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Binned Predicted Variance

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Em “Arata Isozaki por Ken Tadashi”, Isozaki escreve: “Aldo Van Eyck (1918-99) propôs uma fenomenológica imagem espacial. Do seu ponto de vista o termo “tempo” e “espaço” são muito abstratos caso o homem seja o ator e não somente o objeto da arquitetura. Ele prefere o termo “ocasião” e “lugar”. Lugar expressa o espaço em relação as imagens da mente humana e “ocasião” expressa o tempo imaginado em termos de humanidade”. (ISOZAKI&TADASHI, 2009: p. 159-161).

Essa colocação de Isozaki intenta refletir o pensamento ocidental sobre “tempo” e “espaço”, que, para Isozaki, são indissociáveis na compreensão da arquitetura como vazio arquitetônico. Veremos a seguir que essa noção dos ori- entais permeia alguns pensadores, tais como Bruno Zevi, ao descrever a quarta dimensão da arquitetura.

Cristian Norberg-Schulz em “Em o fenômeno do lugar” define que o es- paço é a organização tridimensional dos elementos que formam um “lugar”, como esclarecido no capítulo anterior. Como o estudo sobre a conceito Ma apli- cado a uma espacialidade demostrou ter similitudes com o significado de “lugar”, torna-se necessária uma definição também sobre o termo “espaço” no universo ocidental.

Demos um primeiro passo com a distinção entre fenômenos natu- rais e fenômenos fabricados pelo homem. Um segundo passo é rep- resentado pelas categorias terra-céu (horizontal-vertical) e fora- dentro. Estas categorias têm implicações espaciais, mas o conceito de “espaço” reaparece aqui não como uma noção essencialmente matemática, mas como uma dimensão existencial. (NORBERG-SCHULZ in NESBITT, 2010: p. 443-460)

Siegfried Giedion (1941) distingue “exterior” de “interior” como funda- mento de uma concepção da história da arquitetura, enquanto que Kevin Lynch investiga mais a fundo a estrutura do espaço concreto, de Norberg-Schulz, intro- duzindo os conceitos de “nodos” (“marco”), “baliza” para indicar os elementos que embasam a orientação das pessoas no espaço. Já Paolo Portoghesi define espaço como um “sistema de lugares”, o que dá a entender que o conceito tem raízes em situações concretas, embora seja descrito por métodos matemáticos.

Heidegger assinala que a espacialidade (raumlichkeit) é uma propriedade do ser-no-mundo, a análise do templo grego indica a natureza da espacialidade. Assim, a construção define o recinto ou um espaço no sentido mais estreito da palavra, ao mesmo tempo em que revela a natureza desse espaço que ali está. (NESBITT, 2010: p. 466)

No ensaio “Construir, habitar, pensar”, Heidegger precisa essa relação, dizendo que as construções são localizações e que a “localização admite o qua- terno e instala a “quaternidade”. Admissão e instalação ou disposição são dois aspectos da espacialidade como localização, que abre lugar para o quaterno e simultaneamente o desvela como coisa construída. O conceito de quaternidade formada pela terra, céu, os seres mortais e os seres divinos, se assemelha ao conceito do espaço Ma, Susabi. Como visto anteriormente, a tríade céu, terra e homem também configura um espaço conformado pelo conceito Ma e é gerador de um “lugar”, onde ocorre um alinhamento de sinais.

Mohammad Jodat (1996), descreve que Ma é usualmente definido como um espaço experimental, que propicia um sentimento único a cada indivíduo. A palavra “espaço” sempre esteve em segunda prioridade, visto que o espaço por sí só não propicia essa imaginação, resultante somente da experiência humana de um lugar. Essa definição leva em consideração aspectos da fenomenologia do significado e da configuração de “lugar” de Norberg-Schulz.

Em “O Espaço da Arquitetura” Evaldo Coutinho define o espaço a partir também de um olhar fenomenológico:

Este espaço é um reduto ‹atemporal›, alheio ao tempo exterior ao edifício; espaço que é controlado internamente pelos valores dis- postos pela ‹lógica interna› do arquiteto no momento da concepção da obra. A matéria do ‹espaço› estabelece uma relação exclusiva com o ser humano, enquanto ‹ser arquitetônico›, de participação e comunicação. Assim, o espaço é experienciado de modo multissen- sorial pelo habitante, e não somente pelo sentido da visão que põe o homem como ‹observador› - uma relação comum às demais artes de ‹representação› da realidade. [...] Assim, o indivíduo se integra ao espaço convertendo-se também em um agente responsável pela plenitude desse mesmo espaço e, logo, da obra arquitetônica, não se restringindo apenas a ser um contemplador e observador fisicamente inserido em um determinado vão. (COUTINHO, [1970] 1977, p. 17). A colocação de Coutinho (1977) define o espaço como atemporal, tra- zendo o elemento tempo somente quando o ator (homem) é iserido na obra, definição que se assemelha ao conceito Ma, definido por Berque anteriormente. A capacidade de se atingir um “lugar” em arquitetura depende intimamente da habilidade em conformar o espaço, pelos princípios de Norberg-Schulz. Tadao Ando em “Por novos horizontes na arquitetura”, define seus princípios na con- formação dos espaços:

