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Section 2 : Théorie des ondelettes univariées et multivariées

2.2 La transformation continue en ondelette (Continuous Wavelet Transform CWT):

2.2.3 Vers une discrétisation temporelle de la CWT

A titulo de ilustração vamos apresentar um breve resumo de alguns dados da pesquisa de onde surgiram as confirmações das hipóteses da teoria. A pesquisa foi feita entre os anos 1963-1967, usando-se testes projetivos (TAT, MMPI, RORCHACH, FIR, IAM entre outros)69 e biografias colhidas através de entrevistas do profundo. Foi estudado um total de 608 sujeitos, dos quais 570 eram religiosos, religiosas e seminaristas e um grupo de controle com 38 estudantes leigos de uma Universidade Católica americana70. Os grupos de religiosos, religiosas e seminaristas foram estudados em referência às várias fases da formação e o caminho vocacional, tais como: a escolha vocacional, a perseverança ou não na vocação escolhida e vários aspectos do crescimento vocacional na linha da internalização dos valores que correspondem a tal vocação. Uma breve amostra de resultados publicados em AVC-II pode nos ajudar a compreensão. Da pesquisa resultou que os jovens estudados escolhem uma vocação particular porque corresponde a um ideal pessoal que formaram para si e que

67 Alguns critérios para fazer uma diagnose estrutural segundo Kernberg. Em síntese: 1)severidade dos

sintomas; 2. tipos de sintomas. Em relação a severidade dos sintomas leva-se em conta o alargamento ou encapsulamento , manifestações fortes ou fracas; longa duração ou curta duração, presença ou ausência de causa precipintante. Em relação ao tipo de sintomas; 1)manifestações não específicas da fraqueza do eu (falha na tolerância da ansiedade; falta de controle dos impulsos; falta de canais sublimatórios desenvolvidos) 2. mudanças diante do processo primário de pensamento; 3. defesas primitivas usadas com freqüência; patologia das relações internalizadas com objetos; 5. pobre capacidade de internalização; 6. distúrbios de pensamento, afeto e vontade. Cfr. RDPE (roteiro para discernimento psico-espiritual) Associação Transcender. São Paulo para uso interno, pp. 20-24.

68 DSM IV – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4ª. edição. Porto Alegre: Artes

Médicas, 1995. Trad. Dayse Batista.

69 TAT (Thematic Apperception Test); MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventury); FIR

(Frases Incompletas de Rotter); IAM (Índice de Atividade Modificada).

representam uma teleologia pessoal e não estão em conflitos com outras pessoas. Verificou-se que, para todos os grupos examinados (religiosos e leigos, religiosas e leigas), a correspondência entre os ideais pessoais e os ideais institucionais era mais alta do que a correspondência entre o eu ideal pessoal e os ideais institucionais. Em outras palavras, a correlação ou acordo entre os Ideais Institucionais (II) e os Ideais Pessoais (IP) é maior do que aquela entre os Ideais Institucionais (II) e o Eu Manifesto (EM) ou conceito de si.71 A tendência observada está presente seja para os valores como também para as atitudes. Essa mesma tendência verificou-se entre os leigos e leigos que entram nas Instituições universitárias (Colleges) católicas·. Estes dados são garantia de que os sujeitos assim irão perseverar? A pesquisa mostrou que não. Dos 182 religiosos estudados, depois de 10-14 anos a partir da entrada na vocação, 80% haviam abandonado a vocação; das 343 religiosas, no mesmo período, 89% haviam abandonado a vocação e dos 45 seminaristas, depois de 4 anos, 95% haviam abandonado a vocação escolhida72. Este alto número de abandono não era insólito nos anos tratados 1963- 1967, (Concilio Vaticano II!), mas o que chama atenção é o contraste entre os ideais que estas pessoas proclamavam por ocasião de seu ingresso na vocação religiosa ou seminário. Daí segue-se uma conclusão importante: o fato de proclamar ideais altos no momento da entrada na vocação não garante sozinha, nem a perseverança nem o crescimento na vocação. Outros fatores menos evidentes entram em jogo e podem minar os ideais apresentados no início e obstaculam todo o processo formativo. Quais são estes fatores? Segundo as conclusões provindas dos dados da pesquisa são aqueles relacionados à maturidade na segunda dimensão que prediz, em medida estatisticamente significativa, a perseverança e a imaturidade ou abandono da vocação. Os outros fatores que incidem sobre a perseverança ou abandono são: a maturidade ou imaturidade na

71 Para uma definição e também uma operacionalização dos ideais Institucionais, dos ideais pessoais e Eu

manifesto. Cfr. AVC-II, pp. 16-17.

primeira dimensão, o nível dos ideais autotranscendentes, e a maturidade ou imaturidade na terceira dimensão73. A pesquisa observou as mudanças na personalidade dessas pessoas durante os quatro primeiros anos na vocação. Neste período, os sujeitos (religiosos, religiosas) foram estudados em três momentos diferentes; cerca de dez dias depois da entrada no centro de formação; cerca de dois anos mais tarde (ao final do noviciado); e cerca de quatro anos depois do ingresso. Os estudantes leigos foram estudados no final da primeira semana de universidade e uma segunda vez no quarto ano de universidade. Junto com os diversos testes administrados nestas ocasiões, todos os sujeitos depois de quatro anos de formação foram submetidos a uma “entrevista do profundo” com duração de mais ou menos duas horas74. A entrevista do profundo fornecia os critérios de validação para várias medidas ou para as conclusões derivadas dos testes psicológicos, especialmente o “Índice de maturidade do desenvolvimento75”. Com base nesses dados, podia-se seguir o desenvolvimento dos sujeitos durante os primeiros 4 anos de formação, para ver que aspectos da personalidade haviam melhorado, quais os piorado e quais ficavam inalterados. Em relação aos sujeitos que continuaram na vocação constatou-se:

A formação favoreceu um melhoramento dos ideais autotranscendentes nos primeiros dois anos de formação (noviciado); porém este melhoramento se transformou em um pioramento complexivo nos dois anos sucessivos e em um pioramento tal que os ideais se tornaram, depois de quatro anos de formação, significativamente mais baixos de quanto eram no início76.

Depois de quatro anos de formação e segundo o critério estrutural verificado pelos testes, 33% de todos os sujeitos religiosos pareciam ter melhorado na primeira

73 Ibid., pp. 95-100. 74 AVC-II, pp. 61-65.

75 Ibid., pp. 64; 75; 116-118; 126. 76 Ibid., p. 145.

dimensão; mas quando se considera o critério existencial verificado pelo Índice de maturidade do desenvolvimento, que considera a vida vivida concretamente, só 8% dos sujeitos religiosos haviam melhorado na primeira dimensão77. Dos religiosos masculinos que haviam recebido uma formação incluindo uma experiência espiritual intensa de trinta dias durante o noviciado (retiro inaciano), só 40% mostram uma melhora na estrutura da personalidade depois do noviciado78, melhoramento este que tendia a atenuar-se nos dois anos subseqüentes. Depois de quatro anos de formação, só 7% destes religiosos mostraram melhoramento na primeira dimensão79.

Na segunda dimensão, cuja dinâmica é prevalentemente subconsciente, as mudanças registradas eram menores. Entre todos os religiosos (masculinos e femininos), depois de quatro anos de formação, 20% haviam melhorado segundo o critério estrutural, mas somente 6% deles haviam melhorado na segunda dimensão em relação ao critério existencial80. Em relação aos religiosos masculinos, depois de quatro anos de formação, só 7%, apesar da experiência espiritual intensa de 30 dias feita durante o noviciado81. Estes resultados mostram como a formação incide menos sobre a segunda dimensão do que em relação à primeira dimensão82.

Em relação à terceira dimensão (normalidade ou patologia), foi comprovado que 21% dos sujeitos eram imaturos83 e a maturidade na terceira dimensão permanecia essencialmente inalterada durante os quatro anos de formação84. Considerando o índice de maturidade do desenvolvimento como critério existencial só 6% de todos os religiosos melhoraram durante os quatro anos de formação.

77 Ibid., p. 131. 78 Ibid., p. 135. 79 Ibid., p. 137. 80 Ibid., p. 132. 81 Ibid., p. 137. 82 Ibid., pp. 132-134. 83 Ibid., p. 305. 84 Ibid., p. 137.

Em base aos dados expostos, pode-se dizer que os valores autotranscendentes dos sujeitos religiosos melhoram temporariamente depois do noviciado, mas depois de dois anos começam a refluir e retornam a um nível mais baixo que na época da entrada; a maturidade na primeira dimensão flutua; e a dinâmica da segunda dimensão mostra-se resistente ao influxo da formação e a maturidade na terceira dimensão não parece mudar85. Tais achados colocam em destaque a imaturidade da segunda dimensão encontrada na maioria dos sujeitos, 73%86 e aí reside a fonte principal das resistências ao influxo da formação religiosa recebida.

Como conseqüência da presença maior ou menor maturidade (na segunda dimensão) se pode delinear quatro sub grupos (AVC-II, 95s): os não nidificadores, que são os mais maduros e perseverantes; os nidificadores, que são aqueles que perseveram embora tendo menor maturidade; os mutantes, que não perseveram porque, embora respondendo ao processo de internalização, mudaram a direção do ato de querer; os excluídos. Que são imaturos e não perseverantes. Como se vê a perseverança ou não, não é necessariamente sinônimo de maturidade. De fato como a palavra mesma sugere, o “nidificador” se constrói um “ninho” na vida vocacional, protegendo-se e acautelando-se para defender o próprio equilíbrio imaturo precário; por outro lado o mutante é, sim, perseverante, mas a motivação é aquela de ter tomado consciência com maturidade que o seu caminho vocacional está em outro caminho, ainda que se deva dizer que estes últimos apresentam, com respeito aos nidificadores, uma menor disposição para a internalização dos valores autotranscendentes87.

Diante dessas constatações, uma primeira inferência podemos já fazer em relação a nossa hipótese. As palavras-chave ou conceitos chave podem estar associados a esses processos, sobretudo ligados às simbolizações regressivas88, que revelam processos inconscientes no modo de relacionar-se com o ambiente que cerca o sujeito e,

85 Ibid., fig. 14, 129 e fig. 15, 142. 86 AVC-II , p. 139.

87 Ibid., p. 120.

como tais, estão ligados a experiências existenciais seja do processo de desenvolvimento do sujeito, seja das percepções distorcidas89 que estabelecem com a realidade com a qual se relaciona90. Outras considerações serão feitas mais adiante.