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Vers l'abandon des structures thématiques comme structures lexicales

Turazza (2005) considera ser necessário observar que a língua se qualifica por um funcionamento sígnico e outro simbólico. No primeiro, as unidades lexicais de que fez uso o produtor de discursos é selecionado para funcionar de modo a fazerem remissões a campos semânticos de discursos institucionalizados. Desse modo, no século XVI, o vocábulo “cavalhada” já era empregado para remeter-se a qualquer “porção ou conjunto de cavalos”; quando tal conjunto era formado por porção de éguas, usava-se “eguada”; se de mulas, “mulada”. Já o funcionamento simbólico, segundo a autora, não se define apenas por predicações lingüísticas, visto que eles arrastam consigo sentidos historiográficos que incorporam outros de caráter cultural; por exemplo, o vocábulo “cavalhadas”.

O morfema “s” não equivale ao plural de cavalhada, pois se trata de um outro vocábulo que fez referência a torneios praticados como exercício militar por nobres e guerreiros que, no período entre guerras, dedicavam-se à prática da galanteria. Na Idade Média, esse vocábulo designava uma empresa arriscada, um feito heróico qualificado pela proeza de um herói, ou seja, suas façanhas. Em Portugal, o termo passa a designar festas cívico-religiosas da qual participam cavaleiros para representar episódios que tematizavam a reconquista do território cristão, controlado pelos árabes de religião mulçumana, ou seja, a vitória do Cristianismo.

O termo, deslocado para o Brasil, passa a designar um tipo de folguedo que se estende por três dias para relembrar as “cavalhadas” medievais. A perda dos sentidos da “Reconquista” se estende ao longo dos séculos, de modo que os cavaleiros brasileiros que participam, ainda hoje, desse tipo de “folguedo” exibem trajes coloridos e reproduzem, por meio da dança movimentos semelhantes às lutas entre cavalheiros dos torneios medievais. Esses movimentos se organizam na seqüência que se qualifica pela galhardia da conquista da mulher amada.

É nessa acepção que Turazza (2005) considera o fato de o léxico estar mui to mais circunscrito a um funcionamento sígnico nos discursos de especificidades; já nos discursos da literatura predomina o funcionamento simbólico. Por conseguinte, esses tipos de funcionamentos das unidades lingüísticas não são opositivos; mas, numa gradação, são complementares, o que possibilita considerar que o grau de funcionamento simbólico nos discursos de especificidades são menos usuais. Afirma a autora que as palavras jamais são vazias para um texto, pois elas arrastam consigo os seus significados institucionalizados sejam eles de caráter sígnico ou simbólico.

No exemplo tratado acima, observa-se que a perda, manutenção e mudança do significado estruturam a base do vocábulo “cavalhadas”. A perda decorre da construção de um outro episódio da história portuguesa no novo território, ou seja, de memória histórica, pois a guerra da Reconquista habitava a memória do colono português do século XVI, mas não a memória do indígena. Assim, a reconquista vai se consubstanciando com a conquista da mulher, razão pela qual, os sentidos sedimentados são os da galhardia da Idade Média: luta entre cavalheiros, agora sob a forma de encenação por meio da dança: uma dança de conquista não de território, mas da mulher. É nesse sentido que o léxico não é estável, mas te m estabilidade nas mudanças. Para Turazza (2005) nele se depositam conceitos de modo, arquivados na memória social de longo prazo. O resgate desse depósito de conhecimentos implica assumir uma posição historiográfica, como se busca registrar nessa Dissertação.

Faz-se necessário ressaltar que, para Guiraud (1983), o funcionamento sígnico se qualifica pelo uso convencional, arbitrário, objetivo, racional e social, do signo não motivado; já o funcionamento simbólico se tipificaria pelo uso do signo motivado, analógico, subjetivo, afetivo do vocabulário de língua. O simbólico, ao contrário do signo, não pode ser definido, assim como não se define “consciência”.

