PHTHALOCYANINES IN BIOMEDICAL OPTICS
2.1. Aluminium Based Phthalocyanines
2.2.1. ZnPc—SAR
Partindo do uso real da língua, os trabalhos iniciais de Labov38 valorizaram a riqueza da realidade lingüística, que se dá de forma heterogênea. Permitiram visualizar que as variações entre as formas, consideradas até então como livres, se dão de modo sistemático, e isso demonstra que a regularidade da variação é condicionada por fatores de ordem diversa, como os sociais (sexo, escolaridade, etc.) e por outros, como o estilo, numa escala que vai de maior a menor formalidade, sendo cada um desses fatores testado em seu peso específico.
Na tentativa de estender as análises feitas por Labov a outros níveis além do fonológico, muitos questionamentos surgiram: o mais contundente foi o de Lavandera (1978), que abre uma discussão ao redor da questão ‘preservação de significado’ e formas variantes de uma mesma variável. A questão que ela propõe é a de que se, em outros níveis além do fonológico, as formas variantes estariam (ou não) preservando o mesmo significado. Assim, através de seu artigo endereçado a Labov, em 1978, explica que o que pretende questionar é se esse campo de clara equivalência semântica entre formas variantes pode ser abandonado na realização do mesmo tipo de estudo de variação em unidades sintáticas ou morfológicas, nas quais se tem que provar que significam a mesma coisa. E, além disso, se a equivalência semântica deve ser uma condição essencial neste tipo de análise variacionista. Para Lavandera39, a questão não é conseguir libertar-se do significado referencial, é não
38 Labov (1972): o conceito de variante está ligado a estilo: as variantes são necessariamente idênticas em
referência e valor de verdade, mas diferentes em significado social e estilo.
39 Lavandera (1978): se cada construção sintática, por definição, tem seu próprio significado, como é possível
poder dizer que aquelas variáveis não têm significado referencial (cf. Lavandera, 1978, p. 7-8). Acrescenta que, ao defender a autonomia da sintaxe, Labov deixa de considerar os componentes semântico e pragmático. E a sua posição é a de que se deva preservar esses componentes, principalmente num estudo que admita variantes estilísticas de uma mesma variável.
Esse questionamento de Lavandera toma por base os estudos de Labov & Weiner (1977) sobre a transformação da voz ativa em voz passiva, como em (7a) e (7b). Segundo esses dois autores, o significado referencial de todas as variantes não-fonológicas deve ser necessariamente o mesmo. Assim, as diferenças semânticas não interessariam à Teoria da Variação: por exemplo, na análise da variação entre voz ativa e voz passiva por eles realizada, como em (7a) e (7b), os aspectos semântico-pragmáticos não foram considerados:
(7) (a) The liquor store was broquen into. (b) They broke into the liquor store.
Para Lavandera (1978, p. 6), a dificuldade de uma abordagem de análise em níveis além do fonológico, como o nível do morfema, do item lexical, ou de uma construção sintática reside no fato de essas unidades além da fonologia terem por definição um significado. Elas não são, como os fonemas, vazias de informação referencial. Então, em outras palavras, para a análise de variáveis além da fonologia, a questão não é conseguir libertar-se do significado referencial, é não poder dizer que aquelas variáveis não têm significado referencial.
De fato, nesta concepção, as variáveis fonológicas, como em (8a) e (8b), abaixo, podem mais convincentemente ser usadas para dizerem referencialmente a mesma coisa do que todo o par de postuladas construções sintáticas sinônimas, tais como a construção ativa em (7a), em oposição à passiva em (7b), vistas acima. Vejamos então (8a) e (8b):
(8) (a) Laughing (b) Launghin
Para Lavandera, a análise destes exemplos em (8) não deve ter a mesma natureza da análise de (7). Estes últimos requerem o descarte engenhoso de todas as possíveis diferenças de significado. Contudo, para Labov, isso não significa problema, uma vez que se constituem variantes idênticas quanto à referência ou valor de verdade, e que se opõem apenas quanto à significação social e estilística. No estudo da variável passiva, Labov observou que os fatores externos (níveis de idade ou outros estratos sociais) não mostraram influência significativa, por não ser a passiva uma variável lingüística proeminente. Em resumo:, se a natureza da análise dos exemplos em (7) se dá de modo contrário à perspectiva desses dois autores, nos exemplos de (8) há algo que pensam em comum: para ambos, fica claro por que as variáveis fonológicas foram as melhores candidatas para os primeiros estudos de variação lingüística do que as variáveis de outros níveis lingüísticos: o fato de a alternância entre variantes fonológicas não implicar significação, mas distinção apenas.
Mas, ao responder o texto de Lavandera, Labov (1978, p. 02) propõe um significado referencial, chamado de representacional ou estado de coisas. Assim, dois ou mais enunciados que se referem ao mesmo estado de coisas têm o mesmo valor de verdade. Então a variação social e estilística pressupõem a opção de se dizer a ‘mesma coisa’ de diversos modos diferentes, sim. Isto implica dizer que as variantes são idênticas quanto à referência ou valor de verdade, mas se opõem quanto à sua significação social e estilística (Labov, 1972, p. 271).
A passiva, em oposição à ativa, segundo Lavandera, contraria o que Labov inicialmente tinha postulado: elas portam uma mesma significação social e estilística. Essa polêmica entre Lavandera e Labov demonstrou a necessidade de adaptações que o modelo de análise variacionista deve sofrer para atender a outros níveis de análise em campos diferentes do fonológico.
O objetivo de reabrirmos aqui a discussão desses dois autores se deu pelo fato de o nosso estudo lidar com um nível de análise que ultrapassa o campo fonológico, em virtude de a variável imperativo de 2ª pessoa do singular reunir duas variantes: (i) a variante 1, que é uma variante que preserva o morfema da vogal temática do verbo, e que, por sua vez, também designa significação número-pessoal e modo-temporal; e (ii) a variante 2, que é constituída por um outro morfema que, além de ser diferente do morfema da vogal temática do verbo, designa também significação número-pessoal equivalente à variante 1, mas morfema modo-temporal não-equivalente a 1. Portanto, a pesquisa se instaura no nível
morfêmico de análise, num primeiro momento, e, num segundo, no nível pragmático- discursivo, uma vez que é no discurso que estas alternâncias se instauram. Diferentemente do nível fonológico, no qual as unidades mínimas correspondentes aos fonemas são apenas de natureza distintiva, portanto, esvaziadas de significação, o nível morfêmico constitui-se de unidades mínimas significativas, que vão acumulando funções tanto número-pessoais quanto modo-temporais. Num nível externo ao sistema lingüístico, acumulam também significações pragmático-discursivas, na medida em que esses morfemas se alternam. Mesmo com funções morfossintagmáticas e significações pragmático-discursivas cumulativas, preservando ou alterando a vogal temática, essas variantes do imperativo possuem um mesmo significado referencial: designam um ato de fala de comando, a partir da interação efetivada entre um manipulador (falante) a um manipulado (ouvinte).
Então, esta pesquisa se insere numa perspectiva variacionista nos moldes labovianos, uma vez que estas variantes se constituem a partir de uma mesma referência (ou valor de verdade), mas com significação social e estilística distintas. Identificar e controlar os vários condicionamentos socioestilísticos de natureza funcionalista no uso de uma ou de outra variante é o que estamos propondo neste trabalho.