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Un prolongement de la signification de l’arrêt

Partie II. Investigations dans le champ

Section 2. L’orientation dialogique des rapports et conclusions

B. Un prolongement de la signification de l’arrêt

A escolha dessa técnica residiu no fato de ela permitir um olhar mais apurado acerca dos sujeitos, possibilitando certa aproximação na tentativa de compreender a dinâmica da prática educativa. Para Lüdke e André (1986, p. 26), “[...] na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações”. Através da observação participante, o pesquisador pode captar diversas situações que certamente não seriam possíveis através do questionamento aos sujeitos.

A técnica de observação em campo foi realizada com o objetivo de identificar as possibilidades de participação de crianças, famílias e professoras nas escolhas, tomadas de decisões e planejamento da prática pedagógica na creche. A observação do cotidiano da creche compreendeu o acompanhamento de todo o processo em que se configura a ação educativa na instituição, buscando perceber como eram tratados os relatos de experiências, as expressões das angústias, os desejos e necessidades das crianças e suas famílias; e de que forma tais vivências eram inseridas no processo educativo.

Para tanto, adotei como foco de observação todas as experiências que caracterizam a prática pedagógica, realizadas nos mais variados espaços da creche, nas quais fosse possível a relação da professora com as crianças e das crianças entre si. Sendo assim, observei as turmas na sala de atividades, no parquinho e nas diversas atividades ao ar livre. Acompanhei também

os encontros de estudo ou planejamento, as reuniões de pais e professoras, assim como outras situações em que professoras, crianças e famílias participaram de atividades na creche, como as datas festivas: dia das mães e festa junina.

As observações nas turmas foram compostas de 30 sessões, sendo 15 em cada turma, que tiveram início em meados do mês de março11 e foram até o início de julho. Cada turma foi observada uma vez por semana, em dias alternados, e durante todo o período de atividades, isto é, desde a chegada até a saída e entrega das crianças às famílias. As observações foram orientadas por um roteiro (Apêndice A), através do qual foi possível um olhar mais atento acerca das especificidades da prática docente, tendo como foco as práticas e estratégias metodológicas; a organização dos conteúdos/saberes/conhecimentos; as relações sociais entre criança/criança e professora/criança/família; e as reuniões com a participação das famílias. Todas as observações foram registradas em um diário de campo e algumas cenas também foram filmadas e fotografadas, conforme a relevância para a pesquisa e mediante o pleno consentimento dos sujeitos.

Dada a dinamicidade do processo educativo e as peculiaridades das crianças que possuem múltiplas linguagens e manifestam o que pensam ou sentem de diversas maneiras, foram registradas suas reações diante das atividades propostas, os choros, as brincadeiras e os burburinhos, ou seja, busquei realizar uma observação atenta às diversas manifestações de alegria ou descontentamento das crianças, pois as emoções têm muito a dizer sobre elas. Assim, foi possível compreender os interesses e necessidades das crianças sujeitos da pesquisa, permitindo conhecê-las melhor e perceber suas reações em relação ao que foi proposto.

É importante deixar claro que o processo de observação em turmas foi rico em aprendizagens e experiências, mas também desafiante, pois apesar das informações prestadas às professoras e de todos os esclarecimentos feitos às famílias e equipe da instituição, a minha presença em turma causava um misto de curiosidade e desconforto. As crianças ora me confundiam com a “tia” e pediam minha ajuda, ora me enxergavam como igual e compartilhavam seus desejos e brincadeiras. Já as professoras, inicialmente, viam-me como a “estagiária” e esperavam uma participação ativa com contribuição nos afazeres da turma, mas logo no segundo encontro essa impressão foi desfeita e deu lugar para certo desconforto, ansiedade, receio e sensações que ao longo dos encontros foram se transformado em respeito e confiança mútua. Nesse processo, foi necessário focar meu olhar para o grupo de crianças,

11 Apesar das atividades letivas terem início no mês de fevereiro, optei por iniciar as observações somente no

atentando para “[...] as suas relações, suas criações, suas culturas, realizando registros que [pudessem] gerar reflexões ao serem retomados individualmente ou de maneira coletiva” (BRASIL, 2009b, p. 103). Assim, foi possível construir um conjunto de dados que relacionados com os demais elementos da investigação puderam oferecer um panorama das turmas observadas, respeitando as peculiaridades de crianças e professoras no cotidiano da prática pedagógica.

