Les classements internationaux
CLASSEMENT DE SHANGHAI
Para além do investimento na área da tecnologia digital, muitas editoras estão já a investir junto dos autores que procuram a autopublicação, criando uma secção específica dentro das empresas para este tipo de atividade, como se verá mais adiante47. Este tipo de atividade segue uma tendência que muitos consumidores têm manifestado desde há uns anos – o DIY: “Do it Yourself” (ou “Faça você mesmo”) – e que lhes permite acrescentar mais valor a um produto ou serviço através do envolvimento pessoal na criação/desenvolvimento desse produto ou serviço48.
Este movimento não é desprezável: em 2014, Wischenbart refere estudos que demonstraram que, nos países com produção editorial mais intensa, desde o início desta década se
intensificou o volume de vendas de livros autoeditados, sendo que alguns se transformaram em bestsellers49. Dois anos depois, segundo um estudo complexo e controverso levado a cabo em 2014 por um autoeditor, Hugh Howey, dono do site ‘Author Earnings’, os cinco maiores grupos editoriais dos Estados Unidos registaram um decréscimo acentuado nas vendas, ao contrário do que sucedeu com os livrosautoeditados (Wischenbart, 2016: 26-27), como se pode observarpelográficoseguinte:
47 Esta atividade pode tomar outros nomes: autoedição, publicação independente, edição alternativa, marginal ou
underground, por exemplo (Simões, 2012: 21).
48 Ferreira, 2013: 24; Kotler/Keller 575-576; Honebein/ Cammarano, 2005; Idem, 2006: 31. 49 Wischenbart, 2014: 108 ss. Veja-se Almeida, 2013: 2 para o caso do Brasil.
Gráfico 3 – Vendas de mercado por tipo de editor nos Estados Unidos da América50.
Ainda que os números e a metodologia utilizada sejam contestados e que não haja uma forma única de olhar para a situação do mercado livreiro norte-americano, a questão permite, segundo Wischenbart (2016: 175), algumas conclusões interessantes:
The controversy highlighted at what point self-publishing had grown a self‐esteem, namely among its star authors, and a prominence in public opinion (…) that was now ready to challenge even the largest representatives of the old players, namely the five largest trade publishers and their prestigious history. The debate also highlighted the lack of reliable data (as neither Amazon nor Barnes & Noble would reveal any detailed sales information) on a segment of the industry which, undoubtedly, has grown dramatically within just a few years, and had largely contributed to radically review and also change the established value chain and role models of the sector.
50 Dados obtidos a partir do site ‘Author Earnings’, de acordo com Wischenbart, 2016: 27. As autoedições encontram-se sob o nome ‘Indie Published’.
O fenómeno de autoedição tem do seu lado a vantagem de ter custos de publicação mais baixos se usadas ferramentas digitais (como, por exemplo, pelo print on demand ou pela utilização de e-books), o que permite a viabilidade comercial dos livros (Stephenson, 2012: 6), para além de permitir ao autor manter um controle maior sobre todo o processo de produção e comercialização e permitir a obtenção de maiores dividendos (Lewkowicz, 2013: 35-36). Contudo, este fenómeno também não está isento de escolhos. De facto, os autoeditores enfrentam bastantes problemas, dados os obstáculos que enfrentam (sobretudo se o livro for publicado em papel) e que podem ser, por exemplo, de âmbito económico, de tempo, de design, de equipamentos, de comercialização51.
Tendo em conta esta conjuntura e a importância que esta atividade está a assumir, há empresas portuguesas da área editorial a oferecer serviços de autopublicação, num movimento que segue os ditames internacionais, em que há empresas especializadas neste tipo de oferta – como, por exemplo, Lulu52, Bubok53, Bookess54, Kindle Direct Publishing55, Smashwords56, Booktango57 ou Nookpress58 – através das quais um autor pode vender o seu livro, contando ainda, na maioria dos casos, com serviços (pagos) de paginação, revisão, tradução, organização de eventos, etc. (Wischenbart, 2014: 109-110).
Em Portugal, encontram-se vários exemplos, alguns dos quais ligados a editoras ditas ‘tradicionais’. A LeYa, por exemplo, possui uma chancela denominada ‘Escrytos’59 que permite a autocriação de livros em formato digital (oferecendo serviços de revisão e edição pagos) e a sua comercialização nacional e internacional através de empresas distribuidoras de e-books, como LeyaOnline, Wook, Livraria Cultura, Amazon, Apple Store, Barnes & Noble, Fnac.pt, Google, etc. A Porto editora possui também uma chancela – ‘Coolbooks’60 – através da qual permite a publicação de novos autores, mas exige uma análise prévia dos manuscritos e limita o modo literário em que devem ser escritos (neste momento, não podem pertencer ao Modo Dramático ou Poético61). Para além destas chancelas dos grandes grupos editoriais portugueses, há também
51 “Independent publishers are often working with limited finances, limited time, limited design facilities, limited access to appropriate printing and binding equipment, and limited opportunities for distribution and marketing” (Burton, 2013: 1). Veja-se também ibidem, 2-4 para uma análise mais concreta dos problemas de distribuição que um autoeditor pode enfrentar.
52 http://www.lulu.com/ . Ver também Osterwalder/Pigneur, 2010: 71. 53 https://www.bubok.pt/ 54 http://www.bookess.com/ 55 https://kdp.amazon.com/ 56 http://www.smashwords.com/ 57 http://www.booktango.com/ 58 https://www.nookpress.com/ 59 http://www.escrytos.com/ 60 http://www.coolbooks.pt/ 61 http://www.coolbooks.pt/quer-editar-na-coolbooks/
algumas empresas portuguesas de print-on-demand, como a Euedito62, o Sítio do Livro63 ou o IndexEbooks64, que procedem igualmente à publicação em versão e-book ou em papel de livros de autores independentes, oferecendo serviços de acompanhamento do processo (como revisão), mediante pagamento.
No que diz respeito ao mercado escutista, e como veremos, as editoras já estabelecidas não apostam, por agora, no fenómeno da autopublicação. Contudo, existe uma pequena empresa em nome individual – a ‘Colecção Hipopótamo’ – que, não se afirmando ainda como ‘editora’, se dedica à publicação maioritariamente dos livros dos dois sócios da empresa, num regime de autopublicação que tem vindo dar frutos e permite já traçar planos para o futuro.