B. Instruments related to trade policy
4. Export promotion
4.4. An assessment of incentive schemes for the export of goods
Após uma semana muito gratificante, chegou o momento de vivenciarmos a segunda e última semana usando o jogo Animal Jam. Para a realização dessa atividade, tivemos inspirações em Vygotsky (2005), para o qual a aprendizagem tem a função de despertar processos internos que ainda não se manifestaram nos indivíduos, num processo social que se realiza pela linguagem, permitindo ao sujeito reconstruir individualmente os modos de viver, de sentir e de pensar da humanidade, aprendendo a organizar seus próprios processos mentais.
Ainda para Vygotsky (2005), é participando na coletividade, partilhando das relações entre pessoas que o sujeito se apropria da linguagem e dos objetos físicos disponíveis em sua cultura, o que promove seu desenvolvimento.
Sempre com a acolhida e a leitura deleite, presentes como atividades permanentes, começamos o nosso dia com a fábula O cavalo e o burro, em seguida foram pedidos os portfólios para analisarmos como estavam os registros das atividades e se teríamos sugestões ou escritas que nos fizessem mudar o rumo do que estava previamente programado para a atividade.
Chegado o momento das escritas das fábulas, o questionamento sobre a influência do jogo nos educandos veio à tona, assim como se conseguiríamos usar os elementos do jogo na construção das fábulas. Começávamos com muitos questionamentos, uma vez que não tínhamos o controle de tudo que o jogo havia influenciado e possibilitado aos educandos.
Chamou atenção o fato de que os educandos registraram no portfólio apenas o que foi pedido como atividade pelo professor. Esse fenômeno é válido como instrumento para registro de dados da pesquisa, entretanto, mostra que manter as características do gênero para registro espontâneo das suas vivências é uma habilidade ainda não desenvolvida.
Passado esse momento, foi apresentada aos educandos a proposta para a escrita das fábulas. Após usarmos o jogo, o professor perguntou qual a semelhança que existia entre o jogo Animal Jam e o gênero textual fábula que estávamos estudando. Tivemos como resposta em coro entoado pela turma “os animais” e quando solicitada a explicação, tivemos a participação do educando A10: “Porque nas fábulas os personagens são animais, e no jogo todo mundo do jogo eram animais, e eles falavam, e corriam, e dançavam, e jogavam”.
Foi perguntado se os demais concordavam, foi acrescentada mais uma informação na afirmação anterior pelo educando A11: “As florestas, tio, nas fábulas sempre têm florestas onde vivem os animais, e no jogo também tinha floresta”. A informação foi aceita pelos demais colegas, sendo assim, foi dado continuidade e apresentou-se a proposta.
Foi perguntado se eles gostariam de escrever as fábulas, todos afirmaram enfaticamente que sim. Então foi sugerido que todas as fábulas produzidas culminariam em um momento de leitura das fábulas para os educandos do 2º ano matutino, que seriam escritas por todos os educandos, organizadas pelo professor e entregue à professora da turma para serem apresentadas.
Para iniciarmos a produção, foi dito pelo professor que começaríamos com uma construção coletiva, na qual o professor propôs o início da narrativa e os educandos iriam propor as suas sugestões até concluirmos a história. O personagem escolhido para a história foi o Lobo,
personagem mais utilizado pelos educandos ao jogar Animal Jam.
Sendo assim, foi perguntado aos educandos como se inicia uma fábula, e tivemos como resposta “o título da história”, após a resposta foi escrito no quadro o título “O Lobo Mandão” e iniciada a fábula com as palavras: “Numa vila”. O resultado foi uma série de ideias e sugestões que culminaram na produção registrada e apresentada na figura 34 a seguir e transcrita posteriormente na figura 35 para facilitar a sua leitura.
Figura 34 - Fábula construída coletivamente
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 35 - Transcrição da fábula construída coletivamente
Fonte: acervo pessoal, 2018. O LOBO MANDÃO
Numa vila muito distante daqui um Lobo tava passeando, de repente apareceu um Coelho.
O Lobo então mandou: - Se jogue na lama Coelho! O Coelho disse:
- Eu não vou!
Se você não se jogar vou comer você! Disse o Lobo.
O Coelho correu e foi pedir ajuda aos amigos, o Gatinho, o Lobo de asas, o Tigre, o Unicórnio, a Girafa e o Leão.
Quando os amigos chegaram o Lobo mandão mijou nas calças de tanto medo e correu. A calça suja de xixi caiu no chão.
O processo de construção da narrativa foi muito rápido, foi satisfatório ver a euforia, as diversas opiniões e como rapidamente chegavam a um consenso do que deveria ser escrito. Ao final da história foi perguntado o que estava faltando para que concluíssemos a fábula e tivemos como resposta “a moral”.
Conseguimos constatar que assim como o coelho e os amigos que foram ajudá-los, todos eram personagens do jogo Animal Jam, que surgiram como opção para fazer parte da construção da narrativa. Terminada esta etapa da construção coletiva da fábula, chegamos ao segundo momento de escrita, agora seriam formados cinco grupos, os quais teriam que construir uma fábula. Foi sugerido que eles pensassem nos cenários, nos personagens e nas características necessárias para se produzir a narrativa.
