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Rendre compte la variation de structure argumentale par la sémantique lexicale ?

Os textos, considerados pelo ponto de vista teórico assegurado pela bibliografia selecionada, devem facultar a verbalização dos novos conhecimentos e, para tanto, eles devem ser associados a saberes sócio-históricos, culturalmente já conhecidos e compreendidos, inclusive aqueles de caráter científico. Nessa acepção, aqueles que têm por referência a teoria da comunicação, focalizados pelos quadros da linguística pós-estruturalista ou textual-discursiva, são estudos cujos pressupostos têm o diálogo como ancoragem, para explicitar as relações entre conhecimentos de que resultam os novos saberes, acima denominados. Esses implicam a reinterpretação de teorias estruturalistas, postuladas por Jackbson (1969), contudo, sem pressupor que tais interações sejam dialógicas, ou seja, um conjunto de ações interativas e necessárias para explicitar o processo por meio do qual essas ações são realizadas de modo adequado.

Segundo os resultados das pesquisas desse autor, a comunicação é compreendida como transmissão de mensagens que, codificadas por um emissor são enviadas ou dirigidas a um receptor a quem cabe o papel de descodificador das mesmas. Os obstáculos com o quais o receptor poderá se defrontar decorrem do fato de ele desconhecer o sistema de sua codificação – no caso de línguas estrangeiras - ou não dominar as variações/variedades de usos dos diferentes registros linguísticos empregados pelo receptor – no caso de línguas maternas. Embora não se possa negar o pressuposto de que esses ruídos impossibilitam os processos de

decodificação, visto que eles impossibilitam representar a reciprocidade – relação entre dois sujeitos, mediadas por um objeto comum: a produção de textos - implicada nas ações comunicativas. Assim, a relação entre emissor e o receptor é qualificada pela autonomia em relação à transmissão das mensagens, reduzidas às ações de codificação-decodificação: o emissor apenas codifica; o receptor, apenas decodifica, caso não haja ruídos; razão pela qual o princípio da unidirecionalidade impossibilita qualificá-lo como interação propriamente dita.

A reinterpretação dessa concepção unidirecional da teoria da comunicação - implicada naquela de ser o receptor um sujeito decodificador, portanto não mais totalmente paciente, embora ―não comunicante‖ – foi assegurada por resultados de pesquisas sobre a linguagem no campo da psicossociologia, orientada por parâmetros da teoria da ação. Essas ações, segundo Lopes (2006), focalizadas pelos processos da ação comunicativa passam a ser compreendidas pelo princípio de relações que oscilam entre maior grau de assimetrias e simetrias, pontuadas as posições assumidas pelos interlocutores, ou enunciador-enunciatário, pois as ações comunicativas não se qualificam pela totalidade do grau de simetria e tampouco pelo de assimetria.

Essa autora, ao retomar os estudos de Thompson (1995) sobre os modelos de situação sócio-interativos, busca precisar o quadro enunciativo que possibilita aos interlocutores (enunciador-enunciatário) fazerem uso de recursos linguísticos, dentre outros, dos seus repertórios culturais, por exercerem suas práticas de linguagem pela oralidade ou pela escrita dos sinais linguísticos. Em ambas as situações, o grau de simetria-assimetria dos modelos de interação comunicativa, modalizados pelas contingências socioculturais do contexto nos quais se inserem, assegura ou impede que as informações comunicadas sejam processadas ou não como novos conhecimentos. Logo, a comunicação é assegurada pelo uso desses modelos, assim compreendidos quanto às contingências desse contexto, pressupostas pela psicologia social:

a) contingências revestidas por alto grau de simetria, mas que são consideradas como “pseudo-contingências”: os interlocutores são envolvidos e dominados por um modelo de ações interativo que prevê e assegura a planificação

