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Embora as PMEs possam ser consideradas agentes fundamentais do desenvolvimento sustentável e tenham, de maneira geral, uma preocupação com a questão ambiental, isso não se traduz efetivamente em ações de impacto ou mesmo na adoção de sistemas de gerenciamento eficazes (Tilley, 2000; Petts, 2000; Starkey, 2000; Perez Sanches, Barton & Bower, 2003; Southwell, 2004). Os estudos, ao contrário, apontam que as pequenas são mais poluidoras que as grandes empresas, chegando a quase 80% da poluição industrial, 60% do lixo comercial. Como não suficiente, esses estudos mostram ainda que a questão ambiental não é prioridade de investimento dessas empresas, ocupando entre a quarta e a quinta posição nas prioridades de investimento (Scott, 2000; Cassells & Lewis, 2011).

Alguns pontos podem ser elencados como atrelados a essa inércia ou a pouca efetividade desse comprometimento das PMEs quanto à questão ambiental, dentre os quais se destacam:

1. Limitação financeira. O fato de os investimentos serem geralmente de curto prazo e, portanto, sob uma busca mais imediata por lucros e outras vantagens econômicas, a questão ambiental em si não é suficiente

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para uma mudança de comportamento. A ideia é empregar recursos em atividades ambientais até o ponto em que a curva do custo intercepte a curva do benefício econômico (Dunfee, 2008). Além disso, os preços quase proibitivos da implantação de sistemas de gerenciamento ambiental como o

A , " (EMAS), o ISO14001 ou o ISO14031 não

permitem a qualquer empresa ter esse tipo de certificação. Jonhanson (2000) afirma que a implantação de um sistema europeu de gerenciamento como o EMAS, por exemplo, pode chegar a US$ 100 mil, o que representa quase 26% da receita anual de uma PME canadense. Esses fatores impedem, naturalmente, a adesão à certificação ambiental, sem falar nas vantagens obtidas com esses “selos” ambientais (Starkey, 2000; Roy & Thérin, 2008).

2. Falta de expertise e de recursos humanos. Essa ausência impede, entre outras coisas, a avaliação ambiental pormenorizada do impacto da produção, inclusive da pressão dos próprios (Cordano, Marshall & Silverman, 2010). Fica, dessa forma, bastante prejudicada a adoção, ainda que informal, de parâmetros mínimos de avaliação ambiental da empresa sem falar da formulação de política ambiental, auditoria ambiental ou mesmo a formulação de indicadores ambientais que possibilitem a empresa verificar sua performance (Starkey, 2000). Pesquisa realizada com PMEs brasileiras, por exemplo, apontou que perto de 60% dos gerentes/donos desconhecem completamente o significado de sustentabilidade ambiental.

3. Falta de conhecimento da legislação e das sanções ambientais. Dois pontos aqui devem ser mencionados. O primeiro é que a legislação ambiental, tanto nos países desenvolvidos ou não, além de ser complexa e por demais ampla, tem um caráter mais reativo que proativo. Essas características favorecem um direcionamento desta legislação para a sanção das grandes empresas23 (cita se aqui, por exemplo, os Princípios do Equador24). Essa

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Relatório da Competitividade da Indústria Brasileira publicado pelo BNDES; CNI;

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ênfase favorece certo descomprometimento das PMEs com a questão ambiental, as quais relegam ao Estado e à sua regulação a função ambiental (leis, estatutos regulatórios e outras formas de intervenção de mercado) (Petts, 2000; Gerrans & Hutchinson, 2000; Johannson, 2000; Roy & Thérin, 2008; Cassells & Lewis, 2011). Tal posição torna uma resposta reativa, não estratégica e fazendo com que as PMEs tenham a percepção de que o não comprometimento é menos danoso para si e também para a sociedade que os custos associados com a implementação de novas práticas ambientais. Minimiza se, portanto, compromissos internos que garantam impactos menores na produção ou mesmo na relação com outros (clientes, comunidade, por exemplo).

