4.2 Sources extragalactiques
4.2.3 Autres sources
Admirar a fachada no estilo eclético, passear pelos corredores, sensibilizar- se com o jardim... Mas ainda estamos fora do HCJB, e o convite do articulista d’A República, Emerenciano Montano, era para um tour pelo interior do hospital, um “passeio” pelas suas dependências. Sigamos então nosso anfitrião:
Na sala de cirurgia, vimos a moderna mesa de operações do professor Gosset, mesa para curativos, lavabo-ambulância, mesa prateleira para pensos, um armário com o arsenal cirúrgico, contendo ferros para as necessidades e alta cirurgia, pulverizador a vapor, para desinfecção das salas, estufa para esterilização dos ferros etc.
A escolha da sala de cirurgia como primeiro espaço da “visita” é sintomática: ela não obedece a critérios de orientação espacial tomada por qualquer transeunte, isto é, quem entrava no HCJB não topava de frente com esta sala, mas com o lugar da recepção e da capela, descrita pelo jornalista em momento posterior.
A “moderna mesa” e os “ferros” funcionam como materiais para composição de enunciados sobre a modernidade, que justificam a celebração do espaço médico, da cirurgia, que é intervenção no corpo individual, tal como desejavam
junto aos grupamentos unitários de signos. Ele não é nem sintagma, nem regra de construção, nem forma canônica de sucessão e de permutação, mas sim o que faz co m que existam tais conjuntos de signos e permite que essas regras e essas formas se atualizem”. O enunciado, então, não é um princípio de individualização dos conjuntos significantes, mas uma função que situa as unidades significativas em u m espaço de replicação e cumulação, devendo preencher, para que possa ser caracterizada como tal, pelo menos mais três condições, além da já mencionada fuga do campo dos signos: pertencer a um domín io associado, adquirir existência material, possuir u ma relação funcional co m o sujeito do enunciado. Assim, detectar enunciados sobre o espaço hospitalar não se confunde com a escolha metodológica desta ou aquela frase ou proposição considerada nuclear do ponto de vista do significado e, a partir dela, construir um ed ifício interpretativo. É preciso apreender a ‘lógica’ das relações enunciativas ‘internas’ que conferem sentido às afirmações no nível dos signos, a força do jogo de relações entre os enunciados, sem buscar fora do texto a causa ou origem do sentido do enunciado. Cf.: FOUCA ULT, Mich el. A arqueologia do saber. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010.
higienistas e sanitaristas investir no corpo social, tornando-o saudável. O corpo individual que se estende na mesa do “professor Gosset” também é o corpo da cidade.
De ferro são os bondes, os trens da Great Western, os coretos das praças, os postes de iluminação pública, os automóveis, os transportes marítimos... Daí a primazia deste espaço na vizibilidade do nosso jornalista, que, ao dizer a sala de cirurgia, objetiva-a no discurso, promove a construção discursiva do espaço cirúrgico familiar, asséptico. “Nós vimos...”, afirmou o articulista-guia, quer dizer, somos testemunhas da tecnologia ali empregada, do aparato técnico, do “arsenal” (afinal, é uma guerra contra a doença...) à disposição do médico-cirurgião, função desempenhada, àquela altura, pelo doutor Januário Cicco, conforme decreto n.205 de 21 de agosto de 1909.182
Aliás, o exercício da cirurgia no HCJB esteve exclusivamente nas mãos de um único médico, o doutor Januário Cicco, por longos anos a fio. O também médico José Tavares da Silva, que conviveu pessoalmente com Januário, relatou com admiração seu trabalho no âmbito da cirurgia e as dificuldades encontradas no seu exercício do bisturí:
[...] enveredou pela cirurgia, conquistando destarte a estima e consideração de seus contemporâneos. Para isso construiu um centro cirúrgico, onde operava pobres e ricos de todo o Estado. [...] Bem se pode imaginar a carência dos recursos daquela época e os riscos a que se expunha o cirurgião numa cidade pequena.183
E ainda acrescentou ao seu repertório de elogios uma espécie de “ars” ou “aistesis” da técnica cirúrgica:
182 No jornal A República de 4 de fevereiro de 1911, aparece na Parte Official, referente a 2 de janeiro,
um acto do governador nomeando Januário Cicco para o cargo de médico -cirurgião e, na mesma mensagem, encarregando o referido médico de outros gabinetes do HCJB, co mo segue:
O Governador do Estado resolve nomer nomer o dr. Januário Cicco para exercer o logar de médico-cirurgião encarregado da sala de operações e das enfermarias civis do Hospital, inclu indo a de maternidade, e da sala do banco para o receituário externo, ficando-lhe marcado o praso de 8 dias para solicitar o título e assim o exercício.
