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9342 ASSEMBLES NATIONALE — 2' SEANCE DU 31 OCTOBRE 1979 dehors de toute consultation parlementaire . Il s' inquiète de la

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9342 ASSEMBLES NATIONALE — 2' SEANCE DU 31 OCTOBRE 1979 dehors de toute consultation parlementaire . Il s' inquiète de la

A autoetnografia, para a investigação, surge, nas ciências sociais, como aporte teórico-metodológico e tem como suporte as experiências do pesquisador. Para esta pesquisa de caráter qualitativo optei por esse instrumento, primeiramente, porque estou inserida na investigação também como professora. De acordo com Versiani (2015, p.85), autoetnografias são “espaços comunicativos e discursivos através dos quais ocorre o 'encontro de subjetividades'; é uma interação de subjetividades em diálogo. Em outras palavras, pode-se dizer que a pessoa pesquisadora está envolvida na pesquisa e suas experiências pessoais, incluindo, aí, a emocional, são transmitidas nos relatos. Fala-se, portanto, do fenômeno a partir de uma visão de dentro.

Para Jones et al. (2013), um dos aspectos da escrita autoetnográfica é a reflexividade: esse encontro e reciprocidade entre as subjetividades de pesquisador e pesquisada/o. Sendo eu a professora da turma em pesquisa, minha subjetividade não ficaria suprimida, assim como está refletida nas das/dos estudantes e vice-versa, em experiências reveladas em nossas escritas: deste memorial e dos relatos daqueles sujeitos.

Como professora da turma, investiguei e avaliei minha própria prática pedagógica. Refiz o percurso de minha formação como estudante, leitora e mestranda e quais são as reverberações dessa formação no meu espaço de atuação. Me parece infrutífero, assim, perseguir uma neutralidade: implicada no meu espaço de pesquisa, não teria como colher resultados e analisá-los de maneira fria e distante. Traduzo os resultados colhidos em relatos em primeira pessoa, nos quais estão aliadas a descrição dos fatos e sua análise crítica. O envolvimento com as situações vividas e vivenciadas traz sentimentos e reflexões, o que não significa deixar de lado a identificação da problemática e o rigor metodológico.

Além disso, na construção de um projeto calcado em perspectiva antirracista, que buscou reconhecimento e fortalecimento de identidades, eu, como uma mulher negra, também fortaleci identidade e pertencimento em diálogo com as identidades da classe. Levei a uma sala de aula de educação básica majoritariamente negra e feminina uma literatura que é do Outro, o não universal, o que é o marcado: a mulher negra. Implicados estão estudantes do gênero masculino, nesse contexto, sendo um

Outro, negro; implicadas estamos eu e minhas estudantes: somos o Outro do Outro; somos mulheres negras. Assim, a metodologia autoetnográfica, ao dialogar com o tema e os sujeitos da pesquisa, evidencia o que propõe Grada Kilomba (2010):

Portanto, eu chamo para uma epistemologia que inclua a subjetividade e o pessoal como parte do discurso acadêmico, para que possamos todos juntos falar de um espaço, lugar e tempo específico, de uma realidade e história específica (HALL, 1990), não há discursos neutros. Quando acadêmicos brancos reivindicam um discurso neutro e objetivo, eles não reconhecem o fato de que eles também escrevem de um lugar específico que, certamente, não é neutro, nem objetivo, nem universal, mas dominante. É um lugar de poder. Então, se meus escritos incluem emoções e subjetividade como parte do discurso teórico, eles, então, relembram que teoria é sempre localizada em algum lugar [porque] sempre é escrita por alguém. (KILOMBA6)

A proposta de Kilomba, um diálogo com a decolonialidade, desuniversaliza o eurocêntrico, apresentando como possíveis outros saberes, outras possibilidades de construção de conhecimento, negadas pela Europa quando do processo de dominação e subjugação de outros povos, considerados como atrasados e, portanto, “necessitados” – ainda que a despeito de sua vontade - de uma europeização contida em um arcabouço cultural e epistemológico que seria a solução para todos os problemas, em qualquer contexto.

Sobre esse aspecto, Giovana Xavier7 (2018) aponta como estratégias da academia para a manutenção dessa hegemonia, além da neutralidade, “a desqualificação de expressões de intelectualidade não ligadas a uma ciência dita universal”, assim como as dificuldades de praticar a premissa de que “todo mundo tem lugar de fala”, não somente os ‘subalternos’”.

Dessa forma, a subjetividade que pode marcar a fala negra e que é deslegitimada na academia é o tom que assumo nesta etnografia, como uma afronta ao que Xavier (2018), chama de “privilégio epistêmico”, que, em outras palavras, quer dizer a monopolização pelos brancos de tudo aquilo que pode ser considerado como ciência. Desconstruir esse privilégio passa por localizar o saber produzido, colocando

6 Tradução livre do texto por Anne Caroline Quiangala originalmente publicado em inglês na página

oficial da autora. (Excerto do livro: 'Plantation Memories'.). Disponível em <http://www.pretaenerd.com.br/2016/01/traducao-quem-pode-falar-grada-kilomba.html>. Acesso em 03 de janeiro de 2019.

7 Em coluna do jornal Nexo, disponível em

<https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2018/Ci%C3%AAncia-lugar-de-fala-e-mulheres-negras-na- academia >

Comentado [LT1]: Ana, li isso em uma coluna dela, no

na berlinda o poder branco e hegemônico que valida o que pode ou não ser acadêmico e controla a universalidade e o objetivismo. Isso porque, nos lembra Kilomba, o que encontramos na academia não é uma ciência apolítica, mas sim relações de poder construídas sobre relações raciais que definem o que é ou não verdade, o que é ou não crível, o que é ou não científico.

Assim, com toda a carga de subjetividade que não se poderia negar, esta autoetnografia se ancorou em três objetos de análise: um questionário, um diário de observações e os diários das/dos estudantes. O percurso foi iniciado com a aplicação do questionário pelo qual se intencionou buscar informações acerca da relação que a turma tinha com a leitura de textos literários e sua visão acerca de literatura negra feminina. Com isso, foi possível traçar um perfil leitor dos sujeitos pesquisados, o que foi fundamental para a construção e direcionamento do objetivo do projeto de letramento que ali seria desenvolvido.

Ao longo do desenvolvimento do projeto, construí o diário, no qual anotei minhas impressões aula a aula. Mais do que observações frias e metódicas, aqueles registros, carregados dos sentimentos e emoções, foram fundamentais, no processo de análise, posto que funcionaram como uma memória viva não só do que de fato aconteceu, mas de como eu me sentia inserida naquele contexto. Além disso, me era possível, também, fazer uma análise de minha própria atuação como professora, percebendo, por exemplo, como o projeto avançava ou não, considerando minha prática docente.

Meu diário, então, dialogou com os cadernos-diário escritos pela classe. Nossas subjetividades, já tão conectadas em classe, se imbricavam através de nossos registros escritos. Ali, eu, como pesquisadora e como professora, tinha a oportunidade de ver o projeto a partir do olhar da classe, confirmando ou refutando minhas próprias impressões. Compuseram, ainda, material de pesquisa, gravações de algumas aulas, o que foi feito após autorização dos responsáveis.

5 ENSINO DE LITERATURA: DAS DIFICULDADES DESSE FAZER DOCENTE A

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