(...) nós próprios podemos saber que é a consciência, mas não podemos, sem confusões, comunicam aos outros uma definição do que em nós mesmos apreendemos claramente (...)>> << O que nós somos cada vez menos quando gradualmente mergulhamos num sono pesado ... o que somos cada vez mais quando o ruído nos acorda aos poucos, é o que se chama consciência>>. (GUIRAUD, 1983, p. 20).

Observa-se que o símbolo está fundado sobre uma relação convencional inscrita nas matrizes das histórias vividas, das quais se tem consciência quando se busca resgatar seus sentidos, de modo a defini -los pela enciclopédia e não pelo dicionário. A incorporação do conhecimento dessas histórias cria uma relação natural entre do o significante e o significado, por meio da analogia e não da definição:

A analogia (...) possui graus; ela é mais ou menos – sólida ou imediatamente evidente. Sob a sua forma mais completa, a analogia é uma representação: a fotografia, o retrato, a representação dramática (...) o valor econômico da representação toma em geral na forma mais esquemática ou mesmo abstrata um plano, um mapa, um guia de estudos. (GUIRAUD, 1983, p.40).

Por conseguinte, o colono português do século XVI trazia em sua memória o mapa do território reconquistado, mas esse mapa não coincidia com aquele do novo território que agora habitava. O drama era outro, a guerra não era com os mouros e o entre guerras exigia outros movimentos, outras danças e entre mouros e índios, as cavalhadas passam a ter outro ritmo, outros sentidos, mas são dançadas em território do Brasil.

3.5 Considerações finais

As análises realizadas apontam que o léxico do português provençal arcaico, embora tenha seus registros nas matrizes de uma memória sociocultural construída no longo do tempo da história desse povo, transforma-se, ao ser deslocado para terras do Brasil, em decorrência da necessidade de se designar outras/novas referências que, necessariamente, implicam a construção de outros campos semânticos e discursivos.

Assim, até o século XVI, o vocábulo “manga” não se integra ao campo discursivo dos conhecimentos botânicos designados pelo português provençal, na medida em que ele desconhecia esse tipo de fruta comestível. Mas tal conhecimento não só estendeu o campo semântico da alimentação desse povo-colono, como também passa a ser incorporado às suas práticas discursivas cotidianas e, conforme apontado nos apêndices, passam a incorporar um vasto vocabulário uma vez que o número de frutas se faz bastante significativo.

Desse modo, as designações hiperonímicas desse campo, ou de outros, (ver danças e bailes, por exemplo) exigem a construção de novos vocábulos para se poder falar de modo compreensivo sobre as novas formas ou modalidades de alimentação. Se, a princípio, essas designações são indígenas, posteriormente, a elas são acrescidas aquelas de origem africana.

Essa incorporação implicando a extensividade dos campos semânticos e, conseqüentemente, discursivos apontam não só para o aportuguesamento desses vocábulos estrangeiros, mas também para o desdobramento de formas vocabulares materializados: a) por uma única palavra manga = parte do vestuário, fruta, curral, mangueira, pasto; b) pela transmudação de formas vocabulares simples em compostas para designar um tipo de chuva, por exemplo, em que o segundo elemento da composição tem caráter classificatório e faz remissão não só à “água que cai do céu”, como também a outros elementos que despencam sobre a terra: mangas, por exemplo. Há de ressaltar que, nem sempre, a designação recorta o que “cai do céu”, mas

também o que “cai do alto” como é o caso de “chuva vulcânica” — aquela expelida por um vulcão — e “chuva de lama” — aquela que transforma o solo em lama em razão de sua longa duração.

Trata-se de outros olhares, de outras redes de significações; contudo, o que não se pode negar é o fato de o “velho vocabulário arcaico-provençal” entrar em novas composições de que resultam novas designações que, segundo Turazza (2002), formam lexias compostas: manga-rosa, manteiga, Bourbon, espada... São construções que têm a analogia do suporte para a produção de novo/outro vocabulário.

Por conseguinte, o mapa lexical dos arquivos da velha memória é redesenhado de modo a construir a memória de um outro território. Nesse redesenho, a língua portuguesa colonial ganha flexibilidade e, conforme demonstrado, o morfema de plural “-s” perde, por vezes, esse seu caráter gramatical para fazer remissão a um campo de significâncias vividas (ver cavalhadas), de sorte a rememorar pelo folguedo lembranças do que está para além do Atlântico: aquelas do mar salgado. Contudo, essa carga simbólica das reminiscências da memória de longo prazo são pode ser recuperada por investigações de caráter historiográfico.

CONCLUSÃO

Ao final desta Dissertação, faz-se uso da habilidade de síntese para discutir os resultados obtidos por esta investigação desencadeada pelo propósito de compreender como se deu a constituição do vocabulário da comunidade lingüística brasileira, bem como a criação de seu idioma, cujas bases estão ancoradas no sistema lingüístico do português.

Adotou-se, para tanto, a distinção proposta por Elia (1987) para quem é preciso diferenciar a concepção de língua histórica daquela proposta por Ferdinand Saussure como estrutura focalizada por um ponto de vista sincrônico e, portanto, atemporal e a- histórico. Nesse sentido, pôde se estabelecer uma distinção entre língua e idioma, qual seja: as estruturas são projeções de sistemas imanentes, explicitados por elementos e regras combinatórias finitas que facultam infinitos usos. Por conseguinte, o sistema lingüístico do português é uma estrutura que subjaz a todos os seus possíveis usos existentes em todas as comunidades que dele fazem uso. Esse sistema formal de relações opositivas é configurado por falares psico-sociolingüísticos e sócio-históricos- culturais próprios de cada comunidade de usuários, de sorte a se apresentarem por diferentes modelos arquitetônicos, ou seja, fazem uso de uma mesma estrutura para organizar novos espaços de representação de velhos conhecimentos de mundo, criando modelos que são dissociados dos velhos, mas que os recontextualizam. Assim sendo, cada idioma se apresenta como um modelo arquitetônico de uma mesma estrutura lingüística. (cf. Introdução, p. 12).

Tal procedimento possibilitou conceber o idioma não só como língua de uma nação ou povo, mas também como uma construção arquitetônica que , edificada no fluxo de uma história de longo tempo, vai facultando a construção da sua própria identidade. Observa-se que a identidade está concebida como o que é semelhante, mas não igual e que ela – a semelhança – se inscreve em diferenças. Logo, o português brasileiro é semelhante àquele de Portugal – tem a mesma estrutura – mas a

sua singularidade se explica pela pluralidade de arquiteturas que qualificam seus usos idiomáticos por diferentes povos, habitantes de diferentes territórios, hoje, convertidos em nação que buscou assegurar a consciência da diferença do modelo arquitetônico de uma mesma estrutura ao eleger uma norma escrita como língua oficial e a torná-la padrão de prestígio. Ressalta -se que essa diferença decorre do processo de idiomatização, cuja construção só se explica por um tempo histórico de convívio entre línguas diferentes.

Postulou-se que a idiomatização do português brasileiro se inscreve no léxico e data do século XVI: quando o português arcaico-provençal entra em contato com as línguas indígenas e africanas e o território americano se faz bilíngüe. Nesse contexto, o idioma brasileiro se explica como produto de contato entre tais línguas, da mesma forma que o português arcaico-provençal é produto de contato entre línguas e povos ibéricos, celtas, latinos, árabes, germanos... (cf. Capítulo 2).

Na conjunção de outras histórias, outros modelos de formações socioculturais, outras psicologias emerge a necessidade de reconstruir velhos modelos de representação de conhecimentos de mundo, para assegurar a interação entre homens diferentes que precisavam se igualar para se compreenderem e sobreviverem numa mesma terra por eles partilhada. (cf. Capítulo 1).

Nesse contexto, retoma-se o objetivo geral — conhecer o processo de idiomatização da língua portuguesa, por meio da explicitação das permanências e dos deslocamentos de seus modelos de estruturação e organização — para compreender como o português arcaico-provençal, transplantado para a América Portuguesa, foi reinterpretado ou reconstruído para se adaptar a novos/outros povos habitantes desse território, de sorte a se constituir em um outro idioma, cuja semelhança se inscreve nas diferenças entre a cultura indígena e a africana.

A construção desse caminho implicou a produção de inúmeras informações de caráter teórico e historiográfico que, se por um lado, possibilitaram ao pesquisador compreender a extensão do problema que investigava — a constituição do sistema lexical do português no Brasil — por outro lado, exigiram dele empenho para estabelecer objetivos específicos que pudessem se remeter ao geral, apontando se poderia ou não tomá-lo como realizado. Nesse sentido, optou-se por considerar esse conjunto de informações por duas focalizações: uma primeira que configurasse o caráter historiográfico da constituição do idioma na terra dos papagaios. Uma segunda focalização referente aos quadros dos estudos lingüísticos que privilegiam o léxico como instância capaz de apontar semelhanças nas diferenças entre modelos de organização e representação de conhecimentos de mundo formalizados por um mesmo sistema lingüístico. Traçaram-se, assim, os objetivos que orientaram a produção textual-discursiva impressa nos capítulos 1 e 2, visando delinear procedimentos capazes facultar uma análise do vocabulário que constituiu o léxico do século XVI em Terras do Brasil.

O objetivo proposto para o desenvolvimento do tema do capítulo 1 configurou-se pela necessidade de “compreender as matrizes histórico-sociais fundadoras de um novo território que, habitado pelo português a partir do século XVI, se faz espaço de ocupação no qual são negociadas suas diferenças e semelhanças, implicando o uso de estratégias, de onde emergirão novos matizes culturais, registrados nos significados de base do vocabulário do Português Brasileiro”. Isto posto, tomou-se como ponto de partida a elaboração do projeto de expansão do recente reino português de autoria do conde D. Henrique, no século XI, planificado por seus predecessores, do qual resultou as construção do Império Mercantil Salvacionista, sistematizado no século XVI.

Apontaram-se as estratégias empregadas pelo Infante D. Henrique para mudar o modelo de representação dos conhecimentos que navegantes portugueses tinham do “mar salgado”, fundados em crenças de que se originavam várias lendas. Tais lendas não só povoavam o imaginário do novo reino, mas também impediam que os

navegantes se lançassem ao mar para descobrir outros espaços reais, situados além da linha do horizonte das águas salgadas. Esse abismo povoado por monstros marinhos fazia do Atlântico um mar Tenebroso.

A criação da Escola de Sagres, de que resultou o aprimoramento da cartografia, da bússola e das próprias embarcações, viria a garantir a extensão da navegação costeira do continente africano e, por ela, assegura va-se o domínio desse outro território e dos povos que nele habitavam. São esses mesmos conhecimentos que vão dar garantias aos navegantes ibéricos para transporem o Cabo das Tormentas, ao Sul do Continente Africano. Essa transposição implicou o reconhecimento de uma geografia marítima formada por picos de montanhas que as águas do Pacífico encobriam quando era tempo de maré alta. Nesse tempo, o encontro entre as águas do Pacífico e do Atlântico – dois oceanos com diferentes correntes marítimas, com temperaturas diferentes, velocidade diferente dos ventos – quebrava, nas pedras costeiras, e naufragava as embarcações. Assim, na maré baixa, foi possível desviar as embarcações dos picos dessas montanhas e fazer a travessia entre as águas do Atlântico e do Pacífico. E o Cabo das Tomentas se fez o “Cabo da Boa Esperança”, do mesmo modo que o mar Tenebroso vai se fazendo Salgado, tal qual as lágrimas das famílias que perdiam pais e filhos.

É nesse mesmo contexto de descobertas de novos conhecimentos que o mar Tenebroso se torna o Atlântico, quando navegantes vão transpondo as linhas do horizonte e comprovam a não existência de abismos para além de suas costas, pois o que havia eram ilhas – Cabo Verde, Açores, madeira – e terras como as do Brasil. E, assim o conhecimento transforma o imaginário lendário em imaginário aventureiro: sabedoria de um rei que, cavaleiro da Ordem dos Templários, acreditou que a produção de novos conhecimentos destrói mitos fundadores de falsas crenças.

