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Analyse de l’expression des gènes

Dans le document Faculté de Pharmacie (Page 121-131)

A composição de uma definição sobre a avaliação da investigação qualitativa não se apresenta como sendo uma tarefa simples e fácil (Corbin & Strauss, 2008; Flick, 2005; Silverman, 2000), uma vez que, o tema continua a suscitar controvérsia entre os diversos autores, os quais, ainda não acharam a “chave de ouro” para resolver o problema (Silverman, 2000). Na senda de critérios orientadores, Whitttemore, Chase e Mandle (2001, cit. por Corbin & Strauss 2008) consideram que a avaliação da investigação

61 qualitativa envolve uma forma de pensamento elegante que compreende a apresentação da evidência dos seus resultados e a crítica dos seus métodos.

Corbin e Strauss (2008) observam que qualidade e validade da investigação qualitativa são noções substancialmente diversas explicitando que, a neutralidade e o distanciamento do investigador podem, por um lado, contribuir para aumentar a “validade” do estudo, mas, por outro lado, podem constituir um fator de corrosão da credibilidade da própria investigação, na medida em que, impedem o investigador de desenvolver empatia, sensitividade, apreciação e o respeito necessários para capturar o ponto de vista dos participantes. Assim, a qualidade da investigação qualitativa deve ser alcançada através da verificação das suas propriedades essenciais, isto é: deve ter insight, ser clara, lógica, estimulante para o leitor, mostrar sensivitidade e substância e combinar conceptualização e precisão descritiva, por forma a exibir os aspetos e as qualidades que permitem revelar a sua credibilidade (Corbin e Strauss, 2008). Por sua vez, o tipo de abordagem que se elege para o estudo, investigação narrativa, Grounded Theory (GT), fenomenológica, estudo de caso ou etnográfica (Creswell, 2007) são, também, condições de promoção da qualidade da investigação qualitativa (Corbin & Strauss, 2008).

Outros autores (e.g. Flick, 2005; Glaser & Strauss 2008) salientam que a questão central sobre a validade da investigação qualitativa se coloca essencialmente em termos de saber se os dados, os resultados e a investigação que os produziu são transparentes e apresentam um nível adequado de credibilidade, de rigor, fidedignidade e autenticidade. A qualidade da investigação qualitativa está assim relacionada com a nitidez da relação entre as edificações científicas do investigador, o respetivo enraizamento nos fenómenos estudados e a forma como essas construções são transparentes para os leitores (Flick, 2005). Neste contexto, o autor, refere três princípios gerais de validade da investigação qualitativa: 1) princípio de que o próprio conceito de validade não tem carácter absoluto,

62 uma vez que só pode aferido mediante o grau de credibilidade e de plausibilidade que conseguir alcançar; 2) os fenómenos existem independentemente das nossas posições ou pontos de vista sobre os mesmos; 3) reconhecimento de que realidade não é acessível por uma única via de conhecimento, mas através de diferentes formas.

Assim, os investigadores qualitativos têm vindo a considerar diversas estratégias de validação das suas pesquisas qualitativas, nomeadamente: a triangulação; o método da comparação constante; a auditoria de procedimentos e a utilização de software adequado. No que concerne ao conceito de triangulação, este, aponta para o uso de múltiplas e distintas fontes, métodos, grupos de investigadores, perspetivas teóricas com vista a corroborar a evidência através de diferentes focos de observação ou como forma de aclarar um determinado tema ou perspetiva (Creswell, 2007; Flick, 2005; Silverman, 2000). Desta forma, a triangulação pode ser utilizada em relação aos dados, ao investigador, ser teórica ou metodológica (Flick, 2005). Por sua vez, O método de comparação constante consiste num processo de evolução contínua, circular e sistemática que, combinado com a amostragem teórica e a saturação teórica impulsiona o processo de investigação de uma fase para outra, ao mesmo tempo que as etapas anteriores vão sendo integradas nos passos posteriores de codificação e de análise (Corbin & Strauss, 2008; Flick, 2005; Silverman, 2000). Por seu lado, a auditoria de procedimento implica a participação de um auditor externo sem conexão com estudo (Creswell, 2007) e tem como principal objetivo assegurar o controlo da racionalidade dos procedimentos a partir de um guião de qualidade que visa autenticar aspetos cruciais do processo de investigação, designadamente, se a amostra é a apropriada, se as descobertas estão enraizadas nos dados, se a estrutura das categorias é adequada, se as inferências têm lógica, se foram corretamente aplicadas as estratégias de análise e consideradas explicações opcionais e

63 se eventuais vieses foram devidamente ponderados e clarificados (Creswell; 2007; Flick, 2005).