O professor definiu que cada grupo teria uma escriba, responsável por escrever as ideias dos colegas e fazer o registro da produção. Durante a realização da atividade, a sala ficou organizada conforme a figura 36, e o professor atuou como mediador, indo aos grupos apenas quando era requisitado pelos seus membros.
Figura 36 - Construção das fábulas pelos grupos
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Os grupos foram divididos de modo que tivéssemos educandos de todas as Hipóteses de Escrita, o coordenador foi indicado pelo professor e aprovado pelos educandos, ele, além de escriba, ficou responsável por organizar o trabalho do grupo. Nessa perspectiva, os grupos tiveram os seguintes membros descritos no Quadro 7.
Quadro 7 - Distribuição dos educandos nos grupos
Número do Grupo Membros
Grupo 1 – G1 A14, A22, A23, A12, A16, A30
Grupo 2 – G2 A10, A11, A6, A7, A21
Grupo 3 – G3 A19, A29, A17, A20, A3
Grupo 4 – G4 A2, A4, A18, A26, A15
Grupo 5 – G5 A1, A25, A8, A13, A28
Fonte: autoria própria, 2018.
A proposta foi executada de modo a motivar que os educandos interagissem com seus pares, fazendo com que a interação social entre os membros do grupo os levasse à construção da fábula. Estimulando a colaboração entre os educandos, proporcionando a criação de um ambiente de convivência coletiva harmoniosa, a atividade culminou na diminuição dos conflitos, possibilitando que os alunos aprendessem a conviver com os demais educandos.
Ao final, todos os grupos entregaram a sua produção e o resultado foi animador, apresentaremos as produções realizadas pelos grupos de trabalho, exibindo a escrita original em seguida transcrevendo com a escrita ortográfica para termos uma melhor visualização e leitura do que foi produzido pelos educandos, conforme as figuras da 37 a 46.
Figura 37 - Produção escrita da fábula dos educandos G1
Figura 38 - Transcrição da produção escrita da fábula dos educandos G1
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 39 - Produção escrita da fábula dos educandos G2
Fonte: acervo pessoal, 2018. O UNICÓRNIO E A BORBOLETA
Uma vez nas areias de cristal, um Unicórnio foi para o parque aquático. Mas, quando chegou lá estava com medo de altura, ai, pediu ajuda a Borboleta.
Disse o Unicórnio:
- Como você não tem medo de altura? A borboleta disse:
- Não olhe para baixo!
Então o Unicórnio subiu no tobogã e não olhou para baixo.
Figura 40 - Transcrição da produção escrita da fábula dos educandos G2
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 41 - Produção escrita da fábula dos educandos G3
Fonte: acervo pessoal, 2018. O UNICÓRNIO BONZINHO
Era uma vez um Unicórnio, em uma ilha muito longe daqui. Era muito congelado, chovendo e nevando o tempo todo.
O Unicórnio ajudou um Coelho e o Coelho agradeceu ao Unicórnio. E o Coelho ficou a chuva toda na casa do Unicórnio.
Figura 42 - Transcrição da produção escrita da fábula dos educandos G3
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 43 - Produção escrita da fábula dos educandos G4
Fonte: acervo pessoal, 2018. O UNICÓRNIO E A BORBOLETA
Era uma vez um lugar chamado Apodale, lá vivia um Unicórnio. Um dia teve um baile no Apodale, o Unicórnio foi e se encontrou com a Borboleta.
A Borboleta disse: - Oi!
O Unicórnio também disse: - Oi!
Anoiteceu eles foram embora, amanheceu, a Borboleta dormiu na casa do Unicórnio, de tarde eles brincaram.
O Unicórnio brigou com a Borboleta, porque, a Borboleta disse que ele ficou com raiva, mas, a Borboleta pediu desculpas sem precisar, e ele desculpou.
Figura 44 - Transcrição da produção escrita da fábula dos educandos G4
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 45 - Produção escrita da fábula dos educandos G5
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Figura 46 - Transcrição da produção escrita da fábula dos educandos G5
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Ao analisarmos as figuras, foi possível identificar vários elementos que fazem parte do O COELHO E A BORBOLETA
Na floresta um Coelho vivia com uma Borboleta e disse assim: - Borboleta bora brincar comigo.
A Borboleta disse:
- Sim! Vamos brincar de pula corda.
Eles brincaram o dia inteiro, depois eles foram dormir. Eles vivem felizes. MORAL DA HISTÓRIA: Sempre brinque direito.
O Unicórnio voador no templo perdido de Zeus, convidou os amigos para brincar. Veio para toca decorar e tinha muita areia para a casa.
Fizeram uma casa na árvore e fizeram um piquenique.
