MÉTHODES D'ANALYSE DES VALEURS DU MARCHÉ
2- Analyse chartiste (analyse technique traditionnelle)
Em essência, até este momento, dentre os resultados dos planos e pro- gramas para o turismo baiano, poucas foram as ações efetivas direciona- das para os municípios turísticos do Recôncavo. Apesar da importância de propostas como o Plano de Turismo do Recôncavo, o Prodetur-NE I e II, incluindo o PDITS, o Cultour ou mesmo o Programa Monumenta, a ex-
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clusão parcial desta região das estratégias governamentais estruturantes efetivadas até os dias atuais para a atividade turística da Bahia conduziu à restrita exploração do potencial turístico presente nos municípios que a compõe. Este fato, ocorrido em paralelo à estagnação econômica então vivenciada, levou a que os municípios turísticos do Recôncavo ficassem, por muito tempo, praticamente à margem do processo de atração de in- vestimentos turísticos ocorrido na Bahia, sobretudo na suas áreas litorâ- neas. Tal cenário foi agravado pela tentativa da exploração isolada, não in- tegrada das potencialidades turísticas de cada um desses municípios. Por um lado, esta certa exclusão foi benéfica. Livrou os municípios considera- dos turísticos na região de um modelo de turismo impactante, em termos culturais e ambientais, centrado em grandes empreendimentos que ten- dem a estabelecer, muitas vezes, restritas relações com o local trazendo, assim, retornos econômicos e sociais pouco expressivos; modelo adotado na Bahia durante muitas décadas. Por outro, entretanto, não viabilizou a definição de ações integradas e a implantação de projetos direcionados ao turismo desta área com ênfase especial no patrimônio histórico-cultural, elemento de ampla interseção entre esses municípios, o que poderia ter contribuído para o fortalecimento dos segmentos nucleares da economia criativa regional.
O Recôncavo é, sem dúvida, um território rico em insumos fundamen- tais ao desenvolvimento da Economia Criativa. Estudo realizado pelo Esta- leiro Enseada do Paraguaçu (EEP) em parceria com o IPHAN, consideran- do o patrimônio cultural e, mais especificamente, as referências culturais,8 identificou e inventariou 746 referências, entre celebrações, formas de ex- pressão, ofícios e saberes, lugares e edificações em cinco municípios turís- ticos dessa região – Cachoeira, Santo Amaro, São Félix, Saubara e Marago- gipe – inseridos no Levantamento Preliminar do Inventário Nacional de
8 Referências culturais são frutos de uma realidade social, ancoradas em um território específico, se expressam em objetos, práticas e lugares apropriados pelas comunidades na construção de senti- dos de identidade, cultura e pertencimento. (MINC, 2000, p. 131)
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Referências Culturais da Área de Influência do EEP. (QUEIROZ, 2014b) Essas referências culturais, frutos de práticas e relações estabelecidas entre os habitantes e o território ocupado, configuram sentidos de identidade e pertencimento aos diversos grupos sociais, sendo partes constitutivas das suas vidas. São saberes e práticas muitas vezes adquiridos intergeracional- mente, na lida cotidiana, que alimentam a alma, propiciam momentos de lazer e, em alguns casos, a exemplo dos ofícios da pesca, da coleta de ma- riscos, da confecção artesanal de cerâmica, dentre outros, viabilizam a so- brevivência humana.
Todo esse patrimônio criativo, como é possível identificar nas ações (ou inações) governamentais direcionadas ao Recôncavo, constitui um po- tencial historicamente subaproveitado nas estratégias voltadas ao fomen- to do turismo baiano. Entretanto, esta realidade, que vem propiciando poucos retornos econômicos e sociais para as comunidades desse territó- rio detentoras do singular patrimônio imaterial pode vir a sofrer transfor- mações com a expansão de um turismo-cultural planejado, disciplinado e ordenado sob o comando do poder público, em parceria com a iniciativa privada e sociedade civil organizada. Para tanto, faz-se necessário que os planos que estão por vir, a exemplo do Prodetur Nacional – Bahia, se con- cretizem, que não se desvinculem do seu objeto, que contemplem, de fato, o Recôncavo, e sigam na direção de um turismo-cultural de inclusão, sus- tentável, voltado à promoção de mudanças sociais significativas e necessá- rias à população da tradicional região produtora e exportadora de açúcar e fumo. Assim, se poderá falar, efetivamente, em desenvolvimento da Eco- nomia Criativa que, como ressaltado por Pasqualino Magnavita (MAGNA- VITA, 2014), pode significar uma “ruptura, uma mudança de natureza so- cial, utópica, lenta, mas necessária”.
Espera-se que os resultados ainda pouco expressivos alcançados pelo turismo no Recôncavo, que o quadro social regional a demandar respostas prementes, que as articulações – ainda que tímidas – entre os atores cul- turais da região, que a presença e as ações da universidade federal aí ins-
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talada, que os efeitos multiplicadores da indústria naval implantada nessa área, desencadeando, a exemplo, investimentos em equipamentos turís- ticos, mas também, trazendo rebatimentos expressivos para algumas das referências culturais existentes9 e, sobretudo, que a experiência da Bahia com modelos de turismo pouco inclusivos e distanciados das reais neces- sidades socioeconômicas da grande maioria da população atuem como forças propulsoras à constituição de um território “criativo e turístico” na região do Recôncavo, fomentando a sustentabilidade, a promoção da di- versidade cultural, da inovação e da inclusão social e, assim, contribuindo com o alcance de novos patamares de desenvolvimento.
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