• Aucun résultat trouvé

Axes et thèmes Périmètre général :

Dans le document Programmation 2008 (Page 145-153)

Apesar do potencial educacional que é atribuído à História da Ciência e do esforço que tem sido feito para aproximá-la da educação científica, fica evidente que existem barreiras que podem dificultar e inviabilizar esta aproximação, impedindo que ela cumpra efetivamente seu papel no ensino de ciências.

No capítulo 1 destacamos o obstáculo referente à falta de material histórico adequado para o processo educacional. Uma vez constatada a escassez de material didático (HOTTECKE, HENKE e RIESS, 2010; HOTTECKE, SILVA 2011; VIDAL & PORTO, 2012) na perspectiva histórico-epistemológica de qualidade para subsidiar experiências concretas e sua aplicação nas aulas de física no ensino médio, nos parece que essa escassez se agrava no caso da Gravitação Universal.

Como já destacamos no capitulo de apresentação desta tese, apesar de sua relevância social, cultural e histórica de sua relação com os desenvolvimentos tecnológicos, como as tecnologias espaciais e sua importância na sociedade atual, a gravitação não vem sendo trabalhada no ensino médio (TEIXEIRA et al, 2018), o que descaracteriza a própria mecânica newtoniana.

Se a ausência da gravitação newtoniana na escola é um sério problema, a ênfase nos produtos do conhecimento científico sem problematizar os processos de sua construção descaracteriza a própria ciência no contexto escolar.

De fato, os estudantes de um modo geral, não aprendem que determinadas ideias levaram muitos anos para serem estruturadas, e que a ciência tem uma história longa e tortuosa. Assim, como os estudantes não tem acesso às práticas científicas, não conseguem compreender de forma clara qual foi o processo de construção dos conceitos físicos.

Nossa vivência como professores do ensino médio corrobora a exclusão da Gravitação pela maioria dos professores no planejamento escolar. A nosso ver essa exclusão está diretamente relacionada a uma formação inadequada do licenciando e futuro professor em história da ciência.

Neste aspecto concordamos com (DUARTE, 2004) quando afirma que isso traz para o centro dos problemas educativos a formação de professores, colocando fortes desafios a todos aqueles que [...] acreditam que nada serve mudar currículos se não houver mudanças nos professores que os implementam”.

Portanto, não é suficiente que materiais históricos de qualidade sejam produzidos para professores e estudantes do ensino médio. Antes é preciso que os professores estabeleçam uma nova relação com o saber de referência, compreendendo a

natureza desse saber, para tornar esse ensino mais prazeroso e significativo para os estudantes.

Cabe aqui esclarecer que não estamos defendendo que a história da ciência irá resolver todos os problemas de ensino na escola básica. Mas em contrapartida, defendemos que a abordagem histórico-epistemológica promove a oportunidade ao estudante perceber as relações entre os diversos conceitos entre as teorias, que as crenças e valores do cientista também influenciam suas práticas científicas. Consideramos que problematizar esses aspectos, promove uma postura mais crítica por parte dos estudantes, ampliando sua compreensão em relação à ciência.

Outro problema é a acessibilidade do material histórico de qualidade para professores e estudantes. Nos referimos à acessibilidade ao conteúdo em si, pois este, muitas vezes, não está disponível para estudantes ou professores que não trabalham com História da Ciência.

Segundo Bastos (2009, p. 52), “os textos de História da Ciência disponíveis para consulta dificilmente se adaptam às necessidades específicas do Ensino de Ciências na escola fundamental e média, talvez porque não reúnam simultaneamente, de modo sintético e numa linguagem acessível, os diferentes aspectos que o professor pretende discutir em sala de aula”.

Partindo do pressuposto de que a História da Ciência pode dar uma contribuição significativa para a formação dos estudantes da Educação básica, uma pergunta deveria ser colocada antes do enfrentamento do problema prático de criar experiências concretas em sala de aula: Quais princípios historiográficos devem estar presentes para subsidiar a elaboração de um material histórico-epistemológico que promova uma educação científica cultural?

Dentro desse enfoque, desejamos situar a física enquanto conhecimento humano, como um saber capaz de proporcionar à humanidade um diálogo inteligente com a natureza e, portanto, constituindo-se em saber dinâmico cujas verdades não são definitivas.

Para aqueles estudantes que continuarão seus estudos, por diversos motivos, ou para aqueles que escolherem outras áreas, seria necessário mostrar-lhes qual o significado da física, qual a sua importância em nossa cultura.

Assim, entendemos que a abordagem histórico-epistemológica representa uma dimensão importante da educação científica se o que se pretende é que o conteúdo trabalhado tenha maior significado para o estudante.