As reuniões de pais também foram alvo de observação visando à compreensão das oportunidades de participação das famílias nas escolhas e tomadas de decisões. No decorrer do primeiro semestre, período em que ocorreu a observação das turmas, acompanhei seis reuniões com as famílias, sendo que duas foram coletivas, coordenadas pela gestora e pela coordenadora, e outras duas em cada turma, direcionadas pelas professoras e com a presença da coordenadora. Durante as reuniões, utilizei o tópico 4 do Roteiro de Observação do cotidiano da instituição (Apêndice A) que permitiu a compreensão e análise das possibilidades de intervenção das famílias, bem como as temáticas abordadas durante os encontros e como elas repercutem na construção do currículo da instituição.

Durante as reuniões, minha preocupação esteve em interferir minimamente no transcurso do trabalho, a fim de que tanto as famílias quanto as professoras pudessem falar livremente. Entretanto, senti que durante a primeira reunião em cada turma, inicialmente, as professoras ficaram constrangidas com minha presença e me olhavam como se pedissem ou esperassem certa confirmação para o que diziam. Optei por sentar mais afastada e somente na segunda reunião senti que já estavam mais à vontade e então pude acompanhar mais de perto o trabalho desenvolvido. Além das reuniões, foram observadas também outras oportunidades de interação que ocorrem no cotidiano da instituição, como, por exemplo, os momentos de entrada e saída das crianças, por serem ricas possibilidades de troca de informações sobre a criança e o processo educativo.

Os encontros de estudo ou planejamento realizados na própria instituição foram observados na tentativa de compreender as possíveis articulações com a prática pedagógica na instituição, quem são os sujeitos envolvidos e como as opiniões/necessidades das professoras, crianças e famílias são consideradas no percurso da prática educativa (Apêndice B). Foram três encontros de planejamento e nessas ocasiões, pude compreender como é feito o plano, quem os coordena, qual a participação das professoras, os assuntos abordados, as possibilidades de reflexão, bem como o nível de envolvimento de crianças e famílias. Nesse processo, acompanhei também a utilização do material pedagógico da Projecta no planejamento das atividades.

Convém salientar que todas as observações foram registradas em diário de campo e também por meio de filmagens e fotografias. Tais registros assumiram um importante papel, complementando os registros de campo, sobretudo nos momentos de interação como roda de conversa, roda de histórias, brincadeiras e atividades com o livro, nas quais seria difícil registrar as especificidades dos acontecimentos. Em seguida, as filmagens foram transcritas e incorporadas aos registros de campo. Vale destacar que a presença da filmadora causou entusiasmo inicial nas crianças que pediam para serem fotografadas e talvez algum constrangimento por parte das professoras, porém, com o passar dos encontros, isso foi se naturalizando de maneira que já não era possível notar nenhuma reação adversa.

A utilização da observação foi fundamental para o alcance dos objetivos da pesquisa. Contudo, para compreender a problemática do currículo, seriam necessários outros olhares, tendo em vista que a prática educativa é complexa e dinâmica e depende fundamentalmente dos interesses e concepções de quem a conduz, nesse caso, as professoras, pois são elas as responsáveis diretas pela organização do trabalho pedagógico. Sendo assim, quem são as profissionais, como elas trabalham e o que pensam sobre as crianças, famílias e o trabalho desenvolvido na instituição? Essas são algumas questões que foram respondidas através das entrevistas com as professoras, a coordenadora e a diretora.