Chapitre 3. Matériel et méthodes
3.2. Site d’étude
3.2.1. La côte girondine
Buscamos, aqui, apresentar uma perspectiva histórica sobre como se desenvolveram estudos a respeito da agricultura urbana para embasar o que se tem realizado dentro das perspectivas geográficas mais atuais. A AU é uma atividade estudada interdisciplinarmente, e a Geografia se destaca nesse contexto. Geógrafos como Pierre Vennetier, Camillus Sawio, Isabel Maria Madaleno e Luc Mougeot são citados como grandes pesquisadores da agricultura urbana e responsáveis por grandes contribuições à área.
No livro A Cidade das Mangueiras, Isabel Maria Madaleno (2002) apresenta um panorama das principais pesquisas em agricultura urbana ao longo da história. Ela aponta os temas, pesquisadores e institutos de pesquisa mais relevantes até o final do século XX. Segundo a autora, a maior parte o conhecimento produzido na área é a respeito de países em regiões menos desenvolvidas do globo, e pode-se dizer que o momento em que essas pesquisas ingressaram de forma mais expressiva na academia foi na virada da década de 1950 e de 1960 com o geógrafo Pierre Vennetier. A pesquisa de Vennetier (1961) no Congo e de Skinner (1962) no Gabão buscavam produzir dados sobre a presença e importância da agricultura urbana nas cidades africanas. Foram encontrados resultados significativos, especialmente acerca da proporção de entrevistados que se consideram agricultores, seu gênero, e principais espécies cultivadas. No entanto, esses estudos ainda eram escassos, tanto no setor de pesquisas científicas quanto tecnológicas. Somente na década de 70 que houve maiores avanços nos trabalhos com agricultura urbana.
Podemos atribuir esse hiato nas pesquisas a como a agricultura enquanto fenômeno era vista à época. A atividade era considerada passageira e ligada aos grandes índices de êxodo rural (THE URBAN AGRICULTURE NETWORK, 1999). Os anos 70 foram palco da implementação de programas de apoio a países da África, principalmente, pelo governo da França e organismos internacionais como a FAO, UNICEF e Banco Mundial. Tais programas buscavam sanar a insuficiência alimentar em alguns países africanos, assim como garantir assistência para a implementação de projetos próprios na região (MADALENO, 2002). A partir da segunda metade da década de 1970, a autora ressalta o interesse dos australianos na produção de alimentos em Hong Kong e cidades do sul da
China; assim como os impactos das crises do petróleo, consolidando a posição da agricultura urbana como possível solução para a pobreza urbana (MADALENO, 2002).
O aumento do número de organizações internacionais e programas de apoio nos anos 80 promoveu desenvolvimento de um volume muito maior de pesquisas e projetos voltados aos países menos desenvolvidos. Nesse período voltou-se para a América Latina e os trabalhos sobre a Ásia se intensificaram até o final dos anos 80 com o protagonismo da Universidade das Nações Unidas e do East-West Center, no Havaí. (MADALENO, 2002).
A África, no mesmo período, foi muito estudada pelo Mazingira Institute (instituição africana localizada no Quênia e uma das principais a trabalhar com a agricultura urbana em uma perspectiva Sul-Sul) trouxe novos dados ao bojo das pesquisas africanas em agricultura urbana e também outras áreas de relevância, principalmente para os cidadãos quenianos. Temas como a política constitucional do Quênia (LAMBA, 2001), questões agrárias relacionadas ao gênero e acesso a terra (LEE-SMITH, 1997), e obras voltadas à agricultura urbana (MWANGI, 1998; MAZINGIRA INSTITUTE, ROOFTOPS CANADA, 2013).
Fotografia 2 – Horta Comunitária no Quênia
Mulheres do Quênia exibem horta comunitária que auxiliou na melhoria da nutrição da comunidade. Fonte: GAIN
Há de se comentar que esse período também marcou uma fase em que a agricultura urbana era estudada principalmente por pesquisadores de países desenvolvidos em países em desenvolvimento. Pouco se fala da agricultura urbana na parcela mais desenvolvida do globo e são escassas as publicações ―Sul-Sul‖ (fato que mudaria no século seguinte).
A partir disso, outras iniciativas se formaram no continente africano, aliando-se às ações de entidades de financiamento e fomento e instituições internacionais evolvendo projetos em todos os continentes. Os anos 90 se provaram importantíssimos para a agricultura urbana, tanto pelo volume de produção científica como estabelecimento definitivo da atividade como relevantes ao desenvolvimento econômico (MADALENO, 2002). Nessa década, intensificaram-se os esforços de instituições técnicas e científicas, em especial o International Development Research Centre (IDRC), no Canadá, onde muitos trabalhos foram feitos em países em desenvolvimento e que geraram uma gama de dados e publicações utilizadas até hoje. Por exemplo, Sawio (1993) entre outros, descreve e atualiza os dados das pesquisas realizadas na África Oriental e Central até a década final do século XX. Por fim, ao final dos anos 1990 e início dos anos 2000 a perspectiva para a agricultura urbana estava positiva. Com redes internacionais de agricultores e especialistas se formando, mais entidades aderindo a programas e projetos baseados na AU e a América Latina se tornando o novo foco de pesquisas e incentivos na área (MADALENO, 2002).
Até o século XXI, viu-se muitos estudos de caso em cidades de países em desenvolvimento mostrando como a demanda das áreas urbanas afetava a agricultura urbana e quais as suas consequências para as cidades. Dessa forma, foram realizadas muitas pesquisas levantando questões de sustentabilidade, tanto ambiental quanto social. Era comum uma abordagem que buscasse descrever as atividades, em geral relacionando-as ao desenvolvimento econômico local, melhoria da nutrição dos habitantes da cidade, em especial de classes menos favorecidas, e reutilização de recursos urbanos para a realização da atividade agrícola (SMIT, NASR, 1992; LOSADA et al., 1998; NUGENT, 2000; MADALENO, 2002). Esse período também foi importante pois significou a consolidação dos conceitos da AU com os trabalhos de Mougeot (2000) e Smit (1996).
O século XXI traz uma perspectiva mais atual sobre a Agricultura Urbana, com a atividade mais consolidada. Novas perspectivas nas ciências humanas permitem explorar
outras vertentes da atividade, que antes estava muito mais relacionada à diminuição da pobreza e desenvolvimento econômico que qualquer outro aspecto da AU.