Diante da relevância da história da ciência para o ensino de ciências, da falta de material histórico científico para subsidiar efetivamente práticas metodológicas em sala de aula, propomos neste trabalho de doutorado elaborar um material histórico- epistemológico, tendo como tema gerador, a Gravitação Universal de Newton. Neste ponto cabe destacar que escolhemos trabalhar com a produção do material histórico, visto o que tem sido discutido nas pesquisas quanto à escassez deste tipo de material para o ensino básico. No entanto, como já discutimos neste trabalho e também é apontada pela literatura este não é o único problema a ser enfrentado, como destaca Martins (2007, p. 127) e Forato, Martins e Pietrocola (2009, p. 2).

Sabemos que a interface entre história da ciência e ensino não é tarefa fácil. Usualmente nos livros didáticos a perspectiva histórica dominante que é veiculada, valoriza os “grandes gênios, trazendo uma história da ciência progressiva e linear. Outra história recorrente no ensino básico se limita a datas e nomes, a fatos caricaturais ou a anedotas (reais ou inventadas) como atualmente é feito nos livros didáticos, mesmo reconhecendo a importância que isso tem no ensino (ZANETIC, 1989).

Ainda hoje, as diferentes histórias da ciência que os professores e estudantes tem acesso e propõem a aplicar em sala de aula esta ligada a uma das formas citadas acima.

Em um texto em que discute sobre a utilização da abordagem histórica no Ensino de Física, Pessoa Jr. (1996) comenta sobre ensinar História da Ciência a partir da leitura de traduções de originais:

Em um curso de Física o professor daria traduções de textos originais de Copérnico, Huygens ou Faraday para os alunos lerem. Esta atividade em geral reserva boas surpresas para o leitor, nos detalhes dos relatos

estudados, mas existe uma falta de traduções para o português (PESSOA JR., 1996, p. 5).

Dentre as possíveis contribuições que a abordagem histórica pode trazer para a educação científica, algumas das quais foram elencadas em seções anteriores desta tese, destacamos que a partir dela é possível uma melhor aprendizagem dos conceitos científicos e para a compreensão de que a atividade científica sofre a influência dos fatores sociais, políticos, econômicos, religiosos, dentre outros. Portanto, diversas pesquisas têm defendido que a inclusão da história da ciência no ensino na sala de aula possibilita um diálogo entre os saberes e pode auxiliar na formação do cidadão do século XXI (FORATO; PIETROCOLA; MARTINS 2011).

Do que foi visto no capitulo 1 e quando elegemos uma linha especifica que visa discutir a construção da Gravitação Universal de Newton e na medida que optamos por sua abordagem na perspectiva cultural, nos é pertinente trabalhar com a nova tendência historiográfica, onde são consideradas relevantes, não somente os fatores referentes à lógica interna dos conceitos e teorias, assim como os papel das influências sociais, políticas, econômicas e culturais do momento histórico que tais conceitos e teorias foram elaborados.(ALFONSO - GOLDFARB, 2004).

Isto significa que as discussões que promovemos na elaboração do material histórico científico produzido contemplou tanto os aspectos internalistas como externalistas da ciência. Como Forato afirma:

Qualquer narrativa da HC traz, implícita ou explicitamente, os valores, as crenças e as orientações metodológicas do seu autor. O relato histórico da criação de um conceito científico, ou de um debate entre teorias rivais, ou da realização de experimentos, por exemplo, carregam concepções sobre a natureza da ciência e sobre os processos da sua construção. Não é possível separar essas concepções pessoais (em maior ou menor grau) do trabalho de qualquer profissional ligado à da abordagem internalista, na qual se “discute os fatores científicos (evidências, fatos de natureza científica) relacionados a determinado assunto ou problema” (Forato apud Martins, 2005, p. 306). O produto da nossa parte histórica encontra-se no Capitulo 3 e subsidiou os textos produzidos para os alunos que estão no Anexo 1. Não tivemos a pretensão de fazer um estudo original em história da ciência, exclusivamente com fontes primarias, uma vez que nosso objetivo é elaborar um material didático para alunos do ensino médio. Na elaboração dos textos para os alunos nos inspiramos no trabalho de Forato (2004, p.74) onde encontramos eco para as nossas inquietações quando a autora afirma:

Buscou-se mediar as duas exigências: a da historiografia da história da ciência, perseguindo uma abordagem crítica dos fatos, e as necessidades educacionais do nível de profundidade adequado ao ensino médio.

Diante de tal preocupação, algumas questões emergem como importantes de serem investigadas: Como o material histórico-epistemológico viabilizou para os estudantes uma imagem do caráter coletivo e humano da ciência?

Assim, entendemos que episódios da história da ciência são importantes na formação de uma concepção mais sofisticada da ciência. A seguir apresentamos a nossa proposta didática para o ensino da Gravitação Universal de Newton.

2.4 Uma proposta didática para o ensino de Gravitação a partir de uma

Dans le document Programmation 2008 (Page 145-153)