O Governador do Estado resolve nomear o medico-cirurg ião do Hospital de Caridade dr. Januário Cicco para encarregar-se dos Gabinetes bacteriológico e electro-hydrotherapico com a gratificação annual de 1:800$.
Oficialmente, portanto, o dr. Januário fora no meado med ico-cirurgião em janeiro de 1911, embora exercesse as funções desde 1909.
183 SILVA, José Tavares da. Januário Cicco. Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, ano
No início da minha vida profissional, tive muitas vezes o ensejo de testemunhar suas qualidades inatas de cirurgião. Sua habilidade manual, a destreza e elegância de seus gestos, a rapidez e firmeza com que impunhava o bisturí, tudo isso deixou indelevelmente em meu espírito, a convicção de que ele teria sido um grande cirurgião, se em outro ambiente tivesse vivido.184
Pensava-se aqui a cirurgia como dom, habilidade desenvolvida mediante o domínio pleno da técnica. O corpo ferido era a Natureza que precisava ser corrigida, reequilibrada, assujeitada ao Homem. A cirurgia era um tour de force, uma invasão em um corpo já invadido, dilacerado, multilado, doente. Por isso, a necessidade de uma “tecno-estética” apurada, de um “arsenal” para a guerra contra Natureza.
Os resultados dessa luta sem trégua podia ser medida pela ousadia da intervenção no corpo enfermo:
Embora a alta cirurgia fosse uma temeridade naquela época, ninguém lhe pode tirar [a Januário Cicco] o mérito de ter sido o primeiro no Estado a praticar uma laparatomia. Conhece-se a história de um enorme cisto de ovário por ele operado.185
A “laparatomia” é uma intervenção cirúrgica realizada no abdômen com o propósito de obter um diagnóstico preciso, examinando-se os órgãos abdominais e tratando das áreas afetadas, podendo-se até retirar partes de tecido para exame de biópsia. A operação do cisto de ovário deu-se em 1913 e tornou-se caso famoso, relatado extensamente no jornal A República.
Luís da Câmara Cascudo, em discurso de recepção a Januário Cicco na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, em 15 de outubro de 1939, comentou elogiosamente o desempenho cirúrgico de Januário no HCJB, caracterizando a gênese do trabalho na cirurgia dos primeiros tempos a partir dos instrumentos186 utilizados: “Como estamos distantes do velho Hospital, abrigado na indiferença, com seu serrote para amputação, sua meia dúzia de cegos bisturis e suas pinças sem pontas?...” 187. Já é possível imaginar quão penosa deveria ser uma sala de cirurgia nos primeiros anos...
184 Ibid. 185 Ibid., p.36.
186 Os instrumentos cirúrgicos do Hospital de Caridade, segundo o despacho n.173, publicado no jornal A
República de 19 de agosto de 1908, eram adquiridos mediante compra realizada fora do Estado, e tinham liv re direito de aduana. Talvez a prática se estendesse posteriormente também ao HCJB. Cf.: A REPÚBLICA. Varias, 19 ago. 1908.
