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VAX-II/730 SYSTEMS 1 AND 2 DEVICE PREPARATION

Dans le document Guide VAX-ll/730 (Page 23-42)

No longo contexto histórico de quase dez séculos14 que constitui a história da Universidade, incluem-se diversas transformações, resultando em sua solidez e longevidade, como apontam Casper e Humboldt (2003), Dias Sobrinho (2010), Demo (2011) e Santos (2011). São cores, formas e desenhos que tornam este quebra-cabeças educacional importante para a visão longeva que se espera sobre o ensino, a pesquisa e a ciência aplicada sobre a demandas sociais.

Diante da diversidade de pensamentos, presentes na Universidade, e da capacidade de constante renovação, a convergência dos novos meios de pensar e de intervir de maneira direta no enriquecimento cultural das nações a torna essencial à medida que a sociedade fica mais complexa e mais desenvolvida. Um exemplo é a própria situação de revisão do contexto universitário proposto por Wilhelm von Humboldt15 já no século XIX, que influencia ainda a universidade enquanto organização e finalidade.

Assim, a educação – e, por consequência, o conhecimento universitário – se apresenta com uma das formas mais autênticas para mitigar qualquer situação de pobreza, exclusão social, opressão, guerras ou qualquer outra forma de violência contra a pessoa humana. A ampla defesa e a diversificada divulgação nos mais diversos meios de reflexão possibilita que a extensão a todos os níveis de educação que podemos imaginar torne mais coesa e necessária a forma de se pensar uma sociedade, indo assim ao encontro da necessidade de correta organização social na busca de equidade e progresso de uma nação.

Partimos, assim, do pressuposto da inclusão e do desenvolvimento social que tal instituição materializa estando na dianteira da concentração de conhecimentos e no desenvolvimento de novos saberes. Humboldt (2003) expõem em seu texto Sobre a

14 Tomando por base a fundação da Universidade de Bolonha em 1088 e seguida pela fundação de tantas outras

na Europa ao longo dos tempos, como Parma, Paris e Salamanca, para manter o traço histórico do que é compreendido como o modelo ocidental de Educação Superior.

15 O período em que se encontrava Humboldt tem o Iluminismo como pensamento corrente, que, iniciando no

século anterior e tendo influenciado sua formação, acaba por influenciar a nova configuração de “um articulado movimento filosófico, pedagógico e político que captura progressivamente as classes cultas e a burguesia em ascensão em diversos países europeus” (REALE, 2005, p. 219), como Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Esse movimento consistia em confiar na razão humana e considerava o desenvolvimento como o progresso da humanidade ao se libertar do doutrinamento moral, religioso e tirano da política.

Organização Interna e Externa das Instituições Científicas Superiores em Berlim,16 em 1810,

o que deveria ser a nova Universidade de Berlim e que, posteriormente, irá influenciar a universidade moderna.

Nessa missão de organizar o conhecimento científico para o bem da humanidade, Humboldt esclarece que “a concepção de ensino na Educação Superior não deve se organizar em torno do que propriamente significa o ensino em versão dicionarizada, ou seja, como transmissão de conhecimentos” (ARAUJO, 2009, p. 75) mas, sim, da relação entre aluno e professor no desenvolvimento das ciências e da pesquisa, que suscitará novos conhecimentos e novos meios para uma sociedade em constante mudança.

Ainda, ao explicar como esta Universidade deveria ser mais ativa, inserida na inter- relação das questões envoltas na pesquisa e implicada no pesquisado, na busca da crítica e do pensamento reflexivo, em distintos períodos, aponta que

os princípios mais importantes de sua organização se encontram na autonomia e na liberdade. A atividade intelectual somente progride quando há cooperação, e não apenas para que um investigador forneça o que falta ao outro, mas para que o êxito de sua atividade entusiasme o próximo (VON HUMBOLDT, 2003, p.80).

Esse entusiasmo no desenvolvimento das atividades se caracteriza no âmbito da Educação Superior e das suas formas de ensino, na possiblidade de prover meios de desenvolvimento das pessoas por meio das pesquisas e da divulgação de novos saberes, que, “do ponto de vista da formação do sujeito capaz de história própria, individual e coletiva e de conveniência igualitária” (DEMO, 2010, p. 13), torna esse processo profundo e propício ao desenvolvimento da cidadania cultural, política e econômica.

