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7.2 Representation form
Na gestão 2007-2010 foi criado um programa de residência artística, com o intuito de promover trocas de experiências entre a produção local e as demais cenas da produção de arte contemporânea. Sua prática envolveu ações desde a criação de modalidade de premiação dos Salões do MAM, ocupação de espaço expositivo do museu, até parcerias com instituições não governamentais sediadas na Bahia, como o Instituto Sacatar100.
A arte contemporânea depende dessa constante troca, pois suas diversas expressões abordam questões do mundo atual, inclusive sobre o mercado e o sistema de validação da arte. Nesse sentido, Farkas considerou essencial a realização de residências artísticas no contexto contemporâneo do MAM-BA.
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Através do Instituto Sacatar, que está localizado na Ilha de Itaparica, Bahia, Brasil, a Sacatar Foundation oferece bolsas de residência artística para profissionais de todas as nacionalidades, idades e disciplinas criativas. Desde a sua criação em 2001, o Instituto Sacatar já recebeu mais de 300 artistas, residentes de mais de 60 países, e participou como parceiro de centenas de programas comunitários na Bahia e no exterior.
133 Todo mundo sabe a importância, sobretudo para países e artistas de países como o Brasil, que estão nesse outro lado ainda, com pouca inserção. [...] Então era muito importante criar mecanismos de fazer com que esses artistas pudessem renovar o olhar, conhecer outros lugares, tirar esse apego ao local e enfrentar outras realidades, e o trabalho cresce com isso. (FARKAS, 2018)
Naquele período, havia na Bahia todo um movimento das políticas públicas das artes para a promoção de atividades de intercâmbio, com o objetivo de dinamizar a cena cultural baiana, renovar a criação artística e contribuir para a inserção da Bahia no circuito mundial das artes (SECULT, 2010), conforme relata Heráclito (2018):
Na época realmente a residência artística era o que estava em alta na verdade. E precisava porque os artistas baianos precisavam sair. Tinha artistas que nunca tinham conseguido sair daqui, artistas incríveis e que foram agraciados com esses prêmios.
O ex-diretor de Artes da Funceb recorda ainda que o programa de residência para as artes visuais foi praticamente desenvolvido numa interface entre a sua diretoria na Funceb, Solange Farkas e a assessoria de relações internacionais da SECULT, representada por Monique Badaró101. Aponta ainda que, “na verdade, estavam querendo criar também uma casa, que fosse da Secretaria”, para hospedar e dar as condições mínimas de trabalho para os residentes (HERÁCLITO, 2018).
Na visão de Solange Farkas:
Você precisa criar programas de residência, que é o que fizemos; trazer outros artistas, trazer experiências... ampliar o repertório, não apenas o repertório visual, mas o repertório cultural e político, tirar um pouco dessa alienação. Então tinha muita coisa para ser feita. Artistas incríveis, artistas jovens, bons, mas totalmente carentes e perdidos de um diálogo, não com o gestor do museu, com um diretor de um museu, mas um diálogo com um curador, com direção artística.
No contexto das artes visuais, o MAM-BA foi um dos elos desse programa da SECULT, oferecendo espaços, recursos e viabilizando parcerias para que artistas baianos participassem de residências no exterior, bem como artistas estrangeiros viessem para a Bahia. Em sua maioria, os artistas baianos contemplados pelo programa, foram aqueles selecionados pelos Salões da Bahia, como Vinícius S.A. e Daniel Lisboa, pela WBK Vrije Academie (Holanda), além das artistas Ana Paula Pessoa e Rachel Mascarenhas, pela Fundação Armando Álvares Penteado (São Paulo).
101
Especialista em Relações Internacionais, Monique Badaró assumiu em 2007 uma das assessorias do Gabinete da Secult, com função de promover relações culturais internacionais, além de coordenar o programa de mobilidade artística de pesquisadores, criadores e produtores baianos para outros estados e países.
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Para a vinda de artistas estrangeiros, foram realizadas parcerias também com instituições como o Instituto Sacatar102
e o Goethe-Institut (ICBA). O apoio para a participação de estrangeiros em residências artísticas na Bahia foi realizado principalmente no contexto do Ano da França no Brasil (SECULT, 2010). O MAM-BA recebeu o artista francês Pierre David, que ao final da investigação e experimentação realizou uma exposição do trabalho na Capela do complexo arquitetônico.
Ainda no contexto das residências artísticas, a gestão de Solange Farkas proporcionou processos de experimentações artísticas nas instalações do museu, como ocorreu com o Grupo de Interferência Ambiental (GIA), coletivo de artistas que ocupou o espaço expositivo da Capela por mais de dez dias no ano de 2008, como um “QG” temporário. O grupo teve autonomia para pensar o formato da ocupação e criar uma programação específica, disponibilizando para o público visitante vídeos, registros e outras documentações de ações do coletivo. Também promoveu oficinas e bate-papos sobre arte contemporânea e outros temas afins.
Figura 22 – Montagem da exposição Nuancier, resultado de residência artística do artista visual francês Pierre David no MAM-BA (2010)
Fonte: portfólio online do artista
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Através do Instituto Sacatar, que está localizado na Ilha de Itaparica, Bahia, Brasil, a Sacatar Foundation oferece bolsas de residência artística para profissionais de todas as nacionalidades, idades e disciplinas criativas. Desde a sua criação em 2001, o Instituto Sacatar já recebeu mais de 300 artistas, residentes de mais de 60 países, e participou como parceiro de centenas de programas comunitários na Bahia e no exterior.
135 Figura 23 – Ocupação do GIA na Capela do MAM-BA (2008)
Fonte: Portfólio online do coletivo artístico