6 Analyse globale de la menace de blanchiment d’argent et de financement du
6.2 Blanchiment d’argent
6.2.3 Analyse des menaces principales
As transformações que ocorreram durante o processo de evolução da agricultura do município de Ajuricaba realçaram a diferenciação das condições e das formas de como se produzir na agricultura, aumentando, assim, a diversidade entre os agricultores e os sistemas de produção por eles praticados.
Para ser explicita a diversidade da agricultura, primeiramente foram identificados os agricultores e, estes, agrupados em categorias socioeconômicas, de acordo com as relações de produção (familiares, patronais), de propriedade (arrendatários, proprietários) e de troca (relação com o mercado) que sustentam.
A categoria de agricultores patronais é composta, em sua maioria, por agricultores que se localizam na microrregião de agricultura que possui um grau de capitalização mais elevado, as unidades de produção são relativamente maiores e possuem tração mecanizada completa, e
também, empregam mão-de-obra contratada. Já a categoria dos agricultores familiares, empregam exclusivamente mão-de-obra familiar e estão distribuídos por todo o território do município. Os agricultores familiares capitalizados possuem maiores extensões de terra e tração mecanizada completa, enquanto que os menos capitalizados possuem menores extensões de terras e tração mecanizada incompleta.
A análise realizada evidenciou que a grande maioria dos agricultores do município é do tipo familiar, e alguns são patronais. Ao todo foram identificados 14 (quatorze) tipos básicos de unidades de produção, os quais são:
- Tipo Patronal Grande Porte Grãos - Tipo Patronal Grãos e Leite Intensivo
- Tipo Familiar Grande Porte Grãos com Tração Mecanizada Completa (TMC) - Tipo Familiar Grande Porte Grãos
- Tipo Familiar Médio Porte Grãos - Tipo Familiar Médio Porte Leite e Grãos
- Tipo Familiar Médio Porte Soja e Leite Intensivo - Tipo Familiar Leite Intensivo e Grãos em Capitalização - Tipo Familiar Pequeno Porte Grãos e Peixe
- Tipo Familiar Pequeno Porte Leite e Soja com Tração Mecanizada Incompleta (TMI) - Tipo Familiar Pequeno Porte Leite Intensivo e Grãos
- Tipo Familiar Pequeno Porte Grãos/Leite/Gado de Corte em Estagnação - Tipo Familiar Pequeno Porte Leite e Arrendamento em Descapitalização - Tipo Familiar Pequeno Porte Grãos em Descapitalização
Nessa análise, também foram encontrados alguns sistemas “novos”, porém ainda não são considerados como tipos, são classificados como “casos emergentes”, os quais praticam atividades novas juntamente com as “tradicionais”. Esses sistemas de produção são de grande importância, pois as atividades que realizam podem servir de referência para uma estratégia de diversificação da agricultura. No estudo foram identificados três casos emergentes, os quais foram identificados:
- Caso 1: Patronal Grãos/Prestação de Serviço/Leite em Confinamento (Compost Bhar) - Caso 2: Patronal Grãos/Peixe/Uva/Unidade de Produção de Leitões (UPL)
- Caso 3: Familiar Grãos/Leite/Tomate
Para analisar a viabilidade das unidades de produção no longo prazo, é utilizada a renda gerada pelos sistemas de produção e que é necessária para que se assegure a reprodução socioeconômica das unidades de produção. Essa análise nos permitiu ver em qual medida os
sistemas de produção geram renda agrícola por unidade de trabalho familiar (RA/UTF) suficiente para garantir que os agricultores permaneçam nas atividades, no médio e longo prazo. Esse modelo permitiu comparar a remuneração média de um trabalhador (RA/UTF) com o custo de oportunidade da mão de obra, representado pelo Nível de Reprodução Social (NRS). Para as unidades de produção familiar, foi considerado um valor de R$ 788,00, equivalente a um salário mínimo mensal, que incluindo o décimo terceiro salário, corresponde a uma renda anual por unidade de trabalho familiar de R$ 10.244,00. Já para as unidades de produção de maior porte, tipo patronal, foi estabelecida uma renda por unidade de trabalho de 5,0 salários mínimos, totalizando R$ 51.220,00.
Na figura 06, foram reunidas as unidades de produção familiares com área inferior a 14,0 hectares (ha) por unidade de trabalho familiar (UTF), onde verificou-se que os sistemas de produção geram uma RA/UTF que permite alguns agricultores ultrapassar o NRS considerado, e outros que não conseguem atingir esse nível. Nota-se que, com exceção dos tipos Familiar Leite Intensivo Soja e Familiar Pequeno Porte Leite Intensivo e Grãos que produzem um valor de R$ 6.962,52 e R$ 3.517,95, respectivamente, de renda por ha útil, os demais tipos de unidades de produção analisadas atingem uma baixa renda agrícola por unidade de área, apresentando contribuição marginal variando de R$ 1.016,39 a R$ 1.828,14 de renda por ha.
Figura 06: Unidades de produção familiares com área de até 14,0 hectares por unidade de trabalho familiar, nível de intensificação e remuneração do trabalho familiar, em
Ajuricaba/RS.