A verificação da credibilidade e autenticidade dos estudos qualitativos pode ser igualmente realizada através do recurso à densidade e riqueza dos dados recolhidos que, entre outros aspetos, permite robustecer a transferibilidade dos resultados para outras situações, bem como, a utilização de software, o uso de tabelas, mapas e a análise de casos negativos em que não se verifica a evidência e o recurso a revisão entre pares para proporcionar um questionamento intenso sobre as interpretações e os significados emergentes nos estudos ou a possibilidade de revisitação dos participantes para verificar a fidedignidade das interpretações (Corbin & Strauss, 2008; Creswell, 2007; Flick, 2005, Glaser & Strauss, 2008; Silverman, 2000). Ademais a validade da investigação qualitativa também pode ser cultivada e conseguida a partir do envolvimento do investigador na própria avaliação, através da autenticidade e do cuidado com que as questões morais e éticas são tratadas no curso da investigação (Glaser, & Strauss; 1967; Glaser & Strauss, 2008) e, bem assim, como propõe Richardson (1994,1997, citado por Denzin & Lincoln, 2008) ao considerar que, a validade se verifica pela cristalinidade do processo de investigação, pelo seu nível de transparência e de reflexão ética.

Segundo Flick (2005), apesar do empenho dos investigadores na formulação de critérios de validade alternativas para resolver o problema da validade da investigação qualitativa, esta questão ainda não se encontra plenamente solucionada. Todavia, o autor refere que a questão central sobre a qualidade da investigação qualitativa coloca-se sobretudo ao nível do planeamento e da gestão da qualidade do processo de investigação, em que as questões principais estão relacionadas com a escolha dos métodos mais adequados para abordar a problemática concreta que se pretende investigar.

64 2.4 Enquadramento metodológico

Considerando os contornos da presente dissertação orientada essencialmente para a investigação de processos e para a descoberta de padrões, relações e significações, o paradigma pós-positivista é o que melhor se harmoniza com a natureza dos fenómenos que pretendemos conhecer, o que nos leva a declinar as perspetivas epistemológicas mais radicais, quer dualistas, quer monistas, na medida em que não defendemos nem uma independência absoluta entre o mapa e o território nem a fusão entre ambos.

A presente tese é alicerçada com base no pensamento sistémico (Bertalanffy, 1950), cujo pressuposto central consiste na noção de que o todo é maior do que a soma das partes, logo, não pode ser conhecido através do isolamento das partes que o compõem. Este princípio explicativo tem como principais corolários: 1) a causalidade circular; 2) a ênfase na compreensão de processos, padrões e significados; 3) a problematização da informação com base no pressuposto de que o resultado da observação é sempre uma construção emergente da dinâmica que se estabelece entre o que observa e o que é observado.

O desenvolvimento do diálogo interdisciplinar entre a Psicologia da Família, o Direito da Família e a Mediação Familiar enquadrado pelas lentes sistémicas, constitui o estilo cognitivo de partida para tentar responder às questões de investigação do presente projeto científico.

Por volta da década de 70 – período em que as taxas de divórcio começaram a disparar-, a atenção dedicada às consequências do sofrimento dos filhos cujos pais vivenciaram uma separação ou divórcio conflituosos, foi colonizando os sistemas sociojurídicos que intervêm neste domínio num esforço de desenvolver abordagens

65 judiciais e extrajudiciais mais adequadas e benéficas às problemáticas decorrentes da SD. Neste contexto, a Mediação Familiar3 tem contribuído para desenvolver modelos de intervenção construtivos e vocacionados para amenizar a crispação e aumentar a serenidade parental, ao mesmo tempo, que tem contribuído para edificar a ponte que liga a família, os pais e a criança ao tribunal numa perspetiva harmonizadora. O reconhecimento social e institucional da Mediação Familiar e a importância individual, familiar e social dos seus resultados positivos são um facto incontestável, mas, importa, contudo salientar que neste domínio muitos temas exigem ainda maior compreensão, aprofundamento e rigor científico, designadamente, no que se refere: 1) ao nível da fundamentação teórica; 2) da demarcação e do reconhecimento da autonomia e especificidade da intervenção; 3) da necessidade de melhorar aspetos da prática de Mediação Familiar; 4) do diálogo institucional.

Assim, atendendo ao nosso posicionamento ontológico, epistemológico e metodológico, e à opção por uma estratégia de investigação em que a componente qualitativa é dominante face à dimensão do estudo quantitativo, e tendo em conta o limitado número de estudos estrangeiros e nacionais sobre Mediação Familiar e à interação disciplinar subjacente aos temas em foco, a formulação das questões de partida teve como base alguns conceitos sensitivos (Blumer, cit. por Charmaz, 2006) relacionados, em grande parte, com a nossa experiência na área da Mediação Familiar, tais como, processo de decisões parental, responsabilidade, decisões parentais responsáveis, entre outros. Estes conceitos fornecem-nos maneiras de olhar, de interpretar, de organizar e de compreender a experiência, são pontos de partida para construir a análise, mas não são definitivos pois carecem de especificação dos seus

3 Vários autores conceptualizaram e operacionalizaram diversos modelos de Mediação Familiar, conforme

referido no Capítulo I, dos quais se destacam: Modelo Linear de Harvard, Modelo Eco sistémico, Modelo Circular Narrativo e Modelo de Mediação Familiar Terapêutica.

66 atributos (Bowen, 2006; Charmaz, 2006). Com base neste enquadramento formulámos a seguinte questão de partida.

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