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PARTIE I : REVUE BIBLIOGRAPHIQUE

I- 2-c- Interactions avec l’Homme

Depois de uma primeira fase de análise documental (de dados quantitativos), descrita na secção anterior, a investigação seguiu procurando perceber, com recurso a entrevistas aos referidos alunos e aos professores que com eles trabalharam diretamente, que fatores são percecionados como estando na base dessa evolução positiva.

Pareceu importante fazer um estudo sobre problemas concretos, procurando descobrir, no dia-a-dia dos alunos, as dificuldades que com que se deparam e as soluções encontradas para as ultrapassar. Mais do que um levantamento dos problemas com que se defrontam esses alunos, interessou encontrar as respostas que os fizeram desabrochar para um novo caminho. Daí a opção por um estudo de caso.

"A finalidade do estudo de caso não é representar o mundo, mas sim representar o caso. (...) A utilidade da investigação de casos para os práticos e para os decisores políticos reside na expansão da sua experiência” (Stake, 1994, p. 245)

Se numa primeira fase, interessou a objetividade na análise e a descoberta de um critério que nos ajudasse a perceber melhor o conceito de evolução e depois a encontrar, de forma clara, alunos que correspondessem a uma evidente melhoria, nesta segunda fase assume-se a subjetividade inerente às opiniões, como uma mais valia para a investigação. Não se pretende chegar a verdades absolutas (e há?), mas compreender melhor o fenómeno do sucesso escolar, daí que só pareça fazer sentido uma aproximação à prática, questionando, ouvindo, cruzando e comparando as perspetivas.

Nesta fase, central no projeto, o método de recolha de dados foi eminentemente qualitativo, uma vez que “o que se pretende não é explicar a realidade, mas sim compreendê-la” (Stake, 1995, p.47). O guião de entrevista foi o instrumento de recolha de dados escolhido e a técnica de recolha de dados foi a entrevista semi-estruturada.

64 Numa primeira etapa, o trabalho focou-se na construção do guião de entrevistas aos alunos. Na elaboração desse guião teve-se sempre como pano de fundo o problema de investigação e as questões associadas. Delinearam-se os objetivos gerais: analisar a visão global dos alunos sobre os fatores por si percecionados como fundamentais para a sua evolução; procurar compreender a visão dos alunos sobre o papel da organização escolar para a promoção do sucesso educativo; procurar compreender a visão dos alunos sobre o contributo das estratégias de ensino e aprendizagem em sala de aula para a promoção do sucesso educativo. Seguidamente, com base na revisão de literatura efectuada, definiram-se os blocos de questionamento e, para cada um, os objetivos específicos e guião de perguntas. Procurou-se, depois dos blocos de questionamento de legitimação da entrevista e de lançamento do tema, abordar a perceção dos alunos relativamente ao seu desempenho, viajando sobre temas como a escola como organização específica, variáveis chave de sala de aula, dando ainda espaço para o surgimento de outros fatores (guião de entrevistas aos alunos – apêndice 1).

O guião de entrevistas aos professores seguiu a mesma base do guião de entrevistas aos alunos. Os objetivos gerais são os mesmos – apenas se mudou a perspetiva. De igual modo, os blocos de questionamento e os objetivos específicos são em tudo semelhantes. O guião de perguntas seguiu também a mesma estrutura, procurando apenas captar uma diferente perspetiva em relação ao que se pretende estudar (guião de entrevistas aos professores – apêndice 2).

A aplicação das entrevistas decorreu em duas fases: a primeira, aos alunos, entre julho e outubro de 2017; a segunda, aos professores, entre abril e outubro de 2018. Todos os entrevistados deram o seu consentimento informado (apêndice 5). No que diz respeito aos alunos menores o mesmo foi obtido junto dos Encarregados de Educação.

Todas as entrevistas foram realizadas no gabinete da coordenação. Relativamente às durações, oscilaram entre os 7 e os 20 minutos cada, no caso dos alunos e entre os 7 e os 16 minutos cada, no caso dos professores.

Todas as entrevistas foram gravadas em suporte áudio e foi explicado previamente a cada um dos entrevistados a razão pela qual se optou, com a sua concordância, pela gravação (para ser mais fácil e tranquila a transcrição, para posterior tratamento). De referir ainda que a todos os participantes foi explicado, numa fase inicial da entrevista, o objetivo do estudo e assumido o compromisso de destruição das

65 entrevistas após o término do trabalho de investigação e de preservação da confidencialidade dos dados.

Procurou-se criar um ambiente natural, de modo a que os naturais constrangimentos da gravação e da entrevista em si não interferissem muito na realidade das declarações. De facto, “na investigação qualitativa, a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal” (Bogdan e Biklen, 1994, pag. 47).

Na realização das entrevistas teve-se sempre em mente o problema de investigação e as questões associadas. A questão fundamental que esteve sempre indiretamente presente em qualquer interpelação foi “o que é que nós, enquanto a(u)tores nas escolas e nas salas de aula, podemos fazer?”.

Posteriormente, todas as entrevistas foram transcritas. Depois da transcrição, seguiu-se para o moroso processo de análise de conteúdo. Procuraram-se criar categorias naturalmente decorrentes dos guiões das entrevistas, tendo, no entanto, surgido outras categorias mais específicas no decorrer do processo. Para garantir a confidencialidade dos intervenientes, e conforme já foi descrito acima, codificaram-se as entrevistas de acordo com a tabela abaixo:

Tabela 2 Codificação dos alunos e professores entrevistados

Disciplina Ano Código aluno Código professor

Português 10º AP10 PP10

Matemática A 10º AM10 PM10 Biologia e Geologia 10º ABG10 PBG10 Física e Química A 10º AFQ10 PFQ10

Português 11º AP11 PP11

Matemática A 11º AM11 PM11 Biologia e Geologia 11º ABG11 PBG11 Física e Química A 11º AFQ11 PFQ11

Português 12º AP12 PP12

Matemática A 12º AM12 PM12

As unidades de registo estão sempre acompanhadas do código identificador da entrevista. A análise de conteúdo foi feita em duas fases e de modo separado: primeiro a análise do conteúdo das entrevistas dos alunos (apêndice 3) depois, a análise do conteúdo das entrevistas dos professores (apêndice 4).

66 A arrumação das diferentes unidades de registo nas diferentes categorias resulta de uma leitura atenta do conteúdo das entrevistas e da procura de referências, ideias, em pequenas secções do texto que se encaixem nas referidas categorias. Com o avançar do processo, foi sendo necessária a criação de sub-categorias e foram-se criando também indicadores, em função das unidades de registo que íam aparecendo. Naturalmente que este processo depende sempre de um juízo de valor e envolve em si, assumidamente, alguma subjetividade. Acaba por ser um procedimento de categorização das unidades de registo, agrupando-as de acordo com a sua afinidade, de acordo com a perspectiva do investigador.

Findo este processo, reuniram-se finalmente as condições para a apresentação e interpretação dos resultados, que surgirá no capítulo seguinte.

Um dos objetivos da análise de conteúdo é fazer inferências a partir dos dados, e que estes, uma vez organizados segundo os critérios, exigências e modalidades previstas devem constituir uma linha de partida empírica para a teorização.

(Amado, 2013, pag.336)

PARTE III: APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS