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Translating denotations to representations

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7.3 Translating denotations to representations

Além da criação e implementação de programas institucionais, a gestão 2007- 2010 realizou uma série de ações estruturantes para o novo desenho do MAM-BA. Tais ações não tiveram vínculos específicos com os programas estabelecidos, mas foram transversais e complementares às suas atividades, contribuindo para a conformação do museu como um espaço vivo e dinâmico, voltado para a difusão e promoção da arte contemporânea.

Uma dessas ações foi a retomada da posse do subsolo do Solar do Unhão, onde funcionava um restaurante com cardápio de shows folclóricos que não dialogavam com a nova proposta do museu. Esse foi um importante enfrentamento dessa gestão, que contou com o apoio e a atuação da Procuradoria Jurídica do IPAC (SECULT, 2010). A artista Ludmila Britto (2018), faz uma análise dessa ação, na perspectiva das mudanças das políticas culturais ocorridas naquele período:

Uma outra questão que surge com a antiga junção das pastas de turismo e cultura: antes da gestão de Solange Farkas, ao percorrerem as instalações do MAM, os visitantes tinham a opção de jantar em um restaurante de comidas típicas baianas, que funcionava no prédio da antiga senzala do Solar do Unhão. Lá, os visitantes locais e turistas podiam vislumbrar espetáculos de capoeira e se deliciar com as iguarias locais, em uma ironia do destino. A mesma dança/luta,

136 sinônimo de resistência racial e cultural, era naquele momento apresentada de forma folclórica e caricata. Uma das primeiras providências de Farkas foi fechar o tal restaurante, com a intenção de aumentar o espaço expositivo do MAM, fundando a Galeria dos Arcos.

Para Solange Farkas, havia uma inversão de papel, pois o restaurante não agregava ao MAM-BA, ao contrário, se utilizava de seus espaços com uma programação independente que compreendia inclusive a realização de eventos corporativos e comemorativos nos dias de aberturas das exposições:

Era uma relação inversa. O que você tem em geral nos museus, e hoje é fundamental, o restaurante, o café, as lojas como mecanismo de visão e de inserção, e de como você manter o público dentro do espaço museológico por mais tempo. Você é obrigado a oferecer esse, vamos dizer, tripé fundamental nos museus hoje no mundo. Lá era uma relação um pouco inversa. (FARKAS, 2018)

Assim, foi movida uma ação para a reintegração do espaço, tendo em vista que o restaurante ocupava toda a área do subsolo, a partir de uma cessão informal. Havia uma exploração irregular de um espaço público por um ente privado, com finalidades lucrativas, e que não revertia quaisquer recursos ou contrapartidas para o Estado. Com a reintegração, parte do subsolo tornou-se espaço alternativo para a programação expositiva do museu. Para a outra parte do subsolo, foi formalizado e publicado edital de licitação, que viabilizou a instalação de um café-restaurante, atendendo a critérios estabelecidos de utilização do espaço, em articulação com a finalidade da instituição.

Outra decisão que tem relação com o uso do espaço em caráter contínuo foi a retomada do projeto JAM no MAM, na área externa do museu. O projeto era uma iniciativa de produtores culturais baianos103, que realizavam apresentações musicais aos finais de semana no museu, com um grande número de público. Segundo Daniel Rangel, na gestão anterior à de Solange Farkas o IPAC havia proibido a realização da JAM porque ocorria na frente da Capela, local de acesso de carros e pedestres, colocando em risco o público visitante.

A nova gestão, além de alterar o espaço de apresentações para o pátio inferior, próximo ao mar, alinhou com a produção da JAM no MAM a contrapartida de diálogo e articulação com a comunidade do entorno, para que seus moradores se unissem ao projeto, na exploração do bar e na venda de alimentos. Para Rangel (2018), “foi aí que a JAM começou a dar certo, porque começou a ter esse apoio ali da comunidade”.

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137 Figura 24 – JAM no MAM. Foto divulgação

Fonte: arquivo MAM-BA

A JAM no MAM concentrou suas atividades nos dias de sábado, para um público de aproximadamente de 2.000 pessoas por dia de evento, ampliando significativamente o número de visitantes do museu (IPAC, 2010). É importante observar, entretanto, que ao longo dos anos, essa parceria consolidou-se como uso exclusivo do espaço, sem que houvesse também uma formalização da cessão. Esse uso exclusivo e contínuo limitou a exploração da área aos sábados, dia da semana em que havia uma grande demanda para realização de outros eventos de públicos diversos. Apesar de seu formato contemporâneo, o funcionamento da JAM era independente à programação do MAM-BA e, em geral, seu público não interagia com o conteúdo expositivo e educativo proposto pela instituição, frequentando apenas as áreas externas e contemplando a música no pôr-do-sol.

Naquele período houve também a manutenção da parceria com o Grupo Sala de Arte104, estabelecida em abril de 2006, para exploração do cine-auditório do complexo arquitetônico. Estabeleceu-se uma contrapartida para utilização dos equipamentos de exibição, para a programação e exibição de videoarte e de outros conteúdos audiovisuais propostos pelo museu.

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O Grupo Sala de Arte, também conhecido como Circuito Sala de Arte ou simplesmente Sala de Arte, é uma empresa brasileira que atua, desde o ano 2000, no ramo da exibição cinematográfica. Sediada na cidade de Salvador, exibe apenas filmes do circuito alternativo. Atua exclusivamente na capital baiana.

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Uma ação estruturante e transversal a todas as atividades do museu naquele momento foi a instalação de rede de internet. Ayrson Heráclito (2018) lembra que a “direção conquistou para o museu uma rede de internet, com um site e blog atualizado (antes disso a conexão de internet era feita por um cabo, gato do restaurante do subsolo)”. Na opinião do artista, essa simples ação, aliada a criação de um site com todo o conteúdo oferecido pelo MAM-BA, expandiu significativamente o acesso ao seu acervo e à sua programação:

foi uma revolução na época, porque grandes curadores brasileiros não conheciam o que tinha no MAM a nível de acervo. Então isso funcionou bastante. Eu sei, e digo por experiência própria. Tem alguns curadores como o Roberto Conduru, que só teve acesso, na verdade, antes de vir aqui e visitar [o museu] pelo site. Então, foi uma revolução que abriu o acervo para uma projeção nacional e internacional. (HERÁCLITO, 2018)

Para administrar os meios de comunicação do MAM-BA, foi criado um núcleo operacional específico, que trabalhou em diversas frentes de trabalho: assessoria de imprensa, identidade visual das exposições, divulgação da programação, produção de conteúdo impresso e digital, criação de catálogos e folders. Esse núcleo contribuiu para o processo de inclusão de público, sobretudo, a partir da inserção digital.