Le trypanosome africain
I. B.3.d.1 Génome mitochondrial
O SWAT é um modelo matemático de parâmetro distribuído, ou seja, quando as variáveis e os parâmetros do modelo dependem do espaço e/ou do tempo. Foi desenvolvido para a escala de bacia hidrográfica com a finalidade de prever o impacto de práticas de manejo do solo em relação à água, sedimentos e produtos agroquímicos. Tendo como aplicação bacias hidrográficas complexas não instrumentadas, por meio de diversas combinações de solos, usos e coberturas do solo e condições de manejo sobre longos períodos de tempo (NEITSCH et al., 2002).
Conforme apresentado por Arnold et al. (1998), o modelo requer informações específicas sobre o clima, as propriedades do solo, a topografia, a vegetação e as práticas de manejo do solo que ocorrem na bacia hidrográfica. Assim, os processos físicos associados ao movimento da água, sedimentos, crescimento das culturas, ciclagem de nutrientes, e outros, são diretamente modelados utilizando esses dados de entrada. Um aspecto positivo dessa característica do modelo é que foi desenvolvido para ser aplicado em bacias não monitoradas.
Siqueira et al. (2015), em sua estimativa da produção de sedimentos em pequenas bacias não instrumentadas no semiárido brasileiro, projetou diferentes cenários de uso e ocupação do solo, concluindo que a metodologia SWAT possibilitou subsidiar estratégias de conservação, de planejamento ambiental e de avaliação do efeito de escala na produção de sedimentos nas bacias analisadas. O que se constitui como uma importante ferramenta para o planejamento ambiental, afirmando que é possível, por meio da espacialização dos processos de escoamento e produção de sedimentos, identificar as áreas críticas por sub-bacia, podendo, assim, auxiliar no processo de tomada de decisão por parte dos diversos atores que integram a bacia hidrográfica.
Da mesma forma, Blainski et al. (2010), avaliaram a aplicabilidade do modelo hidrológico SWAT para a simulação da perda de solo e da disponibilidade hídrica na bacia hidrográfica não monitorada do município de Lajeado dos Fragosos, Santa Catarina, por meio da distribuição da produção de sedimentos e vazão para diferentes cenários agrícolas. Os cenários projetados foram: uso atual, reflorestamento, introdução de culturas anuais em sistema de plantio convencional e introdução de culturas anuais em sistema de plantio direto. As simulações foram sistematizadas por meio da interação entre o modelo hidrológico e o Sistema de Informações Geográficas, realizada através da interface do SWAT denominada ArcSWAT. Os resultados demonstraram que tanto a vazão, quanto a perda de solo foram
alteradas pelo tipo de uso e ocupação do solo, o que pode ocasionar aumento significativo na erosão do solo em função das características edáficas e topográficas da área estudada. De acordo com os autores, permitiu afirmar que o modelo apresentou eficácia na relação entre simulação de vazão (mm.ano-1) e a perda de solo (Mg.ha-1.ano-1). Por se tratar de uma bacia hidrográfica não instrumentada, os dados de perda de solo simulados não foram comparados com dados medidos, entretanto, a aplicação do modelo possibilitou a estimativa das alterações na dinâmica da bacia hidrográfica antes que estas ocorram em função das alterações antrópicas, auxiliando no gerenciamento dos recursos naturais.
Alguns trabalhos mostram que a produção de sedimentos, mesmo não sendo calibrada por falta de dados, não impede a análise do estudo sobre sua variabilidade espacial. Pois, de acordo com os desenvolvedores do modelo SWAT, este foi feito, também, para ser aplicado em bacias não instrumentalizadas (NEITSCH et al., 2011; UZEIKA et al., 2012). Validando, assim, o modelo para realizar inferências sobre as principais áreas produtoras de sedimentos, em função do uso do solo da bacia hidrográfica, comparativamente em relação aos seus usos distintos.
Srinivasan e Arnold (1994) identificaram que a simulação de cenários alternativos permite uma avaliação objetiva dos processos hidrossedimentológicos, constatando que as alterações no uso e ocupação do solo influenciam no regime de produção de água e sedimentos na bacia hidrográfica do rio Betume, região do Baixo São Francisco, conforme os mapas gerados da saída dos resultados do modelo SWAT. Desse modo, permitem uma visualização global da distribuição espacial, tornando possível identificar rapidamente áreas com grandes riscos de erosão hídrica e ambientalmente frágeis, o que pode servir para o planejamento da bacia, principalmente na definição de ações que tenham por objetivo garantir a quantidade e qualidade da água na região de estudo.
Andrade (2011), avaliando o comportamento hidrológico por meio da simulação hidrológica com o modelo SWAT na bacia hidrográfica do Rio Ribeirão, município de Jaguará em Minas Gerais, utilizou uma série histórica de setembro de 2006 a agosto de 2008, gerando uma série sintética de dados de vazão. Como conclusão obteve bons resultados, o que permitiu validar o modelo quanto a sua capacidade para usos vinculados à gestão de recursos hídricos em bacias hidrográficas desprovidas de monitoramento.
Podemos observar que a ausência de estações fluviométricas próximas aos locais de interesses em que se fazem necessários estudos hidrológicos, na maioria das vezes, é suprido por meio do método de Regionalização de Vazões. Porém, para que o estudo tenha um maior
grau de confiabilidade é necessário que haja dados de vazão atualizados disponíveis nessas mesmas estações. Na ausência desses dados atualizados, a modelagem hidrológica tem se mostrado uma opção para suprir essa deficiência, pois a mesma permite a simulação de dados de vazão para realização de diversos estudos hidrológicos.
Por meio dos modelos matemáticos é possível predizer os impactos da ocupação antrópica sobre a quantidade e qualidade da água, o que possibilita o estudo de diferentes cenários de forma rápida e a custo reduzidos, muitos deles ainda não explorados em experimentos reais. Recentemente, a integração entre o desenvolvimento tecnológico e as técnicas de geoprocessamento como os SIG‘s tem permitido avanços nos estudos na gestão dos recursos naturais. Portanto, a combinação dos modelos hidrológicos acoplados aos sistemas de informações geográficas, bem como o desenvolvimento de metodologias dentro desse ambiente, constitui o elemento fundamental para o diagnóstico da situação ambiental e hidrológica nas bacias hidrográficas.
Assim sendo, podemos atribuir ao modelo hidrológico SWAT a capacidade potencial em servir de apoio para o processo de recuperação do solo e melhoria da qualidade da água, além da justificativa para a implantação de projetos públicos de conscientização ambiental.