Chapitre 3 : Caractériser l’interaction maltraitante : condamnation de l’être et réification de
4. L A CULPABILISATION : DEREGLEMENT DE PLACES ET NEGATION DE L ’ ALTERITE
4.3. Vers le discours de haine
O Grupo II de Cenários se propôs a avaliar o efeito das metas de recuperação de RSRS no resultado financeiro da rede de catadores proposta diante do mercado no Espírito Santo.
O Cenário E (10% - 30%) e o Cenário F (15% - 40%) retratam uma situação inicial de desenvolvimento da Rede de Catadores no Espírito Santo, partindo de um quadro atual de inércia e disfunções, tanto nas OC e nos municípios quanto no mercado, que dificulta o suprimento de materiais recicláveis para a indústria de transformação. No entanto, o estabelecimento de metas por quadriênio pode alavancar o setor de reciclagem e mudar o panorama de ineficiência de mercado
das Organizações, mesmo com uma evolução acanhada de desvios de recicláveis nos próximos 20 anos.
O Cenários C (15% - 50%) e o Cenário G (30% - 50%) apresentam propostas semelhantes de metas do ponto de vista de valor final. Porém, o primeiro permite que os municípios evoluam gradativamente, com uma taxa de crescimento quase que constante, enquanto que o segundo exige ações intensas imediatamente para depois reduzir o nível de imposição de recuperação de RSRS.
O Cenário H (20% - 75%) propõe uma meta ousada para o Brasil por se tratar de um quadro de rápida evolução da disponibilidade de RSRS em 20 anos. Entretanto, justifica-se por suscitar a necessidade do Brasil de elevar os padrões de gestão dos RSRS, tal qual os países desenvolvidos, fazendo com que o setor de reciclagem assuma um papel ainda mais importante na indústria de transformação no cenário industrial brasileiro.
Pode-se observar pelas Figuras 45 e 46 o agrupamento regional de municípios próximos a uma dada Central aberta para encaminhar seus RSRS, muito bem definidos. No entanto, alguns municípios, mesmo mais próximos de uma dada Central, acabam enviando para outra um pouco mais distante. À medida que aumenta a geração de resíduos, o número de municípios também cresce.
Observa-se que foi preferível abrir várias pequenas Centrais atendendo regionalmente os municípios e suas OC correspondentes como uma forma de reduzir os custos de transporte, a fim de reduzir os custos totais e maximizar o Resultado Financeiro. No Cenário E, fica evidente a prioridade do modelo de se evitar a construção de Centrais de maior porte: os custos de transporte para caminhões de 16 t com distância de até 200 km, por exemplo, representam apenas 17,2% dos custos de uma Central de 28 t/semana de capacidade. Desta forma, disponibilizar Centrais de pequeno porte para alguns municípios próximos de baixa geração e Centrais de maior porte para vários municípios pequenos e/ou municípios de grande geração um pouco mais afastados têm maior impacto na Função Objetivo do modelo.
Figura 46. CTARRS abertas: regionalização de municípios nos Cenários G e H.
Entretanto, à medida que a quantidade de RSRS aumenta na rede, exige-se uma maior capacidade das Centrais, caso dos Cenários F, G e H. No Cenário F não houve aumento no número de Centrais. Há uma compensação: economizar em instalações de muitas Centrais de pequeno porte para custear o transporte para Centrais um pouco mais distantes.
Pode-se afirmar que os municípios da Região Metropolitana possuem papel cada vez significativo na oferta de RSRS e nos custos da Rede de OC devido ao montante gerado por sua população. Mais uma vez, observa-se que os municípios da Região Metropolitana enviam RSRS para Centrais em níveis inferiores de proximidade, já que as mais próximas possuem uma limitação de Capacidade atribuída à limitação de área. Assim, a grande geração obriga que algumas Centrais, um pouco mais afastadas, tenham grande Capacidade.
O envio de cargas desassociadas para diferentes Centrais está relacionada com o objetivo de reduzir custos elevando o nível de ocupação das unidades abertas, sendo mais econômico deslocar apenas um caminhão com alta carga de um município com grande geração do que deslocar vários caminhões com baixa carga de pequenos municípios geradores.