A criação arquitetônica funda-se na ação crítica. Nunca se resume a um método para a solução de problemas por meio do qual de- terminadas condições são reduzidas a questões técnicas. A criação arquitetônica supõe a contemplação das origens e da essência dos requisitos funcionais de um projeto e a subsequente determinação dos seus problemas essenciais. Somente dessa maneira o arquiteto pode manifestar na arquitetura o caráter de suas origens. (ANDO, 1991: p. 75-76)

Ando busca incessantemente a capacidade da arquitetura de introduzir novas paisagens, integradas ao meio externo. “Quando desenho uma residência – um continente para a habitação humana – procuro alcançar precisamente essa união entre forma geométrica abstrata e a atividade humana diária”. A busca em gerar um microcosmo no interior dos edifícios somado ao planejamento ar- quitetônico embasado teoricamente, o configura como um dos arquitetos que mais se assemelham ao conceito do Ma e criação de “lugares”. Ainda escrito por Ando:

[...] sob o sol as paredes se tornam abstratas, são negadas e se aproximam do limite final do espaço. Sua realidade se perde e so- mente o espaço que elas delimitam dá a impressão de realmente existir.

Espaços desse tipo passam despercebidos no utilitarismo da vida cotidiana e raramente se fazem notar. Apesar disso, são capazes de estimular a recordação de suas formas mais íntimas e de incenti- var novas descobertas. É este o propósito do que denomino de ar- quitetura moderna fechada. Uma arquitetura desse tipo é capaz de modificar-se com a região onde finca suas raízes e de crescer em várias modalidades individuais. Apesar de fechada, estou conven- cido de que, como metodologia, ela é aberta para a universalidade. (ANDO, 1991: p. 75-76)

A espacialidade de Tadao Ando pode ser dita como reflexo de uma relação constante e mutável entre o homem e o espaço que ele experimenta. O protago- nista da construção é o agente causador das diversas visadas e caminhos realiza- dos. O Ma não teria significado, nem chegaria ao seu máximo, sem a exploração do meio construído pelo homem.

ementos, já vimos que esse conceito se aplica ao conceito de “espaço”, então o Ma poderia ser a coisa que toma lugar no imaginário do ser humano à medida que ele experimenta o vazio arquitetônico gerado por esses elementos.

Roberta Neves em “A ‹realidade› do espaço e o ‹ser arquitetônico› In- trodução ao espaço da arquitetura de Evaldo Coutinho” discorre a respeito de Bruno Zevi e o conceito de espaço de Evaldo Coutinho.

[...] Zevi afirma uma postura na qual o ‹espaço interior› é o ‹protago- nista› do fenômeno arquitetônico. Para ele, o espaço deve ser com- preendido e vivido através do que chama de experiência direta em que qualquer das representações gráficas da arquitetura, por desen- hos arquitetônicos técnicos, etc [...] são formas falhas e imperfeitas de realizar a tarefa de expressar a sua essência: a realidade espacial na que se concreta a arquitetura.

Para Zevi, no entanto, diferentemente de Coutinho, o sentido teórico da realidade espacial que comenta, parte do pressuposto de que o espaço da arquitetura atua em infinitas dimensões, incluindo-se a elas a dimensão do ‹tempo›. Razão disso afirma ser que, ainda que na escultura e na pintura seja possível representar em até quatro dimensões (a exemplo da pintura Cubista), na arquitetura existe a diferença primordial de que o homem está inserido no espaço através do seu ‹corpo›, movendo-se numa duração de tempo, criando assim a quarta dimensão temporal ao apreender aquele espaço pelos suces- sivos pontos de vista do percurso. (NEVES, 2014: p. 54)

Bruno Zevi, embasado em teorias como a de Hermann Minkowski (1908) e com a publicação da Teoria Geral da Relatividade de Einstein (1916), considera o tempo como a quarta dimensão da arquitetura, configurando o espaço-tempo como uma entidade única, como dito também por Norberg-Schulz:

A arquitetura ajudou ao homem a dar sentido à sua existência, fa- zendo com que ele conquistasse um equilíbrio no espaço e tempo, ocupando-se, desta maneira não só das necessidades práticas e econômicas, mas também dos significados existenciais, traduzindo- os em formas espaciais, que significam lugares, percursos ou zo- nas, ou seja, a estrutura concreta do ambiente humano. (NORBERG- SCHULZ, in MAGALHÃES, M. R. (1994) p. 97-120)

A inserção na teoria da arquitetura ocidental do “tempo” como elemento indissociável do espaço se aproxima do conceito Ma na conformação de espaços em Isozaki e muitos outros arquitetos e teóricos orientais, como visto anterior- mente, o que nos possibilita a aproximação de uma definição do espaço Ma, por analogias similares a cada uma das culturas.

Apesar de existir uma similaridade entre a teoria de Zevi e o conceito Ma, podemos afirmar que o conceito Ma inexiste no universo Ocidental, por fazer parte de uma cultura distinta e ser carregado de significados inerentes a essa cultura, entretanto é capaz de ser compreendido e assimilado por aqueles que não necessariamente fazem parte do âmbito oriental.

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