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Variante pour les cartes planaires enracinées

No século XIX, Ferdinand Denis é, segundo Rivas (2006), o fundador dos estudos brasileiros. Sobre ele, Márcia Abreu (2011, p. 125) afirma que

[f]oi um dos grandes responsáveis pela difusão da cultura e da história brasileiras na França, tendo sido o autor de um dos primeiros textos sobre o Brasil publicado na Revue des Deux Mondes, além de ter dado à luz uma série de livros sobre o país e atuado como animador das relações letradas entre a França e o Brasil.

Com a publicação da obra Résumé de l'Histoire Littéraire du Portugal, suivi du Résumé d'Histoire Littéraire du Brésil (1826)20, Denis abordava a literatura de língua portuguesa distinguindo os autores portugueses dos brasileiros. No resumo da história literária do Brasil, Ferdinand Denis trata da poesia, abordando alguns poetas dos séculos XVII e XVIII. Ainda comenta sobre José de Santa Rita Durão (Caramurú, 1781),

19 No original : "ces médiateurs littéraires indispensables ne sont pas toujours des traducteurs". 20 Disponível em: <http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k1410551/>. Acesso em: 18 abril 2016.

Basílio da Gama (O Uraguai, 1769; Quitúbia, 1791), Francisco Cardoso (Trípoli, 1800), Tomás Antônio Gonzaga (Marília de Dirceu, 1792), entre outras obras. Aborda o gosto dos brasileiros pela música, cita os historiadores brasileiros Manoel de Moraes, Rocha Pitta e Azeredo, e, de um modo geral, tece comentários sobre a geografia do país e as viagens realizadas em busca de ouro.

E segundo Barbosa (2009, p. 7), Denis

[m]anifestou grande apreço pelas singularidades aqui encontradas e defendeu que os escritores locais, ao invés de seguirem o que ocorria na Europa no que tange à literatura, optassem por cantar a riqueza vista na natureza e no homem nativo, em detrimento da "alienação literária" por ele percebida.

Ainda do século XIX, Rivas (1995) apresenta outro intermediário brasileiro: Frederico José, o barão de Santa Anna Nery. Segundo o autor (1995, p. 130), Nery "torna-se em 1872 correspondente, em Paris ou Roma, do mais importante jornal do Rio no qual se ocupa das questões internacionais e econômicas"; no entanto, Rivas não revela em qual jornal o brasileiro era correspondente.

Lima (2015, p. 4) afirma que

Santa Anna Nery foi um homem de letras e se envolveu com várias atividades importantes de sua época. Na França, foi amigo do príncipe francês Roland Bonaparte, participou de conferências sobre literatura brasileira na Associação Internacional de Professores de Paris, trabalhou como jornalista, fez estudos literários, participou da Sociedade de Homens de Letras, ao lado de Vitor Hugo (o presidente), foi vice-presidente da Associação Literária Internacional. Fundou a Sociedade de Estudos Brasileiros e tornou-se oficial da Academia da França e Cavaleiro da Legião de Honra.

Nery foi secretário de redação em La Revue Mensuelle du Monde Latin por 13 anos (1883-1896) e publicou várias obras sobre o Brasil, a saber: Lettres sur le Brésil (1880); Le pays du café e Voyage de M. Durand au Brésil (1882); La question du café e La civilisation en Amazonie (1883), e Le pays des Amazones (1884) (RIVAS, 1995).

Além desses ofícios e da produção sobre o país, Rivas (1995, p. 130) afirma que Nery,

[n]o ano de 1889, ano da Exposição [Universal de Paris], publica, um após o outro, Le Folklore Brésilien, Le Guide de l'Émigrant au Brésil e Le Brésil Economique (série de conferências) e Le Brésil en 1889, este último trabalho coletivo, em colaboração com eminentes publicistas e homens de estado como o barão do Rio Branco (que trata de história), Eduardo Prado, etc.

A obra coletiva Le Brésil en 188921 demonstra uma abertura a outras vozes brasileiras (a partir da colaboração de publicistas e homens de estado) e encontra-se dividida em 25 capítulos que visam traçar um panorama do Brasil no ano de 1889 (o aspecto físico do país, um esboço da história do Brasil, a população, o território, o trabalho escravo, o campo da literatura, da ciência, entre outros temas).

Lima (2015, p. 7) afirma que, no final do século XIX, "enquanto a França era para o Brasil um modelo de civilidade e modernidade, o imaginário francês sobre o Brasil estava relacionado intrinsecamente à floresta e aos índios", e que Nery teria contribuído muito na construção desse imaginário.

Segundo Rivas (1995), é no fim do século XIX que as revistas literárias francesas dão espaço à literatura brasileira. Dentre elas, La Revue des Revues (de subtítulo Revue d'Europe et d'Amérique), que, sob a direção de Louis Pilate de Brinn'Gaubast, publica dois artigos (1896 e 1897): em 1896, o artigo de Teixeira Bastos aborda os poetas brasileiros e; em 1897, o artigo de Leopoldo de Freitas aborda o romance contemporâneo. Outra revista, La Revue Encyclopédique, aborda aspectos específicos da vida brasileira, revelando que as revistas não estão abertas apenas à política ou à literatura brasileira. Segundo Rivas (1995, p. 136-7), é em La Revue Encyclopédique de 1898 que

Oscar Araújo, que já publicara em La Nouvelle Revue um artigo hostil ao imperador, escreve um estudo sobre "L'Epidémie de Prophétisme au Brésil", acerca de Antonio Maciel Conselheiro, do padre Cícero no Ceará, da Kabula de São Mateus. É um artigo de informação, mas também de reflexão sociológica marcada com o selo do positivismo, uma vez que o autor retoma as teses de Pierre Laffitte sobre o judaísmo e apresenta o profetismo como encontro do fetichismo e do monoteísmo.

Além dessas, La Revue du Nouveau Siècle confia a Philéas Lebesgue a crônica das letras brasileiras (RIVAS, 1995). Como veremos mais adiante, Lebesgue se destaca como um importante intermediário da língua portuguesa: além de cronista, exerceu também o papel de tradutor.

Nesse cenário, Rivas (1995, p. 137) afirma que "não são apenas as revistas francesas que se interessam pelo Brasil; revistas brasileiras, ou dirigidas por brasileiros, ou consagradas ao Brasil, aparecem, então, em Paris".

A família Barral Montferrat, que já possuía La Revue Mensuelle du Monde Latin (revista citada anteriormente, na qual Nery exerceu a função de secretário de redação), publica, a partir de 1880, Le Brésil, que, em 1909, se torna um semanal (RIVAS, 1995). Segundo o mesmo autor (1995, p. 137), "o suplemento dirigido pelo marquês de Barral não encerra muitas referências à literatura".

Em 1896, La Revue du Brésil é publicada em francês, espanhol e italiano por Alexandre d'Atri. Os principais colaboradores são: Afonso Arinos, Alfredo Pujol e Xavier de Carvalho (RIVAS, 1995).