estratégica dessas ações com alto grau de precisão, reciprocamente. Trata-se de situações em que as palavras, ao serem situadas no espaço do quadro enunciativo por eles construídos, fazem remissão a conhecimentos dominados por ambos, de modo a ser possível prever e pressupor o que um diz ou dirá ao outro. Trata-se de um modelo de interação comunicativa que, à semelhança de uma cena ensaiada, é representada para um público espectador, ou seja, a comunicação é orientada por um modelo de prática de linguagem que obedece àquelas de um ritual, visto que as contingências do modelo situacional são anuladas. O objetivo da comunicação está centrado em reproduzir o que já se sabe; logo, a função de tornar comum o que não é comum - razão de ser da própria concepção de comunicação, assegurada pela transmudação de graus de assimetria entre conhecimentos partilhados e graus de simetria entre os não partilhados - deixa de integrar a cena comunicativa. Trata-se de diálogos ensaiados para o exercício de rituais de atos de fala entre interlocutores;

b) contingências revestidas de sentidos de alto grau de assimetria; ao contrário da anterior, que se qualifica pela adesão recíproca dos interlocutores às atividades de fala um do outro, neste caso, tais contingências implicam a refuta. Por conseguinte, não se pode considerar tais situações de interação como ―pseudo- contingências‖, mas como ―contingências reativas‖, podendo-se considerá-las por duas perspectivas:

b.1) contingências reativas implicadas no plano de ação comunicativa em que um dos interlocutores do quadro enunciativo é representado ou assume o papel do valor de personagem que representa a tolerância, em relação à intolerância do seu outro. Nesse caso, o parceiro ―tolerante‖, sem qualquer reação de resistência, submete o seu plano de ação comunicativa àquele do seu interlocutor-enunciador, de modo a se adaptar ou se submeter ao dele, isto é, deixa absorver o seu ato de fala por aquele do seu outro. Não há esforço para assegurar qualquer grau de relação interativa pelo exercício de práticas de linguagem e, à semelhança da posição anterior, não há comunicação;

b.2) contingências reativas implicadas na planificação de ações interativas, por meio das quais o quadro enunciativo deixa de ter a sua construção assegurada por esses interlocutores enunciadores que, reciprocamente refutam o que um busca comunicar

ao outro. Logo, são contingências que se qualificam pelo princípio da intolerância, pois a negação do plano de ação comunicativa de um pelo do outro inviabiliza qualquer organização estratégica das ações interativas, de onde emergem contingências qualificadas como falsas interações, pois o grau elevado de assimetria prevalece sobre o de qualquer possibilidade de simetria;

c) contingências mútuas que, revestidas pelo predomínio de graus de simetria sobre os de assimetria, asseguram o esforço para o exercício de práticas de linguagem que, implicadas no trabalho de tornar comum o que não se faz comum entre os interlocutores, possibilita a construção do quadro enunciativo, por meio do qual ambos podem exercer o papel de parceiros. Assim, ambos orientam e são orientados pelas ações que, estrategicamente planejadas e ordenadas, funcionam de modo a possibilitar que, reciprocamente, o plano de ação de um seja reorganizado e reordenado pelo do outro, no próprio fluxo em que a comunicação acontece e, assim procedendo, tem-se como relevo a construção de um objetivo comum, cujo propósito é a compreensão mútua.

Nesse sentido, é preciso ressaltar que o grau de compreensão entre interlocutores não se tipifica por aquele da simetria perfeita, razão pela qual, os textos por eles produzidos na intermitência dessas práticas de linguagem – produtos desses processos interativos – sempre são fragmentos do chamado ―saber enciclopédico‖, produzido pela humanidade ao longo de sua existência. Segundo Eco (1991), os textos sempre fazem referência a esse saber, organizado por esquemas flexíveis – dentre eles aqueles acima registrados – e inscritos no marco das cognições sociais, pontua V.Dijk (trad. KOCH, 1992). Contudo, sem jamais abarcá-los como totalidade significativa; razão pela qual a interpretação desses conhecimentos de mundos, por práticas de linguagem, depende de esforços dos seus respectivos intérpretes. Esses esforços são aqueles inerentes às contingências que tendem a maior grau de simetria, quando os parceiros da interlocução se deslocam um em relação ao outro, para que as palavras circulem entre ambos: as palavras, nesse espaço de interação, não têm dono, afirma Turazza (2005). Trata-se do esforço de construir equivalências entre significados sociais para assegurar a compreensão de sentidos: os primeiros funcionam como suporte da comunicação – o que é comum – os segundos para assegurar a compreensão do que não é comum pelo comum: os sentidos.