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Dans le document Free Pascal : Reference guide. (Page 48-52)

4.1.1. Queixa principal: foi encaminhado pela dermatologista, com hipótese de vitiligo, com origem psicossomática.

4.1.2. Outras queixas: Apresenta ansiedade e certo nervosismo, fica doente com freqüência, doenças oportunistas do sistema urinário.

4.1.3. Hipótese diagnostica psicopatológica: Transtorno emocional da infância (F93)

4.1.4. Hipótese psicodinâmica: vitiligo e sintomas urinários de origem psicossomática.

4.2. Atendimento

4.2.1. Anamnese: o pai é cobrador de ônibus, mãe pegava o ônibus, se conheceram, ficaram amigos mais ou menos um ano, começaram a namorar e ficaram dois anos namorando, ficaram noivos mais dois anos e casaram. Ele queria filhos, mas não naquele momento, ela não (também por que não trabalhava), depois de dois meses foi trocar o anticoncepcional e engravidou, ficou chocada, não queria; chorou bastante, marido também, não queriam, depois de mais ou menos um mês começou a se acostumar com a idéia. Gravidez tumultuada (foram morar no quintal da sogra), a família interferia. Com três meses tinha muita enxaqueca, chorava muito, “se não cuidasse entrava em depressão” (sic). Com seis meses podia perder o filho, não sabe por que, o médico falou. Engordou muito na gravidez (antes era modelo fotográfica), engordou 30kg, marido ficou distante, não tinham relações sexuais. Depois de ganhar o filho o marido continuou distante dela e do filho, muito medo de machucar. Continuou distante do filho (passou o medo de machucar, mas trabalhava muito). Mãe é filha de alcoólatra, co-dependente, era a filha modelo da mãe, começou a ser controlada pela família do marido. Paciente teve o desenvolvimento neuropsicomotor normal, sempre foi muito quieto, e fica doente com freqüência, desde bebê. Quando bebê tinha muitas infecções respiratórias. Difícil ficar um mês sem nenhuma doença.

1º atendimento psicológico: mãe e paciente. Mãe diz que filho está com vitiligo há um ano e seis meses aproximadamente, por questões emocionais. Faz tratamento com dermatologista, mas não apresenta boa resposta terapêutica. Tinha febre para ir à escola, mas hoje vai bem. Ultimamente está um pouco agressivo (desde que ficou internado por meningite viral – há quatro meses). Mãe bastante falante. Criança quieta, só observa.

2º atendimento psicológico: mãe e filho. Paciente continua quieto, observando enquanto mãe fala. Inicia-se anamnese. O filho estava há duas semanas com infecção urinária, semana passada teve urticária e a infecção sumiu. Toda semana fica doente. Aponto quietude do paciente, mãe fala e faz por ele. Acolho e oriento.

3º atendimento psicológico: Não ficou doente esta semana. Mãe está jogando vídeo game com filho, se aproximando. Paciente falou que fica feliz quando os pais brincam com ele, está falando mais. Pai se emocionou e contou para mãe que sente que está distante do filho (chorou). Mãe brigou com marido por dinheiro (ele reclama dos gastos). Paciente está falando bastante e agindo um pouco agressivo, mas a mãe está apontando e dando limite. Brincam na sessão com dominó e jogo de botões (mãe inventa jogo).

4º atendimento psicológico: mãe e filho. Paciente está muito bem de saúde, segundo a mãe. Vitiligo estacionou segundo a dermatologista, terá retorno em dois meses. Está falando bastante, mas às vezes fica tímido (mãe está percebendo agora). Não está querendo voltar para escola. Mãe mente para ele, orientei a falar a verdade. Paciente com receio de falar, agora fala, mas sem olhar no rosto. Combinamos que a mãe não vai mais mentir e ele vai poder confiar. Não fala mais que vai morrer, não fala mais em medo e nem pede mais irmãos. Desenha na lousa borboleta e sol. Medo de ficar só. Mãe está melhor, mais tranqüila, ouve mais o filho durante a sessão.

5º atendimento psicológico: Está agressivo, respondendo à mãe, bate nas coisas. Vai começar as aulas semana que vem. Falo com a mãe sobre as vontades do filho. Fala tudo que acontece em casa para avó. Mãe brigando muito com a sogra. Saúde da criança muito boa, está se alimentando melhor. Oriento a ser sincera com seus sentimentos. Sabe ser mãe, precisa acreditar. Fala que está bem com marido, não estão mais brigando.

