3. Types de tâches et de missions
3.4. Types de tâches en détail
3.4.7. Choix multiples
A Grondend Teory permite gerar explicações a partir dos dados organizados de maneira sistemática, de forma a propiciar a reflexão para uma determinada abstração. É um processo interpretativo que, para ser apreendido precisa de envolvimento e imersão na realidade sobre a qual se pretende teorizar. Para a instituição final da teoria, é apresentada a seguir a conjunção dos fenômenos que integram o modelo paradigmático em sua essência explicativa.
O fenômeno vivendo o significado da chegada às ruas representa a condição causal do evento, ou seja, aquilo que gera a ocorrência da situação de rua. O início dele se manifesta quando o individuo, devido a problemas conflituosos, fica fragilizado e desestabilizado, fazendo-o traçar caminhos diferenciados e difíceis. Uma vez em situação de rua, destaca-se a forma como esse cidadão se apresenta e chega a essa situação. Diante das primeiras informações, notam-se dúvidas, estranhamentos, desilusões e medos; em contrapartida, anseio por liberdade, desapego e uma opção, que são tidos como aspectos importantes e determinantes nesse primeiro instante. As emoções, escondidas pela ação do “mim”, de um autocontrole socialmente esperado, de não se expressar para a família, para os amigos e para a sociedade, fazem mitos e ideias infundadas tomarem um vulto ainda maior.
Esse primeiro momento vai dando lugar a um incipiente despertar com o amadurecimento das primeiras informações, com o acolhimento de outros cidadãos em situação de rua e da rede de assistência social, ajudando-a a continuar a caminhada. O acolhimento é descrito como um elemento fundamental no momento da chegada às ruas, repercutindo de forma positiva, ainda que o caminho a ser trilhado seja desconhecido, pois sentir-se abandonado aumenta o sofrimento e o medo de perder a própria vida.
Em conhecendo o mundo do ser que está em situação de rua: os nexos simbólicos presentes no cotidiano, é possível adentrar a sua rotina e conhecer a sua vivência – um aspecto relevante, pois toda a sua dimensão existencial será fortemente exercida. O universo da população em situação de rua abrange a rua com tudo o que está em torno: praças, viadutos, bares, lojas, supermercados, residências, instituições diversas e todos os demais ambientes com os quais o indivíduo realiza interação. Sendo assim, as estratégias de ação e interação são tomadas e os fatores intervenientes atuam para determinar a conotação do enfrentamento dessa situação.
O “self” torna-se um grande desafio, a partir do momento em que o individuo necessita lidar com as faces do “eu” e do “mim”, no sentido de acomodar o que ele sente no
seu interior, domando seus instintos mais essenciais. Os principais sentimentos que surgem são o medo, a revolta, a sensação de abandono, a introspecção e o sentimento de dependência. Interagir com as pessoas na mesma situação e ser aceito pelo grupo, assim como manter contato com alguém externo a essa situação, seja um familiar, amigo, vizinho ou conhecido, vai exercer influência e, portanto, ter grande importância para se vivenciar esse novo contexto de vida. Ressalta que o suporte emocional, espiritual e social é elemento de interação, utilizado para comunicar ao cidadão a opinião a respeito do que está se passando; e essa comunicação, por sua vez, exerce importante influência na sua vida.
Em relação ao processo de adoecer e cuidar, vê-se que ele fica plenamente afetado. Esse grupo populacional, ao habitar em lugares inóspitos, com pouca higiene, sofrer pressão psicológica e outros diversos fatores, tem elevadas a vulnerabilidade e as possibilidades de um adoecimento biológico, físico e psíquico. O fato de haver uma referência, seja de um profissional da assistência ou da saúde, seja de um serviço de saúde, surge como um elemento importante de interação, que é favorável ao cuidado.
Em estratégias para manter a vida na rua, o individuo usa de meios de ação/interação para melhor adaptar-se a sua nova necessidade de vida. Muitos são os fatores que o influenciam para a permanência dessa nova fase, com destaque para: a busca de informações sobre o que se passa na rua; a interação com a rede de apoio; e a utilização de estratégias mentais com vistas à redução dos aspectos negativos da situação de rua. Enfatiza- se que a busca pelo conhecimento a respeito do que perpassa estar em situação de rua, transforma uma situação de medo em uma situação de maior tranquilidade. Estratégias simples que facilitam a sobrevivência, relacionadas à redução do uso de álcool e à substituição das drogas, dormir em locais seguros e em grupos e permanecer, durante o dia, perto das principais instituições de apoio, apresentam as condições intervenientes que surgem no curso da interação que modificam o significado da própria situação de rua e, consequentemente, interfere no processo de enfretamento da situação.
