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Évaluation de l'impact du projet

Dans le document Évaluation externe finale (Page 43-46)

2. Efficacité, efficience, faisabilité et impact

2.4. Évaluation de l'impact du projet

Acreditamos que nas relações, na interação, na socialização, na cultura, no debate e na diversidade dos diferentes saberes e fazeres, a pessoa (una) constitui-se de muitos nós (plural). Por isso, escolhemos como base da presente investigação a perspectiva Socionteracionista de Educação (SIE), que possui em suas bases filosóficas o Materialismo Histórico-Dialético (MHD). Esses fundamentos podem solidificar as intenções da pesquisa, pois nos deparamos com o envolvimento de muitas pessoas que também estão em constante processo de desenvolvimento.

Nesse aporte filosófico, de caráter coletivo, encontramos autores/as que defendem e argumentam a natureza social do desenvolvimento da pessoa. Desse modo, compreendemos que os processos educativos possibilitam às pessoas realizarem:

[...] processos de internalização, por sua vez, interpõem-se entre os planos das relações interpessoais (interpsíquicas) e das relações intrapessoais (intrapsíquicas), o que significa dizer: instituem-se baseados no universo de objetivações humanas disponibilizadas para cada indivíduo por meio da mediação de outros indivíduos, ou seja por processos educativos[...] (MARTINS, 2016, p. 14).

Ao compreender que existem diferentes maneiras de estabelecer interações humanas, entendemos que é na combinação dessas relações e dos conhecimentos que as pessoas se

desenvolvem e acreditamos que “[...] à educação escolar cabe promover a formação de conceitos [...]” (MARTINS, 2016, p. 17). Nesse sentido, ainda corroborando essa premissa:

[...] o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto de homens [seres humanos]5. Assim, o objeto da educação diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que eles se tornem humanos, e de outro lado e concomitantemente, à descoberta das formas mais adequadas para atingir esse objetivo. (SAVIANI, 2005, p. 13).

Dessa maneira, os processos educativos não se desvinculam das práticas avaliativas. Neste ir e vir entre ensino-aprendizagem-avaliação, as pessoas vão se desenvolvendo, não só nos ambientes escolares, mas na vida, no cotidiano.

Durante esse processo investigativo, procuramos alcançar elementos que corroborem a dialética entre as práticas pedagógicas dos/as docentes no que se refere à avaliação e ao modo como as crianças com deficiências são avaliadas na escola de Ensino Fundamental regular.

Analisamos as condições para o desenvolvimento das aprendizagens e as oportunidades que possam viabilizar um processo educativo. Buscamos, na perspectiva e nos relatos das professoras da sala regular do Ensino Fundamental, ações que permitam perceber as potencialidades, aprendizagens significativas e avaliações que se adaptem às capacidades, às condições e às limitações das crianças com deficiências.

Em sintonia com esses fundamentos teóricos, esta pesquisa caminhou por uma abordagem qualitativa, pois acreditamos que favorece reflexões de muitas ordens, da pesquisa teórica; do envolvimento com os/as participantes; com os argumentos presentes nos discursos dos/as participantes e sobre toda a diversidade do contexto social.

Este tipo de pesquisa requer uma variedade de técnicas e procedimentos. Permite a interpretação e o uso dos princípios da dialética, especialmente durante as leituras, as análises das ações relatadas, as possíveis intenções, as perspectivas contidas nos aspectos subjetivos das pessoas participantes. Afinal, ao priorizar as técnicas e os elementos envolvidos de forma prática, o/a investigador/a que propõe uma pesquisa qualitativa não consegue “divorciar o ato, a palavra ou o gesto do seu contexto”; fazer isso é o mesmo que “perder de vista o significado” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 48).

5 Optamos por incluir no texto do autor os vocábulos seres humanos para enfatizar a linguagem não sexista utilizada neste relatório.

Além de assumir uma concepção ideológica e metodológica, a pesquisa tem característica descritiva e exploratória, pois os dados coletados durante as etapas da pesquisa proporcionam uma descrição detalhada das etapas desenvolvidas e dos próprios materiais coletados.

Também se caracteriza como exploratória, pois investigamos um denso material teórico já desenvolvido sobre as temáticas. Essa ação exige aprimoramento das ideias e discernimento quanto às intuições e às intenções da pesquisa, de modo ser necessário “maior familiaridade com o problema da pesquisa a fim de torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses”. (GIL, 1999, p. 43-44).

Nossa pesquisa apresenta os itens descritos por Gil (1999) como levantamento bibliográfico, questionário com pessoas que apresentam práticas relacionadas ao problema, e estimula a compreensão dos fatos por meio da análise dos exemplos descritos.

Para compor os dados coletados da pesquisa, escolhemos a técnica de Grupo Focal. Essa técnica oportuniza o debate e a composição de diversas ideias, possibilitando um aporte de conteúdo denso para análises. Devido a seu caráter coletivo, os/as participantes sentem facilidade para se expressar, conforme acontece a condução/mediação da conversa.

Segundo Gondin (2003, p. 150), a aplicação da técnica de Grupo Focal contribui para “[...] auto-reflexão e ação emancipatória. [...] . Com isso diminui a distância entre a produção e aplicação do conhecimento, bem como um aumento da exigência do comprometimento do pesquisador com a transformação social”.

Segundo Zuba (2013), os/as participantes da pesquisa encontram no grupo focal liberdade de expressão, que é favorecida pelo ambiente, levando a uma participação efetiva. Essa técnica permite, portanto, obter muitas informações a respeito do tema que é foco da pesquisa.

Para realizar o tratamento dos dados da pesquisa, optamos pela análise de conteúdo segundo Bardin (2016). Os aspectos metodológicos de análises dos dados e a organização que realizamos, segundo o autor, serão discutidos adiante.

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