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Dans le document PENPOINT THE POWER OF (Page 147-154)

Para além da já citada definição que Bogdan e Biklen nos proporcionam sobre o que é um estudo de caso, vários autores se debruçaram sobre este assunto, surgindo, assim, outras explicações sobre esta estratégia de pesquisa. Aliás, Afonso (2005) considera que uma só explicação do que é um estudo de caso é algo dificil de alcançar mercê das inúmeras investigações surgidas sob o nome de estudos de caso.

Bassey fornece-nos a seguinte definição, considerada bastante completa e abrangente:

Um estudo de caso em educação é uma pesquisa empírica conduzida numa situação circunscrita de espaço e tempo, ou seja, é singular, centrada em facetas interessantes de uma atividade, programa, instituição ou sistema, em contextos naturais e respeitando as pessoas, com o objetivo de fundamentar juízos e decisões dos práticos, dos decisores políticos ou dos teóricos que trabalham com esse objetivo, possibilitando a exploração de aspetos relevantes, a formulação e verificação de explicações plausíveis sobre o que se encontrou, a construção de argumentos ou narrativas válidas, ou a sua relacionação com temas da literatura científica de referência (1999: 58, citado por Afonso, 2005: 70-71).

Efetivamente, o estudo de caso assume-se como uma estratégia específica de investigação, procurando descobrir as particularidades de um contexto/indivíduo e tentando conhecer em profundidade esse objeto de estudo no seu ambiente natural, podendo-se utilizar técnicas diversas para a recolha de dados, pois tal como refere Stake “case study is not a methodological choice, but a choice of object to be studied. We

choose to study the case. We could study it in many ways”163 (1994: 236). Neste sentido apontam também Meirinhos e Osório quando recordam que “devem ser o caso e o seu contexto, bem como o problema, as proposições e respectivas questões orientadoras, a indicar ao investigador as melhores técnicas e materiais a utilizar bem como a informação a recolher” (2010: 59).

163 O estudo de caso não é uma escolha metodológica, mas uma escolha do objeto a estudar. Escolhemos

O estudo de caso apresenta, então, um cunho naturalista, compreendendo e descrevendo o «caso», baseando-se no trabalho de campo e pressupondo um observador participante, ou não, que se interessa sobretudo pela interação de fatores e acontecimentos, valorizando mais os processos que os resultados e dando mais importância “a la imagen de realidad”164

(Ross, 1967: 208, citado por Hamilton, 1985: 141). Neste mesmo sentido aponta Shaw (1978, citado por Lawn & Barton, 1985: 245) quando refere que o estudo de caso pode contribuir eficazmente para a investigação qualitativa, ao permitir a comunicação direta com todos os que desenvolvem iniciativas educativas, relacionando-se mais com a experiência diária do que os resultados estatísticos dos métodos experimentais, e apresentando-se, por isso, com um rosto mais humano. Esta estratégia possibilita que o investigador observe, entenda, analise e descreva uma determinada situação, constituindo-se, por isso, como um modo de investigação no qual o investigador se encontra profundamente envolvido em todas as etapas do processo. E, é neste sentido que concordamos com Stake quando afirma que “qualitative case study is characterized by the main researcher spending substantial

time, on site, personally in contact with activities and operations of the case, reflecting, revising meanings of what is going on”165 (1998: 99) e com Lawn e Barton (1985) quando referem que a investigação com um estudo de caso implica uma avaliação e uma interpretação por parte do investigador e daí o esforço deste em identificar-se com os participantes do estudo, com o objetivo de conseguir entender o seu mundo.

Segundo Yin (1994) e Tuckman (1994) o estudo de caso justifica-se sempre que se pretenda responder a questões do tipo como, o quê e porquê, podendo ser definido, segundo Yin (1994), como uma investigação empírica que estuda um fenómeno contemporâneo no seu contexto real, constituindo-se, por tudo isso, como um valioso instrumento para todos os que pretendem descrever e compreender contextos de ensino com alguma profundidade.

Saliente-se ainda que, nesta investigação, estamos perante um estudo de caso único (Bogdan & Biklen, 1994; Lessard-Hérbert, Goyette & Boutin, 1994; Yin, 1994) e do tipo intrínseco (Stake, 1994; 2009), já que foi nosso propósito conseguir uma melhor compreensão de um caso particular que continha em si mesmo o interesse da investigação. Lembre-se a propósito que neste tipo de investigação o investigador não

164 À imagem da realidade (tradução livre).

165 O estudo de caso qualitativo caracteriza-se por o investigador principal gastar muito tempo num local,

em contacto pessoal com atividades e operações do caso, refletindo e revendo significados do que está acontecendo (tradução livre).

pretende modificar a situação, mas compreendê-la e descrevê-la tal como ela é, não tendo, contudo, de ser meramente descritiva, pois pode ter igualmente um profundo alcance analítico, interrogando a situação, confrontando-a com outras situações já conhecidas e/ou com as teorias existentes e ajudando, deste modo, a criar novas teorias e novas questões para futuras investigações.

Com efeito, esta investigação, realizada num contexto educativo, incidiu no estudo de uma entidade bem definida – as áreas vocacionais em duas turmas de PCA, numa determinada escola, visando conhecer em profundidade o seu como e os seus

porquês, evidenciando a sua unidade e a sua identidade próprias – as conceções e as

práticas didáticas para o desenvolvimento das competências que visam a promoção da inclusão e do sucesso educativo dos seus alunos. Constitui-se, por isso, como uma investigação que se assume como particular, focalizando-se sobre uma situação específica que se supõe ser única em inúmeros aspetos – que áreas vocacionais existem e de que forma são implementadas naquela escola, naquelas turmas e com aqueles alunos e as perceções dos intervenientes (alunos e docentes) sobre esse processo – procurando descobrir e descrever o que há nele de mais substancial, característico e único (Cohen & Manion, 1990; Fonseca, 2002, Stake, 1994, 2009; Yin, 1994).

As pesquisas qualitativas são caracteristicamente multimetodológicas, isto é, usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos de coleta de dados.

Alves-Mazzotti, 2001

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