A duração da fase ativa () em animais adultos e idosos foi de aproximadamente 10 horas (10,6 ± 1,1 h), e pode ser considerada típica para a espécie estudada em condições experimentais similares, em que é de cerca de 10 a 11 horas em CE (12:12) para saguis adultos (Erkert, 1989; Gonçalves et al., 2009). Em condições de manutenção similares, mas com variação na duração da fase de claro, Arruda (2013) demonstrou que o em saguis adultos pode ser flexível em relação à duração da fotofase, podendo assumir duração de 8,6 ± 0,2h em CE (8:16) e de 12,1 ± 1,0h em CE (16:8).
Em estudos anteriores realizados com saguis adultos mantidos em cativeiro sob CE natural (CE ~12:12) (Menezes et al., 1993), o valor de encontrado foi de 11,6 ± 0,47h. A duração da atividade varia sazonalmente, de acordo com o fotoperíodo, como foi mostrado em outras espécies (Aschoff e Daan, 1975). Schoenfeld (1989) observou que sob CE (10:14) a duração da fase ativa foi de quase 10 horas, e sob CE (14:10) foi de 14,3 horas. Em saguis de vida livre (CE ~12:12), a duração da fase ativa pode apresentar valores próximos a 11 horas (11,6 ± 0,2h) (Castro et al., 2003). Todos esses dados juntos apontam para a uma faixa ampla de ajuste para o valor de em saguis, e que a duração disponível do dia para os animais desempenharem as suas atividades pode ter efeito significativo na extensão ou encurtamento da fase ativa nesta espécie.
Na condição de CE externo, foi observado maior para os três grupos, indicando que o ciclo CE natural pode favorecer a extensão da fase ativa dos animais, devido maior duração de crepúsculos e intensidade luminosa. Entretanto, os dados devem ser interpretados com restrição, pois outras diferenças foram impostas aos animais mantidos em sala. Além de diferenças no ciclo CE, que poderiam ter influenciado a duração da fase ativa, os animais em sala foram submetidos à redução no tamanho das gaiolas. Por isso, mais estudos seriam necessários para explicar a redução do nas condições realizadas na sala experimental.
Ao compararmos o apenas em uma condição CE, foi possível observar que os animais idosos apresentaram valores menores de em comparação aos animais adultos na condição de CE externo. Em primatas não-humanos, a redução do em decorrência do envelhecimento foi observada nas espécies Aotus azarae (Suzuki e Kantha, 2006) e Macaca
mulatta (Zhadanova et al., 2011). O valor menor de nos animais idosos poderia estar relacionado tanto à menor captação das informações fóticas e quanto à menor capacidade de locomoção, o que poderia restringir a fase ativa do animal idoso a um menor tempo. No entanto, outros estudos são necessários para comprovar essas relações causais em saguis.
6.1.3 Amplitude do Ritmo Circadiano de Atividade
A redução da amplitude do RCA expressa pelos animais idosos, verificada pela redução dos valores obtidos na soma do total diário de atividade e das dez horas de maior atividade (M10), foi observada em estudos anteriores realizados em primatas. A avaliação dos valores de M10 e da amplitude relativa do ritmo circadiano de atividade no primata noturno,
Microcebus murinus, mostra redução da atividade nos animais idosos (Cayetanot et al., 2005;
Aujard et al., 2007). Em outro estudo realizado com Microcebus murinus, embora a redução da amplitude não tenha sido constatada, os dados mostraram que houve redução de frequência das atividades motoras mais complexas (saltos de médio e grande esforço), e menor equilíbrio em animais idosos (Némoz-Bertholet e Aujard, 2003). A redução da amplitude da atividade causada pelo envelhecimento também foi observada em Aotus azarae (Suzuki e Kantha, 2006), em roedores (Penev et al., 1997; Valentinuzzi et al., 1997), e em humanos (Huang et al., 2002; Harper et al., 2008).
As correlações negativas observadas entre a soma da atividade e M10 em relação à idade comprovam a hipótese de que haveria redução de amplitude e aumento da atenuação do RCA em decorrência da idade avançada em saguis. No entanto, é mister considerar que o baixo número de animais da amostra tenha influenciado o resultado desta análise e que a inexistência da significância estatística em todas as etapas de CE possa limitar a extrapolação dos resultados.
98 Em indivíduos mais velhos, a quantidade de atividade pode ser reduzida tanto pelo comprometimento das fibras musculares (órgão efetuador), em decorrência da perda de massa magra (Suzuki e Kantha, 2006), quanto pela redução do sinal neural que atinge as unidades motoras. Esta redução do sinal neural enviado aos músculos poderia ser decorrente da degeneração axonal em neurônios periféricos (Strait e Medcalf, 2012) e da atenuação do sinal neural advindo principalmente do oscilador central, que poderia ter como causas a redução do número de neurônios, da distribuição de neurotransmissores e do acoplamento entre os neurônios do NSQ em mamíferos (Zhou e Swaab, 1999; Engelberth et al., 2013).
Além disso, o enfraquecimento no sinal de entrada enviado ao oscilador central, que pode ser causado, por exemplo, pelo detrimento da detecção e transmissão da informação luminosa em humanos (Bonilha, 2008; Revell e Skene, 2010) e em primatas não-humanos (Gaillard et al., 2000), e de maneira similar para as pistas auditivas (Pedalini et al., 1997) e olfativas (Joly et al., 2006), poderia causar a redução da integração de informações pelo oscilador e, consequentemente, atenuar o sinal de saída enviado para os sistemas efetuadores motores. Portanto, os fatores que poderiam promover a redução da atividade durante a velhice podem afetar as múltiplas estruturas do STC (Brandstaetter, 2004) e causar um enfraquecimento generalizado na amplitude do ritmo circadiano de atividade expresso.
A atenuação da amplitude do RCA, observada ao longo do experimento tanto em saguis idosos quanto para os adultos, poderia estar relacionada a outros aspectos causais: o confinamento por períodos de tempo longo e o espaço disponível das gaiolas. O tempo prolongado dos animais na sala experimental poderia estar associado à redução da metabolização da vitamina D por falta de exposição solar (Teixeira et al., 2012), causando prejuízos no metabolismo de cálcio, e, consequentemente, enfraquecimento ósseo e redução da contratilidade muscular, como observado em primatas não-humanos e em humanos (Vieth, 2004). Entretanto, a suplementação vitamínica fornecida aos animais neste estudo foi composta por D3, não sendo necessária a ativação por irradiação solar. Dessa forma, a falta de exposição aos raios UVA e UVB não parece ser um aspecto causador da redução da atividade.
O outro fator que poderia estar relacionado à redução da atividade, o espaço de confinamento das gaiolas, não deve ser desprezado nesta discussão. O estudo realizado por Kitchen e Martin (1995) revelou que o aumento das dimensões físicas e complexidade das gaiolas promovem aumento da atividade motora em saguis, bem como a redução de
comportamentos estereotipados e anormais. Entretanto, os autores ressaltam que não é possível afirmar que os animais mantidos nas gaiolas pequenas apresentam comprometimentos fisiológicos. As dimensões das gaiolas consideradas pequenas no estudo de Kitchen e Martin (1995) (60 x 60 x 82 cm) foram similares às usadas em nosso estudo durante as etapas em sala (89 x 74 x 60 cm ou 90 x 60 x 60 cm), com a distinção de que na nossa pesquisa os animais foram mantidos individualmente, o que causaria um aumento da área utilizável, mas que não deixaria de estar associado à redução da atividade observada quando os animais foram transferidos das gaiolas externas (200 x 200 x 100 cm) para as da sala experimental.