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CERTAINES ACTIVITES IMPORTANTES DE LA BANQUE DE PORTUGAL

O sono é um estado pelo qual o organismo passa periodicamente. Nos animais, incluindo o homem, o sono geralmente é reconhecido pela adoção de uma postura específica, quietude comportamental, desligamento relativo dos estímulos ambientais e reversibilidade para o estado de vigília.

O registro da atividade elétrica cerebral levou à constatação de que o sono é caracterizado por ondas lentas, de voltagens relativamente mais altas que as observadas no período de vigília.

Um grande impulso, porém, no estudo do sono, foi dado pela observação de que os bebês apresentam movimentos rápidos e periódicos dos olhos quando estão dormindo, e que estes estão associados à ocorrência de sonhos, nos quais observa-se atividade eletrocortical similar ao da vigília (ASERINSKY & KLEITMAN, 1953; DEMENT & KLEITMAN, 1957).

Este fato, subseqüentemente comprovado em outros mamíferos (TIMO-IARIA, 1985), levou à conclusão de que o sono é composto de dois estados distintos de funcionamento neural, com diversas denominações.

Ao sono de ondas lentas, no EEG, são dados os nomes de sono de ondas lentas, sono de ondas sincronizadas (ou simplesmente de sono sincronizado), sono quieto, sono não-REM, etc.

O sono em que os sonhos ocorrem profusamente é denominado de sono REM (de “rapid eye movements sleep”). Outras designações incluem: sono de ondas dessincronizadas (ou simplesmente sono dessincronizado), sono paradoxal (pelo fato de ser paradoxal a ocorrência de ondas semelhantes à vigília, mesmo que o sono seja comportamentalmente evidente), sono ativo (devido à constatação de que neste período ocorrem movimentos musculares esqueléticos fásicos e alterações da freqüência respiratória, freqüência cardíaca e pressão arterial) e, ainda, sono onírico e sono “D” (de “dream sleep”). Algumas destas denominações, no entanto, não encontraram respaldo na comunidade científica.

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A análise mais cuidadosa dos padrões da atividade elétrica cerebral permite diferenciar que o sono sincronizado não é uniforme, podendo ser agrupado em 4 diferentes estágios: sonolência, sono leve, sono médio e sono profundo. Sabe-se atualmente que, em geral, as pessoas adultas passam, de maneira progressiva, da sonolência para o sono leve, deste para o sono médio e finalmente para o sono profundo, o qual é caracterizado por ondas bastante lentas (padrão delta). Deste estágio, inversamente, há o retorno para o sono médio e, finalmente, para o sono leve, quando o sono dessincronizado ou REM ocorre. Esta seqüência completa é definida com um ciclo de sono e dura, em média, 90 minutos. Desta forma, em uma noite de sono de 8 horas, em geral ocorrem 5 ciclos de sono.

No indivíduo adulto, a maior parte do sono noturno é do tipo de ondas lentas; esse é o tipo de sono profundo, repousante, observado durante as primeiras fases do sono, após a pessoa ter permanecido acordada por muitas horas. Os períodos de sono REM ocorrem periodicamente durante o sono de ondas lentas, e representam 25% do tempo total de sono (GUYTON, 1992).

O sono é, portanto, um fenômeno cíclico resultante de dois ritmos fundamentais, um de 24 horas alternando vigília e sono (ciclo circadiano), e outro de 90 minutos, alternando estágios REM e NREM (ciclo ultradiano) (LOMBROSO, 1994).

No rato recém-nascido, o sono é praticamente todo de sono- REM, ou melhor, de sono-ativo, ainda que neste período os movimentos oculares sejam extremamente raros (SILVA, 1998).

Já o RN humano, por sua vez, dorme 3 a 4 horas seguidas, intercaladas por períodos de despertar de uma hora aproximadamente; este ritmo se mantém dia e noite. Caracteristicamente, os ciclos de sono do RN iniciam-se com o sono REM, e vão se alternando a cada 50 ou 60 minutos.