MORAL DA HISTÓRIA: Tem que ser amigo viu.
jogo Animal Jam, os quais foram utilizados para a construção da narrativa, como podemos destacar:
• Os cenários: Apodale, Areias de Cristal, Ilha congelada, Templo Perdido de Zeus; • Personagens: Unicórnio, Unicórnio voador, Coelho, Borboleta;
• A forma de interação entre os personagens; • O tobogã, a toca, a casa na árvore.
Os personagens mais criados pelos educandos ao jogarem Animal Jam foram os mais utilizados na construção da narrativa, assim, é possível notar as características necessárias e suficientes que fazem parte do conceito do gênero fábula presentes na produção dos educandos. Ainda é possível identificar algumas características do gênero que ainda precisam ser assimiladas pelos educandos que elaboraram as narrativas presentes nas figuras 42 e 44 respectivamente, pois na primeira a moral citada não tem relação com a narrativa apresentada e na segunda o título da fábula não estava presente.
Mesmo os grupos formados por educandos que ainda estavam em processo da aquisição do sistema de escrita alfabético sentiram-se estimulados a escrever, fazendo uso da escrita para produzir histórias que seriam destinadas a alguém, nesse caso, os educandos dos demais grupos e das turmas que funcionam no mesmo turno.
A estratégia de utilizar o jogo digital nesse contexto ainda fez aparecer outro resultado bastante interessante: a organização do grupo equilibrando educandos de diferentes Hipóteses de escrita colaborou para o desenvolvimento da construção e estimulou a educanda que participou da construção da fábula O unicórnio bonzinho a escrever a sua própria narrativa utilizando a escrita para a construção, mesmo ainda estando na Hipótese pré-silábica, como podemos visualizar a seguir na figura 47.
Figura 47 - Produção escrita da educanda A6
Quando os membros do grupo entregaram a sua narrativa ao professor, trouxeram com eles a da educanda A6 e apresentaram o seguinte diálogo, conforme a Figura 48.
Figura 48 - Diálogo sobre a produção da educanda A6
Fonte: acervo pessoal, 2018.
Após o diálogo, A6 foi chamada à mesa do professor e foi perguntado o que ela escreveu, e se ela podia ler27 para o professor a sua história. Passando o dedo indicador por cima do que estava escrito, no sentido da esquerda para a direita, ela contou a seguinte história, que imediatamente foi escrita pelo professor, e apresentada a seguir na figura 49.
Figura 49 - Transcrição da produção escrita da educanda A6
Fonte: acervo pessoal, 2018.
O professor leu entusiasmado a história de A6 para os demais educandos, a educanda ficou muito feliz e foi elogiada. O professor explicou que a história estava linda e que ela agora tinha que usar as letrinhas de uma forma melhor para escrever a história, caso ela não estivesse perto para contar, as pessoas conseguiriam ler.
27 Mesmo ainda estando na hipótese pré-silábica, uma série de habilidades, como o sentido em que se ler e que a escrita representa algo, pode ser desenvolvida ainda nessa hipótese. Saiba mais em: Weisz (2013) Existe vida inteligente no período pré-silábico? Disponível em: https://pedagogiamk.files.wordpress.com/2013/08/existe- vida-inteligente-no-perc3adodo-prc3a9-silabico.pdf
A11, A10, A7: “Professor, A6 também fez uma história, mas está tudo errado! Professor: “Por que vocês acham que está tudo errado?”
A10: “Porque não dá para ler o que ela escreveu.” A7: “Não dá para entender nada” (risos)
Professor: “O que precisa mudar para conseguir ler?”
A11: “As palavras, tio, que estão escritas com as letras no lugar errado, tá!”
O UNICÓRNIO E O COELHINHO
Era uma vez um unicórnio e um coelhinho que moravam em um lugar muito frio e gelado. Um dia o coelhinho ficou doente e o unicórnio cuidou do coelhinho dando cenoura, sopa e remédio.
O coelhinho ficou bom e foi embora. Um dia ele foi visitar o unicórnio. O unicórnio estava doente e o coelhinho cuidou do unicórnio.
A postura adotada pelo professor foi a forma encontrada para não desmotivar a educanda, que mesmo ainda estando em processo de aquisição do SEA, usou a escrita na perspectiva da alfabetização em contexto de letramento, com uma finalidade, com o propósito de contar uma história para ser lida para um ouvinte.
Na última etapa do processo de produção, o professor foi aos grupos para estimular os educandos a pensarem sobre os aspectos da composição das palavras, mas, nesse momento, a reescrita das fábulas não foi realizada, apenas foram dadas sugestões de como os grupos poderiam melhorar a escrita.
Dessa forma, foram escolhidos trechos da produção, para realizarmos atividades de alfabetização, que nos permitiu pensar sobre o SEA com ênfase para a segmentação das palavras ao compor uma frase e na relação grafema-fonema.
Por fim, foi orientado que, como atividade para a casa, tinham o desafio de escrever uma fábula individualmente, assim como a aluna A6 havia realizado, e fosse registrado no seu portfólio, para posteriormente ser utilizado como texto da nossa leitura deleite. E assim foi encerrado o ciclo, seguindo o pressuposto que a aprendizagem parte do social para o individual.