4. Crença quanto ao baixo impacto ambiental das atividades. Há uma crença entre os pequenos empresários de que, a despeito de possuírem conhecimento limitado sobre legislação e engenharia de produção e possuírem as habilidades necessárias para conduzir a questão ambiental, suas empresas não têm qualquer impacto ambiental ou que não podem contribuir com a questão ambiental. Gerrans e Hutchinson (2000), em estudo com empresas inglesas, afirmam que perto de 35% dos empresários diziam que suas atividades não tinham qualquer impacto sobre o meio ambiente. Tal posição, portanto, representa um despautério lógico com os sérios riscos para o meio ambiente já apresentados no início deste item 1.3.3 (Perez Sanches, Barton & Bower, 2003; Roy & Thérin, 2008; Lee, 2009). Além disso, agrega se a esse ponto o fato de que, embora haja uma posição favorável dos gerentes/donos às questões ambientais, há, muitas vezes, uma divergência entre o discurso e as práticas gerenciais, principalmente por conta de um falta de conciliação entre objetivos pessoais e objetivos dos negócios (Cassells & Lewis, 2008).

não haviam adotado qualquer procedimento de gestão ambiental, contra apenas 5% das grandes empresas na mesma situação.

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Princípios que se aplicam ao financiamento bancário de projetos, de todos os setores industriais, com custos de capital de US$ 10 milhões ou mais. Disponível em

http://www.equator principles.com/documents/ep_translations/EP_Portuguese.pdf . Acesso em 05 de março de 2011.

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5. Utilização de tecnologia de produção ultrapassada ou de pouco impacto ambiental. Atrelada essencialmente à limitação financeira dessas empresas, as PMEs utilizam técnicas de produção muitas vezes obsoletas ou ainda informais, o que acarreta impacto maior sobre o meio ambiente.

As vantagens de um sistema de gerenciamento ambiental podem representar boas oportunidades de mercado para as PMEs: em curto prazo, pode ser elencadas: redução de custos, melhoria na reputação e legitimidade das ações da empresa; em longo prazo, avanços em inovação, reposicionamento no mercado, acesso a novos mercados verdes e a ratificação de uma posição vantajosa na trajetória de crescimentos (Shrivastava, 1995; Lee, 2009).

De maneira geral, para aumentar a taxa de implementação dos sistemas de gerenciamento ambiental entre as PMEs, estudos apontam que os programas de suporte de sucesso devem ser baratos, localmente baseados (avaliação local e não internacional e global), flexível e acessível com informações compartilhadas a partir da cooperação com chaves (Cordano, Marshall & Silverman, 2010). Exemplos desse tipo de programa foram utilizados por Cassells e Lewis (2011) em PMEs neozelandesas cujos resultados apontaram ainda para a viabilidade de implantação desses sistemas simples com a vantagem implicada de redução de custos. A base da avaliação desses autores foi:

1. Práticas operacionais: redução de custos de combustíveis; rede de otimização da distribuição; redução de poluição do ar e da água; definição de alvos mensuráveis de redução de energia, tratamento ou captação de emissões de poluentes; demonstração de preferência por produtos verdes nas compras; estabelecimento de metas mensuráveis para a redução do uso da água; seleção de métodos mais limpos de transporte.

2. Práticas de gerenciamento do lixo: descarte apropriado de lixo perigoso; existência de programa de reciclagem; uso de embalagem

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reutilizáveis; minimização de embalagem de produtos; estabelecimento de alvos para redução de lixo; importância maior com o ciclo de vida dos produtos.

3. Desenvolvimento de práticas ambientais: utilização de produtos não perigosos; desenvolvimento de produtos fáceis de reparar e/ou que durem mais; desenvolvimento de produtos fáceis de desmontar e/ou de reciclar; reposição de materiais novos (virgens) por recicláveis.

4. Práticas de gerenciamento ambiental: existência de políticas ambientais internas; propaganda da empresa associada também ao meio ambiente; existência de uma política ambiental de negócios; avaliação de performance ambiental de fornecedores; coleta de dados relacionados ao meio ambiente para mensuração e elaboração de relatórios.

Portanto, dada a caracterização de cada uma das três áreas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, inclusive para as PMEs, cabe relacionar esses constructos com as empresas de Tecnologia da informação, as quais serão objeto do presente estudo.

1.4 Desenvolvimento Sustentável em empresas de