A venda de RSRS foi priorizada para as empresas que pagam melhor de forma a aumentar a Receita da rede, isto é, as de médio e grande porte. Uma Empresa com melhor preço receberá todo o montante de RSRS até exceder sua capacidade. Se duas ou mais pagarem o mesmo preço pelo material, o montante é dividido entre as Empresas, até que suas capacidades sejam superadas, e assim por diante.
No Cenário G, a elevada geração de RSRS levou à venda para Empresas de menor porte, já que a capacidade das de maior porte foi superado. Estas representaram 36,0% das Empresas receptoras no Cenário. As pequenas Empresas representam 16,0% com quatro Empresas. Juntas, entretanto, absorvem apenas 10,9%, já que são as que possuem menor capacidade de processamento e que menos pagam pelo resíduo reciclável.
Semelhantemente, no Cenário H, as microempresas já representavam 46,2% das Empresas receptoras, enquanto que as pequenas Empresas representam 15,4%, e juntas somavam 474,0 t/semana de absorção de RSRS, equivalente a
15,5% de participação no mercado. Observa-se que à medida que RSRS são desviados de aterros e inseridos na RL de OC, as micro e pequenas Empresas passam a desempenhar um papel fundamental na absorção e reinserção destes materiais na indústria da reciclagem, chegando a somar mais da metade de Empresas em negociação.
Um ponto a destacar no Cenário H é o excedente de papel/papelão e plástico devido à capacidade limite das Empresas que absorvem estes tipos no Espírito Santo. Mesmo com o crescimento de ambos os setores ao longo dos 20 anos (assim como o de metal e vidro), cerca de 96,5 t de papel/papelão e 64,8 t de plásticos ficaram sem mercado semanalmente. Isto significa dizer que, se não houver mercado absorvedor de quaisquer tipos de resíduos, os mesmos se tornarão rejeitos e seu destino será o menos nobre dentro da hierarquia de Política Nacional: os aterros sanitários (BRASIL, 2010).
As Empresas que comercializam papel/papelão e plástico atingiram seus limite de absorção no mercado, dispondo um excedente com potencial a ser explorado. É preciso desenvolver o setor de reciclagem no Espírito Santo de forma que, aplicadas as Políticas e metas de gestão de RSU e RSRS, a indústria de reciclagem não entre em contradição à sua proposta desperdiçando potencial econômico, social e ambiental.
Este quadro reflete substancialmente no Resultado Financeiro da Rede. O excedente de RSRS que não pôde ser comercializado no Cenário H foi relevante para reduzir significativamente o crescimento da Receita e o Resultado Financeiro, uma vez que os tipos de papel/papelão e plásticos são, ao mesmo tempo, os de maior proporção da composição gravimétrica e os de maior valor de mercado.
O Cenário H apresentou uma Receita cerca de 9,6% maior e um Resultado Financeiro positivo com superávit apenas 3,1% maior, em relação ao Cenário G.
O Cenário E mostrou que, mesmo com uma taxa de desvio de recicláveis modesta, fortalecida pela universalização da coleta de RSU e uma redução do teor de rejeitos, a RL das OC é economicamente sustentável, mesmo que sua necessidade, num primeiro momento, seja de fornecer condições mínimas de fortalecimento das atividades desempenhadas pelos catadores contornando as disfunções internas e as existentes no mercado da reciclagem.
O Cenário C apresentou um Resultado Financeiro positivo com superávit 19,3% maior que no Cenário F. Já o Cenário G apresentou um Resultado Financeiro positivo com superávit 12,7% maior que no Cenário C.
Observou-se que a taxa de crescimento do resultado financeiro não se traduzia num crescimento, em mesma medida, que a das metas de desvio de recicláveis, fazendo com que mais resíduos chegassem às organizações e dessas para as centrais, sem, no entanto, terem mercado consumidor. Desta forma, ampliaram-se os custos de instalação e transporte para acomodar RSRS que não tinham mercado, não podendo gerar receitas para a rede.
Em outras palavras, mesmo que políticas públicas sejam implementadas para fomentar o desvio de recicláveis e redirecioná-los ao mercado, a falta de interesse ou capacidade de absorção dessa oferta se tornaria contraproducente, pois recicláveis se tornariam rejeitos pela falta de agente comprador no mercado, as centrais perderiam parte do seu potencial de desvio e custos de envio para aterros, outrora diminuídos, voltariam a crescer, como apontaram Sanches (2014), Ferri et al. (2015a) e Marello e Helwege (2014).