187 CASCUDO, Lu ís da Câmara. Saudação do dr. Luís da Câmara Cascudo ao acadêmico Januário
Cascudo ainda nos fornece uma caracterização da cirurgia abdominal, pintando-a em cores tenebrosas:
Aí assistimos vossas batalhas cirurgicas, comentadas pela cidade, a cirurgia abdominal, a mais misteriosa, irregular e inesperada de todas, aquela que escolhe como campo operatório o que se chama, para todos os médicos do Mundo, a boite de surprise...188
Os relatórios médicos sobre o HCJB contidos nas Mensagens dos Governadores (1900-1930) não especificam com clareza as modalidades de cirurgia praticadas na época, embora comecem a aparecer na década de 1920 registros de pequenas e médias cirurgias realizadas nas Seções de Oftalmologia (6 em 1923; 3 em 1924: o gabinete fora instalado em 1923, sob a responsabilidade do oftalmologista Adolfo Ramirez), Odontologia ( 63 em 1925: o primeiro cirurgião-dentista fora contratado em 1923!) e no próprio Ambulatório ( 86 em 1924). Isto não significa que outras intervenções cirúrgicas não fossem realizadas anteriormente, mas apenas uma falta de registro sistemático, que só veio a surgir com a criação da Diretoria Geral de Higiene e Saúde Pública, reorganização da antiga Inspetoria Geral de Higiene e Assistência Públicas, pelo decerto n.148 de 1 de setembro de 1921, que instaurou a prática dos Boletins de Estatística Demografo-Sanitária.189
A tabela abaixo reproduz os números a respeito das cirurgias praticadas no HCJB e toma como referência os relatórios, mensagens e discursos dos governadores do Rio Grande do Norte entre 1910 e 1930:
Tabela 3- Operações realizadas no HCJB ao longo de 20 anos ANO Nº DE OPERAÇÕ ES TIPOS TO TAL
Pequena Média Grande
1910 42 - - - 42 1911 31 - - - 31 1912 39 - - - 39 1913 20 - - - 20 1914 - - - - - 1915 - - - - - 1916 - - - - - 1917 - - - - - 188 Ibid.
189 RIO GRA NDE DO NORTE. Decreto n.148, de 1º de setembro de 1921. Dá regulamento á Directoria
de Hygiene e Saúde Pública. Actos e Legislativos e Decretos do Governo. Natal: Typ. d’A República, 1922. p.146-197.
1918 410 67 - - 410 1919 - - - - - 1920 - - - - - 1921 55 10 - - 55 1922 107 - - - 107 1923 42 - - - 42 1924 146 - - - 146 1925 128 - - - 128 1929 812 39 302 471 812
TOTAL 1746 operações cirúrgicas
Fonte: Mensagens dos governadores (1910-1930).
Como se percebe, o ano de 1929 teve o maior índice de cirurgias das três primeiras décadas, talvez refletindo as reformas empreendidas no hospital ou a maior confiança do pacientes em se submeter ao processo cirúrgico no HCJB. Segundo o médico José Tavares, durante o primeiro terço do século XX, muitos pacientes preferiam ser cirurgiados em outros estados.190
As 1746 operações que nos revela a tabela, de alguma forma, apontam para um privilégio da atividade cirúrgica no século XX. Até o século XVIII, pelo menos, a figura do cirurgião fora persona non grata entre a população e vista como hierarquicamente inferior ao próprio médico. A valorização se deu na França, quando a concepção de doença passou pelo exame das lesões corporais: a enfermidade era agora localizada em um órgão específico, que necessitava de intervenção em um local definido, condição que possibilitou o surgimento da medicina hospitalar.191 Como diagnosticou o filósofo francês Michel Foucault192, o hospital transformara-se em um espaço de “acúmulo e formação de saber”. Olhar “o ser da doença” para saber mais sobre ela...
