova percepção de valores pelos usuários.

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