Entretanto, ao relacionar o posicionamento da Universidade e todo o contexto social e histórico em que está inserido, rever sua função e condições de atuação avança para uma necessária compreensão de toda a complexidade existente sobre o tema Educação Superior. Ocorre que essa universidade, como alguns autores afirmam (CASPER; HUMBOLDT, 2003; DIAS SOBRINHO, 2010; DEMO, 2010; SANTOS, 2011), pode perder suas características de universal na junção de conhecimentos ao se atribuir a ela a necessidade de formação superior voltada para o trabalho unicamente, substituindo-a por novas formas de acesso ao conhecimento dispersas, com suporte de uma rede de pesquisadores e até mesmo das novas tecnologias que possibilitam rápido contato e acesso por qualquer pessoa.

16 Esse documento é considerado a carta da universidade moderna ocidental, posicionando a pesquisa e seu maior

envolvimento social como propulsores da evolução do conhecimento. Wilheim von Humboldt, designado a criar a Universidade de Berlim, no século XIX, buscou romper com a forma anterior de organização da educação superior, tornando a universidade livre para o pensamento crítico e mantida pelo Estado, mas de forma independente e laica.

Um novo patamar da Educação Superior, estimulando de forma mais efetiva o pensar e a pesquisa, desponta como possível. Seria assim uma forma de repensar a educação e seus desafios nas esferas pública e privada, mas mantendo o princípio humboldtiano de relação social e desenvolvimentista da Educação Superior nos seus mais diversos segmentos científicos ao manter o vínculo entre pesquisa, laboratórios e sala de aula, mas já fora dos limites físicos que caracterizam o ambiente sagrado da universidade. Como apresentam Casper e Humboldt (2003, p. 42), “para as próprias universidades, o melhor método de transmissão de conhecimento e de tecnologia consiste na formação de alunos altamente qualificados, que serão capazes de assumir papéis de liderança na indústria e na economia”.

A Universidade passa assim a apresentar condições de atuar como agente multifacetado e pluriversitário, ao prover não somente o conhecimento concentrado dentro de suas barreiras, mas também o conhecimento amplo, colaborativo e sem limitações, apoiando-se nas novas formas de pensar e de distribuir informação (SANTOS, 2011). Essa seria, assim, uma nova maneira de pensar a universidade, diante das frequentes transformações da produção do conhecimento.

Santos (2011, p. 57) ainda cita que tal situação permitiria um novo contrato universitário que “parte da premissa que a universidade tem um papel crucial na construção do lugar do país num mundo polarizado entre globalizações contraditórias”. A condição apontada remete ao desenvolvimento das ações atuais e futuras da Universidade a fim de atender também demandas econômicas que contribuam para essa alocação dos países no contexto globalizado.

Soma-se a esta concepção, sobre a necessária renovação o caráter mutável que a universidade deve possuir para atender às mudanças que são impostas diariamente, a necessária mudança nas formas de produzir o conhecimento. Reforça esta necessidade as

mudanças nos modos de produzir e construir o conhecimento a partir da introdução das tecnologias no cenário educativo, há formas de acesso à informação, assim como há novas formas de relacionamento com o mundo. A universidade, não pode simplesmente continuar a reproduzir suas práticas tradicionais, desconsiderando as mudanças que não inevitáveis. (AZEVEDO, 2012, p. 86)

Ao assumir uma postura renovada na construção de sociedade globalizada como copromotora do desenvolvimento necessário para o crescimento econômico e social, a Universidade torna-se participante ativa de uma agenda de prioridades necessárias para a evolução não só dos saberes, mas também da ampliação do acesso e da difusão dos conhecimentos que pode mediar.

O desenvolvimento para o trabalho e para o enriquecimento gera a necessidade de constante releitura do princípio humboldtiano da Educação Superior, ressignificando sua visão

para os contextos atuais e aproveitando os avanços técnicos e tecnológicos muitas vezes fomentados pela universidade em seus diversos campos de debate.

Assim, no contexto da sociedade digital e da sociedade da informação, a necessária incorporação de novas tecnologias que possibilitem a ampliação de redes de transmissão de conhecimentos, associada à constante renovação dos saberes existentes, poderá ser desenvolvida e difundida com o uso apropriado das TIC, possibilitando o desenvolvimento das nações e de suas riquezas, como invocava Humboldt ainda no século XVIII, porém atualizado ao contexto do século XXI.

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