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Architectural and Implementation Considerations

A narrativa inicia localizando-se no tempo mítico e apresentando sua temá- tica, o problema a ser enfrentado ou situação instável inicial: infertilidade (L1/12). Segue-se uma súplica (L16/19 e L22). Identifica-se um ponto de fragi- lidade do deus, rejeição: sua cara ameaçadora (L20/21). Promessas são feitas (L23). Uma falsa ideia, leva ao não reconhecimento da profissão de um dos personagens, o entalhador, que pensa que não tem dádivas a oferecer, já que

o deus recebe produtos da lavoura (L24/28). Uma situação de desespero leva ao oferecimento do próprio filho (possibilidade de infanticídio). Graças são alcançadas e algumas oferendas são feitas, mas não todas (L31/38 e 42/43). Arrependimento, penitência (L39/41) e castigo pelo não cumprimento do prometido (L44/61). Até que o entalhador reconhece sua própria identidade e habilidades (L62/78) e constrói sua própria oferenda (L71/89). Objeto má- gico que, atende as necessidades do deus, caindo no seu agrado (L90/100), desfaz-se então o encantamento (L101/105). Estabelece-se uma relação cíclica com o deus Iroco de promessa/graça/oferenda.

Para compreendermos o sentido deste mito recorremos a uma interpreta- ção psicanalítica, que entende todas as manifestações mentais como expres- sões do inconsciente, e, portanto tem um sentido: “[...] tenta expressar um significado, que o analista procura revelar pela interpretação dos conteúdos emergentes”. (LA PORTA, 1979, p. 7)

A linguagem do mito, assim como as demais expressões do inconsciente sofrem algumas alterações, deformações, são linguagens cifradas para burlar a censura. É preciso notar que a linguagem com que o inconsciente se expressa, no curso de uma análise ou fora dela, é cifrada não somente em conseqüência da natureza do assunto e por conter conteúdos inconscientes do processo primário – isto é, daquelas formas de atividade da mente que precedem o surgimento da linguagem – como também porque, sendo expressões de desejos essa linguagem traz a marca das proibições impostas na infância, e mantidas no inconsciente. (LA PORTA, 1979, p. 8)

Uma leitura psicanalítica do mito entende-o como uma semântica de de- sejo e que sua linguagem passou por deturpações, alterações, foi submetido a mecanismos de defesa e deformações que alteram a relação significante/ significado. (LA PORTA, 1979)

As tensões, os conflitos, os limites são presentificados no mito. Este viabiliza uma representação, uma simbolização dos conflitos psicológicos. As tensões que vivemos entre o desejo de satisfação instintivo e sua frustração.

A intolerância à frustração e a incapacidade de resolver a situação frustrante [...] podem ser ‘contornadas’ por meio de fantasias, modo de evadir-se da angústia. [...]

A forma que a fantasia adota, ao apresentar-se à consciência como representação, é elaborada pelo ego. O ego é a parte do psiquismo que estabelece relações com os impulsos provenientes do id (reservatório mental dos instintos), observa o mundo exterior, e ‘ausculta’ a ‘consciência moral’ ou superego, antes de agir. As fantasias originam-se, entretanto, no id, e só em seguida evoluem para o nível do ego, onde tomam forma [...] (LA PORTA, 1979, p. 6)

Que função tem um mito ou ritual religioso? Por que ele me sensibiliza? Para isto, teremos que nos perguntar, mais uma vez, o que é um ritual e de onde procede sua vitalidade e permanência. E pensamos então que o rito é uma forma, em primeiro lugar, da transmissão no tempo, e por tempo muito longuíquo, de uma mensagem ligada a determinadas condições sociais que desejam se ver legitimada pela religião. Havendo interesse em que as mesmas sejam introduzidas na mente humana (ou mantidas), em condições de um impacto todo especial. (LA PORTA, 1979, p. 157) O derramamento de sangue, o sacrifício, o infanticídio deslocado para a imolação são temas recorrentes em diversas culturas. Temos como exem- plo o mito de Cronos, o mito de Iroco, a mensagem bíblica de Isaac, filho de Abrãao. Como entendê-los?

[...] o ritual é uma linguagem mais direta e mais fácil de ser entendida que um idioma estrangeiro. É uma comunicação universal que independe das diferenças exteriores existentes entre os idiomas. São impulsos inatos que conferem aos ritos autenticidade, pois que geram as pré-concepções e os significantes que, encontrando-se com os significados e símbolos contidos na linguagem ritual, dão origem aos conceitos, aos significados e às mensagens. (LA PORTA, 1979, p. 158-159)

Segundo LA Porta (1979, 159) “[...] o rito do sacrifício do filho deve ser con- siderado como devendo ser repetido e perpetuado para sempre, a fim de que a ordem do Pai-Deus seja mantida”. Para que as próximas gerações pudessem

sobreviver e perpetuar a espécie, o sacrifício foi deslocado para um animal, para a circuncisão ou para alguma outra forma de simbolização.

Concluímos está reflexão sobre o tempo entendendo-o como uma men- sagem secular a favor da perpetuação da ordem, uma advertência contra a transgressão da ordem cultural e uma recompensa pelo reconhecimento da lei do pai.

Referências

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