3.5 L’apprentissage par la r` egle du jeu fictif
4.1.2 Analyse de l’algorithme dans les jeux de potentiel
2.1. OS MODOS DE VIDA MODERNOS
Os modos de vida modernos são entendidos como um "labirinto'''' que se esquiva a qualquer plano. Os labirintos são entendidos "(...) enquanto estruturas de uma globalidade, são realidades complexas, porque não é fácil encontrar a porta de saída dessa globalidade" (Pais, 2001: 65). O labirinto traduz-se na ideia de caos. Apesar de existir uma ordem e um sentido, estes aparecem escondidos. Uma outra característica desta vida em "labirinto'''' consiste na
"reflexividade sociaF. Enquanto, que nas sociedades tradicionais a acção e a experiência
eram, em grande parte, orientadas pela tradição, nas sociedades modernas a vida social liberta-se das normas pré-estabelecidas. A tradição já não organiza a vida actual. A reflexividade da modernidade baseia-se na ideia de que cumulativamente vamos tendo um conhecimento mais profundo da realidade. Concomitantemente à alteração ou reformulação dos fenómenos sociais verifíca-se a refracção do conhecimento e da acção. Porém, isto não significa um maior conhecimento. A ideia de refracção só tem impacto se nas sociedades modernas as práticas sociais se alterarem, se reorientarem. Actualmente, vivemos numa
"modernização reflexiva' (Ulrich Beck cit. in Pais, 2001: 67) que não se baseia apenas na
reflexividade. Em termos práticos "(.-•) significa essencialmente uma autoconfrontação da modernidade consigo mesma em que a expansão das opções se cruza com a proliferação dos riscos, em que a insegurança amplia as variantes de probabilidades futuras" (Ibidem: 67). As distintas condições sociais determinam a forma como os jovens encaram os tempos modernos. Muitos jovens encaram a vida como um risco, mas de forma optimista, pois a expectativa, por exemplo, de encontrar uma boa ocupação profissional, como o autor designa - um "tacho" - pode trazer benefícios. Para outros jovens a vida é vista como uma "lotaria" em que os "riscos" são ameaças incontroláveis e a segurança depende da sorte (Ibidem: 66). Uma das principais alterações registadas nos tempo modernos diz respeito à actuação das instituições sociais. A autonomia inerente a cada uma delas é confundida, deixa de ser explícita e embaralha-se por todo o tecido social. Já não é fácil identificar o papel desempenhado por cada uma delas, na medida em que se têm transformado ou mesmo se debilitado. A socialização "formal" garantida pelas instituições sociais dá lugar a "outras" socializações, ou seja, as informais.
Pais recorrendo ao autor Deleuze (1990) explica o que é que está a acontecer ao nível das estruturas sociais e como se está a processar essa transformação: a «sociedade
disciplinadora» de modelos rígidos, está a dar lugar à «sociedade de controlo» que actua de
forma flexível. As instituições que pertenciam à «sociedade disciplinadoras - identificadas pelo autor, como a escola, a família, o local de trabalho, o hospital e a prisão - estão em crise. Os seus campos de acção, as suas lógicas, de natureza disciplinadora, que garantiam a sua autonomia estão a espalhar-se por todo o tecido social, sendo difícil saber quando se está
«dentro» ou «fora» das instituições (Deleuze, 1990 cit. in Pais, 2001: 403). Tem se assistido
sua perda de poder: a família sofre cada vez mais influências do exterior - do «fora» - nomeadamente dos mass-media, da rede de vizinhos e amigos; a escola deixou de ser uma instituição orientada para a disciplina por parte dos professores e funcionários, assistindo-se a episódios frequentes de indisciplina por parte dos alunos; as prisões passam a ser escolas do crime e do tráfico; as burocracias dos hospitais prejudicam os doentes, originam longas listas de espera. Através destes exemplos e de muito mais que haverá na realidade, podemos constatar, tal como defende Pais que as instituições sociais estão a transformar-se e, nalguns casos, a debilitar-se (Ibidem: 404).
