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4-1- Classification des alliages d’aluminium

Dans le document Etude de la corrosion du papier aluminium (Page 28-0)

As produções técnicas e culturais devem ser pensadas a partir do vivido, nesses termos o modo de olhar o que nos cerca não está à parte das projeções construídas em âmbito social, são modos que adquirem sentidos no cotidiano. O olhar é simbólico e se constrói nas mediações entre os indivíduos e o objeto olhado – uma relação entre o concreto e o abstrato, entre o visível e o invisível – externando as “coisas” do mundo em acordo com as manifestações culturais. Uma interferência culturalmente construída, visto que não lidamos com o universo real das coisas (AUGRAS, 1967). Esse olhar lançado à fotografia é central na sociedade atual. A máquina fotográfica está presente em muitas mãos registrando variados assuntos, divulgando pontos de vistas que circulam e rapidamente são apreendidos por distintos olhares. O que fotografar? Como fotografar? Como se deixar fotografar? Como materializar o que foi produzido no momento do registro? Aonde divulgar o que foi fotografado? Porque divulgar? São questões concernentes às mediações que envolvem o universo da fotografia.

A fotografia não só chama a atenção de vários pesquisadores, como faz parte do seu cotidiano profissional e pessoal, visto a inserção que tem em nossa sociedade. E, mesmo tendo sido aclamada por seu valor de uso e pelas contradições que causou no momento de sua

emergência, não fez parte das questões presentes nas obras dos autores clássicos da sociologia. Se desde o seu início a fotografia tem sido fundamental nas relações humanas, porque só agora ela se torna um objeto que ganha importância nos debates acadêmicos? Ora, quando foi criada não era dotada de um caráter de universalidade. No período que despontou às ciências humanas, de modo geral, a imagem fotográfica estava fundada na ótica funcional do seu uso e na interpretação contextual dos elementos que retratava.

Ainda, a fotografia adaptada aos prazeres da burguesia externava os modos no qual “se viam” e desejam “ser vistos” socialmente. As vestimentas, a arquitetura, o cotidiano, as práticas, os espaços e todos os aparatos disponíveis e passíveis de serem reproduzidos e comercializados pelos indivíduos foram difundidos pela imagem. As práticas sociais e as diversas relações que se estenderam socioespacialmente se ancoraram nos projetos burgueses que preliminarmente circularam em imagens fotográficas. O cartão-postal foi um dos grandes suportes iniciais, circulou fortalecendo imaginários sociais, indicando modos específicos de sociedades e identidades. Proporcionou a materialização da dinâmica burguesa estabelecendo-a no imaginário social.

A fotografia foi assim um objeto legitimado diante da classe social burguesa, porém nem Karl Marx a cita em sua obra, uma vez que não era massificada, que não existia o alcance que tem na atualidade. Mas, mesmo afastado de um pensamento que se refere à fotografia, Karl Marx (2004) nos Manuscritos Econômico-filosóficos aponta para a objetividade e a subjetividade da vida entrelaçadas no contexto das produções materiais a partir de uma descrição ontológica dos sujeitos sobre as bases produtivas. Nessa gama de objetos e produções poderia ter pensado a relação da fotografia com o olhar humano.

“A formação dos cinco sentidos é um trabalho de toda a história do mundo até os nossos dias” (MARX, 2004, p. 110). Esses são construídos por meio das subjetividades concernentes às relações sociais. Nessas o processo do ver se faz diferente do enxergar e o olho tornou-se humano assim como o seu objeto tornou-se objeto social. Em um paralelo com a filosofia e procurando salientar o pensamento de Marx, o filósofo grego Platão em uma de suas máximas diz que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: a sensível e a inteligível.

