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Predicate abstraction in Denali

2.2 Moded evaluation

A imersão da pesquisadora no campo de estudo correspondeu a uma etapa complexa. A observação foi utilizada como instrumento de coleta de dados por permitir “[...] um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado” (LÜDKE; ANDRÉ, 2014, p. 30), proporcionando maior benefício na obtenção dos dados. Nesta pesquisa, optou-se pela observação não participante, procurar não interferir na rotina das aulas, porém essa fase da pesquisa compreendeu numa difícil tarefa, pois não há como a pesquisadora ficar invisível no ambiente que estão sendo realizadas as observações no campo de estudo (SAMPIERI et al., 2013).

O período em que foram realizadas as observações compreendeu um momento pós- greve dos professores do Estado do PR. A princípio os professores apresentaram certa preocupação mediante a realização dos procedimentos avaliativos, mesmo com a restrição do tempo para conclusão da pesquisa, por conta do período da greve, a pesquisadora garantiu que não haveria prejuízo nas ações e responsabilidades dos professores, pois seriam respeitadas as datas previstas no calendário da escola para a realização das atividades escolares.

À medida que a presença da pesquisadora nas aulas se tornou algo corriqueiro, as atividades passaram a ser desenvolvidas e vivenciadas com maior naturalidade, porém no início professores e alunos comportaram-se de maneira um tanto artificial e pareciam estarem incomodados com a presença da pesquisadora.

Assim, as observações foram realizadas ao longo de seis (6) semanas, em três (3) meses, compreendidos entre os meses de junho, julho e agosto de 2015, especificamente no

período de 17/06/2015 à 06/08/2015. As observações foram realizadas de forma simultânea nas escolas, utilizando-se as duas (2) aulas semanais de cada turma totalizando onze (11) aulas de cinquenta (50) minutos em cada turma de 8º e 9º ano, em cada escola (A, B, C). Os horários das observações foram adequados com os horários disponíveis da pesquisadora. Dessa forma, a pesquisadora buscou apreender a realidade com maior teor de autenticidade.

Na pesquisa qualitativa há uma imersão completa no campo de estudo, a função do pesquisador está em:

Observar os eventos que ocorrem no ambiente (desde os mais banais até qualquer evento incomum ou importante). Aspectos explícitos e implícitos, sem impor pontos de vista e tentando, na medida do possível, evitar o transtorno ou interrupção de atividades das pessoas no contexto (WILLIANS; UNRAU, GRINNELL, 2005 apud SAMPIERI et al., 2013, p. 385).

Diferentemente de um laboratório o campo de estudo, não corresponde em uma conjuntura forçada, dissimulada e sim a situações reais de práticas compostas do dia a dia da vida. Na pesquisa em questão, no momento da observação procurou-se extrair informações pertinentes para a investigação por meio da rotina das aulas de EF, a partir do cotidiano da escola (FLICK, 2009).

A pesquisadora buscou representar seu papel na investigação com a incumbência holística no processo, observar a totalidade dos fatos, evitando o desmembramento das partes, considerando todos os aspectos da realidade como as interações dos sujeitos e não somente a descrição do que estava sendo observado (SAMPIERI et al., 2013).

Como instrumento de coleta a observação apresenta relevância na identificação da rotina escolar, contribuindo de maneira significativa para alcançar os objetivos propostos na pesquisa. A observação permitiu captar grande parte das ações do professor, possibilitando desvendar os saberes e conhecimentos utilizados na docência para tematizar o esporte. O objetivo nesta fase consistiu em tentar captar o máximo de informações possíveis compreendidas na rotina dos envolvidos. Deste modo:

A observação é muito útil para coletar dados sobre fenômenos, temas ou situações delicadas ou difíceis de discutir ou descrever [...] e quando precisamos confirmar com melhores dados o que foi coletado nas entrevistas (CUEVAS, 2009 apud SAMPIERI et al., 2013, p. 425).

A observação permitiu à pesquisadora “[...] não apenas as percepções visuais, mas também aquelas baseadas na audição [...]” (Adler; Adler, 1998 apud FLICK, 2004, p. 147). Durante as observações a pesquisadora pôde constatar muitas das impressões das aulas de EF, possibilitando visualizar características que influenciam a atuação pedagógica, entre elas as

condições físicas e estruturais do ambiente, características próprias pertencentes ao grupo de alunos de cada turma, entre outros elementos que não são percebidos sem serem vivenciados na realidade, e somente são apreendidos na pesquisa científica de caráter qualitativo.

A observação apresentou o privilégio de permitir a captação direta dos fatos, “[...] sem qualquer intermediação” (GIL, 2008, p. 100). Assim, proporcionou à pesquisadora absorver informações de situações que acontecem em tempo real, dessa forma optou-se por seguir um roteiro de elementos essenciais à observação (APÊNDICE I). Além destes elementos houve a captação de acontecimentos em forma de relato, em um diário de pesquisa, a fim de registrar toda a rotina vivenciada no momento das observações das aulas de EF.

Optou-se pela observação não participante, sem envolvimento com os sujeitos, a pesquisadora utilizando desta categoria de observação, não interagiu com os envolvidos, assim esteve presente no ambiente, porém não interagiu em nenhum momento (SAMPIERI et al., 2013). A importância da observação na pesquisa apresenta-se no fato de permitir um melhor entendimento da rotina da sala de aula, os acontecimentos, as interações entre professor e aluno, a manipulação com materiais, permitem ao pesquisador apreender a heterogeneidade das relações e conjuntura da vida em sala de aula (TARDIF, 2014).

O roteiro das observações seguiu um padrão de elementos relevantes para contribuir com a investigação, entre eles: atos (ações de uma situação); atividades (desenvolvidas pelo professor); significados (produtos verbais e não verbais, a fala do professor e a utilização de respectivos materiais em suas aulas); participação (dos alunos); relacionamentos (interações entre professor e aluno e aluno e aluno); situações (fenômenos específicos de cada aula) (GIL, 2008, p. 105); conteúdo (trabalhado em aula); postura do professor; abordagem metodológica e pedagógica; identificação dos saberes do professor (APÊNDICE I).

A partir do roteiro estipulado pela pesquisadora, foram anotadas informações em que se pretendeu apreender a realidade das aulas de EF, a fim de identificar e analisar saberes e conhecimentos docentes utilizados pelo professor de EF para a tematização do esporte nas aulas de EF. No decorrer das observações a pesquisadora obteve informações singulares, além dos indicativos no roteiro proposto, adicionando assim dados para auxiliar na posterior análise e discussão.