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CLARIFIER LA PRISE EN COMPTE DES MENSTRUATIONS DANS LE

Como já falamos na seção sobre a História do ensino de línguas, é notório que a tradução não é um recurso novo nas aulas de línguas, porém carrega consigo um estigma antigo, advindo do pensamento de que a tradução está ligada à proposta metodológica que ressalta o trabalho somente com a gramática e com o contraste com a língua materna (LM) do estudante. No entanto, autores como Balboni (2011), por exemplo, comentam que a tradução na sala de aula não deve ser vista como um recurso negativo. Nesse contexto, podemos falar da tradução pedagógica como uma nova concepção de tradução vinculada ao ensino, a qual transforma a forma de aplicação que se observou na Metodologia da Gramática e Tradução (MTG).

A influência de autores como Krashen (1981), que acredita que a tradução não possui um papel fundamental no ensino de línguas, é mais um fator contribuinte para a discriminação da tradução em sala de aula, juntamente com a crença que a aquisição de um idioma só acontece falando a língua alvo o tempo todo em sala.

Para desmistificar a proibição do uso da tradução, contamos com o apoio de teóricos como Atkinson (1993), Romanelli (2009) e Balboni (2011), que mesmo no contexto da abordagem comunicativa aprovam o resgate da tradução como instrumento de apoio pedagógico. Considera-se a tradução como instrumento de apoio no ensino de LE a partir do momento em que ela é utilizada como estratégia na aquisição de uma nova língua. Assim sendo, entendemos que o uso da tradução pode ser um ótimo recurso para auxiliar o professor a obter máxima compreensão possível por parte dos alunos. Na visão de Atkinson (1998), o uso da língua materna pode ser um ótimo recurso para a otimização de tempo, que poderá ser utilizado, posteriormente, em atividades mais produtivas. Dessa maneira, seria justificável o uso consciente da tradução pedagógica durante a explicação de exercícios e para checar a compreensão dos alunos.

Atkinson (1998) ressalta que muitos professores não se sentem confortáveis com o uso de exercícios apoiados na tradução, mesmo sendo exercícios requisitados pelos alunos, e quando se dispõem a utilizá-los, a tradução é assumida como forma de avaliação da aprendizagem dos alunos. No entanto, o uso da tradução deve ser utilizado para reforçar a aprendizagem do aluno, solidificando os elementos lexicais e gramaticais adquiridos. Uma vez que a tradução é utilizada apenas como avaliação, pensa-se somente no resultado final, quando na realidade o que se pretende alcançar é o desenvolvimento linguístico na realização de atividades tradutórias.

Nord (1997) considera a tradução como o processo de transformar signos em outros signos ou representações. Portanto, a tradução representa uma forma de estudo da língua que promove o aguçamento das habilidades linguísticas do aluno, sendo capaz de oferecer maior consciência sobre diferentes domínios linguísticos que se refletem nos âmbitos políticos, sociais e afetivos.

Cook (1998) reconhece que a tradução continua sendo uma ferramenta presente e fundamental no ensino de LE e por isso a tradução pedagógica vem ganhado espaço e respeito como procedimento utilizado em sala, em virtude de seus inúmeros benefícios oferecidos ao aprendiz de LE. Desenvolvimento da lógica e clareza, formação intelectual, aprendizagem da precisão e expressão da criatividade são alguns desses benefícios.

Corroborando com essas ideias, as justificativas de Ridd (2000) para o uso da tradução pedagógica são importantes. Para ele, esse tipo de tradução possibilita que o aluno adquira compreensão através de comparações e contrastes; dessa forma, o aprendiz é estimulado a observar as peculiaridades de sua língua e da que está aprendendo. Então, cabe ao professor auxiliar o aluno a transpor significados, em vez de simplesmente traduzir palavras soltas. Para Costa (1998) a tradução vista dessa forma se constitui em um bom exercício mental que, por sua vez, possibilita ao aluno fazer associações e desenvolve a habilidade de usar a língua de maneira acurada e criativa.

A tradução pedagógica é mediada pelo professor, que irá delimitar até que ponto a tradução será empregada nas aulas. Nesse sentido, tradução pedagógica, por sua vez, deve ser aplicada em sala de aula como instrumento didático. De acordo com Lucindo (1997), o propósito da tradução pedagógica é averiguar ou reforçar a aprendizagem do aluno através da utilização de textos (orais ou escritos), análise contrastiva e reflexão consciente. É essa tarefa que se busca desenvolver na sala de aula contemporânea, mostrando ao aluno que nem sempre a tradução literal é a melhor opção, sendo necessário um trabalho detalhado com as partes do texto, levando em consideração o contexto, o propósito da atividade e o leitor/falante.

Coracini (2005) ressalta a importância da tradução, mas diz que muitos professores não têm ideia de como aplicá-la. Assim sendo, o professor terá um papel fundamental na busca de maneiras para incentivar o uso correto da tradução em sala de aula e procurar aperfeiçoar a sua formação e capacitação em LE com relação ao uso da ferramenta de tradução, não de forma literal, traduzindo palavra por palavra, mas utilizando a tradução dentro de um contexto significativo e relevante para os aprendizes. Por fim, o estudante deve ter a consciência de que a tradução só é útil em contexto de aprendizagem de LE dentro de um contexto e com propósitos específicos.

Dessa forma, a pesquisa sobre a tradução como ferramenta didática vem modificando e transformando o olhar de outras áreas, como da própria Linguística Aplicada, sobre a presença da tradução no ensino de línguas. A partir dessas reflexões acerca da tradução pedagógica, acreditamos que estamos contribuindo para a reinserção ou assunção da tradução na aula de língua estrangeira como um recurso que ajuda na reflexão linguística no âmbito das metodologias com fins comunicativos, o que colaborará para se desconstruir o rótulo negativo que a tradução carrega, quando inserida na sala de aula desde o abandono da MGT.

Concordando-se que a tradução pedagógica tem, de fato, seu lugar no ensino- aprendizagem de LE, é preciso indagar sobre qual seria esse lugar. Nesta seção, tentamos inventariar alguns dos benefícios trazidos pela possibilidade de se usar a tradução na sala de aula. A seguir iremos nos ocupar em discorrer sobre a tradução como quinta habilidade, no entanto, se faz necessário lembrarmos das quatro habilidades básicas na aprendizagem de um idioma, compreensão auditiva, leitura, fala e escrita. Para Cook (2007) tais habilidades são partes indispensáveis do ensino de uma língua e que para uma educação eficaz essas quatro habilidades básicas de idioma precisam ser desenvolvidas e reforçadas de acordo com o nível e as necessidades dos alunos.