Descobriu-se que a mudança de nomes atribuídos às “coisas no mundo” implica a aquisição de novos conhecimentos que alteram o ponto de vista humano. Também

se compreendeu que uma língua não morre, a não ser quando aqueles que a usam desaparecem da face da terra, como foi/é o caso de várias tribos indígenas que habitavam/habitam o Continente Americano. Nesse sentido, o colono português trouxe consigo, para a terra dos papagaios, a sua língua que, aqui, foi submetida a outros processos de gramaticalização e de lexicalização.

Observou-se que, para domesticar as novas descobertas, se fazia necessário escolher matrizes da cultura já implantada em solo americano para suprir aquelas que a cultura portuguesa trazia consigo. Assim, dormir em redes, caçar animais desconhecidos, aprender a comer suas carnes, pescar peixes de outros rios, colher frutos desconhecidos para saciar a fome, transpor a floresta desconhecida e construir nela caminhos, foi um aprendizado que exigiu interação com o indígena. Dessa interação, o colono português se aculturou na mesma proporção em que o indígena foi aculturado. Para tanto incorporou termos indígenas e africanos, aportuguesou-os e ocupou o território fazendo uso de reais estratégias e, assim procedendo, fez do índio escravo e artesão e de si mesmo proprietário de terras.

O capítulo 1 apontou que a força agregadora da colonização não está na língua portuguesa, pois o território era bilíngüe, o que contribuía para impedir a desagregação entre aqueles humanos. Por conseguinte, a agregação estava nas estratégias encontradas para sobreviver e se imporem em terras descobertas, para fazer uso dos conhecimentos indígenas que eram negociados por meio de mercadorias: facas, machados de ferro, miçangas, espelhos... Contudo, no fluxo dessas negociações, emergia uma modalidade de língua de contato, rude e incompreensível para os portugueses que aqui chegavam, como demonstrado no capítulo 2, por documentos históricos de Nóbrega.

O objetivo do capítulo 2 — “diferenciar sistema lingüístico de idioma, com vistas a verificar o processo de idiomatização da língua portuguesa em terras do Brasil, bem como compreender o movimento circunscrito entre as línguas nativas e da metrópole,

cujo marco é o século XVI” — foi configurado pela necessidade de se explicitar a força agregadora que assegurou uma ocupação realizada às custas da língua indígena. Assim, buscou-se resgatar a formação do português arcaico-provençal, o processo da sua formação, mais especificamente, aquela referente ao seu vocabulário.

Descobriu-se que esse idioma: a) é produto de línguas e povos em contato que habitaram, ocuparam ou deixaram resquícios culturais quando passaram pela Península Ibérica; b) teve sua matriz latina enriquecida por vários adstratos e substratos, tal qual se daria com o idioma brasileiro; c) no tempo da descoberta, já dispunha de literatura e já fora oficializado como língua no reino português para garantir a sua unidade e diferenciá-lo do reino de Castela.

Nesse contexto de formação e oficialização, em terras do Brasil, fazia-se necessário construir uma unidade lingüística para superar a diversidade das línguas indígenas e de suas respectivas variações. Esse trabalho foi desenvolvido pelos jesuítas que, no século XVI, perceberam a necessidade de compreender a língua dos indígenas habitantes da costa do Atlântico brasileiro, já alteradas pelo contato com os portugueses, antes de impor a língua portuguesa como modelo de representação e de comunicação. Dedica-se a esse trabalho de compilação e descrição José de Anchieta e dele resulta a produção de uma gramática e de um dicionário: duas tecnologias que têm da função de sistematizar os meios capazes de assegurar a aprendizagem de uma língua.

Delimitado ao estudo do dicionário anchietano, o capítulo 2 apontou que essa obra anchietana foi organizada pelo critério da equivalência: fazer equivaler frases do português a palavras ou expressões nominais indígenas. Ressalta-se que, quando o vocábulo indígena designava espécies da flora ou da fauna totalmente desconhecidas