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Em 1985, Tetsuhiko Fukutake, propôs ao arquiteto Tadao Ando o projeto da Ilha de Naoshima, o objetivo era transformar uma ilha pequena, sem grandes atrativos construtivos, em um projeto no qual a arquitetura estivesse em sintonia com a arte contemporânea, e ambas interligadas com a natureza.

O mar interior de Seto, ou Seto-Naikai é um braço do Oceano Pacífico, localizado entre as ilhas de Honshu, Shikoku e Kyushu, fazendo com que a ilha de Naoshima esteja em uma localização privilegiada tanto em acessibilidade ma- rítima quanto em ricas paisagens.

A coordenação da ilha de Naoshima permite que artistas e arquitetos exibam seus trabalhos em distintos lugares da ilha de Seto, envoltos em uma

Fig. 67 - Mapa Google Maps do Projeto Casa Benesse na Ilha de Naoshima

paisagem de ressonância cultural e histórica. Entre as construções de destaque da ilha estão o Museu Chikatsu Azuka, Museu Tadao Ando, os museus Chichu Art, Lee Ufan e Benesse House.

[...] o projeto de arte em Benesse transcendeu a parâmetro de museu de arte. O projeto se expandiu para a comunidade local e alcançou o milagre de desenvolvimento social através da arte contemporânea. (ANDO, 2009: p. 88-106 T.N.)

O projeto da ilha de Naoshima, denominado popularmente como a ilha de Tadao Ando, ocupou um espaço social e político, transformando a economia local da ilha e atraindo novos investimentos para Naoshima.

O projeto da Casa Benesse, analisado como estudo de caso, dispõe em área total de 3.645m², dispostas entre um hotel, museu de exibição permanente, salas de exposição, um restaurante, um café, loja do museu e serviços. Todo o edifício, incluindo suas varandas e pátios dispõem de obras de artistas tais como Alberto Giacometti, Jasper Jones, Jackson Pollock, Richard Long, David Hockney, Yves Klein, Joseph Albers, Sol LeWitt, Christo, Bruce Nauman e Kan Yasuda. Três anos após a finalização do hotel e museu Benesse, Ando projetou o Salão Oval, com aproximados 600m² e finalizado em 1995.

Em uma demonstração de respeito ao ambiente natural, o acesso ao Salão Oval se dá por um funicular automatizado que é guiado pelos próprios hóspedes. O enquadramento da paisagem já pode ser percebido de dentro da cabine, que a cada segundo, obriga o observador a fazer novas descobertas, tanto no ambiente construído do museu abaixo, quanto da própria natureza presente em todo o seu entorno.

Com um diâmetro de 20 metros por 10 metros o Salão Oval Benesse contém um espelho d’água corrente, uma escadaria cascata, um bar/cafeteria e apenas seis privilegiadas suítes. Todos os quartos miram o mar de Seto pelas

varandas, engawas, e pela porta principal, miram o céu do Japão refletido no espelho d’água em forma elíptica.

As obras de arte estão dispostas por todo o complexo, desde as paredes dos quartos até o enquadramento da própria natureza pelo arquiteto. A ilha de Naoshima pode ser considerada aquilo que fundadores da Bauhaus denominavam de Gesamtkunstwerk, uma fusão de várias expressões artísticas em uma só obra de arte composta por elementos que configuram uma totalidade.

Em “Naoshima, a ilha de Tadao Ando”, Marina Acayaba descreve o trajeto pelo salão oval benesse da seguinte forma:

No percurso, como em cenas de uma peça de teatro, que se enca- deiam contando uma história, Tadao Ando retoma a sucessão e o tempo presentes na Vila Imperial Katsura, em Kyoto. Sem um espaço central, os episódios apresentam-se gradativamente no tempo, sub- linhando o essencial: o movimento no espaço, o percurso do olhar [...]

Todo o complexo da ilha de Naoshima pode ser considerado um ex- emplo de integração intercelular entre arte, arquitetura e natureza. O presente estudo elege o salão oval como objeto de estudo tanto pela magnitude do projeto em si quanto pelo percurso que leva até ele perpassar pelo Museu e Hotel Benesse em sua base.

Gesamtkunstwerk

Ou “Obra de arte total” é um con- ceito estético oriundo do romant- ismo alemão do século XIX. Ger- almente associado ao compositor alemão Richard Wagner, o termo refere-se à conjugação de música, teatro, canto, dança e artes plás- ticas, em uma única obra de arte. A Bauhaus abraçou a idéia de Ges- amtkunstwerk como as bases para sua fundação.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/ wiki/Gesamtkunstwerk

7.4. MUSEU DE ARTE DE hYOGO

Com a contratação realizada por meio de concurso público, o Museu de Arte de Hyogo faz parte de um complexo de desenvolvi- mento da área portuária de Hyogo, parcialmente destruída após o terremoto Hanshin-Awaji de 1995. O museu iniciou sua construção em 1999 com termino em 2001, em meio ao crescimento da área focado em manufatura do aço e produção de navios industriais.

O programa está disposto em salas de exposição tem- porária, salas para exposições fixas, salas para workshops, salas de leitura, cafeteria, salas de conferência, escritório, depósitos, ateliês, auditório, foyer e galerias, além da contemplação natural do sitio, envolvo pelo mar de Kobe.

O espaço de exibição externo é designado para ser o maior e mais rico em variedade comparado com museus convencionais. A frente d’água é o espaço orientado para aproveitamento da comunidade lo- cal... A praça conecta o espaço público na base da plataforma do museu, tanto visualmente quanto es- pacialmente conformando um parque na beira da água com mais de 500 metros ao longo da fronteira. (ANDO, 2008: p. 324-336 T.N.)

O caminho traçado para se chegar ao museu, pela cidade de Kobe, conta com a frente d’água de Hyogo ao lado direito e uma passarela em madeira que leva o expectador até uma imponente escadaria em pedra.

Em um terreno de 19 mil m², dos quais 12,8 mil m² de lamina são utili- zados para construção de aproximados 27,5 mil m² de museu, o arquiteto optou por uma linguagem sóbria, transmitindo a imagem de segurança, força e durabili- dade, em contraste com as imagens do desastre anteriormente ocorrido no local. A escala do pedestre no térreo logo é reduzida com os volumes das três galerias, que se projetam por meio de extensos beirais que acomodam uma es- pécie de engawa (varanda), enquanto abrigam as generosas janelas que se abrem para a marinha.

O museu repousa sobre uma plataforma de granito polido branco sobre a qual as três caixas de vidro estão dispostas em paralelo. Duas fazem parte de

Fig. 69 - Mapa Google Maps do Museu de Arte de Hyogo

uma mesma galeria, onde se encontram as exposições temporárias, enquanto que a outra caixa é interceptada por um espaço intervalar composto por uma galeria circundante, que permite visadas da paisagem costeira.

Ao centro desse espaço intervalar, uma escadaria em espiral domina a atenção dos expectadores. Além de prover luz natural em todos os andares até o estacionamento subterrâneo, a escadaria funciona como contraponto na configu- ração estrutural imponente do museu.

No interior do edifício, a austeridade no uso de cores e materiais (con- creto, pedra, aço e vidro) intensificam a percepção espacial de luz e forma, que Ando manipula com o fim de fornecer aos usuários inúmeras sensações, ao mesmo tempo que configura um cenário passivo para sediar arte moderna.

O projeto aponta para uma fase de reflorescimento urbano da área de Hyogo após os desastres deixados pelo terremoto de 1995, a medida que trans- parece austeridade e força, unifica a comunidade propondo o espaço público ao nível do mar e reestabelece o contato do japonês com a água.

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