Fonte: Adaptado de BASSO et al., 2015. (11.000,00) (1.000,00) 9.000,00 19.000,00 29.000,00 39.000,00 49.000,00 59.000,00 69.000,00 79.000,00 89.000,00 0 2 4 6 8 10 12 14 RA/UTF SAU/UTF
Familiar PP Leite Gr. Gd. Cort Estag (a=1.817,53) Familiar PP Grãos Descap (a=1.828,14) Familiar PP Leite Arrend Descap (a=1.016,39) Familiar PP Grãos Peixe (a=1.640,56) Familiar PP Leite Int Grãos (a=3.517,95) Familiar Leite Int. Soja (a=6.962,52) NRS=10.244
Na figura 07, pode ser visto que os tipos de unidades de produção familiares com área superior a 14,0 ha/UTF geram renda suficiente para remunerar a mão-de-obra familiar e obtêm valores de margem bruta/ha muito próximos dos tipos com menor área, variando de R$ 1.006,63 a R$ 6.174,06 de renda por hectare. Esses tipos conseguem reproduzir a mão-de-obra familiar porque possuem maior superfície agrícola disponível, mas, também, necessitam de maior área por unidade de trabalho familiar para cobrir os custos fixos.
Figura 07: Unidades de produção familiares com área superior a 14,0 hectares por unidade de trabalho familiar, nível de intensificação e remuneração do trabalho familiar, em Ajuricaba -
RS.
Fonte: Adaptado BASSO et al., 2015.
A figura 08, reúne os tipos de agricultores de grande porte, denominados patronais, possuem área até 262 ha por trabalhador, é verificado que o nível de intensificação dos tipos Patronal Leite Intensivo Grãos e Patronal Grãos são similares em relação aos tipos familiares, com valores de, respectivamente, R$ 1.572,97 e R$ 1.735,95 de RA/SAU. Esses produtores conseguem níveis de renda elevada por trabalhador familiar em função da alta escala de produção. Além disso, percebe-se no caso Patronal Diversificado RA/SAU de R$ 14.076,63, e no caso Patronal Grãos Prestação de Serviço Leite Confinado R$ 11.112,85 de RA/SAU. Todavia esses sistemas produtivos com larga escala de produção exigem grande volume de investimento em capital de exploração fixo e em pagamento de salários elevando o valor dos custos fixos. (50.000,00) (30.000,00) (10.000,00) 10.000,00 30.000,00 50.000,00 70.000,00 90.000,00 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 RA/UTF SAU/UTF
Caso Familiar Soja Leite Tomate (a=2.595,13) Familiar MP Leite Int. Grãos (a=6.174,06) Familiar PP Leite Soja TMI (a=1.400,66) Familiar MP Leite Grãos (a=1.530,15) Familiar MP Grãos (a=1.006,63) Familiar GP Grãos TMC (a=1.048,85) Familiar GP Grãos (a=1.597,62) NRS=10.244
Figura 08: Unidades de produção patronais, nível de intensificação e remuneração do trabalho familiar, em Ajuricaba - RS.
Fonte: Adaptado BASSO, Nilvo et al., 2015.
É importante destacar a capacidade de geração de renda por hectare das atividades que foram analisadas no município, bem como a variação que ocorre entre os índices de intensificação das atividades desenvolvidas, medida pela Renda Agrícola por hectare (RA/ha), conforme a tabela 02. Isso indica o grande potencial de intensificação da produção, através da conversão de determinados tipos de sistemas de produção ou, especificamente, pela melhoria da eficiência técnica e econômica das atividades produtivas.
De acordo com o diagnóstico realizado, destaca-se o alto grau de intensificação da atividade leiteira, onde nos sistemas de criação bem intensivos temos uma renda líquida que pode superar os R$ 6.000,00 por hectare. Já, entre as atividades mais tradicionais se destaca a produção de soja com uma renda líquida superior R$ 1.800,00 por hectare, e, por outro lado, culturas de inverno como trigo e aveia apresentam uma contribuição econômica relativamente baixa.
Outras atividades não tradicionais que foram estudadas revelaram um elevado potencial de geração de renda por hectare, e podem ser usadas como “modelos” para a proposição de projetos de desenvolvimento, como a uva, o peixe, o tomate, o gado de corte e os suínos.
(60.000,00) - 60.000,00 120.000,00 180.000,00 240.000,00 300.000,00 360.000,00 420.000,00 480.000,00 540.000,00 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 RA/UTF SAU/UTF Caso Patronal Diversificado (a=14.076,63) Caso Patronal Grãos PS Leite Conf. (a=11.112,85) Patronal Leite Int Grãos (a=1.572,97)
Tabela 02: Potencial de renda por unidade de área (RA/ha), mínimo e máximo, das atividades analisadas e categorias sociais dos produtores.
Atividades --- Patronal --- --- Familiar ---
Mínimo Máximo Mínimo Máximo
Soja Safra 586,33 1.491,10 905,40 2.106,68
Soja Safrinha - 916,08
Milho Safra Grãos 361,80 484,50 1.217,28
Milho Silagem 412,90 -
Trigo 8,70 102,42 -348,30 482,27
Aveia -117,29 433,23 9,20 103,99
Nabo - 548,03
Leite 2.779,59 6.764,84 605,29 6.035,34
Suínos (UPL – RL/UTT) 162.272,50 -
Gado de Corte - 2.253,98
Peixe 36.712,60 1.325,78
Uva 2.496,30 -
Tomate - 85.436,67
Arrendamento 800,00
Fonte: Dados de pesquisa, 2015.
Com base na tabela 02 é possível ver o potencial de renda por hectare gerado pela cultura do tomate, de R$ 85.436,67, sendo que essa cultura, possui uma boa contribuição e valores bem atrativos, sendo assim, uma das culturas que será usada para a proposição de um projeto. Outro potencial bem significativo é da contribuição na renda por hectare do leite, que pode atingir valores máximos de mais de R$ 6.000,00, sendo, portanto, outra alternativa de projeto.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS TIPOS DE AGRICULTORES ALVOS DOS PROJETOS