Os recursos econômicos também fazem parte desse contexto, haja vista serem necessários para a sobrevivência. Ao chegarem às ruas, em geral a mendicância se faz como algo inicial. Conforme o cidadão vai conhecendo a realidade, vão surgindo novos ganhos e novas possibilidades de serviço que, muitas vezes, servem de esperança para novas mudanças.
Nesse processo, apresentamos as condições intervenientes, como o individuo sofrer influências no curso da interação que modificam o significado da própria situação de rua. Assim, compreendem-se os fatores capazes de interferir no processo de enfrentamento.
Tomando por base todo o contexto e as estratégias de ação/interação apresentadas até o momento e as premissas do Interacionismo Simbólico, é possível constatar que a interação desse sujeito com tudo o que está a sua volta influencia-o de maneira ímpar. No entanto, a interação com o “self” e com o mundo é determinante no enfrentamento dessa nova situação.
Por um lado, ao pensar na interação com o “self”, destacam-se o “eu” e o “mim”; sendo o eu a essência particular do “self”, ofuscada, porém de intenso poder sobre os sentimentos do individuo, de tal modo que o impulso espontâneo de desesperança é instituído a partir do “eu”, em uma atitude de preservação, só desarticulada a partir dos elementos que conferem segurança ao cidadão. Por outro lado, a interação com o “mim” exige do individuo um comportamento diferente do que ele mesmo gostaria, haja vista essa face do “self” estar relacionada àquilo que é socialmente esperado.
Esse pensamento vai ser um desafio para o ser que vivencia a situação de rua, pois ele precisa representar o outro em si mesmo. Nota-se que, frente à situação de rua, a interação social modifica atitudes e comportamentos desse cidadão.
Em os símbolos e os significados dando esperanças futuras, apresentam-se as consequências e os desfechos gerados a partir das estratégias de ação/interação utilizadas pelo individuo frente a sua situação. É necessário dizer que os desfechos são diferentes, uma vez que, mesmo que duas pessoas passem pela mesma situação, a reação apresentada será individual.
No primeiro momento, quando o enfrentamento resulta na superação da situação, percebe-se que o individuo começa a adaptar-se e livrar-se das angústias, o que vai favorecer a sua vida na rua. Mantendo a vontade de viver, ele começa a criar expectativas de mudança de vida e a se cuidar. Em sentido oposto, quando ele não vê outra saída, acaba aceitando a situação de rua, mesmo que isso não seja expresso claramente. Nesse caso, esse pensamento negativo acaba fazendo-o desistir de buscar por melhores situações. As dificuldades, em especial de ingressar no mercado de trabalho, vencer o vício das drogas, assim como resgatar os vínculos familiares, tornam-se inimigos, intensificando o processo de permanência na rua e diminuindo as perspectivas de saída da mesma.
Como desfecho do exposto até o momento, a partir do modelo teórico-substantivo construído neste estudo, tem-se o eixo vivenciando o processo saúde-adoecimento- cuidados em situação de rua, a partir do movimento de adaptação interativa do próprio universo simbólico. Apresenta-se, então, a vivência do adulto em situação de rua como um movimento que busca adaptar-se dia a dia à nova situação de vida, em um esforço para adequar-se ao seu universo próprio em prol da sobrevivência.
Teorizo, desse modo, que o ponto de partida em busca da adaptação é a dúvida, o medo da morte, a incerteza, o sentimento de humilhação e o abandono. Recorrendo às estratégias das quais dispõe, o cidadão se esforça para transformar esses sentimentos em força para continuar a viver.
O Diagrama 7, a seguir, buscou unir todos os elementos paradigmáticos, preenchendo o universo existencial do cidadão em situação de rua. Nele foram utilizados os elementos simbólicos empregados nos diagramas anteriores e no centro desse universo e, daí, é possível compreender que o individuo está em constante movimento de adaptação e convívio com a situação. E vai ser essa adaptação que ajudará esse ser a encontrar um lugar nesse universo, onde ele próprio, o cidadão, transita livremente, buscando alcançar a sua própria satisfação, mesmo que em condições inadequadas. Por fim, em meio a tantas possibilidades, em que terão constantes transformações, ainda permanecerá seu desejo de sobreviver, que é tão grande quanto lhe é permitido pelas proporções de sua natureza humana.
próprio universo simbólico. Fonte: a autora Fenômeno Central Diagrama7 FATORES INTEVINIENTES CONTEXTO CIDADÃO EM SITUAÇÃO DE RUA CAUSAS CONSEQUÊNCIAS AÇÃO/INTERAÇÃO