Saber que nem sempre se apoiava nessa experiência essencial com o corpo, que fundou o paradigma da anatomopatologia, mas continuava muitas vezes profundamente livresco, como criticou em seus apontamentos o médico do HCJB Januário Cicco:
Por um defeito immanente do ensino médico no Brasil, entulhado de programmas e sem recursos para a exemplificação, sem laboratórios nem hospitaes, o jovem doutor em sciencias medico-cirurgicas conhece apenas pelos livros algumas doenças que teve tempo de
190 FERREIRA, José de Anchieta. Fatos e fotos. Natal: RN Gráfica e Editora, 1996. p.2-3. 191 BYNUM, William. História da medicina. Porto Alegre: L&PM, 2011.p. 56.
192 FOUCAULT, Michel. O nascimento do hospital. In:______. Microfísica do poder. Rio de Janeiro:
passar para as provas de habilitação, e nem uma porque houvesse procurado diagnosticar, pondo em pratica desde os auxílios da anamnese aos recursos da therapeutica.193
E continuou:
Sem esse convívio á borda dos leitos, ouvindo historias dissemelhantes, mas muitas vezes com a mesma natureza mórbida e origem única; sem a constante observação de todos os dias, inquirindo e perquirindo, meditando e comparando, ninguém é capaz de, sem sobressaltos no coração, encara o primeiro doente, impassível e confiante.194
O comentário de Januário mostra o seu reconhecimento da importância da experiência clínica hospitalar para a formação dos médicos-cirurgiões. Isto para não falar nos poucos profissionais que trabalhavam nos hospitais das regiões provincianas do Brasil. Na Mensagem do Governador Alberto Maranhão195, de 1910, elogiou-se a iniciativa do médico Affonso Barata, Inspetor de Saúde do Porto, quando, “sem remuneração e accedendo espontaneamente”, auxiliava ao médico Januário Cicco em algumas operações cirúrgicas.
Em entrevista cedida ao jornal A República196, em 18 de novembro de 1928, o cirurgião José Tavares, médico do HCJB, mencionou algumas causas de intervenções cirúrgicas realizadas no hospital, como “quisto de ovário”, “hérnia”, “pedra na bexiga”, “fibroma uterino”, “histerectomia”, “annexites” (inflamação de trompas e ovário). E não poderia faltar, é claro, “a mais misteriosa, irregular e inesperada de todas”:
Não faz muito tempo que entrou no nosso serviço procedente de Ceará-Mirim um homem com um ferimento penetrante no ventre por carga de chumbo. Fizemos a Laparotomia exploradora e encontramos uma alça intestinal muito lesada e assim também o grande epiplon. Praticamos a ressecção do intestino numa extensão de 25 centímetros de comprimento seguida de anastomose latero-lateral e também a do grande epiplon que estava quase todo infiltrado de chumbo.197
Operação “misteriosa”, mas vencida pela técnica do cirurgião:
Hoje esse homem se acha perfeitamente restabelecido, comendo tudo e de tudo, apesar de lhe faltar ao ventre aquela porção do intestino. E é
193 CICCO, Januário. Notas de um médico de província: ensaios de crítica médico -social, p.7. 194 Ibid.
195
RIO GRA NDE DO NORTE. Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo na abertura da primeira sessão da sétima Legislatura em 1º de Novembro de 1910 pelo Governador Alberto Maranhão. p.11.
196 FERREIRA, José de Anchieta. Op. cit., p. 1-4. 197 Ibid., p.2.
deste modo que vamos ganhando pouco a pouco a confiança do público.198
A preocupação com a “esterilização” do material cirúrgico em estufas e a “desinfecção” do ambiente eram práticas comuns nas salas de cirurgia, e se baseavam na teoria bacteriológica de Pasteur, que atribuía aos microorganismos a causa das doenças em geral.199 Submeter os equipamentos cirúrgicos a altas temperaturas impediria a proliferação de bactérias e vírus. Já a desinfecção, que consistia no lançamento de “vapores de ar quente” nos espaços, era prática mais antiga ligada à pseudoteoria dos miasmas: vaporizar o ambiente limparia automaticamente o ar dos “miasmas deletérios”.
Fig. 12 - Interior da sala de cirurgia. Fonte: Fotografia “Chic”, João Galvão.
