5. Utilisation
5.2 Utilisation des réactifs
O espaço de permanência da praça é rectangular medindo cerca de 50 por 30 metros. As alterações de 2010 deram ao espaço um carácter mais convexo aumentando a sua conectividade, (Fig. 6a)). Estamos portanto, segundo Gehl, dentro do campo de visão social (0-100m), sendo que a distância de 30 metros é de grande relevância para a vida social de um espaço uma vez que a esta distância nós percepcionamos o outro como individuo, expressões faciais, estilo do cabelo, etc.. E a uma distância inferior a 25 metros conseguimos perceber o seu estado de espírito, (Gehl, 1971).
Figura 5. “Jaywalking patterns”. Atravessamento da via automóvel na continuidade dos acessos à praça nos lados a) SO e b) SE
Créditos: Sara Eloy e Maria Guerreiro
É curioso verificar como a mudança dos acessos à praça introduzidas em 2010 veio alterar completamente os valores de integração visual deste local, (Fig. 6b)). As observações in loco apresentadas na Fig. 6c) confirmam este aspecto evidenciando os encontros informais das pessoas nos valores de integração mais elevada.
Entre as variáveis locais calculadas pelo software Depthmap analisamos o Coeficiente Visual de Clustering (Fig. 7a)) bem como as medidas de controlo e de controlabilidade (Fig. 8). Verifica-se que o Mapa de Coeficiente Visual de Clustering para 2010, reforça a importância das diagonais da praça como áreas contínuas visualmente que atravessam diversos sistemas / áreas homogéneas.
Paralelamente, os mapas de controlo e de controlabilidade17 dão-nos uma leitura da praça que
reforça as observações de William Whyte identificadas previamente: Trata-se de reforçar a ideia pioneira deste autor de que a principal actividade do espaço público é “ver outras pessoas” (1980). Assim, esta função é muito melhor cumprida se a grande maioria das pessoas se dispuser à volta da praça, sobre os lugares para sentar, cada um controlando de uma forma confortável à sua frente tudo o que se passa em redor da praça. Do ponto de vista da configuração espacial, parece-
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Enquanto as zonas de controlo valorizam as áreas visualmente dominantes as zonas de controlabilidade valorizam as áreas que são mais facilmente dominadas visualmente (Turner, 2004)
nos estar perante a situação apontada por Turner, em que as áreas de controlo e de controlabilidade são as mesmas (2004). No entanto, os dados fornecidos pelo mapa de controlo elaborado não confirmam esta percepção empírica tomada no local.
Figura 6. a) Mapas de Conectividade e b) Integração Visual HH, antes e depois de 2010, ambos com valores superiores a branco e c) Foto do lugar actual assinalando os encontros informais na
zona de maior integração visual.
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Figura 7 – a) Coeficiente Visual de Clustering, antes e depois de 2010 e b) Foto do local actual com representação de áreas homogéneas e de continuidade visual.
Créditos: Maria Guerreiro e Israel Guarda
É particularmente curioso o caso do banco que está sempre vazio mesmo quando a taxa de ocupação da praça é elevada (Fig. 8c). Este local é desvantajoso do ponto de vista da permanência não só porque a visibilidade é restrita - menos de 1/3 da praça mas também porque este fica bastante visível para os restantes observadores da praça.
Seria interessante desenvolver experiências neste banco, por exemplo retirando as costas, o que poderia permitir uma maior informalidade na escolha da direcção do sentar e do olhar por forma a aumentar a área de visibilidade a partir desse ponto. Um estudo mais desenvolvido sobre as isovistas neste local poderia também fornecer dados interessantes que justificariam melhor estes comportamentos e que não foi possível realizar no âmbito deste trabalho.
Figura 8. a) Áreas de Controlo e b) Áreas de Controlabilidade, antes e depois de 2010, com valores superiores a branco e c) Foto do local actual com evidência das pessoas em redor da
praça, o centro vazio e o banco desocupado pela fraca visibilidade que apresenta.
149 4. Conclusão
Nesta breve análise configuracional em que se exploraram alguns padrões espaciais verificou-se uma grande complementaridade e reforço mútuo entre as teorias de observação empírica desenvolvidas por William Whyte e as formalizações matemáticas fornecidas pelo uso do software Depthmap desenvolvido a partir da Lógica Social do Espaço ou Sintaxe Espacial.
Com estas análises ficou melhor comprovado o papel da acessibilidade no sucesso dos espaços públicos bem como a importância da configuração da praça na vida espacial e consequentemente na vida social daquele espaço.
Foram ainda apontadas as vantagens e as desvantagens das opções de desenho de reformulação da praça em 2010 bem como apontadas algumas soluções para alguns dos problemas da praça que ainda se mantêm, nomeadamente quanto às dificuldades de acesso nalguns pontos especialmente onde o eixo de integração visual apresenta os valores mais elevados.
Finalmente sugere-se que o desenho da praça e do seu mobiliário (fixo ou móvel) continue a evoluir no sentido do uso informal do espaço por forma a manter e a melhorar o grau de urbanidade entretanto alcançado.
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3.
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