A primeira parte do mundo dos sentidos, do qual temos um conhecimento aproximado ou imperfeito, nessa realidade fazemos o uso dos nossos cinco sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar). A subjetividade pode ocorrer numa experiência particular de um indivíduo com um objeto, por exemplo, ao comer uma fruta um indivíduo conhece a fruta. Através de seus sentidos ele pode dizer sobre a doçura, a cor ou o cheiro dela. As proposições são frutos das

experiências subjetivas; por isso estas proposições são opinativas, não decorrem de exatidão, precisão e ciência (MARX; ENGELS, 2010, p. 134-135).

A segunda parte, por sua vez, está associada ao mundo das ideias, do conhecimento obtido através do intelecto a partir da sistematização de elementos, utilizando a razão. Esse mundo das ideias não pode ser conhecido através dos sentidos. Em compensação, as ideias ou formas são eternas e imutáveis. Uma pessoa leiga sabe da existência das vacinas através de uma reportagem mostrada numa TV, em que a comunidade científica descreve os benefícios da vacina e os efeitos que elas causam em um organismo. Mesmo sem saber se ela funciona os ouvintes do noticiário acreditam no conhecimento que é passado pela ciência. Este tipo de conhecimento é objetivo, contrário da realidade sensível que é subjetivo.

Platão afirma que é no mundo das ideias que moram os seres totais e perfeitos: a justiça, a bondade, a coragem, a sabedoria, etc. O mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das ideias e fora deste último tudo o que captamos através dos sentidos possui apenas uma parte do ser ideal. O mundo sensível, portanto, é um mundo de seresincompletos e imperfeitos. Cada objeto concreto que existe participa, junto com todos os outros objetos de sua categoria, de uma ideia perfeita. Uma determinada mesa, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho, etc.). Outra mesa terá outros atributos, sendo ela também uma mesa, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam mesas para Platão é a ideia da mesa perfeita que apreende todas as possibilidades de ser mesa.

Karl Marx e Platão tem uma ligação teórica muito interessante sobre a importância da subjetividade do indivíduo influenciando a objetividade social. A construção teórica desses ícones direcionada à fotografia sugere a perspicácia das subjetividades do fotografo, e da própria fotografia, dada pelo mundo dos sentidos. Remete ao resultado do aparente uma consonância social objetiva.

Outro pensador caro as Ciências Sociais é Émile Durkheim, se formos analisar a fotografia diante do que expôs a atrelaríamos a sua gênese, instituição e funcionamento na sociedade, essa apareceria como um fato social. O fato social é o objeto da sociologia e exerceria nos indivíduos uma coerção exterior, a fotografia cumpriria as regras do fato social, visto que gera um tipo de impacto, isto é, causaria coerção no modo de ação das pessoas. Uma vez que esse recurso imagético segue uma estética tanto na sua elaboração, quanto nos rituais de se manter diante do equipamento para ser fotografado, cria aparências, desperta desejo, forma ideias e padrões. Quem não o segue é penalizado. Imaginem crianças sendo fotografadas para a formatura escolar, existe um padrão a ser seguido; o corpo ereto, vestimentas adequadas, o sorriso, a fila, um conjunto normativo, a criança que não estiver condizente com a norma

geral, será penalizada socialmente, tanto na instituição escolar, como em outros momentos que por ventura tenha que expor e se deparar com a fotografia.

A fotografia circula destacando modos de comportamento, tipos de corpos humanos em suas representações simbólicas, delimitam os cenários das próprias paisagens fornecendo uma classificação que pode enquadrá-la enquanto modernas ou rústicas; urbanas ou naturais, religiosa ou profana, do progresso ou da tradição. Ela promove uma ordenação, que escapa a consciências das pessoas que reproduzem essa ordem. Sendo a fotografia exterior ao indivíduo, nem sempre o seu uso depende da vontade dele. Entretanto, ela está atrelada as instituições sociais, por exemplo: a maioria dos documentos que se prestam à identificação válidos em diversos países do ocidente necessitam de uma fotografia, esse seria um tipo de coerção, é exterior a vontade do indivíduo, mas está imbuída na necessidade social da comprovação com a imagem. Essa reprodução da ordenação constrói um imaginário que reveste de sentido o que a fotografia por si só não tem e “esse sentido permite cada um de nós viver e sobreviver socialmente” (MARTINS, 2009, p.19).