Na fotografia acima, provavelmente na década de 1920, quando a sala fora reformada, vemos a ergonomia do ambiente cirúrgico, que se configura em amplo espaço físico, de piso mosaico e paredes de cimento-armado. Aliás, essa escolha do piso ligava-se às concepções de asseio e limpeza do ambiente advogado pelo discurso higienista no século XIX e começo do XX. No antigo Hospital de Caridade, o da Salgadeira, os presidentes de província ou os próprios médicos em seus relatórios já reclamavam da poeira/sujeira que se acumulava no chão do hospital, resultado de um
198 Ibid., p.2-3.
piso frágil que soltava detritos. A poeira que vinha da rua também era considerada perniciosa ao espaço hospitalar, pois estava relacionada à proliferação de microorganismos patogênicos, afinal “[...] Os micróbios existiam aos bilhões, e nenhum lugar estava a salvo de sua presença”.200 Coextensivamente, um piso liso, contínuo, sem fraturas, facilitava a limpeza do ambiente por meio do varrimento e da lavagem com água e desinfetante.
O processo de identificação e soldagem da poeira à sujeira remete ao tema fundamental do acúmulo, do excesso, do transbordamento, que vai dirigir o discurso higienista para a limpeza das ruas, das casas, da retirada dos monturos, do lixo, e até das pessoas, motivo de um medo da “aglomeração”, da “multidão” (dispositivo de controle instituído na nova relação entre Estado e população), substituindo este espaço irregular, sinuoso, fraturado, pelas “superfícies lisas, retas, leves e velozes”, modelares das novas formas físicas dos corpos modernos.201
200 SANT’ANNA, Denise Bernuzzi de. Higiene e higienis mo entre o Império e a República. In: DEL
PRIORE, Mary; AMANTINO, Márcia (Org.). História do corpo no Brasil. São Paulo: Unesp, 2011. p.306.
201 Ibid., p.305.
Fig. 13 - Sala de cirurgia do Hospital Santo A maro, em Recife. Fonte: Bodas de Ouro..., 1933, p.66.
Uma certa sensibilidade social atravessava o espaço hospitalar e cruzava com o discurso higienista na temática da limpeza. Havia no final do século XIX, já bem difundida entre a população de renda mais modesta, uma relação entre a educação, hospitalidade e espaço:
... a exposição de uma casa limpa também significava uma prova de trabalho honrado e virtuoso. As roupas brancas, lavadas e penduradas nos varais dos quintais, assim como as panelas areadas- com areia misturada à água- e expostas para secar sobre o peitoril das janelas, também possuíam tal função, assemelhando-se a troféus obtidos pela labuta diária.202
“Trabalho honrado e virtuoso” que se comunica com a cor do próprio espaço: o branco dominante em nossa sala de cirurgia será o significante maior da limpeza do lugar, da transparência das instalações e do “caráter” dos funcionários.
Não eram somente os corpos que se banhavam, num momento de valorização crescente da higiene e da assepsia, mas os espaços também. Combate às impurezas visíveis e invisíveis a olho nu.
As portas, janelas e o teto são de madeira, resquícios do velho casarão de campo de Alberto Maranhão. Preenchendo o interior, os instrumentos de trabalho do cirurgião: cama de ferro, duas mesas cirúrgicas, um armário com os instrumentos de ferro utilizados na cirurgia, prateleira móvel, estufa e pias, escarradeiras com tripé. A altura e a posição das janelas também obedeciam a imperativos higiênicos, pois se relacionavam à medida de “insolação” que o ambiente deveria acolher e ao movimento de “aeração” do espaço, daí a posição das mesas cirúrgicas e a cama de ferro, colocadas em frente às aberturas representadas pelas janelas.
Aeração, insolação, brancura dos espaços: domínio do tema filosófico da Luz kantiana que esclarece, liberta e cura, fazendo irromper um espaço de abertura plena ao olhar, uma espécie de pan-opticon.