A análise teórica sobre redes, segundo Portugal (2007), fornece uma explicação do comportamento social baseada em modelos de interação entre os atores sociais ao invés de estudar os efeitos independentes de atributos individuais ou relacionais. Para a autora, a análise estrutural das redes baseia se na premissa de que estas têm uma realidade própria, no mesmo sentido em que os indíviduos e as relações também a têm, pelo que a sua influência não pode ser reduzida ao simples efeito de constrangimentos normativos, atributos pessoais ou efeitos cumulativos de múltiplas interações.
Sob esse prisma, cabe a exposição do que Vale e Castro (2010) apresentam como um extrato das principais teorias que subsidiam a análise das redes ou aglomerações produtivas locais.
a. 2 $# ? A teoria de
custos representa o fato de que toda troca envolve custos de transação como, por exemplo, os associados à necessidade de obtenção de informações, de negociação ou mesmo de monitoramento de contratos. Para Williamson (2005), esses custos são derivados de dois pressupostos básicos:
i. A noção de incapacidade humana de prever, no momento da negociação, tudo o que pode ocorrer durante a vigência de um contrato, tomado aqui como uma falha do mercado. Os limites da cognição humana e a existência de informações incompletas geram custos associados à necessidade de contratos complexos a fim de abarcar todas as contingências possíveis. E quanto maior o grau de incerteza percebido pelos agentes, maiores são estes custos.
ii. A existência de comportamento interesseiro por parte dos envolvidos na transação. A procura do interesse próprio e não o bem comum gera custos relacionados à obtenção de garantias.
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Para a teoria de Williamson, a aglomeração produtiva competitiva é visualizada como um espaço territorial onde atores produtivos distintos buscam interação e cooperação a fim de reduzir seus respectivos custos de transação e gerar uma dinâmica territorial própria.
Sob esse espectro, a cooperação que se estabelece entre as empresas é analisada sob uma noção estritamente econômica. É entendida como uma forma de minimizar custos indesejáveis de transações que poderiam advir, caso o ator atuasse de maneira isolada e não cooperativa. Assim, as empresas, a fim de minimizar custos de transação relativos a fatores de produção especializados, são induzidas a estabelecer uma fronteira ótima entre as atividades que controlam por si e aquelas onde é preferível recorrer a transações de cooperação no mercado.
A produção passa a ser concebida como um conjunto específico de transações que requerem um arranjo organizacional adequado à sua realização de forma mais eficaz. Ao longo do tempo, os agentes ajustam o formato de suas estruturas organizacionais, com o propósito de minimizar os custos de transação, gerando estruturas de governança específicas.
Para Williamson (1993), a manutenção das redes de cooperação depende da perfeição das regras intencionais de negociação e também da força das sanções, o que reforça, tal como Gambetta (2000) acrescenta, a existência de mecanismos de controle que punem o “confiado” por um comportamento desonesto. Outrossim, a ameaça para a punição do comportamento desviante deve ser crível, ou seja, as pessoas devem acreditar que ela realmente ocorrerá. Por fim, Williamson (1993) acrescenta que a confiança está ligada à capacidade, às habilidades, às opções e consequências disponíveis.
b. " ! F P Para Granovetter,
as instituições e as transações econômicas encontram se enraizadas em redes sociais e não podem ser analisadas e avaliadas abstraindo se suas raízes sociais. Atores sociais com conexões capazes de lhes permitir transpor distâncias sociais e estabelecer pontes com outros atores e redes (grupos sociais) distintos, gozarão de condições mais privilegiadas. A proposta central
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do autor é entender como as relações sociais incidem no comportamento econômico e nas instituições que o regulam. Nesse sentido, Granovetter advoga que as transações econômicas encontram se enraizadas ( ) em redes sociais e não podem ser analisadas e avaliadas abstraindo se de suas raízes sociais. Granovetter defende ainda a proposta de que o comportamento e as instituições econômicas são afetados por relações sociais.
O conceito de , como concebido originalmente por Granovetter, encontra forte sintonia com concepções prévias, provenientes da economia regional ou em estudos das aglomerações produtivas. Tal conceito busca resposta do que poderia garantir a confiança e a lealdade nas relações econômicas, colocando a ênfase nas relações em si e não nos atores. Para tal, o autor sustenta seu conceito sob duas premissas (Granovetter, 1985):
1. A geração de confiança e o controle da deslealdade são produtos das relações interpessoais concretas e das redes nas quais estão inseridas.
2. As relações não são substitutos funcionais da confiança, de tal forma que sustentem a ordem econômica. Nesse sentido, confiança é uma qualidade das relações e não dos atores em sentido individual.
Nessa mesma concepção de redes, cabe também a teoria dos laços de Granovetter (1985). Para esse autor são esses laços que agregam valor ao conectar cada ator a outros atores nas redes. Desta forma, as transações econômicas encontram se enraizadas ( ) nas redes sociais e não podem ser analisadas e avaliadas abstraindo se de suas raízes e ligações sociais. O autor, assim, propõe que as principais variáveis de análise desses laços estão ligadas à soma de tempo, à intensidade emocional das relações, à confidência mútua e à reciprocidade de serviços prestados nas redes.
Granovetter (1985) ressalta ainda algumas vantagens e desvantagens de laços fracos e laços fortes estabelecidos entre os atores das redes locais ou de outras redes, o que também se insere no conceito de ponte e ainda facilita a troca de informações. Para Granovetter, os laços fortes
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implicam confiança recíproca consistente e alta dose emocional na relação, demandando, por isso, muito tempo para se formarem. Todavia, esse tipo de laço pode engessar a rede porque os relacionamentos pessoais passam a se sobrepor aos aspectos de inovação e eficiência. Já os laços fracos contribuem para a circulação de novas informações.
c. 2 O enfoque desta teoria não é a estrutura
em si, mas o tipo de relação e de interação entre os atores (Wegner, 2011). Sob esse viés, a sociedade pode ser vista como um mercado em que as pessoas trocam todas as variedades de serviços e ideias na busca de seus próprios interesses e o sucesso e os benefícios dessas trocas estão ligados aos seus esforços (Burt, 2000).
Segundo Oliver e Ebers (1998), o foco da teoria de redes é examinar como as propriedades estruturais de suas redes internas e externas, bem como das posições dos atores dentro dessas redes, influenciam a troca entre as organizações e seus membros. Nesse sentido, Burt (1997) afirma que em função da conexão entre os indivíduos, dada a dependência pelas trocas entre as pessoas, sempre ocorrerá uma assimetria de oportunidades e benefícios àqueles que agenciam o fluxo de informações e o controle de projetos, ao que o autor chama de buraco estrutural (conceito já discutido na seção 2.2.1).
Desses grupos teóricos, Portugal (2007) advoga que essa caracterização, sobretudo a dos laços e ainda das posições ocupadas pelos atores, permite identificar algumas das principais propriedades morfológicas das redes: dimensão, densidade, orientação (para quais grupos sociais orientam se as relações), polarização (existência de atores que atuam como catalisadores das relações), segmentação (os elementos que pertencem a diferentes redes), sobreposição (um laço tem mais que um conteúdo). Esses aspectos facilitam, portanto, a operacionalização de análise das redes, a qual será discutida adiante com os indicadores de rede.
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