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2.3 Mod´elisation en bruit de phase

2.3.2 Utilisation d’une source de bruit non-lin´eaire

O CRM não tem por objetivo fornecer uma análise filosófica completa dos conceitos que define, nem estabelecer critérios formais para determinar se um item específico é um exemplo de uma de suas classes ou não. Pelo contrário, visa proporcionar um núcleo de linguagem que irá facilitar tarefas como a integração semântica de estruturas de dados heterogêneas ou a concepção de novas estruturas. (CROFTS, et al., 2003)

O documento que apresenta o modelo (ICOM/CIDOC-CRM Special Interest Group, 2003) é exaustivo, no entanto, não é intenção dos idealizadores que o modelo seja seguido na íntegra por todas as instituições. É um modelo supra-institucional, abstraído de um contexto local cuja finalidade é fornecer uma ferramenta metodológica em projetos de tecnologia relacionados ao patrimônio cultural melhorando a comunicação e evitando mal-entendidos nos conceitos semânticos da informação. Em um contexto técnico, o CRM pode ser usado como base para o arquivamento de dados, intercâmbio e integração - uma importante contribuição para a criação de uma rede global para o patrimônio cultural da informação.

Dentro de um ciclo de vida de um projeto e implementação de um Sistema de Informação, o CRM tem como papel uma contextualização do domínio da informação sobre o patrimônio cultural. A figura abaixo, de acordo com CROFTS et al. (2003), representa um ‘padrão’ para análise e desenvolvimento de SI e considera como distinção fundamental a elaboração conceitual e a explicação técnica de um SI e o domínio a que se destina apoiar.

Fonte: CROFTS, et al., 2003

O domínio do discurso – o mundo real, problematizado – que o SI se destina a abordar –, é composto por atores, entidades, objetivos, processos, etc. A análise do domínio em uma conceitualização, que pode ser capturada de alguma forma em modelos formais, deve considerar que esse método poderá apresentar limitações, pois nem sempre é possível captar fielmente a conceitualização interna atribuída por especialistas do domínio. Outro aspecto relevante diz respeito à conceitualização do domínio em si e a sua implementação em um SI, essas ações nem sempre são reflexivas: a primeira é idealmente um reflexo das exigências de informação do domínio em causa enquanto a segunda tem limitações impostas pela tecnologia utilizada. E por fim, há que se considerar o impacto, embora sutil, que a implementação do SI causa ao domínio, pois depende significativamente da conceitualização desenvolvida para o mesmo.

Nesse contexto, o CRM é um documento de referência que pode ajudar a estabelecer uma área conceitual comum entre as diferentes disciplinas e domínios relacionados ao patrimônio cultural. A necessidade de uma comunicação, clara e inequívoca, é essencial para projetos de tecnologia no campo do patrimônio cultural que envolva especialistas do domínio, desenvolvedores de sistema e outros técnicos. A finalidade é projetar e construir sistemas de informação tecnicamente aceitáveis, evitando equívocos de concepção e contemplando as especificidades, complexidades e sutilezas das informações sobre o patrimônio cultural.

Ao fornecer uma análise detalhada e rica do domínio patrimônio cultural, o CRM tende a facilitar o diálogo entre especialistas sobre o domínio e os em tecnologia. As classes e as relações das propriedades dos quais é composto o CRM são claramente definidas possibilitando ao especialista do domínio visualizá-lo como uma representação formal de conceitos familiares, enquanto especialistas em TI podem vê-lo como um projeto de alto nível para um sistema de informação.

Além do seu papel como uma referência puramente conceitual, o CRM pode ser utilizado como uma referência técnica para a comparação e avaliação de sistemas de informação e dados do esquema. O valor do CRM como uma referência técnica torna-se particularmente evidente quando é utilizado como

base para a transferência de dados entre sistemas incompatíveis. Ao proporcionar a base semântica para um formato de dados comum, por exemplo, um XML ou RDF Schema, fornece uma base extensível para transferência de dados entre SI’s e esquemas heterogêneos, entre instituições e migração de dados entre sistemas. A semântica do modelo comum, como o CRM pode também ser usado como base para os formatos de dados independentes e sistemas de arquivamento de longo prazo da informação cultural digital.

Pode ser utilizado também como um guia de referência na criação de especificações técnicas para a concepção de novos sistemas de informação do patrimônio cultural. É importante salientar que não é necessário implementar todo o CIDOC CRM. O modelo é destinado a cobrir todo o campo de informações sobre o patrimônio cultural, a um nível de detalhe aceitável para a investigação científica. Isso significa que alguns aspectos do modelo poderiam ser supérfluos para uma aplicação específica enquanto outros teriam de ser ampliados para suportar os requisitos específicos da instituição. O CRM foi concebido para tornar este processo de adaptação tão simples quanto possível. Ao utilizá-lo como ponto de partida para uma especificação técnica, grande parte da tentativa e erro envolvido na modelagem de um SI pode ser evitada, resultando em um design flexível e de fácil adaptação às necessidades futuras.

Uma de suas aplicações mais ambiciosas é o desenvolvimento de ferramentas de consulta integrada, sistemas de mediação e bancos de dados. Atualmente, grande parte das informações armazenadas em catálogos de biblioteca, arquivos, instrumentos de pesquisa e coleta de sistemas de gestão de museu permanecem isolados. Diferentes fontes de informação normalmente precisam ser consultadas individualmente, e as ligações entre sistemas são raros. A capacidade de combinar e integrar informações de várias fontes tem o potencial de agregar valor significativo aos dados existentes - facilitando a pesquisa e melhorando a qualidade da experiência do usuário. Isto é possível a partir do mapeamento dos sistemas participantes e suas representações internas de dados, cada um na forma canônica, fornecido pelo CRM, tornando- se possível a integração e interpretação dos dados armazenados em sistemas antes incompatíveis.

Estruturas de dados de projetos de normalização estão sendo harmonizados com o CIDOC CRM como, por exemplo, o Dublin Core58, o

Encoded Archival Description (EAD)59, e o Functional Requirements for Bibliographic Records (FRBR)60 entre outros61. Existem, também, projetos de normalização importantes que ainda não estão em processo de compatibilização com o CIDOC CRM, mas que são estabelecidos como “desejados” pelos desenvolvedores deste modelo, como a ISAD (G)60.