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5.4 Moded resolution procedures

5.4.3 Well-moded selection

O acervo serve de base para uma prática fundamental do museu na atualidade: propor reflexões e diálogos entre as histórias representadas pela coleção e as questões que vivemos no mundo contemporâneo. Na gestão 2007-2010, o acervo do MAM-BA reunia mais de 1.100 obras de artistas modernistas e contemporâneos, de projeção local, nacional e internacional, tais como: Ayrson Heráclito, Caetano Dias, Carybé, Cristiano Mascaro, Di Cavalcanti, Emanoel Araújo, Flávio de Carvalho, Genaro de Carvalho, Janaina Tschäpe, Juarez Paraíso, Mario Cravo Neto, Mario Cravo Jr, Oswaldo Goeldi, Pierre Verger, Portinari, Renina Katz, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sante Scaldaferri, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake, Tunga, Volpi, Waltércio Caldas, dentre outros.

O depoimento do artista Ayrson Hecráclito (2018) resume bem a composição da coleção do museu naquele período:

O acervo do MAM é bastante heterogêneo e tem grandes lacunas quando se pensa em um acervo de arte brasileira. Contudo ele tem peças importantíssimas quer possibilita diálogos entre a produção local e a nacional. Gosto muito de pensar o acervo no contexto da sua formação. Com a presença da Lina, de Assis Chateaubriand e seu projeto de abrir Museus Regionais em diferentes centros no Brasil. O acervo do MAM Ba sem dúvida traz essa ideia de se implantar outros projetos de modernismo para o Brasil.

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O curador Dilson Midlej (2017) compartilha da mesma visão de Heráclito sobre a relevância do acervo do MAM-BA e destaca a ausência de uma política de aquisição de obras como uma de suas principais fragilidades:

É um acervo excepcional, em termos de obras históricas de artistas da primeira e segunda gerações modernistas do Brasil, fruto ainda da época de Lina Bo Bardi, de alguns artistas modernistas baianos, de artistas contemporâneos baianos e de outros estados. Nesse sentido, é um acervo representativo em comparação a outros do Brasil. Há, todavia, muitas lacunas em relação a artistas baianos modernos e contemporâneos que precisariam ser sanadas, como também em relação a artistas de outros estados. Como por muitos anos o programa aquisitivo do Museu se restringiu a acolher em seu acervo obras premiadas em seus Salões, sua política de aquisição ficou prejudicada e subordinada à visão dos jurados de cada Salão e não às suas reais necessidades de representatividade de obras dos cenários artísticos baiano e brasileiro. Esta prática fragilizou o acervo.

Figura 12 – Carybé, s/título.(1997). Acervo MAM-BA. Fonte: catálogo MAM-BA 2008

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Figura 15 – Pierre Verger, s/título (s/ data). Acervo MAM-BA Fonte: catálogo MAM-BA 2008

Figura 13 – Candido Portinari, Vendedor de Passarinhos (1959).

Acervo MAM-BA. Fonte: catálogo MAM-BA 2008

Figura 14 – Alfredo Volpi, Casas (1950). Acervo MAM-BA. Fonte: catálogo MAM-BA 2008

119 Figura 16 – Rubem Valentim, Templo de Oxalá (1977). Acervo MAM.

Fonte: catálogo MAM-BA 2008

Figura 17 – Eneida Sanches, Transe: deslocamento de dimensões (1962). Acervo MAM-BA Fonte: catálogo MAM-BA 2008

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Conforme falamos anteriormente, a gestão 2007-2010 implementou um conjunto de ações em torno do acervo. Algumas dessas ações foram transversais a outros programas, como por exemplo, de exposição. Mas a maioria das iniciativas em torno da coleção teve caráter emergencial, com a finalidade de preservação e salvaguarda.

Diante das condições precárias da reserva técnica, a primeira medida foi providenciar a transferência parcial do acervo, em caráter temporário94, para uma reserva técnica do Palacete das Artes. O Palacete era novo, recém inaugurado e tinha recebido um amplo projeto de restauração e adaptação, oferecendo boas condições para o armazenamento e preservação das obras de arte. Sobre essa medida, Ayrson Heráclito (2018) conta que

Era necessário assegurar a integridade das obras. Foi pensada uma transferência emergencial de parte do acervo para outra reserva no Palacete das Artes. Uma força tarefa de profissionais do museu e do núcleo de conservação do IPAC foi acionada para preparar as obras para o projeto dos 50 anos da coleção do MAM Bahia.

O projeto referido por Heráclito, intitulado Coleção MAM-BA – 50 anos de arte brasileira, exibiu, no ano de 2009, um panorama do acervo do museu ao longo de sua existência, em comemoração aos 50 anos de sua criação. Mas, além de integrar a programação expositiva da instituição e tornar público o acesso à coleção, serviu para balizar o trabalho de recuperação, pesquisa e catalogação do acervo.

Segundo Heráclito (2018), “em seguida foi organizada uma publicação Resumé com textos de historiadores e críticos baianos e nacionais patrocinado pelo Banco Safra”. Essa publicação, denominada O Museu de Arte Moderna da Bahia, sua história e acervo, foi tema do 27º volume da série “Museus Brasileiros”, organizada e financiada pelo Instituto Cultural J. Safra desde o começo da década de 1980. O catálogo tem cerca de 360 páginas, ilustradas por imagens de obras de arte, desde o modernismo até a estética contemporânea, contemplando todo o acervo constituído até aquela gestão, com 1.133 peças95 da coleção do museu (SECULT, 2010). Heráclito (2018) recorda que “havia rumores que algumas peças tinham sumido do acervo”. Essa suposição contribuiu para a urgência e prioridade dada a toda essa documentação.

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Até os dias atuais parte da reserva técnica do MAM-BA encontra-se na reserva técnica do Palacete, em função da não conclusão da obra de requalificação do complexo arquitetônico do Solar do Unhão.

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Numa comparação quantitativa, o MAM do Rio de Janeiro e o MASP possuem coleções com mais de 10 mil peças, enquanto que o MAM de São Paulo reúne aproximadamente 5 mil obras em seu acervo. Os três museus são privados e foram criados no final da década de 1940, cerca de 10 anos antes do MAM da Bahia.

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Nessa gestão, entretanto, não foi estabelecida uma política contínua de aquisição de acervo que desse conta de suprir as lacunas da coleção, tão pouco para atualizá-lo substancialmente em relação à produção de arte contemporânea. Sobre essas lacunas, o artista visual Juraci Dorea (2017) pondera “que a saída de Lina Bo Bardi da direção do MAM-BA, nos anos de 1960, foi um trauma que o museu não conseguiu superar e isso terminou se refletindo na configuração do acervo”.

Na visão crítica de Juarez Paraíso (2017), “nunca houve um projeto curatorial para a aquisição de obras para o acervo do MAM-BA. Na verdade, nunca houve verba suficiente e, principalmente, nunca houve vontade política direcionada para melhorar a existência do MAM-BA”.

Na gestão Farkas, essa questão se repetiu e não houve um trabalho mais intenso na perspectiva de estabelecer um programa de aquisição de acervo. Houveram apenas algumas incorporações pontuais, a partir de doações de artistas, colecionadores, galerias e, principalmente, pela modalidade de premiação dos Salões da Bahia, realizados nos anos de 2007 e 2008. Dentre essas incorporações, destacam-se as obras de Carlito Carvalhosa, Cristiano Mascaro e Joseph Beuys.