Chegadas a esta etapa, consideramos pertinente fazer o balanço dos objetivos alcançados, uma análise sintética dos resultados obtidos, uma descrição de limitações sentidas no percurso, bem como, apresentar algumas sugestões para a melhoria na prestação de cuidados de enfer- magem à criança/ jovem e família.
A elaboração do presente relatório desafiou-nos a um exercício de reflexão e análise crítica de toda a trajetória formativa, bem como, das atividades desenvolvidas. Esta reflexão possibilitou-nos não só uma melhor compreensão das aprendizagens adquiridas, como também uma certificação das competências adquiridas ao longo deste percurso.
Considerando de extrema relevância a necessidade constante do aperfeiçoamento das compe- tências, procurámos aproveitar nos diversos contextos de estágio situações proficientes para o de- senvolvimento de aprendizagens, procurando complementar as diferentes experiências com pes- quisas em bibliografia de referência, com partilha de saberes com a equipa e com a discussão
crítica das varias perspetivas de cuidar da criança/jovem e família. Esta forma de participação aju-
dou-nos no desenvolvimento de habilidades, de competências de EE e de EEESIP, promovendo a
tomada de decisões mais seguras e fundamentadas, essenciais à excelência dos cuidados de en-
fermagem especializados em saúde infantil e pediátrica.
O desenvolvimento do projeto de intervenção, estruturado para dar resposta às necessidades identificadas no contexto profissional, foi muito promissor para o desenvolvimento de competências comuns e específicas do EE, no entanto, foi com a sua aplicação na prática e com a dinamização das atividades que mais desenvolvemos essas competências. Para identificar as necessidades no contex- to profissional quanto a temática em estudo, recorremos à análise SWOT, que nos possibilitou identi- ficar as forças e fraquezas para a dinamização do projeto de intervenção e permitiu avaliar oportuni- dades de melhoria e antecipar ameaças a sua execução. O projeto incidiu na sensibilização dos pro- fissionais de saúde, para a criação de oportunidades favoráveis à capacitação das famílias para o desenvolvimento das suas potencialidades, com vista a maximização do potencial de desenvolvimen- to da criança. Para tal, desenvolvemos um plano de formação em serviço e apresentámos um guia de bolso que sistematizava a Escala de Avaliação do Desenvolvimento de Mary Sheridan Modificada, a Escala de Sinais de Alarme, assim como, as Atividades Promotoras do Desenvolvimento que devem ser recomendadas aos pais ou cuidadores.
Perspetivando o futuro, tencionamos dinamizar um curso de Apoio à Parentalidade, para pais de crianças dos 0 aos 3 anos de idade, como tal, considerámos como objetivo para este projeto de intervenção o diagnóstico de necessidades de conhecimentos dos pais no desempenho do seu papel parental. Para a satisfação desse objetivo aplicámos questionários aos pais e da análise posterior- mente efetuada, podemos concluir que a dimensão das necessidades físicas foi onde os participantes referiram mais necessidade de conhecimento, seguida da dimensão disciplina positiva. Outro dos itens em que os pais manifestaram necessidades de conhecimentos foi relativamente aos procedi- mentos de amamentação, introdução de novos alimentos, padrão de sono, cuidar da criança com cólicas, identificar sinais de doença e cuidar da criança doente, assim como, no estabelecimento de regras apropriadas à idade e ao desenvolvimento da criança. Neste sentido, perspetivamos num ho- rizonte futuro a dinamização de sessões formativas, workshops e boletins informativos com os temas que os pais manifestaram como prioritários.
Como limitação ao estudo de investigação referimos o tamanho da amostra, uma vez que ape- nas 32% dos pais responderam aos questionários, tornando-se assim arriscado generalizar os resul- tados obtidos. Outra das limitações que referimos é que apesar de vários autores reforçarem a ideia de que a capacitação parental constitui uma estratégia eficaz e traz respostas positivas, quer às famílias apoiadas, quer às equipas de enfermagem, verificámos nos diversos contextos que esse investimento na vida das crianças, com especial enfoque nos cuidados preventivos, através de programas de capacitação parental, não está implementado de forma consistente.
Um dos aspetos mais gratificantes neste percurso formativo foi a possibilidade de contribuir-
mos para a qualidade da prestação de cuidados à criança/família, em contexto de trabalho, através da dinamização do projeto de intervenção que procurou uniformizar práticas de cuidados.
Como pontos fortes da realização deste relatório, salientamos o quanto foi enriquecedor a pro- cura de uma base de conhecimentos científicos, baseado num modelo conceptual e com fundamen- tação da prática profissional, permitindo o desenvolvimento do raciocínio clínico e de uma tomada de decisão mais competente.
Nesta etapa de redação do relatório, consideramos pertinente salientar que foram atingidos
os objetivos a que nos propusemos alcançar e que a perspetiva de cuidar da criança/jovem e famí-
lia são agora muito diferentes. Naturalmente que ainda existem fragilidades ou habilidades a me-
redação deste relatório, pois consideramos que a excelência profissional só é alcançada se existir um investimento continuo.
Ao terminarmos esta etapa de formação, estamos consciente de que este foi um percurso re- pleto de dificuldades, pelo nível de exigência que requereu e pelos sacrifícios pessoais e profis- sionais que exigiu, no entanto, consideramos que esta aprendizagem contribuiu decisivamente para podermos atingir um patamar mais elevado, relativamente à qualidade do trabalho que desenvolvemos, no âmbito das nossas funções profissionais.