Étape 5 : Réactivation du mode veille ou veille prolongée
6 Unités
Este capítulo trata da análise e discussão dos dados obtidos no questionário. Primeiramente, apresenta-se a análise quanti-qualitativa do perfil de estudantes (homens e mulheres) jovens tabagistas e não-tabagistas e quanto ao hábito tabágico na família. Após, as concepções dos estudantes sobre tabagismo e saúde reprodutiva, as consequências do fumo, a importância de conhecer o corpo e quem falou com os estudantes sobre sexo pela primeira vez.
A partir do número de identificação de cada sujeito participante, foi possível reconhecer a distribuição deles por curso e hábito tabagista. Como o número de indivíduos participantes foi pequeno, optou-se por agrupar os cursos. A principal observação refere-se ao fato de que apenas dois deles eram tabagistas ativos.
Tabela 2: Prevalência do tabagismo nos estudantes
Categorias Gênero
M % F %
1. tabagista 1 4.76 1 2.56
2. não-tabagista (nunca experimentou) 11 52.38 28 71,79 3. ex-tabagista - - - - 4. já experimentou 5 23.80 9 23.33 5. fuma esporadicamente 2 9.52 2 5,12 6. abandonou a menos de 10 anos 1 4.76 - -
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
No que se refere à prevalência do uso de tabaco, encontraram-se apenas 2 (3.33%) estudantes tabagistas, um do sexo masculino e outro feminino. Dos 60 estudantes, 39 (65%) nunca experimentaram o tabaco; 14 (23.33 %) já
experimentaram; 4(6.6%) fumam esporadicamente; e 1(1.66%) abandonou o vicio há menos de 10 anos. Deste modo, é uma população com pouco problema quanto a esta drogadição. Esse resultado demonstra talvez a consciência deles a respeito dos efeitos deletérios que o tabaco traz à saúde.
No entanto, é preciso pensar nos 21 indivíduos restantes que de alguma forma estão envolvidos com este problema, de maneira permanente ou esporádica. Salienta- se que 23.33% dos entrevistados já experimentaram o tabaco, isso faz refletir sobre o quanto a curiosidade está presente na adolescência e sobre a necessidade de medidas preventivas nessa fase da vida, uma vez que os adolescentes pensam que podem parar quando quiserem, porém com o tabaco não tem controle, o organismo cria dependência. “Com o tempo, o cérebro se acostuma e a nicotina não "dá barato", mas faz com que a pessoa se sinta "normal" já que, sem ela, fica nervosa, ansiosa, de mau humor” (KRANZ et al, 2002 p.10).
Conforme observado na tabela 2, das 39 mulheres participantes, 1 (2.56 %) é tabagista; 2 fumam esporadicamente; e 9 já experimentaram o tabaco alguma vez na vida. Embora neste estudo se tenha apenas uma tabagista, há uma preocupação crescente com o aumento de incidência do tabaco entre mulheres. Segundo pesquisas do INCA, o número de mulheres fumantes está aumentado principalmente por influência das campanhas publicitárias, já que elas têm se destacado no mercado de trabalho e no poder de bens materiais. As indústrias do tabaco têm focado as campanhas nelas e nos jovens. “Produtos desenhados especificamente para as mulheres, como cigarros com sabores e embalagens diferenciadas associam o tabagismo ao desejo universal das mulheres em serem atraentes e sedutoras” (LION, s/a.p.2).
Antigamente, dizia-se que a taxa de incidência de doenças era menor nas mulheres, porém se constatou que as mulheres são tão ou mais suscetíveis tanto nos “aspectos de saúde geral (cardiovascular e pulmonar, por exemplo), quanto nas peculiaridades próprias do sexo, como a gestação, a menopausa, o uso de pílulas anticoncepcionais, os cânceres de colo uterino e mama, entre outros” (Lion, s/a, p.4). Além disso, as mulheres demoram mais para conseguirem se livrar do vício por
influência dos hormônios, da rotina e até mesmo da pressão pelo corpo magro (INCA, 2010).
O tabagismo atinge a saúde da mulher de maneira ampla e profunda, em todas suas fases de vida, da adolescência (onde observa-se hoje o início do tabagismo), na vida adulta e reprodutiva, na maturidade e na terceira idade. Os efeitos da fumaça do cigarro, tanto para a fumante ativa quanto para a passiva comprometem a qualidade e a duração da vida. Comprometem sua capacidade de gerar vida saudável, de fazer crescer e sobreviver seus filhos, tanto no enfoque da saúde quanto no econômico (LION, s/a, p. 9).