6º atendimento psicológico: mãe e ele. Mãe diz que ele está ótimo. Família foi junta ao pediatra do filho. Mãe feliz com a interação do pai. Mãe está sentindo falta da mãe

dela, mas menos que sentia. Mãe se afastando mais do filho (que antes vivia em fundidos) e explicando para o filho. Mãe quer voltar a trabalhar, mas filho não deixa. Mancha de vitiligo fechando. Mãe acha que o emocional está auxiliando, mas continua tomando medicação (creme). Mais calmo. Não gosta de receber não, mas está aceitando agora. Mãe explicando o porquê. Filho respeitando mais a mãe. A mancha do pescoço está fechando e a da boca estagnou. Tomando leite (mãe dá na mamadeira dormindo, pedi para mudar e dar no copo), aponto que isso é uma necessidade dela, não do filho, acolho.

7º atendimento psicológico: mãe e paciente. Ele bem, mãe mal com sinusite, dor de cabeça. Filho diz que a mãe não está bem por que tem sinusite como ele. Ela diz ser por causa do tempo que está mudando. Mancha fechou bem, só um pedacinho no pescoço e na boca. Conversam mais e brincam junto. Tudo bem na escola, mas tem tirado o sapato, professora e mãe não entendem o porquê. Brincam na sessão, jogam futebol. Em casa tudo bem. Saúde ótima. Brincam com animais.

8º atendimento psicológico: Mãe e filho. Ficaram bem estes dias. Dificuldade em dividir. Criança com ciúme, complexo de inferioridade (“riram de mim”). Oriento sobre a dificuldade do filho de expressar o que sente. Mãe brinca com ele querendo mostrar que se interessa, mas chateada porque filho não gostou tanto da festa de aniversário que ela escolheu e fez. Pai ajudou no aniversário (“relação maravilhosa”). Mãe aconselha o filho para pedir e contar coisas para o pai. Acolho a mãe, orientando-a quanto à diferenciação entre o que é dela e o que é do filho, a perceber a criança real. Oriento mãe a fazer terapia também.

9º atendimento psicológico: mãe e filho. Brincam de quebra-cabeça, mãe ansiosa, com dificuldade em deixar o filho participar da montagem, aponto, reage bem. Filho mais carinhoso, mãe procurando emprego, fez entrevista, talvez comece a trabalhar. Filho aceitando bem. Vitiligo sumindo.

10º atendimento psicológico: mãe e filho. Mãe começará a trabalhar e não virá mais. Mancha continua diminuindo. Coloco-me a disposição se necessário.

4.2.4. Histórico e evolução da queixa: desde bebê ficava doente com freqüência, não conseguia expressar sua angústia, expressava-a através do corpo. Conforme começa a se expressar verbalmente, deixa de ficar doente, começa a ficar mais agressivo inicialmente, mas logo deixa de ter qualquer sintoma psicossomático.

4.3. Análise do caso

Problemas de pele, como vitiligo, expressam contato prejudicado com o mundo. O paciente não consegue expressar-se no mundo, a mãe faz e fala por ele, sem observar o filho. O vê como uma continuação de si. A mãe apresenta dificuldade em ser assertiva e estabelecer contato. Durante as sessões, é possível perceber também sua dificuldade em relacionar-se com o pai, posteriormente com o marido e com o filho. O desejo de ter irmãos, o medo de ficar só e os desenhos da borboleta e do sol, indicam o sentimento do filho de perder a família para sempre. É como se o paciente se senti-se incomodando a mãe, sente-se ruim e teme ter destruído tudo ao nascer, inclusive a possibilidade da mãe de ter outros filhos. Durante o processo, o paciente torna-se, inicialmente agressivo, reproduzindo as defesas da mãe. A mãe passa a perceber sua dinâmica e a do filho, expressa conflitos infantis, como dificuldade de relacionamento com figura paterna, não suporta por algum tempo e apresenta sintomas também. Aconselho mãe a procurar terapia para si. Paciente passa a tirar o sapato na escola como tentativa de entrar em contato com o mundo. Conforme seu contato melhora, passa a sentir-se mais seguro e a mancha some.

5. Dalila – quatro anos e oito meses de idade

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