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Arrays

Dans le document Free Pascal : Reference guide. (Page 35-39)

3.3 Structured Types

3.3.1 Arrays

3.1.1. Queixa principal: sempre foi inquieta, nervosa, chora a toa, é irritada, não se alimenta, não obedece.

3.1.2. Outras queixas: Falou depois de dois anos. Mãe nega antecedentes patológicos. Mãe se queixa da “personalidade difícil”. Enurese aproximadamente uma vez por semana. Tem muita infecção, desde dois meses de idade ia para o hospital, infecção de garganta, de ouvido, tem refluxo gástrico. Tem infecção de garganta mais ou menos de três em três meses. Às vezes chora dormindo. Mania de “não gosto mais de você”. Dificuldade para se alimentar.

3.1.3. Hipótese diagnóstica psicopatológica: perfil de difícil avaliação/ personalidade querelante

3.1.4. Hipótese psicodinâmica: anorexia eletiva, enurese, infecções oportunistas e psicossomáticas do aparelho respiratório. Depressão secundária às condições do ambiente. Sintomas negativos.

3.2. Atendimento

3.2.1. Anamnese: pais se conheceram na escola, no 1° colegial, mas estudavam em classes diferentes (ele é um ano mais velho), mãe tinha 17 anos e pai 18 anos. Ficaram amigos por três anos e começaram a namorar. Namoraram quatro anos e casaram. Com seis meses de casados mãe engravidou. Gravidez planejada, os dois queriam menina. Gravidez calma, mas ficou muito inchada, então o médico sugeriu cesária. Mãe diz que a filha viu as fotos do seu parto, mas não reconhece, diz que não é ela. Nasceu saudável e a termo. Mãe não teve leite e diz que a filha era “muito nervosa para puxar peito, machucava” (sic). Mãe acha que não teve leite porque é muito nervosa, ficava ansiosa. Disse que ficava triste por não amamentar. Paciente tem muita infecção, desde dois meses de idade ia para o hospital, infecção de garganta, de ouvido, tem refluxo... Em dezembro 2006 esteve internada com amidalite (mãe diz que achou que a filha ia morrer). Criança sempre teve anemia, nunca comeu bem. Mãe diz não ter conseguido curtir a filha. Percebe que cuida mais da menor. Mãe brincou pouco com ela. Filha costuma deixar as bonecas sem roupa para mãe vestir (faz isso durante a sessão). Na escola está tudo bem. Começou a falar com mais ou menos dois anos, andou com 11 meses. Tirou fralda com um ano e cinco meses. Sempre foi ruim para comer, até hoje, na escola come. Tem infecção de garganta mais ou menos de três em três meses. Às vezes chora dormindo. Mania de “não gosto mais de você”. Quando começou a andar a mãe conversava bastante com ela. Com um ano e pouco disse que curtia a filha. Com

três anos começa a ir para creche e com quatro anos para o pré (este ano). Irmã com um ano e três meses. Brincam bastante, brigam um pouco (ciúme). Criança ajuda a mãe a cuidar da irmã.

3.2.2. As consultas terapêuticas / Observações da criança:

1º atendimento: mãe e paciente. Mãe diz que a filha chora com facilidade, muito agitada, ativa. Às vezes o oposto: muito quieta, fica deitada, dorme muito, chora dormindo, às vezes acorda chorando. Paciente diz que lembra do sonho, mas não conta. Agressiva com outras crianças (com a irmã de um ano, não), bate e grita muito quando irritada. A criança e a mãe são acolhidas enquanto a mãe traz as queixas. São investigados pontos de saúde, e concluiu-se que os sintomas são psicossomáticos, i.e., expressam a irritabilidade e falta de paciência para lidar com o cotidiano. Não há uma doença orgânica a ser tratada, mas sintomas conversivos, que podem ser considerados equivalentes depressivos. Como exemplo, hoje está irritada, com tosse e nariz escorrendo, está com infecção na garganta, teve febre três dias, ficou internada dois dias.