A OMS instituiu o dia 31 de maio como o dia mundial sem tabaco, com o objetivo de chamar a atenção sobre a questão do tabagismo como um problema grave de Saúde Pública. O tema escolhido para o ano de 2010 foi “Tabaco e Gênero”, com enfoque no tabagismo feminino devido ao seu crescimento entre as mulheres. Devido à preocupação com o aumento de mulheres fumantes, nas embalagens dos maços de cigarro, além das fotos sobre a impotência e o câncer, também aparecem imagens de mulheres com o rosto enrugado em consequência do tabagismo.
Se os estudantes escolhem os cursos de saúde para auxiliarem as pessoas em busca de uma melhor qualidade de vida, por que eles próprios acabam se expondo aos efeitos nocivos do tabaco? Muitos começaram a fumar na adolescência, sem muitos conhecimentos sobre as consequências deste hábito para a sua qualidade de vida e para os neurotransmisssores, o que resulta numa dependência muitas vezes sem volta. Será que, aqueles que apenas experimentaram o fumo alguma vez na vida não correm o risco de retornarem a esse hábito e ficarem viciados? E os que usam esporadicamente? A nicotina vicia até mesmo aqueles que fumam esporadicamente, pois ela é absorvida rapidamente e chega ao cérebro em poucos segundos. E quanto mais rápida a substância for absorvida, maior a probabilidade de a pessoa se tornar dependente. Assim, aqueles que experimentam o fumo correm o risco de não conseguirem parar de fumar, pois a nicotina afeta o sistema nervoso central, causa mudanças de humor e diminui a tensão, criando a necessidade de fumar mais e mais. Isso impede o tabagista de deixar o vicio.
Uma questão foi direcionada para analisar a história de tabagismo nas famílias dos estudantes. A tabela a seguir se refere à pergunta: O Sr (a) conhece alguém na sua família que tem história de tabagismo. Quem? Pai, mãe e avô? Não sabe ou não tem?
Tabela 3: História familiar de tabagismo
História familiar Não existe ou desconhece
Pai, mãe ou irmãos
Pelo menos um avô (materno ou paterno) Tabagista - 2 - Esporadicamente 2 1 1 Já experimentou 3 4 7 Abandonou - 1 - Nunca experimentou 16 9 14
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
Observa-se que os 2 estudantes tabagistas têm histórico familiar de fumantes; dos 4 que fumam esporadicamente, 2 têm familiares fumantes; dos 14 que já experimentaram tabaco alguma vez, 11 têm familiares tabagistas. A história familiar representa um fator que, muitas vezes, motiva e influencia as pessoas a aderirem ao hábito tabágico. Quando os pais fumam, os filhos têm maior probabilidade de se tornarem fumantes ativos, visto que são fumantes passivos.
O tabagismo dos pais, bem como as suas atitudes em relação ao tabaco, têm sido associados de uma forma constante com o tabagismo dos jovens. As crianças criadas em ambientes familiares em que os adultos não fumam e os pais desaprovam o consumo do tabaco têm menos probabilidades de se tornar fumadores habituais (PRECIOSO, 2006, p. 205).
Dos estudantes que nunca experimentaram tabaco, 16 desconhecem familiares fumantes, porém 23 afirmaram ter fumantes na família. Isso significa que, mesmo não fumando continuam expostos ao fumo como fumantes passivos. Conforme Roehrs et al (2008), “não basta os familiares estarem próximos ao adolescente, são imprescindíveis
os exemplos positivos que os membros adultos representam para esta pessoa que está em pleno desenvolvimento”(p.356).
É preocupante considerar o fato de 39 (65%) dos 60 estudantes terem familiares fumantes, uma vez que a família é modelo de formação para os adolescentes. Assim, é necessária “uma atitude familiar essencialmente positiva no sentido da alteração de hábitos, e esta deve acontecer primeiramente nos membros adultos, pois eles se constituem modelos para os adolescentes” (ROEHRS et al, 2008, p. 356).
As respostas dos estudantes à questão: Você acha que existe relação entre tabagismo e saúde reprodutiva? Por quê? Mostram que para 1% não há relação; 1% não sabe; e a grande maioria (98%) acredita que tem relação, como ilustra a figura 3.
FIGURA 3: A relação tabaco/biologia reprodutiva.
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
A tabela 4 apresenta as categorias que emergiram da análise quanto à relação saúde reprodutiva e tabagismo. Na análise, é possível perceber que os estudantes têm
algum entendimento sobre o assunto. As justificativas usadas e sintetizadas constituíram oito categorias, seis das quais se relacionam aos aspectos da saúde corporal, e dentre estas, 3 são mais específicas do sistema reprodutor ou reprodução.