A adaptação do RN ao ciclo de sono-vigília ocorre durante o primeiro mês de vida. Durante o terceiro mês, começa a ocorrer

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mudanças estruturais no seu sono, sendo que, neste período, o mesmo passa a iniciar-se na fase não-REM. Aos seis meses de vida, cerca de 90% dos lactentes terão completado esta mudança. A partir desta idade, os períodos de sono ininterruptos não ultrapassam seis horas, e as noites são divididas em dois períodos de sono contínuos, intercalados por um despertar. Durante o dia, porém, a vigília ainda é interrompida por períodos curtos de sono.

Aos nove meses de vida, o lactente dorme, em média, 9 a 10 horas por noite, e 2 a 3 horas por dia. Com um ano de idade, ocorre a consolidação do sono noturno, com permanência de uma a duas sestas diurnas, até por volta dos dois a três anos de idade. O padrão adulto de sono REM é atingido por volta dos três anos de idade (NUNES, 2002).

Como o desenvolvimento da atividade elétrica do cérebro do RN se manifesta através da permanente evolução e organização dos estados do ciclo de sono-vigília, até os três anos de idade, o percentual de tempo no qual o RN permanece em vigília, sono ativo e sono quieto, pode revelar as suas condições de saúde, e no caso particular, as condições da sua oxigenação cerebral (SCHER, 1998). Assim, o conhecimento e a análise do ciclo de sono-vigília podem ser de grande valor para o prognóstico do RN, na medida em que possibilite o diagnóstico precoce das alterações patogênicas.

O estudo do padrão do sono do RN, submetido a diferentes condições no período perinatal, pode ser efetuado pela observação das características fisiológicas e comportamentais do ciclo de sono-vigília. Entre as características fisiológicas destacam-se: os movimentos oculares, os movimentos ou abalos musculares fásicos do sono, a ventilação, os batimentos cardíacos e o registro das ondas cerebrais de baixa ou alta voltagem. Entre as características comportamentais estão incluídos os outros movimentos oculares, como piscar, abrir ou fechar os olhos, os movimentos corporais, os movimentos faciais, a vocalização e a ereção peniana (STOCKARD-POPE et al., 1992).

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Os parâmetros fisiológicos do ciclo de sono-vigília em RN podem ser registrados, objetivamente, através da polissonografia (CRIPPA et al., 2003), que requer a avaliação simultânea do EEG, do eletromiograma (EMG), dos movimentos oculares ou eletrooculograma (EOG), do padrão respiratório e do eletrocardiograma (ECG).

O EEG, que mede a atividade elétrica do córtex cerebral, captada sobre o couro cabeludo, tem sido largamente empregado na prática clínica para classificar o sono em diferentes estágios (vigília, sono ativo, sono quieto), como também, para avaliar o crescimento dos dendritos e axônios, a formação das sinapses, a mielinização, o desenvolvimento bioquímico dos neurônios e da glia e, especialmente, as alterações determinadas por inúmeras condições patológicas, incluindo a hipóxia (HAVELICEK et al., 1975; GALHANONE et al., 1996; SCHER et al., 1996; GROZINGER et al., 1997; SHIMADA et al., 2000).

Clinicamente, diversos estudos têm sido realizados utilizando a polissonografia, sendo considerada um método sensível para avaliar, em condições padronizadas, a maioria dos processos normais e patológicos que ocorre no SNC dos seres humanos. Este método tem a vantagem de incluir o registro da atividade muscular e/ou os movimentos corporais que usualmente acompanham o EEG, através do EMG.

Todavia, o monitoramento da atividade elétrica cerebral do bebê não é tarefa fácil e envolve custos elevados. Estas limitações levam- nos a pensar em meios mais simples e fidedignos para a avaliação do sono dos RN, principalmente daqueles hospitalizados. Esta circunstância nos remete à possibilidade de estudarmos o ritmo de sono-vigília e os movimentos corporais que ocorrem durante o sono, uma vez que podemos observar desde abalos musculares isolados ou em série, contrações tônicas breves, movimentos oculares rápidos e a movimentação do diafragma; todos de fácil constatação.

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8.2. O estudo dos movimentos corporais durante o sono no diagnóstico