2º atendimento: mãe e filha. Queixa continua semelhante, às vezes bem, mas chora muito com freqüência. Mãe não consegue por limite e não gosta de brincar com ela. Inicia-se anamnese. Mãe não dá comida se ela não quer. Oriento mãe a dar comida mesmo se filha não quiser, porque ela é mãe e sabe o que é melhor. Mãe e filha queixosas, aponto e acolho. Oriento para brincar de “serrador” para aumentar circulação na garganta. Brincam e se divertem. Mãe parece começar a “regredir”.

3º atendimento: mãe e filha. Passaram a semana bem. Quando mãe chama atenção ela diz que não gosta mais dela. Tosse e nariz escorrendo melhorou. Chorou menos. Não acordou chorando. Continuação anamnese.

4º atendimento: mãe e filha. Ambas bem, mãe faz associações - filha com amidalite depois de apanhar do pai, disse que ela apanhou porque estava terrível. Continuação anamnese. Mãe se diz ansiosa e agitada, se compara com a filha, vê semelhanças. Na escola tudo continua bem. Orientei mãe confiar mais em si e curtir a filha.

5º atendimento: mãe e filha. Trouxeram uma foto da paciente onde ela está dançando. Continuação anamnese. Mãe e filha brincando com as bonecas, aponto que brincam juntas (no mesmo espaço), mas separadas (sem interagir), ambas sorriem, parecem perceber. Na escola está tudo bem, muito esperta e obediente, fazendo amigos,

chorando menos quando acordada, dormindo não chora mais. Mãe ainda um pouco inadequada, infantil (mãe e filha fazendo birra uma com a outra). Aponto e acolho.

6º atendimento: mãe e filha. Paciente disse que teve pesadelo ontem - gato queria pegar ela. Pede para mãe montar quebra cabeça com ela. Difícil chorar, não chora mais, só ontem por causa do pesadelo. Menos agitada. Mãe diz que está sabendo lidar com ela melhor. Às vezes está dormindo na escola (quando a professora conta história, antes não conseguia), comportamento mais adequado. Foi agendado retorno para 15 dias, mas se necessário, poderia vir na próxima semana.

7º atendimento: Mãe e ela estão bem. Chegam juntas contentes, brincam bastante, montam quebra-cabeça, mãe a ensina, ela procurar peças e mãe monta. Está dormindo bem, não teve mais pesadelo. Mãe diz que está bem melhor, família toda percebeu. Na escola está tudo bem também. Mãe lendo história e se sentindo melhor. Saúde boa, não ficou mais doente. Comendo melhor, comendo de tudo na escola e em casa. Mãe adequada. Têm alta.

3.2.3. Histórico e evolução da queixa: desde o nascimento criança nervosa, agressiva, machucava a mãe quando ia mamar. Aos dois meses de idade iniciam infecções, fica internada e doente com freqüência. Não se alimenta bem. Com o tempo torna-se mais agressiva, principalmente com a mãe. Sempre fez xixi na cama ao menos uma vez por semana. No decorrer das sessões torna-se mais carinhosa, mãe e filha interagem mais e as queixas cessam.

3.3. Análise do caso

A paciente apresenta sintomas negativos referentes à oposição ao poder, ou seja, obtém poder pela agressividade, que também lhe permite a defusão, por estar fundida ao self da mãe. A criança apresenta-se na posição viscocárica do desenvolvimento. Ao se opor ao outro, percebe-se enquanto sujeito diferente. O objetivo neste atendimento foi possibilitar o sentimento de estidade, mesmidade, thisness, os sintomas revelam a necessidade de autenticidade, de reconhecer-se enquanto pessoa. O fato da criança não se reconhecer na foto quando bebê, expressa o pensamento concreto e a dificuldade em perceber a constância do objeto, em outras palavras, ela tenta se reconhecer como pessoa agora, ao tentar se separar da mãe, antes, não existia. A partir do brincar, mãe e filha percebem-se como pessoas diferentes e podem então vincular-se, relacionar-se. A

filha deixa de ter sentimentos persecutórios e passa a se vincular com o mundo de maneira mais saudável e adequada.

4. Narciso – quatro anos e oito meses de idade

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