Tabela 4: Categorias que emergiram das respostas sobre a relação saúde reprodutiva/tabaco
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
Evidenciam-se as preocupações da imprensa e o comportamento social como na relação estabelecida entre tabagismo e saúde reprodutiva. Observa-se que 23 (38.3%) estudantes justificaram a questão, dizendo que o tabaco causa impotência e que afeta o desempenho sexual. Já 12 (20%) relacionaram o tabaco com o prejuízo fetal; 8 (13.3%) que o tabaco contém substâncias tóxicas prejudiciais ao corpo; 8 (13.3%) justificaram que o tabaco afeta o organismo de um modo geral; 3 (5%) que impede ou diminui as chances de reprodução. No entanto, quanto desta compreensão está incorporada à sua opção de fumar ou não, é difícil de perceber.
A maioria dos estudantes demonstrou uma preocupação quanto ao desempenho sexual e a impotência, sejam eles fumantes ou não, como ilustrado com suas falas:
Categoria Nº estudantes %
1. Impotência/afeta no desempenho sexual
23 38.3
2. Prejuízo fetal 12 20
3. Substâncias tóxicas prejudiciais ao corpo (células) e todos os sistemas
8 13.3
4. Tabaco afeta o organismo de um modo geral
8 13.3
5. Impede/ diminuição na reprodução 3 5
6. Causa alterações hormonais 1 1.6
7. Preocupações divulgadas na imprensa
1 1.6
Quadro 4: Concepções dos estudantes quanta a relação tabagismo/saúde reprodutiva Código Fala
121225072 “sim, porque prejudica o desempenho sexual”
241225076 “é obvio o tabagismo causa impotência sexual no homem”.
24110335 “sim, porque o tabagismo influencia o desempenho sexual e a
fertilidade”.
221220033 “sim, pois acredito que o tabagismo afeta várias funções do nosso corpo, e uma delas é a saúde reprodutiva (impotência sexual)”.
21225052 “sim, pois mulheres gestantes e fumantes podem prejudicar o feto no
seu desenvolvimento”.
221103047 “sim, sabe-se que grávidas que fumam podem prejudicar a saúde
dos bebes”.
151900059 “Sim o uso do cigarro pode causar mutações gênicas podendo
causar anomalias nos bebês”.
251220016 “Creio que exista relação entre tabagismo e saúde reprodutiva, o
exemplo é que na carteira de cigarro tem a advertência:fumar causa aborto”.
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
Outra parte dos estudantes citou como efeitos do tabaco prejuízos ao feto. A conscientização de que a fumaça pode prejudicar a terceiros refletiu-se nas respostas. Além da mulher se expor ao tabagismo, “existe também a vulnerabilidade do feto aos danos do fumo durante a gestação” (LION, S/A, p. 3).
[...] ação das substâncias do cigarro ocorre não somente sobre o fumante, mas também sobre o não-fumante, exposto à poluição ambiental causada pelo cigarro, conhecida como Fumo Passivo. O fumo passivo (10) causa doenças sérias e até fatais em adultos e crianças, além de contribuir para a diminuição na fertilidade de homens e mulheres. Gestantes e seus recém nascidos expostos ao fumo passivo apresentam mais problemas de saúde (LION, s/a., p.3).
Uma estudante que fuma de forma esporádica comentou sobre as imagens na carteira de cigarros, mas será que essas influenciam significativamente na escolha feita por ela de não fumar? Há algum tempo as embalagens de cigarro vêm trazendo fotos advertindo sobre as consequências do tabagismo, conforme figura 4.
De certo modo, as pessoas sentem-se incomodadas com essas imagens, algumas colocam um papel em cima das fotos, outros colocam o isqueiro. “Fica claro, então que os próprios produtos do tabaco podem funcionar na comunicação do risco de
fumar” (CARDOSO, 2005, p.21). Os alertas podem fazer com que o fumante pense duas vezes antes de consumir o tabaco.
