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a Méthodes utilisées et difficultés rencontrées

Chapitre I Relaxation autour d’un état Inhomogène

2.2. a Méthodes utilisées et difficultés rencontrées

O termo geodiversidade apareceu pela primeira vez no final do século XX e, desde então, vários significados foram atribuídos ao conceito do termo e, segundo Brilha (2005), é um termo de aplicação recente. Segundo Gray (2004), o termo surgiu durante Conferência de Malvern, no Reino Unido quando geólogos e geomorfólogos tratavam sobre conservação geológica e paisagística.

Dentre os conceitos de geodiversidade, enquanto Alexandrowicz & Kozlowski (1999) propõem que a geodiversidade deve ser analisada apenas na superfície terrestre, desconsiderando os elementos subterrâneos, como cavernas e aquíferos subterrâneos; para Johansson (2000), a geodiversidade é tratada de forma que compreende tanto os elementos geológicos e suas variações de formações geomorfológicas quando os processos que os geraram.

Stanley (2001) agregou um aspecto social e cultural à geodiversidade definindo-a como a “variação dos ambientes geológicos, fenômenos e processos que constituem essas paisagens, rochas, minerais, fósseis e solos, os quais sustentam a vida na Terra”, relacionando as pessoas e a cultura com a paisagem. Seguindo esta linha, Gray (2004) define a geodiversidade como “diversidade natural da geologia (rochas, minerais, fosseis), da geomorfologia (formas da terra, processos) e das feições do solo. Isto inclui seus conjuntos, relações, propriedades, entendimentos e sistemas.”

Segundo Martínez et al. (2008), geodiversidade é a diversidade do meio natural, em número, frequência e distribuição dos elementos bem como dos processos geológicos, sendo, portanto, estes elementos passiveis de tratamento matemático.

Os autores Dixon et al. (1997) e Eberhard (1997) conceituam a geodiversidade como a diversidade de elementos geológicos, geomorfológicos e pedológicos que contam a história da Terra, propondo a inclusão dos processos biológicos ou ambientais, antigos ou ainda vigentes. No seu trabalho, Pereira (2010) define geodiversidade como:

“O conjunto de elementos abióticos do planeta Terra, incluindo os processos físico- químicos associados, materializados na forma de relevos (conjunto de geoformas), rochas, minerais, fósseis e solos, formados a partir das interações entre os processos das dinâmicas interna e externa do planeta e que são dotados de valor intrínseco, científico, turístico e de uso/gestão.” (Pereira 2010)

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A linha de pesquisa seguida neste trabalho vai de encontro com a definição de geodiversidade proposta por Serrano e Ruiz-Flaño (2007), cujo termo se refere à variabilidade da natureza abiótica, contendo os elementos de natureza litológica, tectônica, geomorfológica, pedológica, hidrológica, topográfica e os processos físicos da superfície da Terra, mares, oceanos, em conformidade aos processos naturais endógenos e exógenos e, ainda, antrópicos que englobam a diversidade de partículas, elementos e lugares.

3.2.1 Geodiversidade como objeto de estudo

Os trabalhos que têm como objetivo estimar e produzir modelos de geodiversidade, de modo a integrar a paisagem com os processos formadores desta, são raros. Os principais trabalhos partem do processo de compartimentação geomorfológica, realizado a partir das estruturas, formas, processos e clima, que são uma primeira maneira de se chegar a geodiversidade de uma área (Manosso 2012).

Este método de compartimentar áreas segundo a geomorfologia foi utilizado no estudo de Serrano & Ruiz-Flaño (2007), na Espanha, a fim de calcularem índices de geodiversidade a partir das unidades geomorfológicas, base para a avaliação da geodiversidade. É necessário então, interpretar a área de forma integrada, pois a geodiversidade e a fisionomia da paisagem são resultantes das mudanças geomorfológicas vigentes e pretéritas.

Segundo Serrano & Ruiz-Flaño (2007), a geomorfologia é a ciência capaz de integrar as estruturas geológicas, a litologia, o clima, os solos e a vegetação. Para quantificar a geodiversidade de uma área, desenvolveram um método que se baseia em modelos de riqueza, densidade e distribuição de índices de diversidade. Neste método, o cálculo é realizado de acordo com as feições geomorfológicas, para as quais foram designados valores de geodiversidade, em que foi determinada uma relação entre a variedade dos elementos físicos com a rugosidade da superfície da área de estudo. Assim, o algoritmo da fórmula 2.1 foi desenvolvido para expressar a quantificação da geodiversidade na forma de índice:

𝐺 =𝑁 ×𝑅ln 𝑆 Equação 2.1 Onde: G é índice de geodiversidade;

N é o número de elementos físicos da unidade; R é a rugosidade;

S é a superfície real.

Seguindo a linha de pesquisa de Serrano & Ruiz-Flaño (2007), Hjort & Luoto (2010) aplicaram esta fórmula para determinar o índice de geodiversidade para a paisagem subártica no norte da Finlândia. Os autores, neste estudo, utilizam de uma grade com células amostrais com tamanho regulares, com o

Contribuições às Ciências da Terra – Série M, vol.75, nº 342, 88p. 2016

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intuito de determinar valores estatísticos para se obter uma relação entre a variabilidade dos processos geomorfológicos com a geodiversidade total.

Pellitero (2012) adaptou as metodologias propostas por Serrano & Ruiz-Flaño (2007) e Hjort & Luoto (2010) para realizar o cálculo do índice de geodiversidade no parque “Macizo de Fuentes

Carrionas”, na Espanha. Determinou grids regulares e, conforme Hjort & Luoto (2010), considerou que a utilização do coeficiente R não seria necessária. Como resultado, obteve o mapeamento da geodiversidade que serviu de base para determinação de áreas prioritárias para a conservação.

Manosso (2012) identificou unidades de paisagem na Serra do Cadeado, Paraná, caracterizando a variação vertical e horizontal da estrutura geoecológica, para servir de base na determinação do índice de riqueza e a frequência relativa da geodiversidade de cada unidade. O autor chegou à conclusão de que a geodiversidade reflete de maneira direta as potencialidades para o geoturismo na região estudada, configurando-se eficaz para medidas de valorização e conservação do patrimônio natural e científico, gestão do território e aproveitamento econômico da paisagem local.

Pereira (2014) fez uma avaliação quantitativa da geodiversidade para a Área de Proteção Ambiental Sul – APA Sul de Belo Horizonte, Minas Gerais, a partir da adaptação da metodologia de Pellitero (2012), determinando a riqueza da área em termos de diversidade abiótica. Com os resultados, foram selecionados e inventariados Locais de Interesse Geológico (LIGs) nas regiões classificadas como de mais alta geodiversidade, indicando as áreas prioritárias para preservação e geoconservação.

Segundo Pereira et al. (2012), o uso das metodologias para avaliação quantitativa e distribuição espacial da geodiversidade é muito recente e se baseiam, principalmente, sobreposição cartográfica em Sistema de Informação Geográfica (SIG) de elementos do meio físico, resultando em um mapa de geodiversidade. As aplicações deste mapa passam pelo planejamento territorial, a conservação da natureza e a gestão dos recursos naturais.

De acordo com Pereira (2014), utilizar de índices e do uso da estatística para comparar diversos ambientes acaba por provocar as mais diversas discussões entre os pesquisadores. Entretanto, aplicar esse tipo de metodologia pode trazer muitos ganhos tanto para a comunidade científica como para a comunidade civil, uma vez que promove a identificação e mensura as áreas prioritárias para a conservação.