Neste tempo contemporâneo as instituições sociais promovem a mudança social, sendo por este facto que o autor afirma que se verifica uma «re-institucionalização permanente» da vida social {Ibidem: 405). A mudança social é visível ao nível da interposição das fronteiras entre as instituições, da flexibilidade do «dentro ao fora». E neste contexto que surge a «sociedade
de controlo» que contorna a redefinição do papel desempenhado pelas instituições. A
socialização garantida pelas instituições formais é substituída, de certa forma, pelas socializações informais realizadas nos pequenos espaços de intervalo entre aquelas (Ibidem: 404).
Pretendemos demonstrar, quando seguidamente, analisarmos os «terrenos» (Pais, 2001), os «ciclos» (Pais, 1996) onde se processa a passagem ou não passagem para a vida adulta, a importância das variáveis de nível microsociológico - o género, a classe social de origem, os modos de vida, os valores, os planos de vida, o habitat dos jovens - sobre a transição para a vida adulta. No entanto, é nosso objectivo reforçar que a mudança social se sobrepõe às transformações específicas desse processo.
2.2. DOS PROJECTOS JUVENIS AOS TRAJECTOS DE VIDA: A DESCOINCIDÊNCIA REGISTADA NUMA SOCIEDADE MARCADA PELO «PRINCÍPIO DA INCERTEZA»™
Os jovens da actualidade estão, assim, inseridos em determinadas estruturas sociais que também são «labirínticas», flexíveis e se moldam aos indivíduos, aos seus anseios (Pais, 2001: 68). Essas «estruturas labirínticas da vida» (Ibidem: 407) são constituídas por duas partes principais: o «solo material» - corresponde às estruturas e ao «que posso fazer?» na
realidade - e o «tecto cultural» - assenta no «que devo fazer?» tendo em conta as normas e crenças institucionais (Calvo, 2001 cit. in Pais, 2001: 407).
Uma das características mais marcantes do actual processo de transição para a vida adulta é a descoincidência existente entre os projectos dos jovens, o «tecto cultural», e os seus trajectos de vida, o «solo material» (Pais, 2001: 8). Os trajectos de vida são acompanhados pelos projectos que se fazem dela, no entanto a realização dos projectos não é compatível com os seus trajectos {Ibidem: 410). Os jovens querem concretizar os seus planos que são múltiplos, diversos, descontínuos, no entanto, a realidade é imprevisível, é dominada pelo «princípio da
incerteza». Nesta sociedade labiríntica, ao longo do «curso de vida» de muitos jovens "(•••)
surgem encruzilhadas de sentidos vários, carreiras de retorno, becos de circulação difícil, ou mesmo sem saída" {Ibidem: 7), invalidando os planos realizados. Tal como afirma Pais (2001: 8) "As escolhas são múltiplas e reversíveis, embora nem sempre possíveis".
O futuro passa então a ser encarado de forma condicional, em que a expectativa toma o lugar da planificação e, nessa espera, alimenta-se sonhos ou ilusões. Como os jovens se sentem inseridos nesse "labirinto" de vida tendem, quase sempre, a rejeitar o decurso da realidade recorrendo a planos utópicos {Ibidem: 68). Na vida labiríntica dos jovens, quando parece surgir uma saída para as encruzilhadas, um novo rumo, novos «labirintos» de novas encruzilhadas e novas utopias voltam a surgir. Um exemplo dessa situação, como veremos, é quando os jovens pensam ter encontrado uma saída para a sua situação de desemprego, mas na realidade encontram-se nas margens da economia formal. Face a esta constatação, os jovens ou afundam-se nas margens ou procuram novas margens {Ibidem).
Tendo por base a escolha individual, o desejo e a vontade própria, os jovens defrontam-se, assim, com vários dilemas - «dilema do labirinto» {Ibidem: 10), várias inseguranças -
«dilemas de insegurança» (John Vailt, 1999 cit. in Pais, 2001: 66) - e indecisões sobre o
melhor destino, entre os vários "labirintos" a tomar. A escolha desse destino situa-se entre o
2.3. AS "TRAJECTÓRIAS DESESTANDARDIZADAS"™ DOS JOVENS E OS "PADRÕES ESTANDARDIZANTES"16 INSTITUCIONALIZADOS DAS POLÍTICAS SOCIAIS: OUTRA