FIGURA 4: Imagens encontradas nos maços de cigarro
Existem muitos fumantes que sentem o impacto das imagens. De acordo com estudo do INCA, 48,2% dos fumantes dizem que as advertências os deixam mais propensos a deixar de fumar, e 39,1% afirmam que já deixaram de pegar um cigarro no maço depois de olhar para essas imagens e frases
[...] as autoridades de saúde pública reconhecem que advertências sanitárias nas embalagens aumentam o entendimento da população sobre a real dimensão dos danos causados pelos produtos de tabaco. Além disso, as advertências podem mudar a imagem dos cigarros e outros derivados do tabaco, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, e aumentar nos fumantes a motivação de abandonar o consumo. Quando inseridas de forma bem visível e ilustradas com imagens, as advertências representam um componente essencial de programas nacionais para reduzir o tabagismo, principalmente porque atingem a população de menor escolaridade, na qual o tabagismo tem se concentrado (INCA, 2008, p. 7).
Nessa perspectiva, é necessário trazer para o debate esses materiais utilizados nus campanhas como forma de fazer com que o estudante reflita criticamente sobre os efeitos do tabaco, modificando suas atitudes e seu modo de vida.
Se 98% dos estudantes relataram saber das consequências da relação tabagismo/ biologia reprodutiva, e desses 63.3% citaram as consequências relacionadas ao aparelho reprodutor, isso demonstra que é um assunto que os preocupa. Sexualidade é compreendida como área que pode ser afetada pelo uso do tabaco. Resgatando temas do cotidiano, a escola poderá desenvolver o currículo de acordo com os interesses dos estudantes. Nesse contexto, o diálogo e o debate sobre questões relacionadas à sexualidade e ao tabagismo são essenciais para a construção de indivíduos conscientes e responsáveis pelos seus atos.
Depois de estabelecida a relação biologia reprodutiva/tabagismo, os estudantes foram questionados se: “Saberia citar algumas consequências do fumo para a saúde?”, A tabela 5 apresenta as conseqüências trazidas pelos estudantes e quantas vezes foram citadas, já que cada um deles podia registrar mais de uma opção.
Tabela 5: Categorias que emergiram das consequências do tabagismo
Categoria Nº de vezes
citada*
1. Câncer e tumor 50
2. Saúde bucal e respiratória, mau hálito 35
3. Impotência sexual 16 4. Aborto 11 5. Infarto 5 6. Manchas 4 7. Dependência 3 8. Envelhecimento precoce 2 9. Má qualidade de vida 1
10. Aumento da freqüência cardíaca/pressão 1 *Mais respostas que estudantes, pois cada um podia indicar mais de uma
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
O câncer foi citado 50 vezes pelos estudantes; saúde bucal e respiratória 35; impotência 16 vezes; aborto 11; infarto 5. Os estudantes expressaram certo grau de conhecimento sobre a relação entre os efeitos do tabaco e a saúde. Será que obtiveram essas informações anteriormente? De que maneira?
As falas dos estudantes parecem estruturar-se em um discurso alicerçado nas suas vivências, do senso comum, não configurando conhecimento cientifico sobre o tema. As informações chegam à maior parte dos estudantes através de meios não formais, tais como: mídia, família, conversas com amigos, figuras nos maços de cigarro e muito pouco através da escola.
Novamente, questões tais como: Será que basta preocupar-se com a saúde para obrigatoriamente ter hábitos saudáveis? Ou seja, não serem fumantes? Ou todos que têm algum conhecimento sobre a questão, no seu dia-a-dia, deixam de fazer uso do cigarro? Então, que outros aspectos precisam ser identificados para provocar modificações nos sujeitos quanto às drogadições e a maneira de combatê-las?
Diversas pesquisas vêm sendo realizadas visando demonstrar o alto índice de tabagismo entre os universitários, principalmente aqueles que fazem parte da área da saúde. Apesar de conhecerem os efeitos nocivos do fumo sobre o organismo, a
drogadição entre eles é crescente e preocupante. Uma boa parcela dos estudantes da área da saúde ainda tem o hábito de fumar, o que causa estranhamento.
