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BIOGRAPHIE RÉTROSPECTIVE

Dans le document 1888 1 (Page 137-143)

Segundo o estudo realizado por Abrantes et al. (2011) verificou-se um cuidado crescente, nos projetos TEIP, com a monitorização e a avaliação, como forma de desenvolvimento organizacional. Porém, os recursos existentes são ainda muito escassos e pouco especializados, face aos objetivos definidos. Referem que deveria ser importante que estes processos fossem apoiados por recursos específicos e ações de formação dos principais intervenientes, bem como pela participação de mais elementos da comunidade educativa, de modo a melhorar a sua qualidade.

No PE do Agrupamento de Escolas do Rosário, avaliação é realizada, desde a conceção até à implementação, pela Assembleia de Escola, conforme consta no PE:

“A avaliação encarada não como uma etapa terminal, mas como um procedimento que acompanha todo o Projeto, desde a conceção até à implementação (…). O contributo do Observatório da Qualidade (…) exerce um olhar crítico e mais distanciado acerca da adequação das metas e dos objetivos definidos à realidade concreta do Agrupamento. Compete à Assembleia de Escolas a aprovação, acompanhamento e avaliação da execução do Projeto Educativo” (PE, 2007, p. 32).

No projeto TEIP, a avaliação requer um envolvimento mais profundo e sistematizado pela equipa do projeto, dado que é necessário informar a tutela sobre todos os processos e resultados das escolas. No projeto TEIP, a avaliação é feita por três orgãos da escola:

“Conselho Pedagógico (…) Observatório de Qualidade (…) Equipa TEIP” (TEIP, 2009, p. 20).

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Tal como nos documentos analisados, os atores educativos entrevistados referiram que existe uma equipa que realiza esta monitorização, que entrega e recolhe informação através dos instrumentos, acima mencionados, para a obtenção pormenorizada dos resultados. A equipa de avaliação do PE e do projeto TEIP não é a mesma como podemos aferir através dos documentos analisados em cima.

“Fazemos essa avaliação com a equipa que recolhe todos os indicadores de tudo o que está a ser feito, e depois trabalha esses indicadores e também depois está a nossa Consultora externa.” (Entrevista Coordenadora, 2011).

“Temos uma equipa de avaliação, que estruturou um conjunto de instrumentos que foram supervisionados pela [professora], que é a Consultora (…) chama todas as pessoas que são responsáveis pelos departamentos (…) está a equipa formada, uma equipa multidisciplinar, heterogénea, em que estão os psicólogos, em que está Necessidades Educativas Especiais (…) é através destes instrumentos, que a equipa distribui por todos os responsáveis, desde o pessoal não docente ao pessoal da secretaria (…) e cada projeto tem o responsável e os responsáveis pelos projetos têm também que preencher esse instrumento de avaliação e depois têm de eles próprios que fazer a leitura desses projetos, dessas respostas, (…) Esta equipa recolhe tudo e depois tem que selecionar aquilo que é TEIP do que não é TEIP. O que não é TEIP não é da obrigatoriedade deles tem que dar à direção para que esta faça as respetivas leituras” (Entrevista Antiga, 2011).

Os atores escolares internos referem que a equipa de avaliação possui instrumentos para realizar a própria apreciação dos indicadores que escolhem para aferir, que distribuem e recolhem aos coordenadores de departamento e que depois se faz a separação do que corresponde ao projeto TEIP. Abrantes et al. (2011) referem, neste sentido, que as escolas têm evoluído no processo de avaliação, na medida em que são mais eficazes na recolha da informação. Também a Consultora externa do Agrupamento do Rosário defende o bom trabalho que a equipa de avaliação tem levado a cabo, como se verifica na entrevista:

“Eu acho que a comissão de avaliação TEIP tem feito um trabalho absolutamente extraordinário, (…) a [escola] é uma das instituições que eu conheço que monitoriza quase tudo, desde a biblioteca, até ao comportamento dos alunos, agora podia tirar-se um maior trabalho na divulgação desta informação para o exterior (…) eu acho que continua a ser um dos TEIP da zona de Lisboa com melhores resultados (…), mesmo os resultados académicos é muito importante perceber o que acontece, este ano (…) estão numa fase inversa, ou seja nos últimos anos tem havido problemas de insucesso. Portanto esse processo de monitorização é importante, agora comunicação que existe entre as duas equipas não me parece muito clara (Entrevista Consultora, 2011).

77 De acordo com a análise destas entrevistas, a equipa TEIP possui todos os instrumentos para realizar uma avaliação coerente. A própria Consultora externa refere que é uma equipa bastante competente. No entanto, e apesar de esta equipa monitorizar quase todas as dimensões, a Consultora pensa que a divulgação para o exterior não é muito evidente e o próprio insucesso escolar do agrupamento tem vindo a aumentar estes últimos anos.

Tal como em todos os processos avaliativos, a avaliação feita pela equipa, acrescenta novas conceções, para além da monitorização que, definitivamente trarão mais-valias ao projeto inicial:

“Nós vimos que não estávamos a conseguir ter um registo sistemático de tudo o que era feito, ao longo desse biénio para concluirmos onde tinha corrido melhor e pior” (Entrevista Coordenadora, 2011).

“ Influência, muito, muitíssimo, (…) pode ser necessário alterar um horário de um funcionário, se eu chegar à conclusão que eu tenho que ter até mais tarde alguém e esse alguém é um recurso dado pelo TEIP, (…) Tem a ver com os próprios professores, porque desde o momento que nós criamos turmas de acolhimento, turmas de PCA, os CEF vieram dar um outra foram de estar na escola…nós. Também tivemos que desfasar horários, então os meninos entram mais cedo, mas aqueles mais matulões podem vir até mais tarde (…) a distribuição horária dos professores também mudou em função disso” (Entrevista Antiga Coordenadora, 2011).

“Como estava a dizer na [escola] não tem sido até há bem pouco tempo (…) Há vários fatores que prejudicam os TEIP e no caso deles era mais a questão do comportamento e aí têm-se verificado um melhoramento (…) embora continue haver um número relativamente elevado de ocorrências, o número dos alunos considerados de risco diminuiu (…) houve uma melhoria do absentismo que também foi muito por via de ação dos mediadores (…) falámos com o departamento de matemática, que é uma das áreas críticas neste momento, (…) tivemos algumas ideias novas aqui para a Escola Superior de Educação, (…) resolvemos criar uma bolsa de voluntários da Escola Superior de Educação, para dar alguma apoio alguns miúdos com menos apoio em casa (...) tem que se ganhar a confiança das pessoas (…) falar mais com as pessoas (…) o que eu achei é que saiu dali uma ideia; o que é que vamos fazer? Os pais vão fazer mais? Isto são de facto, cada vez mais interessados em alguns casos, até com quem eu tenho trabalhado, eu não posso mudar os pais quando muito podemos criar sistemas de apoio aos miúdos” (Entrevista Consultora, 2011).

Em suma, podemos concluir que a avaliação do projeto TEIP é muito importante, na medida em que ajuda a refletir e a realizar mudanças quando são necessárias para melhorar a gestão dos recursos da escola de forma a contribuir para a criação de apoio para os alunos

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