Se tratando do imaginário ambos os autores, Karl Marx e Émile Durkheim, destacam que esse não é um processo consciente. Durkheim pensa o imaginário como uma forma de organização das relações sociais. Para esse autor, a sociedade em qualquer momento pode entrar em um estado de patologia, ou seja, de anomia – de ausência de regras – então, as noções fortes têm o papel de colocar as coisas dentro das regras. O ponto de vista direcionado aos registros fotográficos permite pensá-los a partir de uma localização que é dada aos indivíduos por meio do ordenamento da imagem, dessa forma a fotografia cria regularidades. Tendo a fotografia como exemplo é perceptível que esse artefato é dotado de uma espacialidade, em uma imagem da cidade os elementos vigentes são os edifícios, os monumentos, as pessoas em suas hierarquias sociais, etc. O modo como esses ícones são representados favorece a construção de uma ordem social dando ênfase ao que é priorizado como parte e ordem de uma cidade. Durkheim ao tratar da anomia destaca que o homem comum seria uma vítima impotente da sua incapacidade de fazer interpretações corretas sobre a sua situação, quer dizer, não consegue esclarecer o cotidiano por não estar imbuído da totalidade social, o que o faz perder o controle do coletivo. Para Marx, essa perda acarretaria no processo de alienação.

A fotografia nesse ambiente é construída como imagem que se quer real, autêntica e verdadeira (BECKER, 2003). Seu aparecimento como técnica é fruto do rigor e das concepções que pautou a busca pela captura objetiva das relações humanas, com origem na coletividade. Nesse contexto social residem as explicações para as formas do seu uso em face do conceito desses autores.

Para Weber (2002) a racionalização da sociedade ganha importantes aspectos. Nas afirmações desse autor, as revoluções tecnológicas atuantes nesse período são coadjuvantes à ciência e a burocratização das relações sociais. A fotografia em sua origem foi coadjuvante desse processo; aliada aos discursos que justificaram os transcursos da sociedade capitalista balizou as práticas da técnica, da noção de certeza, exatidão e realidade. Qualquer cenário captado pela máquina fotográfica após revelado era passível de análise. E frente ao pensamento em voga esclareceria fatos que o olho humano manteria nas sombras em razão da crença que essa imagem não deixaria espaço para as dúvidas pela objetividade vinculada em sua aparição.

À vista dessas premissas a ficção artística, o sonho ou a imaginação estariam a cargo dos lápis e dos pincéis, seriam representados como resultados da imaginativa mente humana; ao contrário, à fotografia cabia o papel de resultado técnico proporcionado pela perícia humana. Qualquer subjetividade lhe era negada, inclusive a do próprio olhar do fotógrafo. Enquanto percebida como retrato da realidade decorrente de uma consciência prática engendraria na sociedade um papel racionalizador, direcionamento profícuo ante o prisma Weberiano. Se a fotografia constrói os sentidos em conjunção aos discursos que lhe caracterizam como prova do real, certamente, o autor apontaria o papel do desencantamento proporcionado por este artefato, ainda mais quando colocado diante das representações pictóricas.

Os autores clássicos citados e suas teorias coordenadas com seu tempo histórico dão chaves iniciais para a análise da fotografia a partir dos seus diferentes usos e funções sociais; para interpretá-la como a escolha do que poderia ser visto e reproduzido ao invés do que poderia ser sonhado e criado. Nessa conjuntura em que o invento foi abraçado como sinônimo de imparcialidade e acurácia científica, foi negado em seu resultado final qualquer proposta estética, ideológica ou mesmo a interferência humana.

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