Em razão disso, questionam-se quais fatores levam ao uso do tabaco entre os universitários. Alguns autores consideram o período de transição do indivíduo, do nível de ensino médio para o superior, como um momento em que muitos jovens podem entrar em contato com o cigarro, ou então até aumentar o consumo, visto que ainda vigora, no senso comum, a perspectiva de que ao entrar na universidade o jovem faz um rito de passagem que o transforma em adulto livre e capaz de tomar decisões próprias. Além disso, Precioso (2004) salienta que
Podemos admitir que a transição do ensino básico para o ensino superior constitui um factor de risco associado com o consumo de tabaco. Isto pode explicar-se pelo facto de muitos estudantes começarem a estabelecer relações com pessoas normalmente da sua idade (convivialidade endogeracional), com hábitos muitas vezes diferentes dos que possuíam que podem incluir: fumar, beber, consumir drogas ilícitas, terem comportamentos sexuais de risco, etc.. Por outro lado, têm mais facilidade para frequentar locais de lazer, como cafés, bares e discotecas em que fumar é habitual. Estes podem ser factores sociais e ambientais que poderão levar a que muitos estudantes, que até determinado momento da sua vida académica não fumaram comecem a fazê-lo. A influência destes factores faz-se sentir com particular intensidade nos estudantes que, ao ingressarem na Universidade, ficam fora do ambiente familiar, o que faz com que fiquem sujeitos de forma mais intensa a novas influências e a uma diminuição do controlo e influência da família. A transição do meio social em que se desenrolou o ensino secundário para o meio académico pode funcionar como um factor de risco para muitos alunos universitários que não são fumadores e que podem vir a fumar (p. 504).
Na página do INCA (2010), são mostrados os resultados da pesquisa “Vigilância do Tabagismo em Universitários da Área da Saúde", em 52 universidades de quatro capitais brasileiras, em que metade dos estudantes entrevistados nunca aprenderam sobre esse tema na faculdade. Com base nisto, sugere-se que sejam incluídos nos cursos conteúdos focados nos aspectos que causam a dependência de tabaco bem como tratamentos para deixar de fumar. Tal importância é dada, pois esses estudantes futuramente serão formadores de opinião e modelos de comportamento.
Por essa razão, é essencial o conhecimento dos principais fatores de risco provocados pelo tabagismo, com o objetivo de traçar campanhas preventivas
direcionadas a prevenir a iniciação do vício de fumar. Da mesma forma, é importante saber o que os universitários pensam sobre o conhecimento do corpo e se estas informações possibilitam identificar um conjunto de categorias que permitam a elaboração de projetos de intervenção no tabagismo entre jovens.
Na questão “Conhecer o corpo humano e suas funções biológicas e químicas é importante para você? Por quê?”, o discurso de cada estudante foi incluído em categorias, mutuamente exclusivas. Foi possível reconhecer que a maioria deles (41.66%) pertencia à categoria 1 “instrumental-individualista”, seguida da 2ª instrumental-interativa (35%). Do restante, 10% foram incluídos na observacional- associativa, e 6.66%, na observacional-dissociativa, conforme pode ser observado na tabela 6.
Tabela 6: Categorias emergidas dos discursos dos estudantes conforme o curso Categorias Fisioterapia Medicina Odontologia Farmácia Total % instrumental- interativa 2 4 4 11 21 35 instrumental- individualista 1 6 9 14 25 41.66 observacional- associativa - - 2 4 6 10 observacional- dissociativa 1 - 2 1 4 6.66 Total 4 10 17 29 60
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
No caso da Fisioterapia, dois estudantes justificaram de maneira instrumental- interativa. A maioria dos estudantes de Medicina relacionou a importância de conhecer o corpo de modo instrumental-individualista, assim como no curso de Odontologia e de Farmácia. Estes resultados podem ser visualizados no gráfico 3.
FIGURA 5: As quatro categorias emergidas dos discursos conforme os cursos.
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química
De acordo com os PCN (1998), é preciso fazer com que o aluno conheça o próprio corpo e cuide dele, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. Isto demonstra a necessidade de considerar as concepções dos sujeitos sobre o conhecimento que têm do corpo para elaborar trabalhos de intervenção nos cuidados a serem adotados para uma saúde de qualidade.
Importante compreender que ter saúde envolve um conjunto de elementos, entre eles, estar sexualmente saudável, e que a sexualidade necessita ser abordada a partir das vivências cotidianas dos estudantes, nas diversas áreas, estabelecendo ligações entre o conhecimento escolar, o cotidiano e a família. Os estudantes foram questionados também sobre: “Qual foi a primeira pessoa com quem você conversou sobre sexo? Por quê?”, Chama a atenção o fato de um grande número deles responder que foi com a mãe (tabela 7).
Tabela 7: Categorias referentes ao questionamento sobre quem foi a primeira pessoa com quem falou sobre sexo
Categoria Gênero F % M % Família* 22 56.41 18 85.71 Amigo 9 23.07 2 9.52 Escola 3 7.69 1 4.76 Não lembra 3 7.69 - - Namorado 2 5.12 - - Total 39 100 21 100
Fonte: Repostas à pesquisa sobre Tabagismo, Saúde Reprodutiva Humana e a Conceitualização Biológica e Química. *Família compreende: mãe, irmão, pai, pais, em casa.